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Colheita de soja alcança 82,1%, aponta boletim da Conab

A colheita de soja no Brasil alcançou 82,1% da área, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana passada, o índice era de 74,3%, o que representa um avanço de 10,5% no período.
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Em relação à média dos últimos cinco anos, de 78%, o desempenho atual está 5,3% acima, indicando um ritmo mais acelerado neste ciclo. Por outro lado, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a colheita estava em 85,3%, há uma queda de 3,8%, mostrando que os trabalhos ainda seguem um pouco mais lentos que em 2025.
Colheita de soja por região do Brasil
Regionalmente, os dados mostram que os estados com maior avanço na colheita são Mato Grosso (99%), Mato Grosso do Sul (96%), São Paulo (95%) e Goiás (94%), onde os trabalhos estão praticamente concluídos. Em seguida, aparecem Paraná (91%), Minas Gerais (86%) e Tocantins (85%), também com bom ritmo.
Por outro lado, Bahia (70%) e Piauí (66%) apresentam um andamento intermediário, enquanto Maranhão (45%), Santa Catarina (41%) e Rio Grande do Sul (40%) registram os menores percentuais, indicando maior atraso na retirada da safra.
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Guerra no Oriente Médio pode gerar crise de fertilizantes e pressionar produção no Brasil

A escalada das tensões no Oriente Médio acende um alerta no agronegócio brasileiro. A possibilidade de ataques a infraestruturas estratégicas no Irã pode afetar diretamente o abastecimento global de fertilizantes e pressionar os custos de produção no campo.
A avaliação é de Manoel Mário, diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro). Segundo ele, o cenário é preocupante e pode gerar desdobramentos relevantes para o Brasil, que depende majoritariamente de insumos importados.
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Estreito de Ormuz no centro do risco global
O principal ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial e grande parte do gás natural.
De acordo com Manoel Mário, um eventual bloqueio ou instabilidade na região afeta diretamente a logística global, podendo elevar os custos de transporte e produção.
“Se houver ataques a estruturas energéticas, o impacto será global. O Brasil pode estar entre os países mais prejudicados”, afirmou.
Dois cenários possíveis para o mercado
O dirigente da Alagro aponta dois caminhos possíveis diante da crise:
- Desbloqueio da rota marítima: os preços dos fertilizantes permanecem pressionados, mas o fluxo global tende a se normalizar
- Manutenção das restrições: queda na oferta de insumos e aumento ainda maior dos preços
No segundo cenário, os efeitos seriam mais severos, com impacto direto sobre a produtividade agrícola.
Dependência externa agrava vulnerabilidade
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Essa dependência amplia a exposição do setor a crises internacionais.
Segundo Manoel Mário, o país ainda não estruturou uma resposta estratégica para enfrentar esse tipo de risco.
“É preocupante não termos um comitê para discutir esses impactos. A dependência externa é alta e exige políticas públicas mais robustas”, destacou.
Pressão sobre custos e risco para a produtividade
A possível escassez de fertilizantes ocorre em um momento sensível para o agro. Após safras exigentes, a reposição de nutrientes no solo é essencial para manter a produtividade.
Sem acesso adequado aos insumos, produtores podem enfrentar queda de rendimento e aumento nos custos de produção.
Além disso, o encarecimento do petróleo tende a impactar toda a cadeia, elevando custos logísticos e pressionando ainda mais as margens.
Impacto pode ser global
O alerta não se restringe ao Brasil. A combinação entre conflito geopolítico, energia cara e restrições logísticas pode afetar o abastecimento global de alimentos.
Para Manoel Mário, o cenário exige atenção imediata.
“Espero que esse conflito seja cessado rapidamente. Caso contrário, os impactos serão sentidos em todo o planeta”, afirmou.
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Trigo no Brasil: quando a entressafra deixa de ser confortável e passa a ser estratégica

A entressafra de trigo no Brasil se configura, neste momento, como um período particularmente desafiador — não pela ausência absoluta de produto, mas pela combinação de fatores que restringem a disponibilidade efetiva, sobretudo de trigo com padrão de qualidade superior.
O primeiro vetor é a oferta curta no Mercosul. A disponibilidade remanescente no Brasil e nos países vizinhos é limitada, com volumes pontuais ainda circulando — como fluxos recentes do Paraguai em direção ao Paraná —, mas insuficientes para alterar de forma relevante o equilíbrio do mercado. Trata-se, portanto, de um ambiente em que a oferta existe, porém é escassa, fragmentada e altamente seletiva.
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Há, contudo, um contraponto relevante. A Argentina ainda dispõe de volume considerável de trigo, o que, em uma leitura superficial, poderia sugerir maior conforto na oferta regional. Na prática, esse volume não se converte integralmente em disponibilidade útil para a indústria brasileira. A limitação reside na qualidade, com escassez de trigo com teor de proteína mais elevado. Assim, embora haja oferta em termos quantitativos, a restrição qualitativa reduz significativamente sua aplicabilidade, sobretudo para moinhos que operam com blends mais
exigentes, reforçando a percepção de um mercado efetivamente apertado.
No plano logístico, o momento também impõe limitações importantes. A priorização do escoamento da safra de verão reduz a eficiência operacional para o trigo, tanto na movimentação interna quanto na capacidade de armazenagem e segregação nos portos. Soma-se a isso a elevação dos custos de frete rodoviário, o que encarece a arbitragem entre regiões e reduz a fluidez dos negócios.
Esse quadro se torna ainda mais complexo quando inserido no contexto internacional. As tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel vêm ampliando a volatilidade no mercado de energia, com reflexos diretos sobre os custos de frete marítimo. Em um momento
em que o Brasil passa a depender mais de origens fora do Mercosul para suprir lacunas de qualidade, esse encarecimento logístico ganha peso na formação de preços e nas decisões de originação.
Nesse ambiente, cresce a necessidade de diversificação de origens. O trigo russo se destaca pela competitividade no FOB, embora parte dessa vantagem seja absorvida pelo frete mais elevado. Já o trigo norte-americano (HRW), tradicionalmente mais caro, torna-se ainda menos competitivo em termos de custo final, mas segue sendo uma alternativa estratégica para moinhos que demandam qualidade consistente. Essa recomposição do mix de origens ocorre, portanto, sob uma estrutura de custos mais pressionada, exigindo maior precisão nas decisões de compra.
Do ponto de vista regional, os impactos são heterogêneos. Moinhos localizados no Sul, especialmente aqueles que se anteciparam à originação, operam com maior previsibilidade. Em contrapartida, nas regiões a partir do Sudeste em direção ao Norte, a dependência de
importações — combinada à menor disponibilidade de trigo de qualidade — torna o cenário mais restritivo, com maior exposição a custos logísticos e variações cambiais.
Outro elemento que merece atenção é o comportamento da demanda. Em um ambiente de custos mais elevados e margens pressionadas, a indústria tende a adotar postura mais cautelosa, ajustando blends, postergando compras sempre que possível e buscando maior eficiência no uso da matéria-prima. Ainda assim, a necessidade de manutenção da qualidade final dos produtos impõe limites a essa flexibilização.
Farelo de trigo
Para que a conta industrial se equilibre, um movimento de alta nos preços da farinha torna-se cada vez mais provável. Essa necessidade se evidencia com maior clareza diante da forte queda nos preços do farelo observada nas últimas quinzenas.
Ao se analisar a composição da receita da moagem ao longo dos últimos cinco anos, observa-se que o farelo — embora frequentemente tratado como subproduto — representa, em média, um adicional superior a 10% sobre a receita gerada pela farinha. À primeira vista, trata-se de
uma participação relativamente modesta; contudo, em diversos momentos de mercado, esse componente é determinante para a sustentação das margens operacionais dos moinhos.
Por fim, a entressafra atual também antecipa sinais importantes para a próxima temporada. A expectativa de redução de área plantada, somada aos riscos climáticos associados ao El Niño — especialmente na Região Sul —, reforça a percepção de uma transição potencialmente apertada entre safras. Nesse contexto, produtores com estoques remanescentes tendem a encontrar melhores oportunidades de comercialização, embora ainda enfrentem pressão de custos e seletividade por qualidade.
Em síntese, a entressafra de trigo no Brasil em 2026 não se define apenas pela escassez, mas pela complexidade. Trata-se de um período em que qualidade, logística, câmbio e estratégia de originação assumem papel central — e em que decisões antecipadas tendem a
diferenciar aqueles que gerenciam risco daqueles que simplesmente reagem a ele.
Quando a logística se torna restritiva e a qualidade escasseia, o mercado deixa de ser confortável — e passa, inevitavelmente, a ser estratégico.

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos
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Agro Mato Grosso
Escoamento da soja mantém o frete em alta em Mato Grosso

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