Sustentabilidade
El Niño vem aí? Fenômeno pode trazer ondas de calor intensas e irregularidade nas chuvas

A previsão climática para as áreas produtoras de soja indica uma mudança importante no padrão atmosférico. De acordo com o boletim mais recente da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), as condições de La Niña no Pacífico Equatorial devem se encerrar até meados de março. Em abril, o sistema entra em neutralidade. Na prática, isso significa que o regime de chuvas atual não deve se estender por muito tempo neste ano.
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O resfriamento das águas do Pacífico Equatorial perde força e, nas próximas semanas, deve dar lugar a um cenário de neutralidade climática. Na sequência, o aquecimento gradual do oceano aumenta a probabilidade de formação do El Niño no fim do inverno e início da primavera.
Caso o fenômeno se confirme, o Brasil pode enfrentar ondas de calor mais intensas e maior irregularidade nas chuvas, especialmente durante a implantação da safra 2026/27. Com os oceanos globalmente aquecidos, o risco de extremos climáticos se torna mais elevado, exigindo atenção redobrada no planejamento da próxima semeadura.
No curto prazo, há uma janela estratégica de tempo firme nos próximos cinco a sete dias no Sudeste, Centro-Oeste e Bahia, favorecendo o avanço da colheita e demais operações no campo. Porém, a partir de 19 de fevereiro, a chuva retorna com força ao Centro-Oeste, Minas Gerais e boa parte do Matopiba, podendo ultrapassar 200 milímetros em cerca de 20 dias. Entre 24 e 28 de fevereiro, os acumulados podem superar 100 milímetros em apenas uma semana.
Esse padrão de chuva volumosa deve se manter ao longo de março e até a primeira quinzena de abril, com volumes entre 150 e 180 milímetros. Já no fim de abril e início de maio, a tendência é de redução gradual das precipitações no Brasil Central, dentro do comportamento sazonal. A umidade acumulada até lá será importante para sustentar o desenvolvimento do milho safrinha.
Nos próximos cinco dias, Sudeste, Centro-Oeste e Bahia terão uma janela estratégica de tempo mais firme, favorecendo o avanço dos trabalhos em campo diante da ausência de chuva volumosa.
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Sustentabilidade
Colheita da soja e plantio do milho entram na fase final em MS – MAIS SOJA

De acordo com dados do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, até o dia 27 de março de 2026, a colheita da safra de soja 2025/2026 alcançou 86,6% da área total, o equivalente a 4,1 milhões de hectares. Na última semana, o avanço foi de 4,6 pontos percentuais, representando cerca de 220 mil hectares colhidos no período. Com isso, restam 13,4% das áreas ainda a serem colhidas no estado.
A região sul lidera a colheita, com 95,5% da área. A região centro registra 77,7%, enquanto a região norte apresenta 65,1%, concentrando parte das áreas ainda em colheita.
No mesmo período, o plantio do milho segunda safra alcança 2,020 milhões de hectares no estado.
Os dados levantados pela equipe da Aprosoja/MS indicam que a região sul também lidera o andamento do plantio, com 95,8% da área semeada. Na região norte, o índice chega a 85%, enquanto a região centro registra 81,2%.
“Apesar das diferenças regionais, o ritmo de colheita e de implantação do milho segunda safra se mantém dentro do comportamento esperado para o período, considerando o calendário agrícola do estado”, aponta o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena.
O boletim completo pode ser acessado aqui
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Marcos Maluf (Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Densidade de semeadura X produtividade da soja no Sul do Brasil – MAIS SOJA

O número de plantas por área é um dos principais componentes da produtividade da soja, tornando essencial o estabelecimento de um estande adequado para a obtenção de altos rendimentos. Embora a cultura apresente certa plasticidade, que permite compensar falhas pontuais de semeadura, o bom estabelecimento inicial, com populações homogêneas e densidade adequada, é determinante para maximizar a produtividade da lavoura.
No entanto, para a maioria das cultivares modernas, as recomendações de manejo estabelecem uma faixa aceitável de densidade de semeadura, permitindo que a população de plantas seja ajustada a diferentes ambientes de cultivo. Essa margem de densidade final aceitável torna a definição exata da população em cada ambiente dependente da decisão do produtor, que deve ajustar a semeadura dentro dos limites recomendados.
Considerando que diferentes condições edafoclimáticas são observadas em diferentes ambientes de cultivo, bem como distintos potenciais produtivos, é necessário compreender qual a densidade de plantas ideal para otimizar a produtividade da soja e reduzir os custos com a aquisição de sementes. Objetivando identificar a taxa de semeadura ótima em diferentes níveis de produtividade no Sul do Brasil, o estudo conduzido por Corassa et al. (2018) avaliou um conjunto de dados coletado a partir de 109 ensaios de campo replicados de 2180 unidades experimentais.
Com base nos resultados obtidos pelos atores, a produtividade da soja em função da densidade de semeadura depende do ambiente de cultivo, sendo eles: LY – baixo rendimento, MY – médio rendimento, e HY – alto rendimento. De acordo com Corassa et al. (2018), a taxa média de semeadura no platô (ou seja, a densidade em que a produtividade se estabiliza), foi 10% maior para LY (290 mil sementes ha⁻¹) do que para MY (262 mil sementes ha⁻¹), e 18% maior para LY do que para HY (245 mil sementes ha⁻¹).
Ou seja, em ambientes de menor potencial produtivo, são necessárias maiores densidades de semeadura para atingir o platô de produtividade, enquanto em ambientes de médio e alto potencial esse patamar é alcançado com densidades progressivamente menores (figura 1).
Figura 1. Modelos de regressão Bayesiana da produtividade de sementes de soja em relação à densidade de semeadura para ambientes de baixa (produtividade <4 Mg ha⁻¹; amarelo) (A), média (produtividade 4–5 Mg ha⁻¹; verde) (B) e alta (produtividade >5 Mg ha⁻¹; azul) (C) produtividade. O modelo representa a resposta mais provável entre as combinações de local-ano × cultivar avaliadas.
Considerando os efeitos específicos do local (dados em nível de parcela dos locais-anos por combinação de cultivar), o intervalo interquartil de 50% (entre os quartis 25 e 75) para a taxa de semeadura ótima (platô de produtividade) variou entre 274 e 303 mil sementes ha⁻¹ para LY, 252 e 269 mil sementes ha⁻¹ para MY e 238 e 262 mil sementes ha⁻¹ para HY (Corassa et al., 2018).
Figura 2. O painel A representa a faixa de taxa de semeadura ideal obtida a partir da combinação de local-ano × cultivar para atingir o platô de produtividade em ambientes de baixa (produtividade <4 Mg ha⁻¹ ; amarelo), média (produtividade 4–5 Mg ha⁻¹ ; verde) e alta (produtividade >5 Mg ha⁻¹ ; azul) produtividade. O painel B apresenta as probabilidades preditivas posteriores da taxa de semeadura ideal para atingir o platô de produtividade em ambientes de baixa, média e alta produtividade.

De acordo com Corassa et al. (2018), para o ambiente HY, há 90% de chance de a taxa de semeadura ótima ser menor que 270 mil sementes ha⁻¹ , já para o ambiente MY, essa probabilidade foi atingida com taxas de semeadura inferiores a 280 mil sementes ha⁻¹, enquanto que para o ambiente LY, uma probabilidade de 90% de atingir o platô de produtividade foi documentada para taxas de semeadura inferiores a 320 mil sementes ha⁻¹.
Esses resultados indicam que, em ambientes de alto rendimento (HY), a densidade de semeadura pode ser reduzida em até 18% em relação a ambientes de baixo rendimento (LY) sem prejuízo à produtividade, configurando uma oportunidade de economia de sementes. Por outro lado, em ambientes de menor potencial produtivo, pode ser necessário elevar moderadamente a densidade em relação aos níveis usualmente adotados. De forma geral, tem-se baixa probabilidade de incrementos produtivos quando se utilizam densidades superiores a 330 mil sementes ha⁻¹, independentemente do ambiente de cultivo (Corassa et al., 2018).
Confira o estudo completo desenvolvido por Corassa e colaboradores (2018) clicando aqui!

Referências:
CORASSA, G. M. et al. OPTIMUM SOYBEAN SEEDING RATES BY YIELD ENVIRONMENTIN SOUTHERN BRAZIL. Agronomy Journal, 2018. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.2134/agronj2018.04.0239 >, acesso em: 01/04/2026.

Sustentabilidade
Custos de produção caem, apesar de alta do petróleo no mercado internacional – MAIS SOJA

Fevereiro encerrou com queda de 1,02% no Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), segundo relatório divulgado pela equipe econômica da Farsul nesta quarta-feira (31/03).
Esse resultado é um reflexo da recente queda na taxa de câmbio, que permitiu um menor preço interno de insumos, e serviu para diminuir a pressão inflacionária do mercado externo, que sofre com altas históricas no barril de petróleo e intensificação de conflitos em regiões produtoras. No acumulado de 12 meses, o IICP apresenta deflação de 4,44%, a quinta queda consecutiva.
Já o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) terminou o mês com queda ainda maior, de 2,92% em relação ao mês anterior. Os suínos tiveram queda expressiva de 13,7%, mas soja e milho também tiveram retração.
Nos últimos 12 meses, o IIPR apresentou uma queda de 13,61%, com destaque para o arroz, leite e trigo, todos com deflação acima de 20%. Apesar dessas quedas, o preço da alimentação para a população continua acumulando inflação mês após mês, o que reforça que essa alta vem de pressões ao longo da cadeia produtiva, e não do preço que o produtor recebe.
Confira relatório completo.
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
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