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27 de outubro de 2026

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Queda nos preços da soja e foco na colheita limitam negociações expressivas em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As vendas de soja e milho da safra 2025/26 em Mato Grosso seguem à passos “lentos”. A desvalorização dos grãos é apontada como um dos principais fatores que limitam as negociações. Enquanto o preço do cereal caiu 3,61%, o da oleaginosa recuou 3,96% em relação a dezembro.

As vendas de soja no primeiro mês de 2026 alcançaram 49,49% da produção prevista, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), avanço mensal de 5,34 pontos percentuais em relação a dezembro. Tal progresso está atrelado à necessidade de alguns produtores fazerem caixa.

Apesar das negociações da oleaginosa 2025/26, ressalta o Instituto, estarem à frente do observado na safra 2024/25 no mesmo período de 48,97%, as mesmas ainda estão atrasadas em comparação com a média dos últimos cinco anos de 52,55%.

No que se refere ao valor médio da soja no estado, o indicador encerrou o mês em R$ 104,12 a saca de 60 quilos. De acordo com o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, a expectativa do produtor mato-grossense era que houvesse uma aceleração nas vendas, principalmente, com a entrada da safra ou com o avanço dos preços.

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Ele ressalta que o produtor vive um momento em que “está meio que numa encruzilhada”, pois necessita comercializar nos próximos meses, uma vez que “nós não temos espaço” e “desafios”. “Ele precisa fazer caixa também pela necessidade de composição para pagar as contas. E o desafio para tudo isso é essa pressão”.

Rentabilidade em cima da produtividade da soja

Conforme Gauer, o que se tem visto é o produtor mato-grossense “fazer média para baixo”. “Como os preços estão caindo e a comercialização avançando, temos visto uma pressão nas margens. De maneira geral o que temos visto, assim como aconteceu na safra passada, ele vai ser agraciado por uma produtividade melhor do que esperava”.

A expectativa é de que a rentabilidade no campo “melhore um pouco, não por causa de preço, mas por conta de produzir mais”, salienta.

Em relação à safra 2026/27 o relatório do Imea, divulgado nesta segunda-feira (9), mostra que a comercialização da soja atingiu 1,46% da produção prevista, avanço de 0,70 ponto percentual no comparativo mensal. O progresso segue lento no comparativo com as vendas iniciais da temporada 2025/26, que em janeiro de 2025 estavam em 2,65%, e a média histórica de 7,62%.

O ritmo decorre da elevada oferta no mercado e dos preços ainda pressionados. O preço médio da safra 26/27 negociado no mês foi de R$ 102,33 a saca.

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Mais Milho Mafra Santa Catarina Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

Milho “acelerado” ante safra anterior

Quanto à safra 2025/26 de milho 32% dela estava travada em janeiro, foi observado um avanço de 5,49 pontos percentuais, em relação a safra 2024/25 no mesmo período. Naquela época, o estado estava com apenas 26,51% da produção negociada.

Contudo, destaca o Imea, na variação mensal com dezembro a atual temporada apresentou expansão de apenas 2,77 pontos percentuais nas negociações e está atrasada ante os 37,39% da média das últimas cinco safras.

O Instituto pontua que o cenário na comercialização é explicado por um maior foco do produtor na semeadura do cereal.

Em relação ao preço do cereal futuro, houve queda mensal de 3,61%, com média de R$ 44,29 a saca negociada.

Algodão Pluma foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso 1
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Cotonicultores mais dispostos para negociar

O algodão também apresenta avanços nas vendas. Em janeiro a comercialização de pluma safra 2025/26 atingiu 54,81% da produção projetada, representando um avanço mensal de 8,10 pontos percentuais no comparativo mensal. O resultado decorre de os cotonicultores estarem mais dispostos em negociar em meio ao avanço do plantio.

Quando comparado com o ciclo 2024/25 no período analisado observa-se que as atuais vendas estão 5,99 pontos percentuais à frente. Em contrapartida, assim como na soja e no milho, está atrás da média histórica de 55,90%.

Em relação a temporada 2026/27, o Imea trouxe a primeira divulgação de comercialização, que alcançou 5,35% da produção prevista de pluma. Desta forma, as negociações se encontram 1,96 ponto percentual adiantadas quando comparadas às do mesmo período da safra 2025/26, porém 2,16 pontos percentuais atrás no comparativo com a média dos últimos cinco anos.

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Diálogo com Lula exige propostas concretas do agro, diz Ademiro Vian

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O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva deve seguir os mesmos moldes de ministérios agrícolas adotados na gestão atual, com o Mapa e o MDA à frente dos assuntos que regem o setor. Essa é a avaliação do especialista em finanças do agro, Ademiro Vian.

Contudo, ele acredita que, com base no discurso feito pelo presidente neste domingo (25), será uma administração mais voltada ao diálogo, algo positivo para solucionar os grandes problemas da agropecuária brasileira: endividamento, financiamento para as próximas safras, custos de produção e seguro rural.

Para Vian, existem recursos e mecanismos que podem ser oferecidos pelo governo, mesmo que com taxas não tão atrativas e subsidiadas, para que o produtor consiga pagar suas dívidas. “O importante para o produtor é ele ter previsibilidade, ter recursos na hora certa e ter uma taxa de juros que ele consiga pagar. Isso é possível sim com diálogo, como o presidente prometeu, e com um pouco mais de audácia nas propostas que serão feitas”, diz.

O especialista lembra que o Projeto de Lei nº 2,951/2024, que reformula o marco legal do seguro rural no Brasil, já está aprovado e sancionado e precisa apenas resolver a questão orçamentária para colocá-lo em execução.

Diante de todos os desafios do agro, Vian ressalta que o essencial é que o Executivo e a bancada do agro exercitem o diálogo a despeito das diferenças ideológicas.

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“Mas precisamos de um diálogo com propostas concretas, nada de radicalismos porque isso só vai trazer prejuízo para o agronegócio. [Se houver radicalismos] o setor vai ficar sem crédito, com o endividamento praticamente parado, sem solução, o que não é bom para ninguém. Quem acaba perdendo é o país, são os agricultores. Então estou apostando em um diálogo; mesma estrutura [de governo], mas um diálogo que consiga dar encaminhamento para esses problemas tão graves que a agricultura está vivendo hoje”, conclui.

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Oferta restrita sustenta alta do feijão preto no mercado brasileiro

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O mercado brasileiro de feijão manteve trajetória de valorização entre 15 e 22 de outubro, apoiado pela oferta restrita de lotes de melhor qualidade e por compras pontuais de reposição do varejo. Segundo o Indicador de preços Cepea/CNA, o feijão preto liderou as altas, enquanto o carioca registrou avanços mais moderados. No campo, o plantio da primeira safra 2026/2027 atingiu 20,9% da área acompanhada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com o levantamento, o percentual semeado está abaixo da média histórica de 22,3%. O atraso do plantio no Paraná e as chuvas que dificultam a colheita em São Paulo mantêm o mercado atento ao comportamento da oferta nas próximas semanas.

No feijão carioca peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços subiram, em média, 0,64% na semana. Itapeva (SP) teve alta de 1,91%, impulsionada pelo interesse nas primeiras ofertas da nova colheita. Em Barreiras (BA) e Sorriso (MT), houve recuo de 0,91% e 0,28%, respectivamente, em meio à resistência dos compradores aos preços pedidos.

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Para o feijão carioca notas 8,0 e 8,5, a valorização média foi de 1,17%, favorecida pela retomada das compras. As altas superaram 3% no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, em Sorriso (MT) e na capital paulista. Já Distrito Federal, Sul Goiano e Centro-Noroeste Goiano registraram queda de 0,45%, 0,81% e 1,85%, nessa ordem, refletindo diferenças na qualidade dos lotes e na necessidade de reposição.

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No feijão preto tipo 1, a alta média foi de 2,70%, com valorização em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Sorriso (MT) liderou os avanços, com 4,52%, seguido por Itapeva (SP), com 1,44%, e Curitiba (PR), com 0,27%. A entressafra e a menor disponibilidade de grãos de qualidade seguem dando sustentação aos preços.

Na avaliação do indicador, a oferta restrita mantém os preços firmes, especialmente no feijão preto. Para o carioca, o avanço da colheita em São Paulo pode ampliar a disponibilidade. No Paraná, o plantio alcançou 65% da área prevista, ante 74% no mesmo período de 2025.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Dólar mais alto deve favorecer preços do milho nos portos e na B3, aponta Grão Direto

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O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com queda de 3,80% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência fechou a R$ 65,53 por saca, baixa de 1,56% no período.

A ferramenta de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, traz os elementos que devem mexer com os preços do cereal nos próximos dias, após a definição da eleição presidencial que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. Confira:

  • Mercado interno com oferta folgada: milho segue com preços pressionados no mercado brasileiro, segundo o Cepea, por causa da boa disponibilidade do cereal. Os compradores seguem cautelosos, abastecidos no curto prazo e observando o plantio, enquanto os produtores estão mais flexíveis para negociar, seja para fazer caixa, seja por receio de novas quedas. A demanda das usinas de etanol de milho e das fábricas de ração para aves e suínos segue firme e deve continuar crescendo, conforme a Conab, o que ajuda a dar um piso aos preços.
  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
  • Dólar alto pode reanimar a exportação e a B3: a exportação de milho segue em ritmo mais lento que no ano passado, e a perda de competitividade nos portos vinha pesando sobre os preços internos. Com o dólar mais alto após as eleições, a paridade de exportação tende a melhorar, o que pode trazer algum fôlego às cotações nos portos e aos contratos na B3, que vinham com viés de baixa. Ainda assim, com oferta confortável, a reação no interior deve ser mais gradual do que nos portos. Na prática, a semana já começa com o milho valorizando mais de 3% na B3.
  • Chicago com pouco peso, mas atenção à colheita norte-americana: em Chicago, o milho segue pressionado pelo avanço da colheita nos EUA, que, segundo o relatório de andamento de safra do USDA, ainda está abaixo da média, mas deve ganhar ritmo com o tempo seco no Meio-Oeste nos próximos dias. A demanda externa pelo milho norte-americano aparenta estar firme, o que limita quedas maiores. Para o produtor brasileiro, porém, o efeito de Chicago nesta semana deve ser bem menor do que o do câmbio e do ritmo de compra da indústria nacional.
  • Macroeconomia e oportunidades: com a conclusão das eleições presidenciais, a Bolsa também teve uma manhã de forte turbulência. O Ibovespa caiu 10% ainda no leilão de abertura, pouco antes das 10h, e acionou o circuit breaker, uma pausa automática de 30 minutos nos negócios por causa da queda forte. Foi a primeira vez desde março de 2020, na pandemia. Na volta, o índice seguiu em queda forte e chegou a recuar mais de 16%, à casa dos 171 mil pontos. Os juros negociados na Bolsa para os próximos anos também dispararam: a taxa para 2031 passou de 12,58% para 14,46% ao ano logo cedo. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana. O Boletim Focus desta segunda, com projeções coletadas antes da votação, ainda previa dólar a R$ 5,05 no fim do ano, o que mostra o tamanho do ajuste. “Daqui para frente, o mercado vai acompanhar os primeiros sinais sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica”, destaca o Grainsights.

Também estão no radar a decisão de juros nos Estados Unidos na quarta-feira (28), com expectativa de manutenção, e a reunião do Copom em 3 e 4 de novembro. Dólar alto melhora o preço em reais e a competitividade da soja e do milho, mas também encarece fertilizantes, defensivos e o crédito atrelado à moeda.

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