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Setor reforça orientações trabalhistas antes da colheita de café

Com a proximidade da colheita do café, entidades do setor e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reforçaram orientações sobre legislação e boas práticas trabalhistas na cafeicultura.
Neste contexto, técnicos que atuam nas principais regiões produtoras participaram de uma capacitação voltada à atualização de regras sobre contratação de trabalhadores, formalização da mão de obra e segurança no campo.
Segundo a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Silvia Pizzol, o objetivo é ampliar o conhecimento sobre boas práticas trabalhistas em um momento estratégico para o setor.
“O momento é muito oportuno para desenvolver essas ações de capacitação devido à proximidade do período de colheita do café”, afirmou.
Ela explica que o debate sobre trabalho decente e boas práticas no setor também tem impacto na fidelização da mão de obra, diante da escassez de trabalhadores nas lavouras.
“Esse debate gera impactos positivos na fidelização da mão de obra, já que a escassez de trabalhadores tem sido um problema recorrente para o setor”, disse.
Exigências do mercado externo
A iniciativa também busca orientar produtores sobre demandas do mercado internacional, que cobra cada vez mais garantias de respeito aos direitos humanos e trabalhistas ao longo da cadeia do café.
Durante encontro realizado em Vitória (ES), os participantes receberam atualizações práticas sobre a aplicação das leis trabalhistas no campo.
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Entre os temas discutidos estiveram a relação entre normas internacionais de comércio e a legislação brasileira, a formalização da mão de obra na cafeicultura e aspectos da Norma Regulamentadora 31 (NR-31), que trata da segurança e saúde no trabalho rural.
De acordo com Pizzol, a capacitação segue uma abordagem colaborativa, educativa e preventiva, característica do Programa Trabalho Sustentável.
“Os participantes receberam atualizações práticas sobre a aplicação das leis trabalhistas no campo e debateram temas como a relação entre as normas internacionais de comércio e a legislação brasileira”, explicou.
Ela acrescenta que a proposta é transferir esse olhar mais preventivo da inspeção do trabalho para os técnicos que atuam nas regiões produtoras. A ideia, segundo a diretora, é que esses profissionais multipliquem as orientações em campo e contribuam para uma cafeicultura ainda mais sustentável.
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Capital próprio avança no campo paulista e muda perfil financeiro do produtor, aponta ABMRA

Os produtores rurais paulistas vêm ampliando o uso de capital próprio e crédito rural para financiar atividades nas propriedades, o que indica mudanças no comportamento financeiro no campo. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural indicam que o uso de recursos próprios para capital de giro passou de 78%, em 2021, para 84%, em 2025.
No mesmo período, o crédito rural também ampliou participação entre as fontes de financiamento, passando de 8% para 17%.
O movimento também aparece na compra de equipamentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e implementos. Em 2021, 59% dos produtores utilizavam recursos próprios para esse tipo de investimento. Em 2025, o índice chegou a 79%.
Segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), os dados apontam mudanças na gestão das propriedades e no processo de decisão do produtor.
“O produtor rural paulista está mais protagonista e criterioso nas suas decisões, inclusive financeiras. Para as marcas, isso exige uma comunicação mais conectada à realidade do campo, baseada em dados, confiança e entrega de valor”, afirma o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos.
Mudança na gestão
A pesquisa aponta maior participação do produtor na condução financeira dos negócios e sinaliza mudanças na relação entre empresas do setor e o público rural.
Com maior presença do capital próprio no financiamento da atividade, cresce o peso da gestão e da tomada de decisão dentro das propriedades.
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Clima lidera preocupações
O levantamento também mostra que questões climáticas concentram atenção dos produtores paulistas.
Segundo a pesquisa, 99% dos entrevistados avaliam que mudanças climáticas terão impacto sobre a produção, seja por secas prolongadas, chuvas intensas ou variações de temperatura.
O clima aparece como principal preocupação para 68% dos produtores ouvidos. Na sequência estão custos de produção, com 41%, e comercialização, com 33%.
Barreiras para adoção de tecnologias
Apesar da percepção sobre a necessidade de adaptação, a pesquisa aponta obstáculos para adoção de tecnologias de manejo.
Entre os entrevistados, 28% classificam como altas ou muito altas as barreiras para implementar essas soluções. Entre os fatores citados estão o custo elevado, a falta de informação, a limitação de apoio técnico, o acesso restrito a recursos e as incertezas quanto aos resultados.
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Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios

A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, apresentou nesta sexta-feira (1º) o balanço final de sua 31ª edição. O evento registrou R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, 22% a menos em relação ao ano anterior. Os números refletem os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.
A feira registrou 197 mil visitantes durante os cinco dias, número semelhante ao verificado na última edição. Nesta sexta-feira (1º), último dia da feira, os portões foram abertos mais cedo, às 7h30, para atender a grande demanda de público.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, os números apresentados na Agrishow 2026 refletem o cenário do setor.
Nesta quarta-feira (29), o presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, informou queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.
“Não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma o presidente da Agrishow João Marchesan.
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Produção de dendê cresce no Brasil e Pará concentra quase 100% da atividade

O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas.
No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor.
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A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024.
Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.
Desempenho
O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas.
O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.
Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.
Demais estados
Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal.
Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.
Emprego e renda
A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.
“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.
Preservação ambiental
No campo ambiental, a dendeicultura no Pará tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário observa-se uma trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024.
A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.
De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos.
“Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”, destaca o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.
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