Sustentabilidade
Safra de grãos cresce 113%, entre 2012 e 2025, com alta na adesão de consórcios no Brasil – MAIS SOJA

O avanço consistente do agronegócio brasileiro continua a atingir novos recordes. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra brasileira de grãos obteve um crescimento de 113%, entre 2012 e 2025, e o que chama atenção é que esse desempenho não decorreu da ampliação de áreas cultivadas, mas, sim, devido ao aumento da produtividade no campo.
O relatório revela que em 2025 a produção total de grãos alcançou 346,1 milhões de toneladas, trazendo impactos positivos tanto para a inflação – que acabou fechando o ano em 4,26% – quanto para a balança comercial. Segundo o IBGE, esse resultado foi alcançado por uma conjunção de fatores como as boas condições climáticas e a ampliação do cultivo estratégicos como milho, arroz, soja e algodão.
Em contrapartida, quando se fala de terreno plantado, o aumento foi de 66,8%, passando de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares, um ritmo inferior ao da expansão do volume colhido. Esse descompasso, aliado à previsão do IBGE, faz com que, para 2026, haja uma uma leve retração de 1,8% no setor, chegando a 339,8 milhões de toneladas. Tal estimativa revela a importância de investimentos privados em tecnologia, mecanização e inovação genética.
É nesse contexto que o consórcio agrícola ganha relevância. Essa necessidade constante de modernização, aliada ao alto custo de equipamentos agrícolas, tem levado produtores a buscar novas modalidades de crédito. A pesquisa “Por Dentro do Consórcio de Máquinas Agrícolas”, realizada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), em novembro, revelou que o consórcio de máquinas agrícolas já representava 51% do total de consórcios de bens pesados no país, de acordo com dados do Banco Central.
Para Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios, “em um cenário de juros elevados e crédito mais restritivo, o consórcio se consolida como uma alternativa inteligente para o produtor que precisa investir em tecnologia e mecanização sem comprometer o fluxo de caixa ou assumir custos financeiros excessivos.”
O levantamento revela ainda um perfil surpreendente do consorciado: 67% são pessoas físicas e 45% possuem mais de 45 anos, o que indica que são produtores experientes, que estão atentos à gestão financeira do negócio. A maioria atua diretamente no setor agrícola: cerca de 90% se voltam para o cultivo de soja, milho e arroz, em propriedades de diversos tamanhos. A forma de alcance das administradoras de consórcio também se destacam: a maioria das adesões ocorre por intermédio de parceiros comerciais, enquanto os outros, por profissionais de vendas.
Outro ponto relevante, levantado recentemente pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), é sobre a expansão da modalidade. É a correlação do setor com a renda per capita no Brasil. Estudos estatísticos da Associação, feitos com base nos dados revelados pela Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2009 e 2024, indicam uma correlação de 92% entre a renda familiar e os volumes de comercialização de cotas.
Como destaca o especialista, “a forte correlação entre renda familiar e adesão aos consórcios mostra que, à medida que o produtor ganha previsibilidade financeira, ele busca modalidades mais eficientes de autofinanciamento, especialmente em contextos de planejamento de médio e longo prazo, permitindo investimento sem juros e maior controle sobre o capital”.
Diante desse cenário, com um agronegócio cada vez mais tecnológico, competitivo e com foco no planejamento em longo prazo, o consórcio de máquinas agrícolas se consolida como uma ferramenta estratégica para o produtor ao permitir um investimento sem prejudicar o fluxo de caixa, uma vez que a modalidade não possui incidência de juros. Evitam-se, assim, juros elevados, tornando-se uma decisão estratégica para a sustentabilidade do negócio no campo.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Setor da soja lidera pedidos de recuperação judicial

O Brasil encerrou 2025 com recorde no número de recuperações judiciais. Ao todo, cerca de 5.600 empresas terminaram o ano nesse regime, uma alta de quase 25% na comparação anual. Entre 6% e 7% dos casos registrados estão ligados ao agro, incluindo produtores rurais e empresas da cadeia produtiva.
Segundo a advogada Lívia Paiva, o avanço é reflexo da combinação de juros elevados, que dificultam ou até inviabilizam a renegociação de dívidas, e da maior restrição na oferta de crédito.
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“Segmentos que antes sustentavam o crescimento do setor agora enfrentam um ambiente mais adverso. O cultivo de soja é o exemplo mais expressivo, liderando o número de pedidos de recuperação judicial no campo”, afirma.
Os produtores de soja vivem uma conjuntura desafiadora. Os preços das commodities recuaram, enquanto os custos de produção permanecem elevados, especialmente pela dependência de insumos dolarizados. Com margens comprimidas e crédito mais caro, a capacidade de honrar compromissos financeiros fica severamente comprometida.
O aumento das disputas contratuais e do endividamento operacional também tem impulsionado a busca por soluções extrajudiciais, na tentativa de evitar processos longos e preservar relações comerciais.
Uma dessas alternativas é a arbitragem. “Trata-se de um método privado de resolução de conflitos em que as partes, de comum acordo, escolhem um ou mais especialistas, os árbitros, para decidir sobre a disputa”, explica a advogada. Segundo ela, a decisão arbitral tem a mesma força de uma sentença judicial, mas o procedimento tende a ser mais rápido, flexível e confidencial, características que vêm atraindo empresas do agronegócio em meio ao ambiente de maior insegurança financeira.
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Sustentabilidade
Negociações travadas para o milho em boa parte do país, com foco do mercado na soja – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho teve uma semana com ritmo de negócios travado em vários estados. Em algumas regiões as cotações do cereal subiram com uma disponibilidade de produto mais restrita, com produtores retraídos na fixação de ofertas e com a necessidade de aquisições por parte dos compradores, como observado em São Paulo e Paraná.
No Centro-Oeste e Sudeste as colheitas estão atrasadas devido às chuvas ocorridas ao longo das últimas semanas. Como destaca Safras & Mercado, em alguns pontos, como em São Paulo, consumidores estão buscando lotes para avanço de estoques, estudando pedidas mais altas dos produtores.
Muitos agentes do mercado estão focados na soja, tanto na colheita como escoamento, e o milho está ficando de lado. Isso oferece sustentação às cotações do milho. A evolução do clima, o atraso da colheita da soja, o plantio da safrinha e o encarecimento dos fretes são pontos de especulação no momento.
O dólar comercial na semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, caiu de R$ 5,253 para R$ 5,1933, acumulando baixa de 1,1% no período. O dólar fraco deixa mais lento o movimento de exportação no porto.
No balanço desta semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, o milho na base de venda em Cascavel, Paraná, subiu de R$ 62,00 a saca para R$ 63,00, alta de 1,6%. Em Campinas/CIF, o milho avançou de R$ 68,00 para R$ 71,50 a saca na base de venda neste intervalo, elevação de 5,1%. Na região Mogiana paulista, o cereal passou de R$ 65,00 para R$ 66,00 a saca, avanço de 1,5%.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação ficou estável na base de venda na semana em R$ 55,00 a saca. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço caiu de R$ 65,00 para R$ 64,00 a saca (-1,5%).
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda na semana desceu de R$ 63,00 para R$ 62,00 a saca (-1,6%). E em Rio Verde, Goiás, o preço na venda ficou estável no comparativo semanal em R$ 60,00.
No Porto de Paranaguá/Paraná, preço estável na base de venda na semana em R$ 69,00. No Porto de Santos/São Paulo, cotação inalterada no comparativo semanal em R$ 70,00.
Fonte/Autor: Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
Sustentabilidade
Ceema: Trigo sobe em Chicago e atinge maior valor desde novembro – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 19/12/2025 e 12/02/2026
Em Chicago, as cotações do trigo subiram no período dos últimos dois meses. O primeiro mês cotado saiu de US$ 5,07/bushel no dia 18/12 para US$ 5,36 no início da segunda semana de janeiro. Posteriormente, a mesma voltou a recuar, voltando aos US$ 5,07 no dia 21/01. Desta data em diante a mesma subiu para níveis de US$ 5,30 a US$ 5,40, sendo que o fechamento desta quinta-feira (12/02) avançou mais, ficando em US$ 5,52/bushel, o valor mais alto desde o dia 05 de novembro passado.
O relatório do USDA, deste dia 10/02, pouco trouxe de novidades para o ano 2025/26. O mesmo apontou uma safra mundial de 841,8 milhões de toneladas e estoques finais globais em 277,5 milhões, neste caso com recuo de cerca de 700.000 toneladas sobre janeiro. A produção e os estoques finais estadunidenses permaneceram em 54 e 25,3 milhões de toneladas respectivamente. A produção brasileira seria de 8 milhões de toneladas e a da Argentina um recorde de 27,8 milhões. Enquanto os argentinos exportariam 18 milhões de toneladas, o Brasil importará 7,3 milhões.
Dito isso, no Brasil os preços se mantiveram relativamente estáveis nestes dois meses. No Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 55,00/saco, enquanto no Paraná elas recuaram um pouco, ficando agora entre R$ 61,00 e R$ 65,00/saco. Isso tudo para o produto de qualidade superior.
A forte desvalorização do Real deixa o trigo importado mais barato, segurando os preços internos. Pelo lado das exportações, segundo a Secex, o Brasil exportou, em janeiro/26, um total de 370.600 toneladas, com trigo praticamente todo gaúcho. Em 12 meses, os embarques somam 2,1 milhões de toneladas, contra 2,45 milhões entre fevereiro/24 e janeiro/25. Por sua vez, o país importou, em janeiro, um total de 504.200 toneladas de trigo. Em 12 meses (fev/25-jan/26) o total importado chegou a 6,68 milhões de toneladas, contra 6,75 milhões importadas no ano anterior.
Já a produção final brasileira de trigo teria ficado em 7,87 milhões de toneladas em 2025, sendo, deste total, 3,58 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul e 2,77 milhões no Paraná.
Enfim, de forma geral, as negociações estão lentas, diante da pouca demanda interna. No Rio Grande do Sul, as negociações seguem travadas, com os vendedores pedindo em torno de R$ 1.100,00/tonelada no interior, enquanto os compradores buscam negócios para entregas em março, com pagamento em abril, entre R$ 1.050,00 e R$ 1.070,00/tonelada. A concorrência do trigo paraguaio e uruguaio é forte, com o paraguaio mostrando-se mais competitivo no noroeste gaúcho (com diferença próxima de R$ 120,00/tonelada em relação ao produto argentino). Por outro lado, em Santa Catarina, o trigo oriundo do Rio Grande do Sul chega aos moinhos do Leste do estado com valores entre R$ 1.230,00 e R$ 1.250,00/tonelada CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250,00 a R$ 1.300,00/tonelada FOB.
E no Paraná, os moinhos estão abastecidos até fins de fevereiro e demonstram interesse apenas em entregas para março, com pagamento em abril. Os preços ficam entre R$ 1.200,00 e R$ 1.280,00/tonelada CIF, dependendo da região. O trigo gaúcho e o paraguaio continuam sendo opções competitivas (cf. TF Agronômica).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Site: Ceema/Unijuí
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