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10 de junho de 2026

Business

‘Inaceitável’, diz Sociedade Rural Brasileira sobre invasão de terminal da Cargill

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Imagens das câmeras de segurança do terminal da Cargill, em Santarém (PA), flagraram a ação dos indígenas

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) emitiu nota nesta segunda-feira (23) em que critica a invasão do terminal da Cargill, no Porto de Santarém (PA), ocorrida na última sexta-feira (20).

“A entidade entende que o Estado Democrático de Direito garante a liberdade dos brasileiros para manifestações, mas considera inaceitável a invasão de propriedades privadas, com depredação e intimidação dos funcionários da empresa”, afirma trecho do documento.

A SRB também defendeu a adoção de medidas por parte das autoridades. “Levando em conta os relatos sobre atos de violência, que envolvem não apenas as instalações do terminal, mas também a interceptação de embarcações, paralisando as atividades na região, a SRB defende ação imediata por parte dos poderes Executivo e Judiciário.”

A entidade ainda pediu a retomada das operações. “A SRB considera urgente a normalização das atividades produtivas e do funcionamento do terminal, assim como a responsabilização dos envolvidos em eventuais crimes ocorridos durante os protestos.”

Invasão em terminal no Pará e na sede em São Paulo

No último sábado, a Cargill informou que foi alvo de duas ações violentas na noite de sexta-feira (20). Os episódios atingiram o escritório da empresa, em São Paulo (SP), e o terminal portuário de Santarém (PA).

Na capital paulista, um grupo vandalizou a fachada do prédio onde funciona a sede da companhia.

Horas depois, o terminal de Santarém foi invadido por manifestantes. A unidade já estava com a portaria de caminhões bloqueada há cerca de 30 dias por grupos indígenas.

Operações interrompidas

Segundo a empresa, o plano de emergência foi acionado imediatamente. Funcionários que estavam no terminal buscaram abrigo em área fechada até que pudessem ser evacuados com segurança.

Até o momento, o terminal segue ocupado, com indícios de depredação. As operações estão integralmente interrompidas.

A companhia afirma que respeita o direito à manifestação, mas ressalta que não tem ingerência sobre a pauta apresentada pelos manifestantes. A Cargill informa ainda que já obteve decisão judicial para desocupação da área e mantém contato com as autoridades para que a medida seja cumprida de forma segura e ordeira.

O que dizem os indígenas

Na última quarta-feira (18), o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região determinou que o acesso ao complexo portuário de Santarém, operado pela Cargill, deveria ser reestabelecido em até 48 horas.

Por meio das redes sociais, a liderança indígena Olisil Oliveira disse que a decisão da justiça é uma “forma de repressão” e que não houve a tentativa de diálogo. Ele também classifica os atos em Santarém como pacíficos.

Segundo Oliveira, os manifestantes só deixarão o local após a revogação do Decreto nº 12.600, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2025. O decreto inclui trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins na Amazônia no Programa Nacional de Desestatização (PND), permitindo concessões privadas para dragagem e exploração de hidrovias.

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Preço do arroz reage no RS com avanço das exportações e alta do dólar

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Foto: Freepik

Os preços do arroz em casca voltaram a apresentar leve recuperação no Rio Grande do Sul, impulsionados principalmente pelo aumento da demanda internacional pelo cereal. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço das exportações brasileiras, aliado à valorização dos indicadores externos e à alta do dólar, fortaleceu o interesse de compradores por lotes destinados ao mercado externo.

Apesar da melhora nos preços, o mercado interno ainda segue com baixa liquidez. Pesquisadores apontam que as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado e a menor participação dos agentes nas negociações continuam limitando o ritmo dos negócios no país.

Outro fator que ajudou a sustentar as cotações foi a menor disponibilidade de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros, padrão mais utilizado nas exportações. Com a necessidade de recompor volumes, exportadores passaram a buscar também lotes com 58% de inteiros, ampliando a procura pelo produto e contribuindo para o movimento de alta.

De acordo com o Cepea, esse cenário reforça a influência do mercado externo sobre a formação dos preços do arroz no Brasil neste momento, especialmente em meio à valorização cambial e ao maior apetite internacional pelo cereal brasileiro.

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Mato Grosso proíbe uso de biomassa oriunda de desmatamento

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O uso de biomassa proveniente de desmatamento por grandes consumidores está proibido em Mato Grosso. A medida foi formalizada por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado na segunda-feira (8) entre o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

O acordo revoga a Instrução Normativa nº 06/2022, que permitia o aproveitamento de biomassa oriunda de áreas desmatadas. Pelo termo, o Governo do Estado não poderá emitir licenças para novos empreendimentos ou ampliações de unidades já existentes que dependam de matéria-prima nativa.

A decisão ocorre em um momento de discussão sobre a oferta de biomassa para atender a demanda crescente da indústria mato-grossense, especialmente das usinas de etanol de milho, que ampliaram a necessidade de madeira para geração de energia.

Representantes do setor florestal avaliam que a medida pode estimular novos investimentos em florestas plantadas e fortalecer a participação do eucalipto reflorestado no abastecimento das indústrias instaladas no estado.

Acordo prevê rastreabilidade e fiscalização

Além de revogar a norma, o termo estabelece novas obrigações para o Governo do Estado relacionadas ao monitoramento do consumo de biomassa pelos grandes usuários.

Conforme o acordo, Mato Grosso terá 30 dias para editar o Decreto do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026-2040 e 120 dias para regulamentar mecanismos de rastreabilidade da matéria-prima utilizada pelas indústrias.

Presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa considera que a medida cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento das florestas plantadas no estado.

“Enfim, nosso estado começa a construir uma trajetória clara para o florestamento no Estado, substituindo a biomassa de desmatamento pela biomassa de fonte sustentável, renovável, escalável e perene, como é o caso das florestas plantadas”.

Segundo Takizawa, o acordo também prevê mecanismos para acompanhar se os grandes consumidores estão cumprindo os compromissos assumidos para garantir o abastecimento futuro de biomassa.

“O governo terá que criar um sistema informatizado para acompanhar se os grandes consumidores estão, de fato, executando seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS). Ou seja, se estão investindo em florestas plantadas de forma proporcional ao consumo previsto”.

O termo prevê ainda sanções administrativas, aplicação de multas e impedimentos para renovação de licenças em caso de descumprimento das exigências estabelecidas.

Área plantada precisará mais que dobrar até 2030

A discussão sobre a origem da biomassa ocorre em meio aos alertas do setor florestal sobre a necessidade de ampliar a área plantada de eucalipto em Mato Grosso para atender à demanda projetada para os próximos anos.

De acordo com a Arefloresta, a participação das florestas plantadas no mercado estadual de biomassa caiu de 59% em 2022 para 47,5% em 2025, movimento atribuído ao avanço da biomassa proveniente de desmatamento.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas. A estimativa da entidade é que, considerando apenas a demanda das indústrias de etanol de milho, essa área precisará alcançar 436 mil hectares até 2030.


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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.

Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.

Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.

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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.

No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.

O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.

Fonte: cnabrasil.org.br

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