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Preços recuam, mas suinocultura de MT mantém otimismo com 2026

Depois de um longo período de aperto financeiro, a suinocultura de Mato Grosso voltou a respirar em 2025. O ano foi marcado por exportações recordes, maior estabilidade nos custos de produção e preços médios que permitiram ao produtor organizar as contas, reduzir passivos e retomar investimentos nas granjas.
Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o resultado positivo ajudou a apagar, ao menos em parte, a memória recente de um dos períodos mais difíceis da atividade. “2025 foi um ano positivo. Os números mostram isso e o suinocultor sentiu isso na pele, tirando um pouco daquela memória negativa que foi 2021, 2022, até meados de 2023, onde foi muito sofrido para o produtor de suínos”, afirma ao programa Estúdio Rural.
Ele pondera que o bom desempenho não significou lucro elevado, mas sim fôlego para reorganizar a atividade. “Foi um ano bom para pagar algum passivo que já se vinha carregando e também para renovar a granja, renovar plantel, melhorar a produção que você deixou sucatear em momentos difíceis”, explica.
Entre os principais fatores que sustentaram esse cenário estão o recorde de exportações, tanto no Brasil quanto em Mato Grosso, e a diversificação dos mercados compradores. “Hoje a China já não tem tanto protagonismo e entram outros países como Filipinas, México, Chile, entre outros, o que pulveriza o risco e deixa o cenário mais positivo para as exportações”, salienta Tannure.

Exportações e novos mercados no radar
Apesar de a suinocultura mato-grossense ter forte vocação para o mercado interno, as vendas externas ganharam peso estratégico. De acordo com o presidente da Acrismat, a entidade atua junto ao Ministério da Agricultura e ao Indea-MT para ampliar o acesso a novos destinos. “Estamos trabalhando para a abertura do Chile como mais um cliente para Mato Grosso. É um trabalho técnico, de governo a governo, mas que começa com a provocação da cadeia produtiva”, destaca em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
No mercado interno, o início de 2026 trouxe um movimento já esperado de retração nos preços. O valor pago pelo quilo do suíno vivo caiu de R$ 8 para R$ 6,70. A redução, embora significativa, é tratada como sazonal. “Com festas de fim de ano, férias, indústrias desacelerando e até férias coletivas em frigoríficos, o mercado como um todo esfria e começa a sobrar suíno nas granjas”, explica.
Conforme Tannure, esse cenário gera sobreoferta momentânea e pressiona os preços, já que a suinocultura não permite interrupções na produção. “O produtor não pode esperar o momento ficar bom para vender. Se ele segura, o animal passa do peso ideal e perde valor para a indústria”.
A avaliação mais recente da bolsa semanal acompanhada pela Acrismat, no entanto, indica que a queda perdeu força. “Chegamos a um platô. Esse movimento de queda se estancou e esperamos agora um período de estabilidade”. Mesmo com fatores como Carnaval e Quaresma, que historicamente limitam altas mais expressivas, a expectativa é de equilíbrio. “A exportação está muito forte e deve absorver qualquer excedente que possa surgir”, ressalta.

Produção, custos e recomposição do plantel
O atual patamar de preços ainda cobre os custos de produção, embora com margem apertada. “Estamos num limite para não chegar no empate entre custo e preço de venda. Se a queda continuasse, chegaríamos a um ponto crítico, mas felizmente isso se estancou num momento ainda favorável”, avalia o presidente da Acrismat.
O bom desempenho de 2025 também estimulou a recomposição dos plantéis, reduzidos durante a crise. Em Mato Grosso, o número de matrizes caiu de um pico entre 140 mil e 145 mil para cerca de 125 mil no auge das dificuldades. Hoje, segundo a Acrismat, o estado já opera entre 130 mil e 135 mil matrizes. “Com essa melhora no cenário, o produtor volta a fazer duas coisas: primeiro volta a colocar mais peso no seu suíno e ele volta a recompor o seu rebanho, as suas matrizes”, pontua.
Esse movimento contribuiu para um crescimento da produção acima do inicialmente previsto. “A expectativa era de 2% a 3%, mas ultrapassamos 5% de aumento na oferta de carne suína em 2025. Ainda assim, tudo foi absorvido pelas exportações e pelo consumo interno, que cresce de forma gradual”, ressalta.
Acrismat na Granja e fortalecimento da cadeia
Além do acompanhamento de mercado, a Acrismat mantém ações contínuas de apoio técnico e institucional aos produtores. Uma das principais é o projeto Acrismat na Granja, que leva equipes da associação diretamente às propriedades. “A gente vai até o produtor levando informações técnicas, sanidade, questões ambientais e tudo o que envolve a suinocultura”.
Segundo ele, a iniciativa atende tanto produtores mais estruturados quanto aqueles que ainda têm dificuldade de acesso à informação. “O produtor é multitarefa. Ele precisa entender de meio ambiente, questões trabalhistas, fiscais, sanitárias. No dia a dia, algo pode passar despercebido, e a Acrismat chega justamente para reforçar esses pontos”, afirma.
Paralelamente, a entidade atua na promoção do consumo de carne suína, com ações educativas, participação em feiras, treinamentos de açougueiros e projetos em parceria com a Secretaria de Educação, incentivando a inserção do produto na merenda escolar. “É um trabalho de longo prazo, de desmistificação. Quando você ensina desde criança, esse hábito acompanha a pessoa por toda a vida”.
Mesmo diante de um início de ano com preços mais baixos, a avaliação do setor é de cautela, mas com confiança. Sustentada por exportações firmes, custos mais controlados e uma cadeia mais organizada, a suinocultura mato-grossense entra em 2026 com otimismo renovado.
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Você viu? Caroço de açaí vira nanofertilizante e eleva crescimento do sorgo em 164%

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento do milho e do sorgo. Essa reportagem, escrita originalmente por Vitória Rosendo, foi uma das mais lidas da semana.
Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.
O caroço do açaí é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.
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Foram utilizadas nos testes as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.
O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal, que gera nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.
Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.
Aumento da eficiência
O pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Cláudio Carvalho conta que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais.
Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente.
“Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.
De resíduo a riqueza
De acordo com Carvalho, apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades.
Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante.
“Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.
Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro.
“Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.
“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho.
Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.
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Milho ganha força enquanto soja espera por novos sinais de demanda internacional

Os dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto mostraram uma mudança importante no equilíbrio entre a soja e o milho. Enquanto o cereal começa a encontrar espaço para uma recuperação no mercado internacional, a oleaginosa ainda enfrenta um obstáculo conhecido: a demanda.
A analista de inteligência e estratégia da Biond Agro Isabella Pliego destaca que no milho, estoques menores aumentam a sensibilidade do mercado a novas perdas de produção ou surpresas na demanda. Já na soja, o aumento da oferta norte-americana mantém os preços mais dependentes de novos estímulos, especialmente das compras chinesas.
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Entretanto, no Brasil, o comportamento das bolsas internacionais é apenas parte da formação dos preços, que também depende de câmbio, prêmios e demanda.
Na soja, a produtividade dos Estados Unidos foi revisada de 59,40 para 59,07 sacas por hectare, mas a área colhida aumentou 1,7%, para 34,72 milhões de hectares. Com isso, a produção chegou a 122,99 milhões de toneladas, acima das 121,8 milhões esperadas pelo mercado.
Conforme o USDA, os estoques finais ficaram em 8,71 milhões de toneladas, enquanto a previsão de importação da China permaneceu em 115 milhões de toneladas.
Isabella Pliego destaca que o aumento da oferta norte-americana reduz espaço para uma alta mais consistente. “O que trava a soja hoje é demanda. O esmagamento maior sustenta farelo e óleo, mas não resolve o excedente de grão que precisa sair dos Estados Unidos”, afirma.
A produção brasileira de soja para 2026/27 permanece projetada em 186 milhões de toneladas. Nesse cenário, o mercado passa a depender de novos sinais de demanda chinesa ou de perdas mais significativas nas lavouras norte-americanas para ganhar sustentação.
Milho tem estoques mais apertados
No milho, a analista da Biond Agro destaca que a combinação entre exportações maiores e estoques menores mudou a percepção do mercado. Isso porque os embarques norte-americanos para 2025/26 subiram de 84,46 milhões para 86,36 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem recuaram de 51,31 milhões para 49,40 milhões.
Para 2026/27, os estoques finais foram projetados em 41,98 milhões de toneladas, queda de 7,65%. “A relação estoque/uso americana saiu do cenário mais confortável e entrou em patamar justo, e assim o mercado começa a precificar risco: com pouco colchão, qualquer problema de clima ou surpresa de demanda gera reação de preço desproporcional ao tamanho do dado”, contextualiza Isabella.
Apesar da produção norte-americana continuar elevada, em 406,75 milhões de toneladas, o menor volume disponível reduz a margem para novas perdas de produtividade ou aumento das exportações. O relatório do USDA mostra que a relação estoque/uso caiu de 11,01% para 10,12%, reforçando a mudança no balanço do cereal.
Câmbio segue decisivo
No mercado brasileiro, Isabella considera que os efeitos desse cenário ainda dependem de fatores domésticos. A projeção de estoques finais de milho para 2026/27 caiu de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno subiu de 98 milhões para 100 milhões de toneladas.
Para a especialista, a movimentação internacional precisa ser analisada em conjunto com as condições do mercado brasileiro. “Câmbio, prêmios da soja e exportações brasileiras de grãos continuam definindo quanto do movimento externo chega ao produtor. No milho, o consumo doméstico brasileiro também ganha importância”, afirma.
O cenário desenhado pelos dados do USDA coloca milho e soja em momentos distintos. Enquanto o cereal passa a operar com menor margem de segurança nos estoques norte-americanos e fica mais sensível a fatores como clima e demanda, a soja ainda precisa de novos estímulos para reduzir a pressão provocada pela oferta.
Para o mercado brasileiro, Isabella contextualiza que a combinação entre esses fatores externos e as condições domésticas será determinante para definir os próximos movimentos de preços.
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Da semente à mente, com o agro não se mente

O complexo do agronegócio, que reúne todos os elos desde a genética, das sementes até a mente dos cidadãos, dos consumidores finais, está reunido umbilicalmente cada vez mais. As percepções mentais de consumidores do mundo associam o alimento, flores, energia renovável, fibras, meio ambiente com a sua originação.
Na grande síntese, produtoras e produtores rurais serão compreendidos como agentes globais da saúde da terra em todos os sentidos. Portanto, não iremos mais ao futuro numa perspectiva de exploração da atividade agropecuária como vivemos até hoje, com raras exceções.
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Definitivamente, supermercados, redes de fast food, deliveries, marcas agroindustriais, moda, cosmética, ou seja, tudo o que é originado na natureza de solos, águas, mares agora também exige os “ares”. O invisível carbono fica percebido e a rastreabilidade, com valorização de cada nutriente administrado nos solos, nas plantas, nos animais, nas águas, será identificado por sistemas de inteligência artificial apontado num QRCode numa embalagem, numa marca de onde veio, quem fez, por que fez aquele produto à disposição ali no e-commerce planetário ou nos novos empórios naturais das esquinas dos bairros, nas feiras ou mesmo na camionete que para na minha rua toda a semana vendendo a hortifruticultura na confiança direta de produtor para consumidor.
Não haverá mercado para truques, para um elo dessa umbilical cadeia produtiva levar vantagem sobre a outra. A responsabilidade social será estampada nas marcas e serão analisadas, consumidas ou rejeitadas pelo novo cidadão do planeta. Portanto, desde a mente do cliente até a ciência da genética da semente tudo irá ser contado e contará nessa “accountability” de nano precisão.
Ao precisarmos tratar agora de planos de estado para o futuro do agro tropical brasileiro é vital que as lideranças deem saltos muito ao futuro para o trazer ao valor presente. As decisões das novas gerações irão exigir natureza, uma bio beleza onde vida e saúde se complementem. Precisaremos ir além dos hard aparelhos das logísticas, sistemas governamentais de crédito, seguros por conta exclusiva de agricultores. Fertilizantes das profundezas de minas e, sim, cada vez mais as pesquisas de encontrar nutrição em cada grânulo dos solos.
A revolução genética será disruptiva e vejo um jovem técnico ou produtor rural num diálogo digital integrando a inteligência humana com a artificial, combinando a edição gênica com um geneticista em qualquer parte do mundo, totalmente adequada e exclusiva para a sua prioridade e para fins específicos de vendas e de mercados da sua produção já contando com a devida agregação de valor posterior a sua fazenda contratada.
Da semente à mente, com o agro não se mente. O futuro já se faz aqui no presente. Hora de replanejar o que entendemos por planejamento estratégico e plano agro público e privado.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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