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4 de agosto de 2026

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Minas Gerais compra tilápia pela primeira vez e acende alerta no setor produtivo

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Foto: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Minas Gerais registrou, pela primeira vez desde 1997, a importação de tilápia, mesmo em meio ao avanço da piscicultura no estado. Em fevereiro de 2026, foram adquiridas 122 toneladas do Vietnã, segundo dados do ComexStat — o primeiro registro da série histórica.

O movimento acompanha uma tendência nacional. No mesmo período, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas de filé de tilápia do país asiático, volume equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Pela primeira vez, as importações superaram as exportações e passaram a representar 6,5% da produção mensal brasileira.

Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, o dado chama atenção porque Minas vem se consolidando como um dos principais polos da piscicultura no país, com expansão acima da média nacional, especialmente em regiões como Morada Nova de Minas.

De acordo com a analista, a importação não está ligada à falta de oferta interna, mas a fatores econômicos. O filé importado chega ao mercado com preços mais competitivos, resultado da produção em larga escala e de custos mais baixos no Vietnã. A avaliação é de que o cenário exige atenção, já que a entrada do produto pode afetar a competitividade da cadeia produtiva estadual.

Produção cresce, mas importação avança

Apesar do avanço das importações, a produção de tilápia segue em alta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil produziu 442 mil toneladas em 2023 e avançou para 499 mil toneladas em 2024, alta de 12,8%.

Em Minas Gerais, o crescimento foi mais intenso. A produção passou de 45,5 mil toneladas para 58,4 mil toneladas no mesmo período, aumento de 28%. Com isso, o estado responde por cerca de 11,7% da produção nacional e ocupa a terceira posição no ranking, atrás de Paraná e São Paulo.

Além do aumento de volume, o estado vem ampliando investimentos em tecnologia, genética, nutrição e processamento, fortalecendo a estrutura da cadeia produtiva.

Mesmo assim, produtores apontam impactos diretos da concorrência externa. Segundo o produtor Carlos Junior de Faria Ribeiro, a importação já afeta o setor e exige resposta rápida. Outros estados produtores, como Paraná, Santa Catarina e São Paulo, já adotaram medidas de proteção.

“O produtor e a indústria mineira pagam ICMS, enquanto o filé importado do Vietnã entra no estado sem essa mesma carga. Na prática, Minas Gerais acaba subsidiando o produtor estrangeiro, quando deveria fortalecer e proteger quem produz aqui”, disse.

Risco sanitário e regulatório

A sanidade também preocupa. A entrada de produto importado pode elevar o risco de doenças exóticas, como o vírus da tilápia do lago (TiLV). O Brasil é considerado livre da enfermidade, e uma eventual introdução poderia gerar prejuízos relevantes à piscicultura.

Outro ponto de atenção é a possível classificação da tilápia como espécie exótica invasora no país. Em 2025, a discussão avançou na Comissão Nacional de Biodiversidade, mas a revisão da lista foi suspensa para reavaliação dos critérios.

Segundo o analista de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Guilherme Oliveira, uma eventual mudança pode aumentar custos, ampliar a burocracia ambiental e gerar insegurança jurídica.

A avaliação é de que o cenário pode frear investimentos na cadeia e afetar diretamente produtores, principalmente os de menor porte, além de comprometer a competitividade no mercado internacional.

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Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

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Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso deve encerrar nos próximos 15 dias. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) diante dos trabalhos observados na região Sudeste que se encontram em 85,61%. Até o dia 31 de julho as máquinas haviam passado por 96,77% da área semeada no estado.

Na semana o avanço da média estadual foi de 6,11 pontos percentuais, sendo a região Sudeste com o maior dentre as que cultivam o cereal. Por lá, o progresso semanal foi de 18,02 pontos percentuais.

A analista do Imea, Milena Bezerra, explica que o desempenho observado na variação semanal no Sudeste do estado foi impulsionado pela intensificação das operações em áreas que atingiram o ponto ideal para a retirada dos grãos.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, pontua a analista.

As regiões mais próximas da conclusão são a Médio-Norte com 99,67%, Norte com 99,47%, Nordeste 98,75% e Noroeste 98,01%. Caso as condições climáticas não atrapalhem, também devem encerrar os trabalhos nos próximos dias o Oeste (96,32%) e Centro-Sul (96,27%).

Em comparação a colheita da temporada 2024/25, os trabalhos da atual estão 0,39 ponto percentual à frente, contudo atrás da média das últimas cinco safras de 97,11%.


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Quando o preço cai na roça, quanto tempo leva para chegar ao seu prato?

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Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Quem acompanha o mercado todos os dias acaba percebendo algumas coisas que passam despercebidas para quem está olhando somente o preço no supermercado. Uma delas sempre me chamou a atenção. Quando o preço de determinado alimento começa a subir na origem, a transmissão dessa alta costuma ser bastante rápida.

Às vezes o produto nem subiu tanto ainda, mas a notícia de que poderá faltar, de que a safra será menor ou de que os preços estão reagindo já começa a percorrer a cadeia. O atacado reage, compradores se movimentam e pouco tempo depois o consumidor percebe a mudança na gôndola.

Agora faça o caminho contrário. Quando o preço cai na roça, principalmente quando cai bastante, essa velocidade parece ser outra. E não estou dizendo aqui que necessariamente alguém está ganhando mais ou fazendo algo errado. Seria simplificar demais uma cadeia que envolve transporte, classificação, embalagem, impostos, estoques comprados anteriormente, perdas, custo financeiro, distribuição e margem. Tudo isso existe e precisa ser levado em consideração.

Mas existe uma pergunta que considero absolutamente justa e que nós, consumidores, fazemos pouco: se caiu na roça, quanto tempo demora para cair no supermercado?

Eu acompanho isso muito de perto no Feijão e talvez por isso essa questão tenha ficado ainda mais evidente para mim. Há momentos em que o Feijão perde R$ 50, R$ 80 ou até mais por saca em um período relativamente curto na origem. O produtor sabe. O comprador sabe. Quem acompanha o mercado sabe.

Mas será que o consumidor percebe essa queda na mesma intensidade e, principalmente, em quanto tempo? É justamente isso que precisamos começar a medir.

E não somente no Feijão. Também Arroz, carne bovina, carne suína, frango, ovos, verduras e legumes. No fundo estamos falando daquilo que milhões de brasileiros conhecem muito bem: o nosso prato feito. Imagine acompanhar quanto custa preparar praticamente o mesmo prato em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Não uma vez por ano. Toda semana.

Quanto custa o arroz? Quanto custa o Feijão? E a carne? O frango? O ovo? Na semana seguinte fazemos novamente a mesma conta e, em paralelo, acompanhamos o que está acontecendo no campo.

Com o passar do tempo teremos condições de enxergar algo muito mais interessante do que simplesmente dizer que o alimento está caro ou barato. Poderemos começar a medir quanto tempo uma alta ou uma queda leva para sair da origem e chegar efetivamente ao consumidor. Isso pode nos trazer algumas surpresas. Pode inclusive mostrar que algumas percepções que temos hoje estão erradas.

Talvez determinados alimentos transmitam rapidamente tanto a alta quanto a queda. Outros podem demorar semanas. Em alguns casos, o problema poderá estar no estoque comprado anteriormente. Em outros, na logística. E poderá haver situações em que simplesmente não encontraremos uma explicação tão evidente. Mas teremos números para discutir. E isso é muito melhor do que trabalhar com impressão.

Há ainda outro lado dessa história que considero importante. Muitas vezes o produtor vê seu produto cair fortemente de preço e, pouco depois, escuta alguém dizer que aquele mesmo alimento continua caro no supermercado. Imagine a sensação de quem está recebendo menos na roça e sendo apontado, ainda que indiretamente, como responsável pela comida cara. Precisamos conseguir enxergar melhor esse caminho.

Hoje temos tecnologia e informação para fazer isso. Os supermercados publicam suas ofertas, temos preços agrícolas sendo divulgados diariamente, dados oficiais de produção, inflação, exportação, abastecimento e clima. Dá para começar a juntar essas pontas.

Por isso, estamos estudando criar um acompanhamento do custo do prato feito em algumas capitais brasileiras. Começaremos pequeno e com cuidado. Não quero apresentar uma verdade depois de duas ou três semanas de números. Mercado não funciona assim. Precisamos construir uma série, observar, comparar e aprender com ela.

Mas tenho uma convicção: o consumidor precisa acompanhar mais de perto o preço daquilo que coloca no carrinho.

Não somente quando sobe, mas principalmente quando cai. Porque talvez uma das perguntas mais interessantes sobre o preço dos alimentos não seja apenas quanto estamos pagando hoje. É outra: se já caiu lá na roça, quando vai cair aqui no meu prato?

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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