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Lei antidesmatamento da UE pode trazer impacto de US$ 17,5 bilhões ao agro brasileiro

A Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês) tende a redesenhar o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado europeu ao impor exigências de rastreabilidade, conformidade ambiental e comprovação de origem livre de desmatamento.
Estudo da consultoria italiana BIP mostra que a nova regulação amplia custos operacionais, expõe fragilidades estruturais da cadeia produtiva nacional e pode afetar até 16% das exportações da pauta agropecuária do país, o equivalente a US$ 17,5 bilhões por ano, além de aumentar o risco de exclusão de pequenos produtores nas cadeias internacionais.
Em vigor desde 2023, o European Union Deforestation Regulation integra a estratégia europeia de neutralidade de emissões até 2050 e proíbe a comercialização, importação ou exportação de commodities associadas ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020. O regulamento incide sobre sete produtos de risco florestal: gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma.
A regulação estabelece a obrigatoriedade de processos rigorosos de due diligence, incluindo georreferenciamento das áreas produtivas, documentação fundiária e ambiental e monitoramento contínuo da cadeia.
Produtos mais vulneráveis
A análise da BIP mapeou a vulnerabilidade de cada produto a partir de quatro dimensões, classificando os produtos em Alta Vulnerabilidade (nota 4), Média (notas 3 e 2) ou Baixa (notas 2 e 1):

Conforme o infográfico, produtos como gado e cacau apresentaram as principais vulnerabilidades.
No caso do gado, as principais fragilidades pesam na associação histórica com o desmatamento e fragilidades em sistemas consolidados de rastreabilidade desde a origem. Cacau e café enfrentam desafios relacionados à predominância de pequenos produtores, enquanto a soja combina forte dependência das exportações com dificuldades técnicas de rastreabilidade em larga escala.
Diante desse cenário, a BIP aponta que, por um lado, a regulação europeia impõe desafios relevantes, mas, por outro, também cria incentivos para a modernização da cadeia produtiva e o fortalecimento da competitividade do Brasil no comércio global de commodities sustentáveis.
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“Enxergamos oportunidades relevantes de investimentos em soluções tecnológicas como geolocalização, blockchain, inteligência artificial e monitoramento remoto. Finalmente, para a adaptação do agro brasileiro às regras internacionais será imprescindível ampliar parcerias entre governos, empresas e associações setoriais.” destaca o diretor da Divisão de Agro e Manufatura da BIP, Marcelo Pagoti.
Segundo ele, a Lei Antidesmatamento deve ser analisada como parte de um movimento regulatório mais amplo que vem redefinindo as relações comerciais internacionais, com implementação que coincide com a decisão política da União Europeia de avançar no acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociações, que prevê eliminar gradualmente tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre os blocos.
Impactos desiguais ao longo da cadeia
O estudo da consultoria mostra que os efeitos da EUDR se distribuem de forma assimétrica entre os diferentes elos do agronegócio. Os agricultores familiares, que representam cerca de 77% dos estabelecimentos rurais no país, estão entre os grupos mais vulneráveis.
Apesar de a exportação não ser o principal destino da produção, a baixa capacidade de investimento em tecnologia, rastreabilidade e documentação pode levar à exclusão desses produtores das cadeias exportadoras.
Já os médios e grandes produtores, responsáveis pela maior parte das exportações, também enfrentam alto impacto regulatório, mas contam com maior capacidade financeira e operacional para se adaptar às exigências.
Nessa esfera, instrumentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) são apontados como essenciais para a rastreabilidade, mas o estudo destaca que apenas 4,5% dos 8 milhões de imóveis cadastrados estão com análise da regularidade ambiental concluída.
Em relação aos produtores sem a terra própria, o que contabiliza cerca de 19% dos estabelecimentos rurais, enfrentam obstáculos adicionais devido à ausência de titulação formal, impossibilitando o atendimento aos critérios de rastreabilidade e conformidade ambiental.
“As cooperativas agropecuárias, responsáveis por mais de mil organizações no país e por cerca de 5% dos embarques do agro em 2024, enfrentam o desafio de garantir a conformidade de todos os cooperados”, destaca trecho do estudo.
Segundo a BIP, caso elas não consigam centralizar e validar dados de origem e legalidade ambiental, há risco de exclusão de produtores e redução do acesso ao mercado europeu. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que essas organizações podem atuar como facilitadoras da adaptação, concentrando investimentos em sistemas de monitoramento e controle.
Comprovação da legalidade ambiental
Na indústria, a EUDR exige a segregação e o rastreamento das matérias-primas desde a origem até o produto final exportado. Empresas terão obrigatoriamente que comprovar a legalidade ambiental de seus insumos, enquanto traders e operadores passam a ter a obrigação de enviar declarações digitais de due diligence para cada lote exportado, com informações detalhadas sobre origem, coordenadas geográficas, volumes e documentação de compliance.
O descumprimento dessas diretrizes pode resultar em multas de pelo menos 4% do faturamento anual do operador, além de confisco de mercadorias, suspensão de importações, restrições a financiamentos e proibição de participação em licitações públicas.
“O elo de logística e armazenagem também ganha protagonismo. A necessidade de segregação de cargas, integração de sistemas e manutenção de registros detalhados eleva custos operacionais, aumenta o tempo de processamento e exigirá investimentos relevantes em tecnologia e governança”, diz trecho do documento.
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Espírito Santo lança mostra para vender café conilon de alta qualidade em grandes volume

Antes vista apenas em concursos de qualidade, a valorização do café conilon agora ganha um novo formato no Espírito Santo. Pela primeira vez no Brasil, grandes lotes comerciais de alta qualidade dessa variedade serão apresentados diretamente a compradores em uma rodada de negócios, conectando quem produz a quem compra e abrindo novas oportunidades para o mercado.
O estado vai sediar uma iniciativa inédita no Brasil voltada ao café conilon. A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) lançaram a 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, uma rodada de negócios criada para comercializar grandes lotes de café conilon de alta qualidade.
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A proposta marca uma mudança na forma de promover o produto. Em vez de premiar pequenos lotes, como acontece nos tradicionais concursos de qualidade, a mostra reunirá produtores e compradores para negociar volumes comerciais de cafés que atendam a elevados padrões físicos e sensoriais. É a primeira iniciativa do gênero voltada exclusivamente ao café conilon no Brasil.
A expectativa é reconhecer o trabalho de produtores que vêm investindo na melhoria da qualidade dos grãos e dos processos pós-colheita, além de ampliar o acesso do café capixaba a novos mercados e fortalecer sua presença nos cenários nacional e internacional.
“O Espírito Santo é referência nacional na produção de café conilon e agora avança para mostrar ao mercado que também possui capacidade de ofertar grandes volumes com elevado padrão de qualidade. A mostra aproxima produtores e compradores, agrega valor à produção e fortalece a imagem do nosso café nos mercados nacional e internacional”, afirma o secretário de estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Segundo a gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Silva, a iniciativa representa uma nova etapa para o setor.
“Estamos falando de lotes comerciais que reúnem volume, padronização e qualidade. É uma oportunidade para valorizar o trabalho realizado nas lavouras e no pós-colheita, conectando essa produção diferenciada a compradores que buscam grandes lotes com qualidade comprovada”, destaca.
Como funciona a mostra de café conilon
Podem participar produtores de café conilon com lavouras localizadas no Espírito Santo, além de cooperativas e associações de produtores que desejarem inscrever lotes coletivos.
Cada lote deverá ter, no mínimo, 420 sacas de 60 quilos da safra atual. Não há limite de inscrições por participante. As amostras passarão por análises físicas e sensoriais realizadas por provadores certificados, seguindo os critérios definidos no regulamento.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 28 de agosto nos Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELDRs) do Incaper, distribuídos em todos os municípios capixabas.
Cupping e negócios
A mostra será realizada em 17 de setembro. Durante o evento, compradores convidados participarão de sessões de cupping para avaliar física e sensorialmente os lotes habilitados.
As negociações serão feitas diretamente entre produtores e compradores, enquanto a Seag e o Incaper atuarão apenas como facilitadores da aproximação entre as partes.
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A disputa pelo prato do futuro, e por que não associamos o feijão à proteína?

Há mais de 30 anos acompanho diariamente o mercado de Feijão. Nesse período, aprendi que, quando falamos desse alimento, estamos tratando de muito mais do que uma commodity agrícola. Estamos falando do Prato Feito brasileiro, da segurança alimentar e da forma como milhões de famílias se alimentam.
Posso afirmar que poucas vezes vi tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo, e não apenas na lavoura, mas principalmente no consumidor.
Durante décadas, uma pergunta orientou grande parte das análises sobre o consumo de alimentos: quanto o consumidor pode gastar?
Ela continua indispensável. Inflação, juros, renda, emprego e câmbio determinam o tamanho da cesta de compras. Quando o orçamento aperta, as famílias substituem marcas, reduzem quantidades, procuram promoções e reorganizam o cardápio.
Mas uma segunda pergunta começa a ganhar protagonismo, silenciosamente, no Brasil e no exterior: o que merece ocupar espaço no prato?
Pode parecer uma mudança pequena, mas ela tem potencial para redesenhar uma parte importante do mercado de alimentos. O consumidor continua atento ao preço. Compara ofertas e troca de marca quando necessário. Porém, cada vez mais, sua decisão também considera saúde, praticidade, origem, confiança, qualidade nutricional e a história por trás do produto.
Em outras palavras, ele não procura apenas o alimento mais barato. Procura aquilo que, dentro de seu orçamento, entrega mais valor. Essa transformação merece a atenção do agronegócio brasileiro.
Durante muito tempo, concentramos nossa comunicação na produção. Quantos hectares foram plantados? Qual será a produtividade? Quanto exportamos? Como estão os preços?
Essas questões continuarão essenciais para produtores, empacotadores, cerealistas e exportadores. Mas, se desejamos aumentar o consumo dos alimentos de verdade, precisamos olhar com mais atenção para quem está do outro lado da cadeia: a pessoa que decide, todos os dias, o que colocar na mesa da família.
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Essa decisão passou a ser influenciada por fatores que, até poucos anos atrás, quase não apareciam nas análises agrícolas.
O envelhecimento da população aumenta a preocupação com a alimentação preventiva. A incidência de doenças metabólicas amplia a procura por dietas equilibradas. A disseminação de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade também começa a alterar o comportamento alimentar de milhões de pessoas.
Posso falar por experiência própria. Ao iniciar o uso de um medicamento da classe GLP-1, ouvi do médico uma orientação muito clara: seria necessário prestar ainda mais atenção ao consumo de proteína.
Quando a fome diminui, cada refeição passa a ter um peso maior. Não se trata apenas de comer menos. É preciso escolher melhor o que será consumido. Foi então que me fiz uma pergunta: quando se recomenda proteína, por que quase ninguém se lembra do Feijão?
A publicidade costuma relacionar proteína principalmente às carnes, aos laticínios, aos suplementos, às barras e a uma nova geração de produtos industrializados. Ao mesmo tempo, um dos alimentos mais completos, acessíveis e presentes na cultura brasileira permanece quase invisível nessa conversa. Esse é um dos grandes paradoxos da alimentação moderna.
Enquanto a indústria trabalha para adicionar proteínas e fibras a diferentes formulações, o Feijão já reúne naturalmente proteína vegetal, fibras, vitaminas e minerais. Além disso, carrega uma história construída ao longo de gerações.
O mesmo vale para o grão-de-bico, a lentilha e a ervilha. Esses alimentos, conhecidos internacionalmente como pulses, ocupam espaço crescente nos debates sobre nutrição, sustentabilidade e segurança alimentar.
No Brasil, porém, continuamos tratando-os quase exclusivamente como commodities ou produtos básicos de abastecimento. Não está na hora de mudar essa narrativa?
Outro movimento importante ocorre dentro dos supermercados. As grandes redes estão ampliando suas marcas próprias e procurando produtos que combinem qualidade, diferenciação e preço competitivo.
Isso não deve ser visto apenas como ameaça para a indústria. Pode representar uma oportunidade para empacotadores e processadores brasileiros desenvolverem novas linhas de Feijões, pulses, pipoca, gergelim e outras colheitas especiais.
Também cresce o interesse por alimentos minimamente processados, por ingredientes de origem conhecida e por produtos cuja história possa ser contada. O consumidor quer entender quem produz, como produz e por que aquele alimento merece sua confiança.
Isso aproxima o campo da mesa de uma maneira que ainda não compreendemos completamente. E o Brasil possui vantagens extraordinárias nesse cenário.
Somos capazes de produzir durante praticamente todo o ano. Temos uma enorme diversidade de Feijões, além de pulses, pipoca, gergelim e outras culturas especiais. Contamos com pesquisa científica, produtores tecnificados, agricultura familiar, cooperativas, empresas de beneficiamento e presença crescente no comércio internacional.
Mas ainda precisamos conectar essa capacidade produtiva com aquilo que realmente move o consumidor.
Não basta produzir mais. É preciso comunicar melhor. Não basta exportar mais. É preciso construir reputação.
Não basta afirmar que o alimento é saudável. É necessário explicar, demonstrar e participar ativamente da conversa sobre saúde e alimentação.
Quem não ocupar esse espaço corre o risco de produzir alimentos extraordinários e continuar invisível aos olhos do consumidor. É por isso que tenho defendido o conceito de Agroalimento.
O século 21 provavelmente não será lembrado apenas pela expansão do agronegócio. Será lembrado como o período em que a sociedade passou a discutir, com muito mais profundidade, a qualidade daquilo que come.
Quem compreender essa mudança deixará de vender somente produtos agrícolas e passará a oferecer soluções alimentares. Essa diferença é enorme.
O produtor continuará olhando para o clima, os custos, a produtividade, o câmbio e os mercados internacionais. Mas precisará olhar também para o consumidor final, entender suas preocupações, suas aspirações e seus novos hábitos.
A próxima grande disputa do agro não acontecerá apenas pela terra, pela produtividade ou pelos mercados externos. Será também uma disputa por espaço no prato.
O futuro do agronegócio continuará sendo construído na lavoura. Mas será confirmado — ou não — todos os dias, diante de milhões de consumidores.
Quem compreender isso primeiro deixará de disputar apenas mercados. Passará a disputar algo ainda mais valioso: a confiança de quem escolhe o que colocar no prato.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Conheça o ingrediente de perfumes de luxo que está sendo descartado na produção de suco

Muito além do suco, a laranja pode se transformar em matéria-prima para perfumes, cremes, óleos essenciais e ingredientes de alto valor para a indústria de cosméticos. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontam que resíduos gerados durante o processamento da fruta, como a água amarela, as sementes e o bagaço, ainda são pouco explorados no Brasil, apesar do potencial econômico.
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Entre os compostos de maior interesse está o limoneno, um composto encontrado nas frutas cítricas e presente na água amarela (líquido gerado durante a produção do suco). O estudo realizado pela Unicamp desenvolveu uma tecnologia capaz de extrair o composto utilizando baixas temperaturas e pressões reduzidas, preservando suas características químicas.
Segundo o professor titular da Unicamp e membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, Rubens Maciel Filho, o processo produz limoneno com pureza superior a 99%. Ele explica que, apesar do nome remeter ao limão, o limoneno está presente em todas as frutas cítricas, especialmente na laranja.
Produção de perfumes
Embora seja descartado ou subutilizado pela indústria, esse resíduo concentra substâncias utilizadas na fabricação de perfumes.
“A água amarela, para mim, é um resíduo extremamente importante e subutilizado. Nós trabalhamos com isso no passado para tirar um produto chamado limoneno. É o limoneno que se tira da água amarela. Ele é um princípio ativo dos principais perfumes. Perfumes de marcas muito famosas, muito caras”, afirma Rubens Maciel.
Segundo ele, trata-se de uma matéria-prima de alto valor comercial, com preço que pode chegar à casa de dólares por grama, o que reforça o potencial econômico do aproveitamento desse composto.
“Um pouquinho dele exala um cheiro maravilhoso no laboratório e pequenas quantidades dele são utilizadas na composição do perfume. Ele é caríssimo. Nós estamos falando de produtos que valem, eu diria, dólares por miligrama”, afirma.
Muito além dos perfumes
Sementes de laranja
O potencial da laranja para a indústria da beleza não se limita ao limoneno, segundo o pesquisador, as sementes concentram óleos, proteínas e flavonoides que podem ser aproveitados em formulações cosméticas como cremes e óleos essenciais.
“Não estamos falando de óleo de milho, nem de soja, é um óleo muito mais valorizado”, destaca Rubens Maciel.
Bagaço da laranja
Já o bagaço pode ser transformado, por meio de processos de fermentação, em ácidos orgânicos hoje amplamente utilizados pela indústria cosmética.
Água amarela
A água amarela também concentra pectina, composto conhecido pela aplicação na indústria alimentícia, mas que também desperta interesse em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de cosméticos e outros produtos de origem natural.
Economia circular
Na avaliação do pesquisador, o aproveitamento desses resíduos representa uma oportunidade para ampliar a renda da cadeia citrícola e usar o que temos de melhor, em termos de produção, em nosso país.
“Se a gente é muito bom na produção do agronegócio como um todo, a gente precisa de valorizar as coisas que temos, não só exportar matéria-prima”, destaca Rubens Maciel.
Além do retorno econômico, a estratégia fortalece a economia circular ao substituir ingredientes de origem fóssil por compostos obtidos de matérias-primas vegetais.
Mesmo após a extração dos ingredientes de maior interesse, o material restante ainda pode ser aproveitado para geração de biogás, reduzindo o desperdício e aumentando a eficiência da cadeia produtiva.
Brasil ainda aproveita pouco esse mercado
Para Rubens Maciel, embora o Brasil seja o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, o país ainda explora pouco o mercado de ingredientes de alto valor obtidos dos resíduos da fruta.
“A gente muitas vezes não dá valor para isso [produção brasileira]. Vende a soja, as pessoas lá fora extraem o óleo e depois vendem a provitamina para nós. Então, nós importamos um produto que nós poderíamos produzir. O nosso foco, a origem da nossa pesquisa é valorizar aquilo que o Brasil sabe fazer bem. Valorizar os produtos do agronegócio”, completa.
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