Sustentabilidade
Resistência múltipla do arroz daninho a herbicidas inibidores da ACCase e ALS é identificada – MAIS SOJA

Em conjunto com algumas espécies de poáceas, asteráceas, fabáceas e asteraceas, o arroz daninho (Oryza sativa) integra o grupo das principais espécies daninhas do arroz irrigado. Em função das suas similaridades com o arroz cultivado, o arroz daninha apresente um complexo controle, requerendo alto nível técnico e prático para um manejo eficiente e assertivo.
Figura 1. Infestação típica de plantas daninhas em uma lavoura de arroz irrigado no RS: plântulas de arroz daninho (1), capim-arroz (2), angiquinho (3) e ciperáceas (4) (Andres & Martins, 2021).
Estima-se que sob elevadas infestações, a matocompetição do arroz daninho com o arroz cultivado possa resultar em perdas de produtividade superiores a 45%. Além de reduzir o rendimento da cultura, perdas qualitativas podem ser observadas em função da interferência da comunidade infestante (Oliveira Neto et al., 2017).
Embora o sistema de semeadura pré-germinado, aliado à aplicação de herbicidas em pré-semeadura e ao manejo adequado da lâmina de irrigação, se configure como uma estratégia altamente eficiente para a supressão do arroz-daninho em áreas infestadas, o controle dessa planta permanece complexo (Oliveira Neto et al., 2017). Essa dificuldade é agravada pela ocorrência de populações com resistência a herbicidas, o que limita a eficácia das práticas de manejo adotadas.
O primeiro caso de resistência do arroz daninho a herbicidas registrado no Brasil é datado de 2006, onde forma identificadas populações dessa espécie daninha com resistência aos herbicidas imazapic e imazetapir na cultura do arroz, no Rio Grande do Sul. Esses herbicidas fazem parte do grupo dos inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS) (Heap, 2026).
Já em 2026, um caso de resistência múltipla foi identificado em populações do arroz daninho, também no Rio Grande do Sul. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmaram a resistência múltipla do arroz daninho aos herbicidas quizalofope-petílico (inibidor da ACCase) e imazetapir (Inibidor da ALS) (HRAC-BR, 2026).
A confirmação da resistência múltipla do arroz-daninho a herbicidas com diferentes mecanismos de ação reforça a necessidade de intensificar estratégias de manejo integrado para seu controle. Entre as principais medidas, destacam-se o uso de sementes certificadas, a higienização de máquinas agrícolas a fim de impedir a disseminação entre áreas, e o monitoramento constante para identificação e eliminação de plantas sobreviventes, seja por controle manual ou com herbicidas de mecanismos alternativos, priorizando a rotação de modos de ação (HRAC-BR, 2026).
Em conjunto com as estratégias supracitadas, a doção de tecnologias adequadas de aplicação, assim como o bom posicionamento de herbicidas pré e pós-emergentes e a rotação de culturas, contribuem para o aumento da eficácia no controle do arroz daninho.
Referências:
ANDRES, A.; MARTINS, M. B. ARROZ: MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/arroz/producao/sistema-de-cultivo/arroz-irrigado-na-regiao-subtropical/manejo-de-pragas/manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 30/04/2026.
HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 30/04/2026.
HRAC-BR. COMUNICADO DE RESISTÊNCIA. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/6c1e70_32d06f5f5720427c8b55af552fc812b3.pdf >, acesso em: 30/04/2026.
OLIVEIRA NETO, A. M. et al. MANEJO DE ARROZ-DANINHO NA ENTRESSAFRA DO ARROZ IRRIGADO EM SISTEMA PRÉ-GERMINADO. Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, 2017. Disponível em: < https://www.sosbai.com.br/uploads/trabalhos/manejo-de-arroz-daninho-na-entressafra-do-arroz-irrigado-em-sistema-pre-germinado_864.pdf >, acesso em: 30/04/2026.

Sustentabilidade
“Você investe na adubação e depois perde a eficiência porque economizou no mais barato, o calcário?” – MAIS SOJA

A questão da eficiência no plantio ganhou força nos últimos anos, com a busca dos agricultores pela redução de custos operacionais, em um cenário os valores mais ajustados no mercado mundial dos principais produtos agrícolas cultivados no Brasil.
Nessa disputa, ganhou força nos últimos dias o debate sobre a prática de investir recursos na adubação, sem a devida correção da acidez do solo feita antecipadamente.
A participação do Jorge Martelli, empresário da indústria de calcário e fertilizantes no estado do Paraná, em um podcast e o comentário sobre uma de suas falas viralizaram no Instagram.
“Não vou usar o calcário”, que é a matéria-prima mais barata. Pô, mas se você não fizer a correção do pH, você vai perder 30%, 40% das vezes do fósforo que tá lá. Quanto tá custando esse fósforo? É a matéria-prima mais econômica que a gente tem e com resultado mais efetivo. Então assim, é o ano do cara… o cara não pode jamais falar um negócio desse: “esse ano eu não vou usar [calcário].”
A influencer Kerolém Cardoso, do perfil AgroMapa Mentais, fez um react disparando:
– “Presta atenção aqui, tá? Não adianta você investir em fósforo se o teu solo não permite que a tua planta aproveite esse nutriente da melhor forma. Ponto, é isso!”, afirma.
Engenheira agrônoma com doutorado na área, Kérolem tem 126 mil seguidores. Ela completa a análise:
– “Quando o pH tá muito baixo, ele aumenta a presença aqui de alumínio e ferro livres no solo. Esse fósforo então vai reagir com esses elementos e vai formar compostos de baixa solubilidade, ou seja, o fósforo continua no solo, mas uma parte dele aqui vai deixar de tá disponível pra planta, entendeu? Então pensa comigo: você investe numa adubação fosfatada e depois perde a eficiência porque economizou justamente no insumo mais barato da correção, que é o calcário, entendeu?”
Clique aqui e veja a postagem que viralizou no Instagram.
Quer assistir ao podcast na íntegra com a participação do Jorge? Clique aqui.
Fonte: Abracal
Sustentabilidade
Trigo fecha em alta em Chicago com ataques a terminal de exportação da Rússia – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (30) em alta. O mercado foi impulsionado pelo agravamento das tensões na região do Mar Negro, após ataques ucranianos provocarem danos a um importante terminal russo de exportação de grãos, renovando as preocupações com a oferta global.
Segundo a Reuters, drones ucranianos atingiram um terminal de exportação de grãos no porto de Taman, na região russa de Krasnodar, causando danos significativos à estrutura. O terminal pertence à Demetra, uma das maiores empresas agrícolas da Rússia, com capacidade para movimentar 5 milhões de toneladas de grãos. Fontes também informaram que uma instalação de exportação de óleo de girassol no porto foi atingida, embora os danos tenham sido considerados limitados.
A escalada do conflito também manteve interrompida a navegação no Mar de Azov e no Estreito de Kerch, obrigando a Rússia a redirecionar os embarques para portos no Mar Negro. Analistas internacionais avaliaram que o trigo foi a commodity agrícola que mais reagiu a essa nova rodada de tensão, diante do impacto sobre a logística de exportação russa, embora os reflexos também possam atingir milho, óleos vegetais e outros grãos.
O mercado ainda repercutiu os dados semanais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As vendas líquidas de trigo da safra 2026/27 somaram 285.200 toneladas na semana encerrada em 23 de julho, com destaque para a comercialização de 70 mil toneladas ao México. O volume ficou dentro da expectativa dos analistas, que variava entre 200 mil e 500 mil toneladas.
Os contratos com entrega em setembro fecharam cotados a US$ 6,63 1/2 por bushel, com alta de 2,75 centavos de dólar, ou 0,41%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em dezembro encerraram a US$ 6,81 1/2 por bushel, com avanço de 3,75 centavos de dólar, ou 0,55%.
Autor/Fonte: Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
Sustentabilidade
Mercado de defensivos para arroz irrigado movimenta R$ 262 milhões, com ligeira queda frente à safra anterior – MAIS SOJA

Principal empresa de pesquisas para o agronegócio, a Kynetec Brasil acaba de divulgar o estudo FarmTrak Arroz Irrigado da safra 2025-26. Conforme o levantamento, o mercado de defensivos agrícolas da cultura caiu 2%, para US$ 262 milhões, contra US$ 267 milhões do período anterior. Segundo o especialista em pesquisas da consultoria, Gabriel Baracat Pedroso, o ligeiro recuo veio associado, principalmente, a reduções de 6% na área cultivada (1,146 milhão de hectares) e de 7% nos custos de aplicação.
De acordo com o executivo, a variação negativa nas transações só não foi mais representativa face ao progressivo aumento do número médio de tratamentos adotado pelos produtores. “Eram 16 em 2023-2024 e subiram para 19 em 2025-26, alta de 10% ante 2024-25, compensando demais fatores desfavoráveis”, adianta Pedroso.
O indicador PAT ou área potencial tratada – totaliza as aplicações de produtos realizadas na safra – cresceu 4%, para 21,967 milhões de hectares.Conforme o especialista, dessecação de plantio, controle das doenças brusone e manchas foliares, além de lagartas, compreenderam os manejos que mais influenciaram no resultado do mercado de defensivos para arroz irrigado em 2025-26.
Aplicações contra manchas foliares alcançaram 1/3 da área cultivada, enquanto o emprego de lagarticidas cobriu 60% do total plantado. Neste caso, o número médio de tratamentos saltou de 1,9 para 2,4 em apenas um ano, variação atribuída pelo FarmTrak, em parte, a dificuldades para o produtor manter a chamada ‘lâmina d´água’ em algumas regiões do país.
“Ano após ano, os desafios à produção se intensificam”, continua Pedroso. “Manejos se tornam mais complexos, robustos e onerosos ao agricultor, frente a pressões crescentes de pragas, doenças, plantas daninhas e da perda de eficácia de ativos químicos e biotecnologias”, ele explica. “As margens do produtor estão apertadas, pois, concomitantemente, o preço da ‘commodity’ passa pelos mais baixos valores desde 2020.”
Ranking de produtos
Por mais uma safra, os herbicidas aparecem no levantamento da Kynetec na primeira posição entre os defensivos mais demandados pelo produtor. Corresponderam a 65% do mercado ou US$ 170 milhões, comparados a US$ 175 milhões do período 2024-25. Os fungicidas vêm a seguir, com vendas de US$ 43 milhões ou 16%, ante US$ 46 milhões da temporada passada.
Inseticidas e produtos para tratamento de sementes ocupam a terceira e a quarta posições: US$ 19 milhões e US$ 15 milhões, com 7% e 6% do mercado, respectivamente, valores praticamente estáveis em relação a 2024-25. Outros produtos fecham o levantamento da Kynetec: 5% ou US$ 15 milhões.
Ainda de acordo com Gabriel Pedroso, o FarmTrak Arroz Irrigado resultou de quase 380 entrevistas, realizadas pessoalmente com rizicultores das principais regiões produtoras do país: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.
Sobre a Kynetec
A Kynetec é líder global em análises e insights de dados agrícolas, especializada em saúde animal, nutrição animal, proteção de cultivos, máquinas agrícolas, sementes-biotecnologia e fertilizantes. Possui equipes localizadas em 30 países e fornece dados provenientes de 80 países. No Brasil, a Kynetec Brasil adquiriu o controle das consultorias Spark Inteligência Estratégica e MQ Solutions. Mais informações clique aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa

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