Agro Mato Grosso
Exportação de carne bovina em MT registra maior volume da história em 1 mês

Estado embarcou 83 mil toneladas e faturou mais de US$ 356 milhões no primeiro mês de 2026. O resultado representa aumento de 53,18% em comparação com janeiro do ano passado.
Mato Grosso bateu recorde ao registrar o maior volume da história para o mês de janeiro nas exportações de carne bovina, com 83,06 mil toneladas embarcadas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta segunda-feira (16).
O volume foi calculado em Tonelada Equivalente Carcaça (TEC), que padroniza o peso da carne bovina e permite comparar produtos com diferentes níveis de processamento, como cortes com osso, desossados e industrializados, em uma única medida.
O resultado representa um aumento de 53,18% em comparação com janeiro do ano passado. A receita também cresceu e chegou a US$ 356,45 milhões, alta de 68,02% no mesmo período. O avanço foi impulsionado tanto pelo aumento no volume exportado quanto pela valorização do preço médio da carne, que subiu 9,69% e atingiu US$ 4.291,52 por tonelada em equivalente carcaça.
A China foi o principal destino da carne bovina produzida no estado e respondeu por 57,5% das exportações em janeiro. O volume enviado ao país asiático aumentou 89,2% em relação ao mesmo mês de 2025, indicando forte demanda no mercado internacional.
O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, afirmou que o resultado reflete ganhos de produtividade, qualidade e competitividade da pecuária estadual, além de reforçar a posição de Mato Grosso entre os principais fornecedores globais da proteína.
O desempenho mantém a tendência de crescimento observada em 2025, quando o estado exportou 978,4 mil toneladas de carne bovina ao longo do ano, o maior volume da série histórica. A produção chegou a mais de 90 países e gerou receita superior a US$ 4 bilhões, consolidando Mato Grosso como o maior exportador de carne bovina do país.
🚛Alta nas exportações
Há um mês, as exportações da carne mato-grossense aumentaram 43,12% apesar do tarifaço do presidente americano Donald Trump, de 50% que durou cerca de 99 dias, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O resultado representa a soma das vendas ao exterior de carne bovina, suína e de aves entre janeiro e novembro de 2025.
O bom desempenho de Mato Grosso na exportação de carne ocorreu especialmente pela estratégia de redirecionar os embarques e ampliar as vendas para mercados asiáticos, o que ajudou a passar praticamente à margem do impacto do tarifaço de Trump.
Somente naquele período, as exportações totais de carnes saltaram de aproximadamente US$ 2,7 bilhões, em 2024, para cerca de US$ 3,85 bilhões, em 2025, no acumulado de janeiro a novembro, conforme dados da Sedec.
Antes disso, em novembro, a exportação de carne bovina de Mato Grosso bateu recorde ao superar as 112 mil toneladas, de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Segundo a Sedec, o valor das vendas ao exterior da carne bovina passou de US$ 2,45 bilhões para US$ 3,62 bilhões no período, e pela carne suína, que avançou de US$ 59,97 milhões para US$ 68,55 milhões.
Agro Mato Grosso
Etanol hidratado mantém estabilidade em março, com compradores à espera da nova safra MT

Os preços do etanol hidratado estiveram praticamente estáveis no mercado spot do estado de São Paulo ao longo de março. Os indicadores semanais CEPEA/ESALQ do hidratado fecharam na casa dos R$ 2,90 por litro, registrando apenas pequenas variações no período.
Oferta restrita, mas comprador cauteloso
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora a disponibilidade de biocombustível esteja menor neste período de entressafra e algumas usinas tenham tentado elevar os valores de venda, os compradores seguiram cautelosos nas aquisições, aguardando a entrada de produto da nova temporada (2026/27) .
Moagem já começou, mas chuvas atrapalham
Acompanhamento do Cepea mostra que algumas usinas da região Centro-Sul já iniciaram as atividades envolvendo a nova safra. No entanto, as chuvas estão atrapalhando o andamento neste início de moagem em São Paulo, Mato Grosso do Sul e parte de Goiás, o que pode impactar o ritmo de oferta nas próximas semanas.
Petróleo no radar
Além do clima no Brasil, o setor sucroenergético nacional também está atento ao cenário externo. O elevado patamar de preço do petróleo, que impulsiona os valores da gasolina, pode gerar aumento da demanda por etanol, influenciando a dinâmica de preços do biocombustível nas próximas semanas.
O mercado segue monitorando as condições climáticas para a moagem e os desdobramentos geopolíticos que afetam o preço do petróleo, fatores determinantes para a evolução dos preços do etanol.
Agro Mato Grosso
Fretes sobem com avanço da soja e pressão logística no país, aponta Conab

Alta nas exportações, chuvas e expectativa de safra recorde mantêm custos de transporte em elevação, especialmente em Mato Grosso
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT alerta para risco jurídico em uso de dados ambientais como critério para crédito rural

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encaminhou à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) um ofício acompanhado de Nota Técnica em que alerta para riscos jurídicos, institucionais e econômicos relacionados ao uso automático de dados do PRODES/INPE como critério impeditivo para a concessão de crédito rural.
O documento foi direcionado ao presidente da FPA, Pedro Lupion, e aponta que mudanças recentes no Manual de Crédito Rural, especialmente após a Resolução nº 5.268 do Conselho Monetário Nacional (CMN), teriam criado um cenário de insegurança jurídica no campo. Segundo a entidade, o impacto potencial pode atingir mais de 18 milhões de hectares, sem a observância de garantias constitucionais dos produtores.
A principal crítica recai sobre o uso do PRODES — sistema de monitoramento ambiental — como mecanismo automático para restringir o acesso ao crédito. A Aprosoja MT argumenta que, embora a ferramenta tenha relevância técnica, ela não possui natureza sancionatória nem estrutura de processo administrativo que assegure o contraditório, a ampla defesa e instâncias recursais.
Para o vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, a medida representa um desvio de finalidade. “Estamos diante de uma inversão perigosa. Um instrumento técnico, que foi criado para leitura macroterritorial, passa a produzir efeitos diretos sobre a vida do produtor, sem qualquer garantia de defesa”, afirmou.
Outro ponto destacado é o alcance da penalização. De acordo com a nota técnica, a norma não limita os efeitos à área específica onde teria ocorrido eventual irregularidade ambiental, permitindo que toda a operação de crédito seja comprometida. Isso pode resultar em perda de subvenções, aumento de juros e até vencimento antecipado de contratos.
A entidade também sustenta que a medida representa extrapolação do poder regulamentar do CMN, ao interferir diretamente na política agrícola nacional, que, conforme a Constituição, deve ser construída com participação do setor produtivo.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, reforçou a necessidade de debate institucional. “A política agrícola não pode ser redesenhada por resolução. O crédito rural é um instrumento constitucional essencial para a produção de alimentos e o desenvolvimento regional”, destacou.
Diante do cenário, a entidade solicitou atuação da FPA junto ao CMN e a avaliação de medidas legislativas para corrigir o que considera distorções na norma. Além disso, informou que mantém um canal de suporte técnico para orientar produtores que enfrentarem restrições indevidas ao crédito com base em dados do PRODES.
Ao final, Luiz Pedro Bier ressaltou a necessidade de equilíbrio entre preservação ambiental e segurança jurídica. Segundo ele, a proteção ao meio ambiente deve respeitar os princípios constitucionais, sem comprometer direitos dos produtores ou gerar instabilidade no setor agropecuário.
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