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Pesquisas iniciadas em Lucas do Rio Verde viabilizaram a expansão do milho segunda safra no Cerrado brasileiro

Quando o Show Safra Mato Grosso ainda não existia como vitrine tecnológica e a Fundação Rio Verde era apenas um estatuto registrado em ata, a pesquisa agrícola em Lucas do Rio Verde começava de forma simples, mas com uma convicção clara: era preciso realizar pesquisas para produzir mais milho.
Foi assim que, no final da década de 90, o engenheiro agrônomo Clayton Bortolini aceitou o convite do ex-presidente da Fundação Rio Verde, o engenheiro agrônomo Egídio Vuaden, para iniciar os trabalhos de pesquisa para a entidade. À época, a estrutura era mínima. “A fundação existia no papel. Tinha uma cadeira, um computador, uma mesa numa sala emprestada no escritório da fazenda da Dora”, relembrou. Tempos depois, Clayton também presidiu a Fundação.
A fazenda citada era de Dora Ceconello, que viria a atuar como diretora executiva da Fundação e teve papel importante na organização inicial da entidade, juntamente com o senhor Egídio e outros parceiros. Era o início de uma construção coletiva.
Sem área própria para pesquisa, a alternativa surgiu por meio de um acordo. Em um domingo pela manhã, Egídio levou Clayton até o produtor Joci Piccini, atual presidente da Fundação Rio Verde. Na ocasião, Joci cedeu quatro hectares de sua fazenda para a condução dos estudos. Com um trator, uma plantadeira e um pulverizador improvisados, os experimentos tiveram início. Já no ano seguinte, a Fundação estruturou seu próprio campo de pesquisa, instalado onde hoje está a entidade.
Foi ali, na Fazenda Branca, que nasceram os primeiros experimentos e também os primeiros Dias de Campo, quando os resultados passaram a ser apresentados aos produtores da região. O que era uma reunião técnica em meio às parcelas experimentais se transformaria, anos depois, no maior evento do agronegócio de Mato Grosso, o Show Safra.
No primeiro ano, em 2000, foram implantados 21 experimentos para safrinha, como era chamada a atual segunda safra. Entre mamona, sorgo e milho, surgia a base de uma revolução produtiva em Lucas do Rio Verde e no Cerrado brasileiro.
E foi justamente nesse início que ocorreu um episódio curioso, hoje contado com bom humor pelo senhor Egídio Vuaden. “Parte da primeira pesquisa de milho acabou sendo levada por um pamonheiro da cidade, que acredito ter visto nas espigas experimentais uma oportunidade comercial.” O episódio, além de arrancar risadas, simboliza o quanto tudo era novo e o quanto aquele milho ainda era visto como algo pontual e desafiador, distante da dimensão que ganharia anos depois.
A mudança que multiplicou a produtividade
Naquele primeiro ciclo de resultados, Clayton identificou algo simples e transformador. O milho era plantado com espaçamento de 90 centímetros entre linhas e baixa população de plantas. A pesquisa indicava que, mantendo o mesmo espaçamento da soja (45 centímetros) e aumentando a população, seria possível elevar a produtividade em até 50%, sem aumento de custo.
“Fui chamado de louco por alguns produtores”, contou Clayton. Mas os resultados estavam no campo. No ano seguinte, segundo o pesquisador, os ensaios confirmaram os mesmos números. Algum tempo depois, a prática se consolidou.
Hoje, 100% do milho plantado no estado de Mato Grosso e no Cerrado brasileiro utiliza o mesmo espaçamento da soja, um modelo validado e iniciado nos experimentos conduzidos ali, em Lucas do Rio Verde.
No primeiro ano de pesquisa, a mudança eliminou o retrabalho nas plantadeiras, reduziu custos e elevou a produtividade média, à época, de 60 para 90 sacas por hectare, apenas com ajuste de espaçamento e população, explicou o agrônomo.
A pesquisa avançou também para o uso da braquiária como cobertura de solo, prática inicialmente vista com desconfiança pelos produtores, mas que hoje ocupa milhões de hectares no estado, fortalecendo o plantio direto e a saúde do solo.
Com o encurtamento do ciclo da soja, impulsionado pelo melhoramento genético realizado por empresas e institutos no período, foi ampliada a janela da segunda safra, o que consolidou o modelo produtivo que transformou Mato Grosso no maior produtor de milho do país.
Da pesquisa à potência
Os experimentos apresentados nos primeiros Dias de Campo, realizados na Fazenda Branca de Joci Piccini, mostraram que dos desafios se fazem soluções. Que ciência aplicada ao campo gera resultado.
Aquela estrutura improvisada, com sala emprestada, área cedida e máquinas compartilhadas, foi o embrião de um movimento que ganharia escala estadual e nacional.
Se hoje o Brasil colhe milhões de toneladas de milho na segunda safra e Mato Grosso lidera essa produção, parte dessa trajetória teve início ali, a partir do trabalho da Fundação Rio Verde, do crédito e da confiança dos produtores que acreditaram e implementaram as mudanças em suas áreas, movidos por coragem, união de esforços, intensa pesquisa e uma clara visão de futuro.
Por Olga Kunze/assessoria
Agro Mato Grosso
Valtra destaca tratores eficientes para setor sucroenergético I MT

Marca apresenta na Agrishow 2026 soluções que vão do desempenho da Série BH HiTech até a robustez da Série S6
O setor sucroenergético brasileiro entra na safra 2026/27 em um cenário de alta exigência técnica e econômica. Segundo estimativas da Datagro, a safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul deve alcançar 635 milhões de toneladas, um aumento de 4% ante a temporada anterior. Para dar conta desse volume operacional das usinas, a Valtra destaca um portfólio focado na robustez, inovação tecnológica e economia de combustível. As máquinas estarão presentes na Agrishow 2026, que acontece em Ribeirão-Preto (SP) de 27 de abril a 1º de maio.
A marca se consolidou como referência no segmento sucroenergético, oferecendo soluções que vão desde o preparo do solo até a entrega da cana na usina. “Nossas máquinas são fáceis de operar e foram pensadas para os produtores que precisam de resultados em produtividade com muita economia, simplicidade e sem perder o conforto”, ressalta Elizeu dos Santos, Gerente de Marketing de Produto da Valtra.
Uma das máquinas mais premiadas do setor por seu ótimo desempenho, o BH HiTech dispõe de modos automáticos para otimizar a operação e um sistema hidráulico com reservatório exclusivo, entregando a maior vazão do mercado. Isso economiza tempo no descarregamento e aumenta a agilidade do transbordo. O modelo conta ainda com eixo traseiro passante e eixo dianteiro com opção de 3 metros, que atende perfeitamente ao espaçamento entre as linhas e livra o canavial de pisoteios indesejáveis.
Pensando nas severas operações de preparo de solo, a Valtra destaca a “gigante” Série S6, a família de tratores mais forte da marca. Fabricado na Finlândia, o modelo alcança até 425 cv de potência e 1.750 Nm de torque. Equipado com transmissão CVT e um motor AGCO Power de 8,4L, o S6 entrega entre 10% a 15% menos consumo de combustível, garantindo máximo controle e conforto.
A força extrema também é garantida pelas Séries Q5 (265 cv a 305 cv) e T CVT. A Série T, especificamente, possui a maior tecnologia em tração da categoria, com transmissão continuamente variável que permite movimentar, parar ou arrancar o trator com carga em subidas apenas com o pedal do acelerador. O modelo gera economia média de 25% de combustível e conta com eixo dianteiro com opção de 3 metros, livrando o canavial de pisoteios indesejáveis.

A tradição da marca também se faz presente na quarta geração da Linha BM, que possui mais de 20 anos de história no setor sucroenergético, desempenhando os serviços com alto rendimento e levando até 15% de economia ao produtor. Já na fase de tratos culturais, os Pulverizadores da Série R garantem a aplicação precisa de insumos, eliminando desperdícios.
Olhando para o futuro, a Valtra reafirma seu compromisso com a descarbonização ao investir em motores para combustíveis alternativos, como biometano e etanol. Essas soluções permitem que a usina utilize o combustível gerado em seu próprio ecossistema, fechando o ciclo de sustentabilidade. “Nosso investimento em combustíveis alternativos reflete o DNA de inovação da Valtra. Queremos que o produtor e a usina tenham autonomia, utilizando a própria cana ou seus resíduos para abastecer frotas de alta performance. É a eficiência operacional encontrando a economia circular”, conclui Elizeu Santos.
Agro Mato Grosso
Visitas técnicas nos CTECNOS apresentam pesquisas aplicadas ao campo em MT

Iniciativa da Aprosoja MT e Iagro-MT reúne produtores para acompanhar, na prática, estudos sobre manejo, nutrição e eficiência produtiva
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), em parceria com o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro-MT), promove em abril uma programação de visitas técnicas nos Centros Tecnológicos (CTECNOS) Araguaia e Parecis. A iniciativa reúne produtores, estudantes e profissionais do setor para apresentar, de forma prática, resultados de pesquisas voltadas às culturas de soja e milho no estado.
A primeira etapa será realizada no dia 23 de abril, no CTECNO Araguaia, em Nova Nazaré. A programação contará com estações que abordam desde o desempenho de híbridos de milho em diferentes condições de semeadura até estudos sobre a nutrição do gergelim, incluindo a resposta da cultura à aplicação de nutrientes como enxofre, nitrogênio e boro. Também serão apresentados conteúdos sobre manejo de herbicidas e estratégias de sistemas de produção com rotação de culturas.
No dia 29 de abril, a programação segue no CTECNO Parecis, com foco em temas relacionados à eficiência produtiva e ao uso de insumos. Entre os conteúdos previstos estão o manejo da adubação nitrogenada no milho, o manejo de herbicidas no sistema soja-milho, além de estratégias para otimizar o uso de nutrientes e o mercado de fertilizantes, considerando o aumento dos custos de produção. As visitas têm como objetivo levar ao campo informações aplicadas à realidade das lavouras, contribuindo para o aprimoramento do manejo e para decisões mais seguras por parte dos produtores.
CTECNO Araguaia
Data: 23 de abril
Local: Rodovia MT 326, entroncamento com a BR 158 – 1km sentido Nova Nazaré – MT
Inscreva-se: https://eventos.aprosoja.com.br/evento/257
CTECNO Parecis
Data: 29 de abril
Local: Rodovia MT 488, anexo à Fazenda Vô Arnoldo – Grupo Agroluz Agrícola
Inscreva-se: https://eventos.aprosoja.com.br/evento/256
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Anvisa prepara nova regra para barrar “canetas emagrecedoras” piratas e irregulares

Agência discute normas para manipulação e transporte de insumos no dia 29; plano de ação mira mercado ilegal de semaglutida
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute, no próximo dia 29, uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos que tratarão da manipulação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.![]()
A nova norma fará parte de um conjunto de estratégias que integram o plano de ação anunciado no último dia 6, composto por medidas regulatórias e de fiscalização relacionadas a esse tipo de medicamento.
Segundo a agência, a instrução normativa deve definir procedimentos e requisitos técnicos específicos relativos à importação, qualificação de fornecedores, realização de ensaios de controle de qualidade, estabilidade, armazenamento e transporte aplicáveis aos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, ampliou o mercado ilegal desses medicamentos, que atualmente só podem ser adquiridos com receita médica retida. Em razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa têm tomado uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização.
A minuta que será discutida pela diretoria colegiada pode ser acessada pelo site da Anvisa.
Grupos de trabalho
Esta semana, a Anvisa publicou portarias que criam dois grupos de trabalho (GTs) para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.
O primeiro grupo, formalizado pela Portaria 488/2026, será formado por representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Já a Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, que vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação proposto pela Anvisa e subsidiar a tomada de decisão da diretoria colegiada a partir da proposição de medidas de aprimoramento.
Parceria com conselhos
Também esta semana, a Anvisa, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.
A proposta, segundo a agência, é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.
“A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência no comunicado.
Proibição
Na última quarta-feira (15), a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A medida também proíbe a comercialização, a distribuição, a importação e o uso dos produtos.
“Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.
Em nota, o órgão destacou que, por se tratarem de produtos irregulares e de origem desconhecida, “não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade”. Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese.
Paraguai
Na última segunda-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus que vinha do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O veículo vinha sendo monitorado por suspeita de transportar material ilegal. No momento da abordagem, havia 42 passageiros no ônibus, que foram conduzidos à Cidade da Polícia.
Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu (PR) foi preso em flagrante, com grande quantidade de produtos de origem paraguaia colocados à venda irregularmente no território nacional, como anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras, contendo a substância tirzepatida.
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