Sustentabilidade
Forte retenção de oferta mantém estabilidade artificial no mercado de arroz – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de arroz segue em estabilidade relativa, preso a uma dinâmica de lateralidade que ainda carece de vetores claros de mudança. A constatação é do consultor e analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
“A semana avançou com poucas novidades e cotações essencialmente nominais, sustentadas quase exclusivamente pela restrição de oferta disponível”, explica o analista. “O arroz permanece concentrado nas mãos de produtores capitalizados, sem urgência de venda, enquanto o arroz velho é praticamente inexistente no mercado físico”, acrescenta.
O arroz novo começa a aparecer, porém em volumes ainda muito pequenos e insuficientes para formar referência confiável. “Além disso, parcela relevante da produção já está comprometida por adiantamentos e contratos futuros, reduzindo ainda mais a oferta livre e mantendo a liquidez bastante limitada”, lembra o consultor.
Na formação de preços, o mercado segue ancorado entre R$ 50 e R$ 55 pela saca de 50 quilos no casca na maioria das regiões. “Tentativas de negócios em níveis mais elevados ocorrem de forma pontual, ligadas a reposições operacionais, sem sustentação estrutural e com forte resistência da indústria diante da dificuldade de repasse no fardo, cujas referências seguem com significativa distorção”, explica.
Para Oliveira, os movimentos recentes de alta continuam sendo interpretados como ilusão de reação, sem fluxo comercial robusto. E o câmbio ainda fraco limita a competitividade externa.
Ainda assim, os dados da balança comercial até a segunda semana de fevereiro, segundo SECEX/MDIC, mostram exportações de 67.333,5 toneladas do arroz em casca e 38.481,56 toneladas do arroz beneficiado (basicamente quebrados), enquanto as importações somaram 4.160,0 toneladas do casca e 48.084,56 toneladas de beneficiado.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 54,93, alta de 0,45% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço foi de 4,51%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 43,27%.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
Com o avanço do caruru-gigante no Brasil, medidas de manejo devem ser intensificadas, incluindo a limpeza de máquinas – MAIS SOJA

É consenso que, no cenário atual, as espécies do gênero Amaranthus, popularmente conhecidas como caruru, figuram entre as plantas daninhas mais problemáticas nas culturas agrícolas brasileiras. Em crescente expansão no território nacional, essas espécies competem intensamente com culturas como soja e milho, promovendo reduções expressivas na produtividade das lavouras.
O caruru destaca-se pelo rápido crescimento inicial, elevado vigor, alta produção de sementes e ampla capacidade de desenvolver resistência a herbicidas, características que lhe conferem elevada agressividade e dificultam o controle. Entre as espécies de maior complexidade está o caruru-gigante (Amaranthus palmeri), capaz de crescer até 4 cm por dia e de reduzir a produtividade em mais de 91% no milho, 79% na soja e 77% no algodão (Gazziero & Silva, 2017).
Até recentemente, A. palmeri era considerada restrita ao estado do Mato Grosso. Contudo, sua ocorrência foi confirmada também no estado de São Paulo, na região de São José do Rio Preto, ampliando o alerta fitossanitário (MAPA, 2026). Diante do elevado potencial de dano e da expansão geográfica da espécie, torna-se imprescindível intensificar as estratégias de manejo para conter o avanço das populações.
Entre as medidas mais eficazes destaca-se a limpeza criteriosa de máquinas e equipamentos agrícolas provenientes de diferentes áreas de produção. Essa prática é ainda mais relevante no trânsito entre regiões ou estados com barreiras sanitárias, onde já há exigência de que os equipamentos estejam livres de solo e resíduos vegetais (HRAC-BR, 2026).
Considerando as características físicas das sementes de caruru, pequenas e de fácil desprendimento, a dispersão por meio de máquinas agrícolas constitui uma das principais vias de disseminação da espécie, reforçando a importância da limpeza como estratégia preventiva.
Figura 1. (A) Máquina contaminada com sementes de caruru; (B) sementes de caruru; (C) resíduos culturais; (D) transporte das colhedoras.
A limpeza deve ser realizada entre talhões e propriedades, sendo recomendada a limpeza completa das máquinas ao final da safra ou antes do deslocamento das máquinas para outras regiões, sempre conforme as orientações do fabricante. Quando a limpeza total não for viável, deve-se priorizar os pontos de maior acúmulo de resíduos e realizar o monitoramento dos primeiros talhões colhidos após o deslocamento da máquina (Barroso; Albrecht; Gazziero, 2024).
De acordo com Barroso; Albrecht; Gazziero, (2024), tanto na colheita da soja quanto do milho há diversos pontos de retenção de sementes de plantas daninhas, incluindo caruru. As regiões da plataforma de corte, do tanque graneleiro, do coletor de perdas e do eixo sem-fim concentram maior acúmulo de sementes, devendo, portanto, receber atenção especial durante o processo de limpeza.
Figura 2. Pontos de maior acúmulo de sementes de plantas daninhas após a colheita da soja ou do milho.

Nesse contexto, a limpeza de colhedoras é fundamental para conter a disseminação do caruru, especialmente quando se trata de máquinas e equipamentos agrícolas provenientes de outras regiões produtoras do país. Ressalta-se que essa prática também é válida para o manejo de outras espécies daninhas, contribuindo significativamente para a redução da dispersão de sementes nas áreas agrícolas.

Referências:
BARROSO, A. A. M.; ALBRECHT, A. J. P.; GAZZIERO, D. L. O COMPLEXO CARURU: BIOLOGIA, IDENTIFICAÇÃO, OCORRÊNCIA E MANEJO. Sistema FEAP, 2024. Disponível em: < https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Cartilha-Caruru_web.pdf >, acesso em: 20/02/2026.
GAZZIERO, D. L. P.; et al. CARURU-PALMERI: CUIDADO COM ESSA PLANTA DANINHA. Embrapa Soja, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152972 >, acesso em: 20/02/2026.
GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 20/02/2026.
MAPA. PRAGA QUARENTENÁRIA PRESENTE É DETECTADA PELA PRIMEIRA VEZ NO ESTADO DE SÃO PAULO. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/praga-quarentenaria-presente-e-detectada-pela-primeira-vez-no-estado-de-sao-paulo >, acesso em: 20/02/2026.

Sustentabilidade
Região Sul lidera colheita da soja em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

A colheita da soja em Mato Grosso do Sul segue em andamento e, até o dia 13 de fevereiro a área colhida acompanhada pelo Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, alcançou 14,9% da área estimada no Estado, o que representa aproximadamente 714 mil hectares.
A região sul apresenta o maior avanço nas operações, com 19% da área colhida, superando as regiões centro (10,3%) e norte (5,9%).
Os dados constam no Boletim nº 647, elaborado pela Aprosoja/MS em parceria com o Sistema Famasul, a partir de levantamentos realizados junto a produtores rurais, sindicatos e empresas de assistência técnica nos principais municípios produtores do Estado.
Na comparação com o mesmo período da safra 2024/2025, o índice atual está 13,8 pontos percentuais abaixo. No ciclo anterior, o Estado registrava 28,7% da área colhida até 13 de fevereiro.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o cenário climático foi determinante para o ritmo da colheita neste início de safra.
“O avanço da colheita reflete as condições enfrentadas ao longo de janeiro. Tivemos estiagem prolongada e temperaturas elevadas, principalmente na região sul, o que impactou o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, o desempenho em campo”, explica.
Em dezembro de 2025, mais de 75% das lavouras apresentavam boas condições. No entanto, o mês de janeiro registrou piora significativa em função dos veranicos, com períodos superiores a 20 dias sem chuvas em determinadas localidades. Levantamentos de campo indicam que mais de 640 mil hectares foram impactados, com destaque para municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai.
Atualmente, 63% das lavouras no Estado são classificadas como boas, 23,2% como regulares e 13,8% como ruins. As áreas com maior comprometimento estão associadas à irregularidade das chuvas, solos arenosos, alta incidência de pragas e falhas no estande de plantas.
A estimativa para a safra 2025/2026 aponta área cultivada de 4,794 milhões de hectares, crescimento de 5,9% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média projetada é de 52,82 sacas por hectare, com expectativa de produção de 15,195 milhões de toneladas.
Fonte: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Área tratada por defensivos agrícolas deve encerrar ciclo 2025 com alta de 6,1% – MAIS SOJA

Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).
A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário.
Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas.
Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.
O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento.
No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama.
Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes.
O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.
Sobre o Sindiveg
Há mais de 80 anos, o Sindiveg – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal atua no Brasil representando o mercado de defensivos agrícolas no País, com suas 22 associadas, e dando voz legalmente à indústria de produtos de defesa vegetal em todo o território nacional.
O Sindicato tem como propósito a promoção da produção agrícola de forma consciente, com o uso correto e seguro dos defensivos, bem como apoiar o setor no desenvolvimento de pesquisas e estudos científicos para o seu uso consciente, sempre respeitando as leis, a sociedade e o meio ambiente. Mais informações: www.sindiveg.org.br
Fonte: Assessoria de imprensa Sindiveg
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