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30 de abril de 2026

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Chuva excessiva trava colheita e causa perdas de até 32% na soja em Marcelândia

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O excesso de chuva está provocando apreensão e prejuízos severos na safra de soja no extremo norte de Mato Grosso. Em Marcelândia, os produtores enfrentam transtornos que vão desde a morosidade na colheita até o aumento expressivo de custos e perdas diretas na produção. A situação acende um alerta para a economia local, que tem no agronegócio sua principal base de sustentação.

Atualmente, cerca de 35% dos 200 mil hectares cultivados no município ainda precisam ser colhidos. O volume pluviométrico já registra acumulados acima da média histórica, o que eleva o risco de novos danos no campo. A estimativa é que o acumulado chegue a 3 mil milímetros até o fim de março, superando a média do município que varia entre 1,8 mil e 2 mil milímetros.

Com o solo encharcado, as máquinas enfrentam dificuldades para avançar. Em muitas propriedades, as colheitadeiras tentam entrar nos talhões em regime de força-tarefa, mas acabam atoladas pela saturação do terreno.

Prejuízos e custos adicionais

Para o gerente de produção Vagner Batista dos Santos, a umidade constante tem gerado gastos imprevistos, como a locação de escavadeiras para auxiliar o maquinário parado. Com 95% da área colhida na propriedade, ele relata ao Canal Rural Mato Grosso um cenário crítico de avarias.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

“Temos uma perda de 32% mais ou menos de avaria. Chegou a sair carga com 28% de umidade, o dobro da ideal. Está passando da hora de colher”, afirma Vagner.

Mesmo quem já encerrou a colheita da soja, como o agricultor Alexandre Falchetti, enfrenta desdobramentos negativos. O atraso impacta diretamente a implantação do milho segunda safra, que já está com boa parte da área prevista fora da janela ideal de plantio.

Desafios logísticos e isolamento

Além das perdas no campo, a logística se tornou um obstáculo para o escoamento. Alexandre relata que a região corre o risco de ficar isolada devido às condições das estradas. A MT-320, principal via de acesso à BR-163, apresenta trechos cedendo, o que represou o fluxo de caminhões. “É um ano desafiador, hoje praticamente a gente está ilhado. Se não tiver uma atenção rigorosa do Estado sobre a MT-320, a gente acaba ficando ilhado aqui”, alerta o agricultor.

Ele ressalta ainda que a falta de armazéns agrava a situação, obrigando o produtor a enfrentar filas intermináveis e juros altos sem o suporte de crédito rural acessível. “A soja é perecível. Se você deixar três dias dentro de um caminhão em uma fila, perde qualidade, perde peso e perde dinheiro. Faz muito tempo que a gente não tem sono mais, é triste”, desabafa Alexandre.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Estado de emergência e apoio ao setor

O impacto econômico é confirmado pelo Sindicato Rural de Marcelândia. Segundo o presidente da entidade, Marcelo Cordeiro, a estimativa mínima de perda para esta safra é de 10%. Ele reforça que muitos produtores já perderam sua margem de lucro e dependem de sensibilização do poder público para honrar compromissos financeiros.

“A balança comercial depende do agro e hoje o setor passa por dificuldades. Precisamos do apoio de toda a cadeia parlamentar para não quebrar o produtor rural”, pontua Cordeiro ao Canal Rural Mato Grosso.

A gravidade do cenário levou Marcelândia, Matupá e Colíder a decretarem estado de emergência. O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, destaca que a entidade tem buscado interlocução com o Ministério da Agricultura para relatar a situação climática e o colapso logístico no norte do estado.

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Para o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, a crise expõe a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a infraestrutura. “O outro gargalo que nós temos é a armazenagem. Sempre imploramos ao governo federal por linhas de subsídios mais fortes, ou seja, taxa de juros mais baixa, incentivos para a armazenagem como desoneração de impostos para que o Brasil e Mato Grosso sejam competitivos. Mato Grosso armazena apenas metade da sua produção, o que força um escoamento rápido e vulnerável durante a safra”, conclui.


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Sicredi expande crédito rural e vê avanço de consórcios no agro

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Foto: Sicredi

O Sicredi apresentou, durante a Agrishow 2026, os resultados do Plano Safra 2025/2026 e detalhou a ampliação de seu portfólio de soluções financeiras voltadas ao agronegócio.

Nos primeiros nove meses do ciclo atual, a instituição liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural no país. O valor representa crescimento de 16,5% em relação ao mesmo período da safra anterior.

O crédito tradicional segue como base para custeio e investimento. Ao mesmo tempo, o Sicredi ampliou a oferta de instrumentos financeiros complementares. Entre eles estão operações com Cédula de Produto Rural (CPR), linhas em moeda estrangeira, derivativos e consórcios.

Essas modalidades permitem ao produtor diversificar o acesso a recursos e adotar estratégias de proteção diante das oscilações de preços e do câmbio. A instituição também aponta mudança no perfil do produtor, que busca alternativas alinhadas ao fluxo de receita, principalmente em casos de exportação.

Consórcios avançam no agro

O consórcio tem ganhado espaço como alternativa de financiamento. A carteira total da administradora do Sicredi supera R$ 61,8 bilhões, posicionando a instituição entre as maiores do segmento no país.

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No agro, a modalidade registrou mais de R$ 3 bilhões em novas vendas no último ano, com crescimento de 23% em relação ao período anterior. O modelo é utilizado para aquisição de máquinas, implementos e serviços, com foco no planejamento de médio e longo prazo.

Presença nacional

O Sicredi reúne mais de 10 milhões de associados e conta com mais de 3 mil agências no Brasil. A instituição está presente em mais de 200 cidades como única opção financeira.

No estado de São Paulo, são mais de 450 agências. A atuação combina atendimento digital e presencial, com foco no relacionamento com o produtor rural.

Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Gilson Farias, a participação na Agrishow amplia o contato com o produtor e contribui para a oferta de soluções financeiras alinhadas às demandas do setor.

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Brasil amplia exportações ao Chile com abertura para DDG e DDGS

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O governo brasileiro concluiu as negociações para exportar grãos secos de destilaria (DDG/DDGS), ao Chile. A informação foi divulgada nesta terça-feira (29) em nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Com a medida, o agronegócio brasileiro soma 601 aberturas de mercado desde 2023.

Os DDG e DDGS são coprodutos gerados a partir da produção de etanol de milho. No setor agropecuário, esses materiais são usados como insumo na formulação de ração para aves, bovinos e suínos, por seu aproveitamento nutricional nas dietas animais.

A abertura amplia o portfólio de produtos brasileiros com acesso ao mercado chileno e acrescenta uma nova possibilidade comercial para a cadeia do milho e do etanol. Na prática, a negociação envolve um insumo ligado à indústria de bioenergia e também à pecuária, com potencial de integração entre produção agrícola, processamento industrial e alimentação animal.

Segundo a nota conjunta, em 2025 o Brasil exportou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários para o Chile. Entre os principais itens embarcados ao país vizinho estiveram carnes, produtos florestais e o complexo soja. Nesse contexto, a inclusão de DDG e DDGS amplia a pauta exportadora brasileira em um mercado já relevante para o agronegócio nacional.

O governo federal não detalhou, até a publicação da nota, estimativas de volume, prazo para início efetivo dos embarques ou exigências sanitárias e operacionais específicas para os novos envios. Também não foram informadas projeções oficiais de receita com essa abertura.

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A nova autorização tende a criar alternativa comercial para coprodutos do etanol de milho, mas os efeitos sobre fluxo de exportação e preços dependerão das condições de habilitação, da demanda chilena e da operacionalização dos embarques, dados que ainda não foram divulgados oficialmente.

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Monitoramento da ferrugem asiática da soja 25/26 é concluído no RS

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Foto: Ferrugem Asiática/Canal Rural

O programa Monitora Ferrugem RS encerrou as atividades de monitoramento da safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, voltadas à detecção do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Nesta edição, o trabalho foi ampliado para 95 municípios gaúchos, com a aquisição de mais 20 coletores de esporos, fortalecendo a rede de acompanhamento da doença no estado. Os dados são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

O monitoramento teve início em outubro de 2025, em sincronia com o calendário de semeadura da cultura, e se estendeu por 23 semanas. Durante esse período, foram disponibilizados semanalmente, no site do programa, mapas de distribuição de uredósporos do fungo nos municípios monitorados, além de mapas de risco climático para a ocorrência da doença.

Segundo a pesquisadora Andréia Mara Rotta de Oliveira, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), a ocorrência da ferrugem asiática é fortemente influenciada pelas condições ambientais. O fungo depende da presença de água livre na superfície das folhas e de temperaturas entre 15°C e 25°C para se desenvolver.

Na safra 2025/2026, o cenário climático no Rio Grande do Sul apresentou variações importantes. Houve registro de chuvas acima da média em grande parte do estado durante setembro, além de temperaturas elevadas na primavera. Já no verão, com exceção de dezembro, que foi extremamente chuvoso, janeiro e fevereiro tiveram redução das precipitações, acompanhada de temperaturas elevadas, características da estação.

De acordo com a pesquisadora, esse comportamento climático contribuiu diretamente para a contenção da doença. “A baixa disponibilidade de água e a sequência de dias sem chuva nesses meses contribuíram para a contenção dos focos de ferrugem asiática no estado”, avalia.

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Atualmente, a equipe do programa realiza a sistematização e análise dos dados coletados, que irão subsidiar a publicação de uma circular técnica com os resultados consolidados da safra.

Vazio sanitário da soja

O Rio Grande do Sul entra no período de vazio sanitário da soja a partir de 3 de julho, com término em 30 de setembro, em todas as regiões. Nesse intervalo, é proibida a presença de plantas de soja no campo, sejam voluntárias ou cultivadas, em qualquer fase de desenvolvimento.

Durante o vazio sanitário, o programa seguirá com o planejamento das ações para a próxima safra, 2026/2027, com previsão de retomada do monitoramento em outubro.

Sobre o Monitora Ferrugem RS

Criado em 2019 e conduzido pela Seapi em parceria com a Emater/RS-Ascar, o Monitora Ferrugem RS realiza o acompanhamento da presença de esporos da ferrugem asiática da soja associado às condições climáticas, oferecendo um diagnóstico regionalizado sobre o risco da doença e contribuindo para a tomada de decisão no campo.

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