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Praga silenciosa abre porta para doenças fúngicas e ameaça a soja em MT

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Uma praga antes considerada secundária passou a ocupar o centro das atenções nas lavouras de soja em Mato Grosso. A larva-minadora, inseto que se desenvolve dentro das folhas, tem avançado no dossel das plantas, reduzindo a área de fotossíntese e favorecendo a entrada de doenças fúngicas, com impacto direto no potencial produtivo.

Em Comodoro, no Oeste do estado, o agricultor Paulo Adriano Gai Cervo relata que a presença da praga se intensificou nesta safra. Ele cultivou 2,1 mil hectares de soja no município e observa que o comportamento do inseto mudou em relação a anos anteriores, ampliando o nível de preocupação no campo.

Segundo o produtor, a larva-minadora é originada de uma pequena mosca que ataca diversas culturas comestíveis ao redor do mundo. “Ela deposita os ovos na folha, a larvinha entra no limbo foliar, vai se alimentando desse material e criando galerias dentro das plantas, que posteriormente secam e diminuem a área para fotossíntese”, explica ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Danos que sobem na planta

Paulo destaca que, tradicionalmente, a praga era encontrada apenas no terço inferior da lavoura de soja, nos baixeiros, mas que neste ano “ela subiu para o terço médio e a gente já encontra ela nos ponteiros”.

Diante do avanço da infestação, a propriedade adotou uma medida inédita. Após avaliação conjunta com técnicos e agrônomos, foi realizada aplicação específica de defensivo agrícola nos talhões mais afetados. “Nós nunca tínhamos feito aplicação para essa praga especificamente, foi a primeira vez”, conta o agricultor ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com Paulo, a preocupação vai além do dano visual. A formação das galerias antecipa a senescência das folhas, encurtando o ciclo da cultura. “Cada dia de antecipação de ciclo é no mínimo uma saca que a gente está perdendo no potencial produtivo”, afirma.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Praga ganha importância econômica

O engenheiro agrônomo Victor Souza Lima, que atende Paulo e outros produtores da região, explica que a intensificação da larva-minadora já vinha sendo observada desde a safra 2023/24. Ele acompanha um grupo de cerca de 20 agricultores que, juntos, cultivam aproximadamente 15 mil hectares no Vale do Guaporé.

Segundo o agrônomo, as condições climáticas da região favorecem o desenvolvimento da praga. “Nós estamos em uma região muito baixa, quente e úmida, praticamente uma estufa, o que proporciona um ambiente favorável para ela”, pontua. Com isso, a larva-minadora deixou de ser uma praga secundária e passou a causar dano econômico.

Victor explica que a principal consequência é a perda de área foliar, especialmente quando o ataque ultrapassa o baixeiro. “Se ela começa a subir você vai perder essas folhas do terço médio, ali automaticamente é menos eficiência para o enchimento de grão”, ressalta.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Porta de entrada para doenças

Além da perda direta de produtividade, a larva-minadora também preocupa por abrir caminho para doenças fúngicas na soja. As lesões nas folhas facilitam a entrada de patógenos como Cercospora e Mancha-Alvo, problemas recorrentes na região.

Conforme o agrônomo Victor, a associação entre praga e doença tende a agravar os prejuízos no fim do ciclo. “Se a planta perde a capacidade de fazer fotossíntese e carrear nutrientes para o grão, ele vai se formar mais xoxo, sem o peso desejado. É um conjunto de fatores que a gente tem que ter atenção. Se for deixando tomar uma proporção maior lá no final, gera um volume muito grande no final na conta do produtor”, frisa.

Para o agricultor Paulo, o cenário reforça a necessidade de vigilância constante no campo. “Estamos lidando com uma coisa viva, muito dinâmica. É uma indústria a céu aberto e a gente tem que estar sempre atento, procurando se antecipar ao surgimento de pragas e doenças”, conclui.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

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Reprodução Canal Rural

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.

“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.

O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.

Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.

O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.

Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.

Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.

Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.

Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”

Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.

A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.

“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.

Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.

Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.

A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.

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Boi gordo mantém preços firmes com oferta restrita

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Foto: Fernando Carvalho/arquivo Pessoal

O mercado físico do boi gordo segue sustentado pela restrição de oferta, com negociações pontuais acima da referência média em diversas praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse cenário tem sido o principal fator de suporte aos preços ao longo de março.

Os frigoríficos continuam enfrentando dificuldades para alongar as escalas de abate, que atendem, em média, entre cinco e sete dias úteis, indicando oferta enxuta de animais terminados. Além disso, o mercado apresenta volatilidade, influenciado por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que impactam os contratos futuros do boi gordo na B3.

Os preços nas principais praças:

  • Em São Paulo, a média ficou em R$ 350,42
  • Em Goiás, a indicação foi de R$ 337,68
  • Em Minas Gerais, atingiu R$ 339,71
  • Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi cotada a R$ 337,95
  • Em Mato Grosso, a R$ 343,04.

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O consumo interno ainda apresenta limitações para absorver novos reajustes da carne bovina, diante da maior competitividade de proteínas concorrentes. Mesmo assim, os preços seguem próximos das máximas históricas. O quarto dianteiro é cotado a R$ 20,50/kg, o quarto traseiro a R$ 27,00/kg e a ponta de agulha também a R$ 20,50/kg.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,72%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,18 e R$ 5,24 ao longo do dia.

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Fórum reúne setor produtivo para debater inovação e expansão de mercados

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Foto: divulgação/Planeta Campo

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, recebeu, nesta quarta-feira, o Fórum Momento Agro: do Campo ao Mercado, reunindo lideranças, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os rumos do agronegócio brasileiro. O evento teve como foco temas como inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado.

O encontro foi realizado no Parque Científico e Tecnológico da Unochapecó, dentro da programação da Mercoagro, uma das principais feiras do setor na América Latina. Durante o fórum, foram debatidos assuntos estratégicos, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e seus impactos para o Brasil.

Para Santa Catarina, maior produtor e exportador de suínos do país, o acesso ao mercado europeu é visto como uma oportunidade relevante.

“O bloco da União Europeia é um bloco que historicamente é difícil de entrar, tem muitas exigências, tem um mercado local forte também. Com a aplicação dessas cotas, redução de tarifas, é uma oportunidade muito interessante da gente acessar esse mercado que paga muito bem”, destaca o economista do Rabobank, Wagner Yanaguizawa.

Inovação e IA

A inovação, com o uso de inteligência artificial já é apontada como uma das principais ferramentas para a tomada de decisão e ganho de produtividade no campo. 

“Nós teremos mais eficiência nos processos e mais controle sobre eles desde a própria criação até a fabricação, o resultado do produto final na saída da indústria”, destaca o presidente da Associação Internacional de Inteligência Artificial, Fernando Gomes de Oliveira.

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