Connect with us
4 de agosto de 2026

Business

Tarifaço derruba exportações de café solúvel, mas consumo interno cresce, aponta Abics

Published

on


Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de café solúvel totalizaram 3,7 milhões de sacas em 2025, queda de 10,6% na comparação com o ano anterior, pressionadas principalmente pela retração dos embarques aos Estados Unidos após a imposição de uma tarifa de 50% sobre o produto.

Os dados constam do Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Em volume, o Brasil exportou 85,082 mil toneladas, equivalentes a 3,688 milhões de sacas de 60 kg, abaixo das 95,221 mil toneladas embarcadas em 2024.

Apesar da queda no volume, a receita cambial bateu recorde, alcançando US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% na comparação anual.

Segundo a Abics, o crescimento da receita reflete a valorização da matéria-prima. “Atribui-se esse aumento no valor à elevação das cotações dos cafés arábica e canéfora, o que encareceu o preço do solúvel no mercado internacional”, explica Aguinaldo Lima, diretor executivo da entidade.

Tarifaço derruba embarques aos EUA

A introdução da tarifa de 50% sobre o café solúvel brasileiro importado pelos Estados Unidos, em vigor desde agosto, teve impacto direto nas exportações ao principal mercado do produto.

Em 2025, os embarques aos EUA recuaram 28,2% em relação ao ano anterior, totalizando 558.740 sacas.

No período de vigência da tarifa, entre agosto e dezembro, a retração foi ainda mais intensa, com queda de 40% frente ao mesmo intervalo de 2024.

“Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel brasileiro em um mercado vital”, afirma Lima.

De acordo com o executivo, a tarifa encarece o produto de forma proibitiva e leva importadores norte-americanos a buscar fornecedores em países concorrentes com cargas tarifárias menores, resultando em perda de participação do Brasil.

Argentina e Rússia ampliam compras

Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do café solúvel brasileiro em 2025. Na sequência, aparecem Argentina, com 291.919 sacas, alta de 40,2%, e Rússia, com 278.050 sacas, crescimento de 9,8%.

Entre outros destinos relevantes estão Indonésia, México, Vietnã e Colômbia, que ampliou suas importações em 178,2%, para 130.029 sacas. “O destaque desses países é relevante porque são grandes e tradicionais produtores de café solúvel”, observa Lima.

Redirecionamento enfrenta barreiras comerciais

Segundo a ABICS, a queda nos embarques aos EUA reforça a necessidade de redirecionar exportações, mas o cenário é considerado desafiador.

“O Brasil tem um número limitado de acordos comerciais abrangentes, o que reduz a competitividade do café solúvel em diversos mercados”, afirma Lima.

Além disso, o executivo ressalta que realocar volumes expressivos no curto prazo não é simples, exigindo tempo, investimentos e negociações comerciais.

Consumo interno bate recorde

Em contraste com o desempenho externo, o mercado interno atingiu recorde de consumo em 2025. O Brasil absorveu 27,008 mil toneladas, equivalentes a 1,17 milhão de sacas, crescimento de 9,5% na comparação com 2024.

Segundo a Abics, o avanço reflete a maior preferência do consumidor pelo café solúvel e o posicionamento das indústrias no mercado doméstico. A menor inflação do produto também contribuiu: 34% no acumulado de 2024/25, ante 75% do café torrado e moído.

Reforma tributária eleva custos das exportações

Outro ponto de atenção para o setor é a Reforma Tributária, que extinguirá, a partir de 1º de janeiro de 2027, as contribuições sobre a receita bruta (PIS/Pasep e Cofins). Com isso, deixará de existir o crédito presumido de 7,4% sobre o valor do café verde industrializado para exportação.

Segundo a ABICS, entre 2027 e 2032, as exportações sofrerão aumento de custos pela ausência de medida compensatória. “O impacto é devastador. A indústria perderá R$ 430 milhões, o equivalente a 7,4% do valor exportado em 2025”, alerta Lima.

Perspectivas para 2026

O desempenho de 2025 evidencia uma dicotomia no setor: mercado interno aquecido e desafios crescentes no comércio internacional.

A Abics aponta que a diversificação de destinos, a ampliação de acordos comerciais e o diálogo com o governo para mitigar impactos tributários serão decisivos em 2026.

A União Europeia surge como alternativa estratégica no médio prazo, especialmente diante das perspectivas do acordo Mercosul–UE. “O recorde de divisas, mesmo com queda no volume, demonstra a resiliência de um setor que investiu R$ 2,5 bilhões nos últimos seis anos”, afirma Lima

O post Tarifaço derruba exportações de café solúvel, mas consumo interno cresce, aponta Abics apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Tecnologia da Embrapa conquista certificação e impulsiona agricultura familiar

Published

on


Ivone Santana da Silva e Silval Martins dos Santos. Foto: Evellyn Santana dos Santos

O Sistema Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos (Appia), desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, recebeu em 2026 a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). O reconhecimento amplia o potencial de expansão da metodologia para comunidades quilombolas, assentamentos rurais, povos indígenas e outros territórios da agricultura familiar em todo o país.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia integra horticultura diversificada, manejo sustentável do solo, irrigação e piscicultura em um modelo que busca gerar renda contínua, fortalecer a segurança alimentar e tornar as pequenas propriedades mais resilientes e economicamente viáveis. Além das tecnologias de produção, o sistema reúne planejamento da propriedade, assistência técnica, gestão e apoio à comercialização.

Tecnologia começa antes do plantio

Um dos diferenciais do Appia é a metodologia participativa. Antes da implantação das tecnologias, pesquisadores e instituições parceiras realizam um diagnóstico da comunidade para identificar potencialidades, limitações e necessidades locais.

Com base nesse levantamento, são implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), que funcionam como espaços de demonstração e capacitação. Nelas, agricultores acompanham o desenvolvimento das práticas, participam de cursos, dias de campo, oficinas e intercâmbios, facilitando a adoção gradual das tecnologias.

O sistema é implantado inicialmente em módulos de cerca de 2.500 metros quadrados, estratégia que reduz custos e facilita a adoção pelas famílias agricultoras. A proposta reúne soluções em horticultura, fruticultura, irrigação, piscicultura, consórcios de culturas, manejo agroecológico do solo e gestão da produção.

Área de cultivo de mandioca no Sistema Appia. Foto: Orismar Espíndola/Embrapa

Pesquisa, assistência técnica e organização

Idealizador do Sistema Appia, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Ivo de Sá Motta afirma que a proposta vai além da transferência de tecnologia.

Segundo ele, o modelo busca fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o planejamento da propriedade até a organização dos produtores, agregação de valor e acesso aos mercados, considerando que produzir mais não é suficiente sem estratégias de comercialização e organização coletiva.

A iniciativa também integra diferentes instituições para oferecer assistência técnica, capacitação, acesso a crédito, infraestrutura e apoio à comercialização, além de incentivar o associativismo e o cooperativismo como ferramentas para ampliar a competitividade da agricultura familiar.

Comunidade quilombola já colhe resultados

Um dos exemplos da aplicação do Sistema Appia está na Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari (MS), onde a propriedade do agricultor Sinval Martins dos Santos tornou-se uma Unidade de Referência Tecnológica.

Com a implantação das tecnologias, a família diversificou a produção e passou a integrar diferentes atividades agropecuárias, melhorando o planejamento da propriedade e ampliando a oferta de alimentos.

“Nós precisamos de apoio em todas as etapas, desde a assistência técnica até à venda da
produção”, conta o agricultor.

“Quando a comunidade unida se organiza e as instituições trabalham em sintonia, tudo fica
mais fácil. O Sistema Appia mostrou que o serviço não termina na lavoura. Tem que
pensar desde o manejo dos solos, passando pela produção até a hora de colocar o alimento
na mesa do consumidor”.

Além dos ganhos produtivos, a experiência influenciou a trajetória da filha do agricultor, Evellyn, que ingressou no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) com o objetivo de futuramente atuar na assistência técnica da própria comunidade.

Modelo integra sustentabilidade e geração de renda

Entre as estruturas implantadas na comunidade estão um tanque de piscicultura com capacidade para 10 mil litros de água, sistema de irrigação por gotejamento, barracão multifuncional, compostagem, consórcios de culturas e práticas de conservação do solo e da água.

Também foram introduzidas culturas como mandioca, maracujá, mamão, pimenta, alface, berinjela, jiló e abacate, voltadas tanto ao consumo das famílias quanto à comercialização nos mercados locais.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia promove ainda o reaproveitamento de resíduos orgânicos, reduz a dependência de insumos externos, melhora a fertilidade do solo e fortalece a organização comunitária, consolidando-se como uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável.

Certificação amplia potencial de expansão

Para a Embrapa, a certificação da Fundação Banco do Brasil reconhece o potencial da tecnologia social de transformar conhecimento científico em soluções práticas para a agricultura familiar.

A expectativa é que o reconhecimento facilite a replicação do Sistema Appia em novas comunidades, ampliando o acesso a tecnologias sustentáveis, assistência técnica e oportunidades de geração de renda para milhares de famílias agricultoras em diferentes regiões do país.

O post Tecnologia da Embrapa conquista certificação e impulsiona agricultura familiar apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

Published

on


Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso deve encerrar nos próximos 15 dias. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) diante dos trabalhos observados na região Sudeste que se encontram em 85,61%. Até o dia 31 de julho as máquinas haviam passado por 96,77% da área semeada no estado.

Na semana o avanço da média estadual foi de 6,11 pontos percentuais, sendo a região Sudeste com o maior dentre as que cultivam o cereal. Por lá, o progresso semanal foi de 18,02 pontos percentuais.

A analista do Imea, Milena Bezerra, explica que o desempenho observado na variação semanal no Sudeste do estado foi impulsionado pela intensificação das operações em áreas que atingiram o ponto ideal para a retirada dos grãos.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, pontua a analista.

As regiões mais próximas da conclusão são a Médio-Norte com 99,67%, Norte com 99,47%, Nordeste 98,75% e Noroeste 98,01%. Caso as condições climáticas não atrapalhem, também devem encerrar os trabalhos nos próximos dias o Oeste (96,32%) e Centro-Sul (96,27%).

Em comparação a colheita da temporada 2024/25, os trabalhos da atual estão 0,39 ponto percentual à frente, contudo atrás da média das últimas cinco safras de 97,11%.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT