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10 de junho de 2026

Business

Buracos e atoleiros na BR-174 elevam custos e causam prejuízos a produtores em Juína

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da BR-174 tem causado prejuízos diretos aos produtores rurais de Juína, no noroeste de Mato Grosso. Buracos, atoleiros e atrasos no transporte elevam o custo logístico e reduzem o valor pago pela soja, com perdas que chegam a R$ 10 por saca.

Considerada um dos principais corredores de escoamento entre Mato Grosso e Rondônia, a rodovia encurta o caminho até Porto Velho. No trecho entre Juína e Vilhena são cerca de 230 quilômetros que poderiam garantir mais competitividade à produção regional, mas as condições atuais da estrada dificultam o transporte e aumentam os prejuízos.

Produtor rural com área de 1,6 mil hectares de soja, além de milho, pecuária integrada e manejo florestal, Alcides Szulczewski Filho relata que os atrasos no transporte comprometem a qualidade e o volume comercializado.

Segundo ele, a demora faz com que os grãos permaneçam mais tempo armazenados, o que aumenta a umidade e reduz o rendimento. “O caminhão atrasa para ir, atrasa para chegar […] quando você vê é uma porcentagem a mais da nossa produção que vai embora por conta da logística que nós não temos para chegar mais rápido até o destino, e esse aí é o reflexo depois é no bolso”, diz ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos maiores e perda de competitividade

O excesso de chuva agrava a situação e aumenta o risco de prejuízos. Alcides conta que os danos aos veículos são frequentes e elevam ainda mais os custos da operação. “Um caminhão meu veio, passou dentro de um buraco cheio d’água, tinha uma pedra de ponta lá e estourou dois pneus. Então você tem lá uma viagem de 30 quilômetros, dois pneus R$ 6 mil, R$ 7 mil”, relata Alcides ao cobrar melhorias na trafegabilidade.

Na região, o produtor Moacir Damiani já enfrenta dificuldades logo no início da colheita. Ele cultivou quatro mil hectares de soja nesta safra e afirma que o principal gargalo está fora da porteira. “Hoje o gargalo nosso de colheita é a parte de logística […] um caminhão para fazer esses 11 quilômetros aqui demora uma hora”.

A situação já causou paralisação na retirada da produção. Moacir conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que, mesmo com a carga pronta, os caminhões não conseguem cumprir os prazos. “Eu já fiquei com a colheita lá parada por causa de caminhão […] devido à chuva, não roda conforme deveria rodar e aí você já começa perder a soja, começa a dar avaria”.

As condições da rodovia também afetam diretamente os preços pagos aos produtores. De acordo com Renato Tozzo, empresas têm optado por rotas alternativas mais longas para evitar o trecho. O desvio pode acrescentar entre 400 e 500 quilômetros ao percurso, o que reduz a competitividade da região. “Hoje Campo Novo por exemplo está falando de soja de R$ 100, R$ 103 e Juína hoje R$ 92, R$ 93. Essa é a diferença por conta da logística nossa aqui que é péssima”.

Conforme ele, o impacto é direto na rentabilidade. “A gente perde aproximadamente R$ 10 por saca de soja por falta desse acesso da de custo a mais para nós produtores”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impactos além do campo

Os problemas na rodovia também afetam o transporte de pacientes, alimentos e mercadorias. O líder indígena Holikialari Enawêne relata que as dificuldades atingem comunidades inteiras. “Muito difícil. Transporte de pacientes, transportes de emergência, até transporte de merenda escolar também está muito complicado para transportar nessa BR, muito buraco, muito atoleiro”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Apesar de reconhecer avanços em relação ao passado, Alcides afirma que ainda há muito a melhorar. De acordo com o produtor rural de Juína, a rodovia já recebeu intervenções, mas não atende à demanda crescente da região. “Ela evoluiu bastante […] mas falta mais, precisamos avançar ainda porque a infraestrutura para nós, para agricultura aqui em Juína, é muito precária”.

Entre os produtores, a pavimentação do trecho até Vilhena é vista como essencial para garantir competitividade e reduzir prejuízos. “A gente sonha com a ligação desse asfalto daqui para Vilhena para dar uma transformada na logística nossa aqui…”, conclui Moacir.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) quanto às obras na BR-174, na região de Juína. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Abate de fêmeas recua em Mato Grosso e participação cai abaixo de 50% pela primeira vez no ano

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Os frigoríficos de Mato Grosso abateram 610,8 mil bovinos em maio de 2026, volume 4,08% superior ao registrado em abril, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea). O destaque do período foi a redução no abate de fêmeas, movimento que fez a participação dessa categoria cair para menos de 50% do total abatido no estado.

Apesar do avanço na comparação mensal, maio marcou a primeira retração anual dos abates em 2026. O volume ficou 0,19% abaixo do observado no mesmo período do ano passado, embora tenha permanecido próximo ao registrado em maio de 2025.

Enquanto os abates de machos cresceram 10,10% em relação a maio de 2025, alcançando 307,27 mil cabeças, o volume de fêmeas enviadas ao gancho caiu 8,81%, totalizando 303,53 mil cabeças.

Retenção de matrizes

Com a diminuição do abate de fêmeas, a participação dessa categoria no total abatido caiu de 54,39% em maio de 2025 para 49,69% em maio de 2026, uma redução de 4,70 pontos percentuais.

Segundo o Imea, o resultado está diretamente relacionado ao menor envio para abate de fêmeas com mais de 24 meses, categoria que inclui grande parte das matrizes do rebanho.

O comportamento do mercado reforça o movimento de retenção de matrizes observado no estado, estratégia adotada pelos pecuaristas para recomposição e expansão dos rebanhos. Diante desse cenário, a expectativa é que a participação das fêmeas nos abates permaneça em níveis mais baixos nos próximos meses, sustentada pela continuidade desse processo de retenção em Mato Grosso.


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Colheita de café avança no Brasil, mas qualidade dos grãos preocupa

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Foto: Governo do Estado de Rondônia

A colheita de café começou a ganhar ritmo nas principais regiões produtoras do Brasil neste início de junho, após um avanço mais lento até a segunda quinzena de maio. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as chuvas frequentes e a maturação irregular dos grãos vinham dificultando os trabalhos no campo.

Com o retorno do tempo mais seco neste começo de mês, produtores conseguiram acelerar a colheita. De acordo com o Cepea, mesmo com as temperaturas mais baixas, as condições climáticas recentes favoreceram tanto o amadurecimento dos frutos quanto o rendimento das operações nas lavouras.

Apesar da melhora no ritmo da safra, produtores demonstram preocupação com a peneira do café colhido até agora. Segundo o Centro de Pesquisas, o tamanho dos grãos estaria abaixo do registrado na safra passada, principalmente nas regiões do Sul de Minas Gerais e da Mogiana Paulista.

Ainda assim, pesquisadores ressaltam que é cedo para uma avaliação definitiva da qualidade da safra, já que pouco volume foi beneficiado até o momento e a colheita ainda está em fase inicial.

O Cepea também aponta que muitos produtores têm aproveitado o início da colheita para negociar os primeiros lotes disponíveis. O movimento ocorre tanto pela necessidade de reforçar o caixa quanto pela tentativa de aproveitar os atuais patamares de preços do café.

A expectativa é que esse cenário mantenha o ritmo de comercialização aquecido nas próximas semanas, mesmo diante das incertezas sobre o desempenho final da safra.

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Agro Mato Grosso

Indústria de MT ultrapassa 203 mil trabalhadores e amplia participação na economia do estado

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A indústria de Mato Grosso alcançou um novo patamar de crescimento e chegou a 203,5 mil trabalhadores com carteira assinada em 2025, consolidando-se como um dos principais motores da economia estadual. O número representa cerca de 16% de todos os empregos formais existentes no estado.

Os dados são da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), por meio do Observatório de Mato Grosso, e mostram que o setor vive uma trajetória de expansão contínua. Em comparação com 2024, quando havia 197,9 mil trabalhadores formais, o avanço foi de 9,7%.

O crescimento se torna ainda mais expressivo quando analisado o período de quase dez anos. Em 2016, Mato Grosso contabilizava aproximadamente 130 mil trabalhadores na indústria. Desde então, foram criados mais de 73 mil novos postos de trabalho, o que representa uma alta superior a 56%.

Além da geração de empregos, a quantidade de indústrias em funcionamento também aumentou significativamente. Em 2025, o estado registrou 16.891 estabelecimentos industriais ativos, contra 10.781 em 2016, uma expansão de 53,8%. Na comparação com o ano anterior, quando havia 16.588 unidades, o crescimento foi de 8,9%.

A presença da indústria se espalha por diversas regiões de Mato Grosso, impulsionando setores como alimentos, construção civil, biocombustíveis, madeira, mineração, frigoríficos e serviços industriais. A atividade também fortalece a agroindústria ao agregar valor à produção local.

Segundo o presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, os indicadores refletem a capacidade de crescimento do setor e seu impacto direto na economia. Para ele, os resultados são fruto da atuação conjunta de empresários, trabalhadores e entidades voltadas ao fortalecimento da indústria e ao aumento da competitividade estadual.

Pequenos negócios dominam o setor

O levantamento aponta que as microempresas são maioria no parque industrial mato-grossense. Elas representam 82,11% dos estabelecimentos, o equivalente a cerca de 13,8 mil indústrias.

As pequenas empresas correspondem a 14,59% do total, com aproximadamente 2,4 mil unidades. Já as médias empresas somam 288 estabelecimentos, ou 1,71% do setor, enquanto as grandes indústrias representam 1,59%, com 268 unidades.

Os números evidenciam o papel dos pequenos negócios na manutenção da atividade industrial e na geração de empregos em diferentes municípios do estado.

Participação no PIB e na arrecadação

A relevância da indústria também aparece nos indicadores econômicos. O Produto Interno Bruto (PIB) industrial de Mato Grosso alcançou R$ 36,8 bilhões, valor equivalente a 15% de toda a riqueza produzida no estado.

Outro destaque é a contribuição para os cofres públicos. Em 2025, o setor industrial foi responsável por R$ 12,75 bilhões em arrecadação de ICMS, montante que corresponde a 49,53% de todo o imposto recolhido em Mato Grosso.

Os dados reforçam o papel estratégico da indústria no desenvolvimento econômico estadual, tanto pela geração de empregos quanto pela capacidade de impulsionar investimentos, inovação e arrecadação tributária.

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