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Aos 99 anos, morre Ray Goldberg, criador do conceito de agronegócio

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Ray A. Goldberg, professor emérito da Universidade de Harvard e um dos principais formuladores do conceito moderno de agronegócio, faleceu na última segunda-feira (16), aos 99 anos. Reconhecido mundialmente por introduzir a abordagem sistêmica da economia alimentar global, Goldberg morreu em casa. Sua trajetória acadêmica e intelectual moldou a forma como governos, empresas e pesquisadores passaram a compreender as cadeias agroalimentares.

Considerado um dos pioneiros no estudo integrado da produção de alimentos, Goldberg ajudou a estabelecer o termo agronegócio, conceito que redefiniu o entendimento das interconexões entre agricultura, indústria, mercados e políticas públicas. Ao longo de mais de sete décadas de atuação na Harvard Business School e na Harvard Kennedy School, o professor teve papel central na consolidação de um campo de estudo que ultrapassou os limites da academia e influenciou decisões estratégicas em escala global.

Nascido em Fargo, no estado de Dakota do Norte, Goldberg desenvolveu ainda jovem interesse pelo funcionamento dos sistemas de produção e distribuição de alimentos. Mudou-se para Harvard, onde concluiu o bacharelado em 1948 e o MBA em 1950. Posteriormente, obteve o doutorado em Economia Agrícola pela Universidade de Minnesota, em 1952. Foi durante esse período que, ao lado de seu mentor John H. Davis, cunhou o termo “agronegócio”, estabelecendo as bases conceituais de uma nova forma de analisar o setor.

Na Harvard Business School, Goldberg introduziu o primeiro curso dedicado ao agronegócio, adotando uma abordagem que examinava toda a cadeia alimentar — dos insumos e da produção rural ao processamento, distribuição e comportamento do consumidor. A proposta rompia com análises fragmentadas e defendia a compreensão do sistema alimentar como uma rede interdependente de agentes econômicos e institucionais. A iniciativa influenciou gerações de estudantes e executivos, além de inspirar políticas públicas e modelos de negócios em diversos países.

Durante sua carreira, Goldberg também fundou os Seminários de Gestão Sênior em Agronegócio, espaço voltado à formação e ao debate entre lideranças do setor. Na Harvard Kennedy School, liderou o fórum anual do PAPSAC, que reunia representantes dos setores público e privado para discutir desafios estruturais da produção e segurança alimentar. O professor defendia que problemas complexos do sistema alimentar exigiam cooperação entre disciplinas, empresas e governos.

Mesmo após se aposentar formalmente da Harvard Business School, em 1997, Goldberg manteve intensa atividade acadêmica. Continuou lecionando temas ligados à política alimentar e agronegócio até 2015, além de conduzir seminários sobre os impactos das mudanças climáticas na produção global de alimentos. Sua produção intelectual incluiu 23 livros e mais de 110 artigos, além da supervisão de centenas de estudos de caso que se tornaram referência no ensino de economia e gestão do agronegócio.

A influência de Goldberg também se estendeu ao setor privado. Ao longo da vida, integrou mais de quarenta conselhos de administração de empresas, cooperativas e organizações ligadas ao agronegócio e à tecnologia. Atuou ainda como consultor de instituições financeiras e foi fundador e primeiro presidente da International Agribusiness Management Association, entidade dedicada ao desenvolvimento do setor em âmbito internacional.

Ray Goldberg deixa um legado associado à construção de uma visão integrada do sistema agroalimentar. Sua contribuição teórica e prática ajudou a consolidar o agronegócio como conceito econômico, acadêmico e estratégico, com impactos duradouros sobre a organização das cadeias produtivas e o debate sobre segurança alimentar global.

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Área tratada com defensivos na safra 25/26 deve crescer 6%, indica Sindiveg

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O mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar a safra 2025/26 com expansão de 6,1% na Área Potencial Tratada (PAT), contabilizando aplicação em 2,6 bilhões de hectares. O dado parte de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

O indicador utilizado no estudo leva em conta o número de aplicações e a quantidade de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras.

Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas.

Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos do ciclo 2025/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, visto que a semeadura transcorreu no período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado.

Pragas e fungos

O estudo destaca que a maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.

Entre os produtos mais utilizados na safra 2025/26, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento.

No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser:

  • Soja (55%);
  • Milho (18%);
  • Algodão (8%);
  • Pastagem: 5%;
  • Cana-de-açúcar: 4%;
  • Trigo: 2%;
  • Feijão: 2%;
  • Arroz: 1%;
  • Hortifruti: 1%;
  • Café: 1%; e
  • Outras culturas: 2%

Aplicação de defensivos por estados

Mato Grosso e Rondônia lideram em aplicação de defensivos, concentrando 32% da área tratada no país. Já a região agrícola conhecida como Bamatopipa (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%.

Em seguida, a pesquisa aponta São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%.

As demais regiões somam os 2% restantes. O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.

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Estudo avalia diferentes cultivares de soja e identifica a mais adequada por clima e ciclo

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Reprodução Canal Rural/Soja Brasil

A Expedição Soja Brasil acompanhou, no Rio Grande do Sul, um estudo conduzido por uma Rede Técnica Cooperativa formada por oito cooperativas do estado. O objetivo foi identificar as cultivares mais indicadas, considerando clima, período de semeadura e duração do ciclo.

Ao longo das últimas cinco safras, cerca de 20 cultivares de soja foram avaliadas em diferentes épocas de plantio e grupos de maturação, sempre dentro da janela recomendada para o estado.

Os experimentos foram replicados em diversos campos experimentais, permitindo comparar o desempenho de cultivares plantadas em outubro, início e fim de novembro e dezembro. Os resultados mostraram que a produtividade varia conforme o grupo de maturação e a data de semeadura. A janela mais indicada ficou entre 5 e 20 de novembro, quando luminosidade e umidade favorecem maior rendimento.

Entre 2020 e 2024, áreas conduzidas sem critério técnico registraram média de 38 sacas por hectare. Já as lavouras manejadas com base nos experimentos alcançaram 81 sacas por hectare. O estudo também apontou cultivares mais adaptadas para abertura de plantio, com maior tolerância a doenças de solo e outras mais indicadas para o fechamento da janela, com melhor resistência à macrophomina, que costuma se intensificar em períodos de estiagem.

Essa pesquisa ainda considera os impactos relacionados às mudanças climáticas no estado, marcado por eventos como o La Niña, anos de seca e também períodos de excesso de chuva.

A recomendação prática é dividir a área em três blocos de semeadura, com intervalos de cerca de 10 dias, combinando cultivares com diferença mínima de cinco pontos no grupo de maturação. A estratégia reduz riscos climáticos, facilita os tratos culturais e evita concentração da colheita em um único período, melhorando a organização e o desempenho da lavoura.

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Chuvas sem trégua travam colheita e ameaçam safra de soja em Paranatinga

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Paranatinga, no médio-norte de Mato Grosso, o excesso de chuva aumenta a incerteza sobre o tamanho das perdas nas lavouras de soja e preocupa produtores em pleno período de colheita. No campo, cada dia de solo encharcado representa mais do que atraso no cronograma: significa renda comprometida e dificuldade para fechar as contas no fim da safra. Diante desse cenário, o município já estuda acionar o decreto de estado de emergência como forma de reconhecer oficialmente os impactos provocados pelo clima e buscar medidas de apoio ao setor produtivo.

O agricultor Rubilar Pedro Calgaro Filho é um dos que sente os impactos causados pelo volume de chuvas nos últimos dias em Paranatinga. Ele apostou alto na safra 2025/26, com 620 hectares cultivados e expectativa de produtividade acima da média. Nos primeiros dias de colheita, o resultado chegou a trazer esperança. “Nos primeiros dias que nós colhemos aqui uma soja com uma produtividade média de 70 sacas, só que infelizmente só conseguimos tirar uma amostra, depois não conseguimos mais entrar”, relata.

Uma extensão de 80 hectares foi dessecada há 16 dias e está pronta para a colheita há quase uma semana. No entanto, o excesso de umidade impede a entrada das máquinas, e os grãos permanecem expostos no campo, sob risco crescente de deterioração.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Perdas que aumentam a cada dia

Com o avanço das chuvas e sem previsão de trégua consistente, o produtor já observa sinais claros de perda de qualidade e produtividade. “Nesse momento hoje em que ela se encontra já é uma perda aí na faixa de uns 50%, aí a gente vai ter que aguardar para ver quando vamos ter a oportunidade, se o tempo vai permitir para que a gente consiga colher ela. É uma soja que a cada dia que passa vai se perdendo”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Segundo Rubilar, o comprometimento da lavoura se agrava rapidamente. “Soja brotada são grãos avariados e muitas delas vão acabar caindo no chão e a colheitadeira não vai conseguir nem recolher. Então eu estimo que se não passar a colheitadeira aqui dentro essa lavoura provavelmente será 100% perdida”.

O impacto financeiro é ainda mais preocupante em um ano de margens apertadas. “Esse ano já é um ano muito ajustado, custos elevados, o preço da soja está nos menores níveis dos últimos 5, 6 anos, então aquela esperança que a gente tinha, aquele mínimo de sobrar alguma coisa praticamente já foi pelo ralo infelizmente”, diz.

Com custo estimado em 60 sacas por hectare, ele acredita que o resultado esperado dificilmente será alcançado. “Essa lavoura aqui tem um custo médio estimado de 60 sacas por hectare. Eu acredito com essa perda já aí no início pelo excesso de chuva que dificilmente será alcançada essa média na fazenda, o lucro já foi embora na verdade”.

Além do prejuízo financeiro, o abalo emocional também é evidente entre os produtores de Paranatinga. “O sentimento é de tristeza, mas vamos olhar pra frente e pedir a Deus que a gente consiga…”, diz, emocionado. A preocupação agora é conseguir equilibrar as contas ao fim da safra. “Que no final a gente consiga ao menos pagar as contas…”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Preocupação coletiva e possível decreto

A apreensão é compartilhada por outros produtores do município, conforme o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues. Conforme ele, o excesso de chuva compromete diferentes fases da cultura e dificulta a maturação adequada das plantas.

“As lavouras estão todas chegando, a grande maioria dos produtores tem soja pronta. Dos 20 dias com chuvas, teve um ou dois dias que apareceu sol, no restante dos dias não”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Ele ressalta que o impacto vai além das áreas prontas e também afeta lavouras em outras fases. “Quando pega um longo período na nossa situação de chuva, 20 dias praticamente nublado e de chuva, ela vem acarretar em todo o ciclo da cultura. Então a soja que está pronta para colher, mas ela está aí igual a gente está vendo no campo, soja apodrecendo, soja brotando no pé”, afirma.

De acordo com o presidente, até áreas em enchimento de grãos podem sofrer perdas importantes. “A gente não sabe ainda onde vai chegar o tamanho desse nosso prejuízo, desse nosso problema, mas é muito preocupante, muito mesmo”, relata.

Diante da gravidade da situação, o setor produtivo já discute medidas institucionais. “Já estamos conversando sobre esse assunto, estamos levando para questão jurídica. Pelo longo período que nós estamos enfrentando de chuva, por esse início de colheita, estamos levantando alguns dados. Mas, acredita-se que vamos partir para tomar essa decisão juntamente com os órgãos públicos”, pontua.

O presidente do Sindicato Rural de Paranatinga explica que o pedido de estado de emergência é considerado necessário diante das perdas generalizadas. “Não é só a lavoura pronta que está perdendo, também estamos tendo perdas nas lavouras que não estão prontas, então há necessidade de que ocorra alguma medida em cima disso”, diz. O cenário amplia a incerteza no campo e pressiona toda a cadeia produtiva. “É uma conta que é difícil fechar para todo mundo, tanto para nós produtores como para as revendas. Então fica muito difícil pra gente esse cenário”.


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