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24 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Estresse hídrico na fase vegetativa compromete a produtividade da soja? – MAIS SOJA

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A disponibilidade hídrica é o principal fator limitante da produtividade da soja. Ainda que varie de acordo com a cultivar, grupo de maturidade relativa (GMR) e rendimento, estima-se que para a obtenção de altas produtividade sejam necessários cerca de 800 mm-1, bem distribuídos ao longo do ciclo da soja.

Estudos conduzidos pela equipe Field Crops demonstram que, com o aumento do ciclo da soja, tem-se o aumento do requerimento hídrico da cultura. Os valores de exigência de água para a região Sul do Brasil para cultivares com GMR ≤ 5.5 é de 765 mm, para GMR 5.6 a 6.4 é 830 mm e para GMR ≥ 6.5 seria 875 mm (Tagliapietra et al., 2022).

Entre outros fatores, o estresse por déficit hídrico reduz a taxa fotossintética da planta e consequentemente o transporte a acúmulo de fotoassimilados nos grãos, refletindo negativamente no crescimento e produtividade da soja. Os efeitos do déficit hídrico são ainda maiores quando o estresse hídrico ocorre durante o período reprodutivo da soja, onde há uma maior evapotranspiração da cultura e consequentemente maior requerimento hídrico.

Conforme observado por Andrade et al. (2025), o estresse hídrico durante a fase reprodutiva acarreta em queda no rendimento de grãos, afetando a altura das plantas e, também, o número de nós e de vagens, além de impactar negativamente na nodulação da planta, reduzindo atributos como número e massa de nódulos viáveis, podendo resultar em uma possível queda na fixação biológica de nitrogênio e prejudicando o crescimento da planta.

Em termos práticas, pode-se dizer que o período da floração-enchimento de grãos (R1-R6) é a fase mais crítica e mais sensível da soja a ocorrência de déficits hídricos. Estudos demonstram que o volume de água ideal para atender às necessidades da cultura durante essa fase varia entre 120 mm a 300 mm, bem distribuídos (Farias; Neumaier; Nepomuceno, 2009).

Conforme observado por Gava et al. (2015), o déficit hídrico ocorrido durante a fase reprodutiva da soja, especialmente no período de enchimento de grãos (Figura 1 – DS3), pode causar impactos equivalentes àqueles decorrentes do estresse hídrico ao longo de todo o ciclo da cultura (Figura 1 – DCT). Nessas condições, as perdas de produtividade são substanciais, evidenciando que o risco associado ao déficit hídrico nessa fase crítica é comparável ao risco da ocorrência de estresse hídrico durante todo o ciclo da soja.

Figura 1. Produtividade da soja submetida a diferentes estratégias de irrigação. Déficit no ciclo total (DCT), Déficit de V2 a V12 (DS1), Déficit de R1 a R3 (DS2), Déficit de R4 a R6 (DS3), Déficit de R7 a R8 (DS4), Excesso no ciclo total (ECT), Excesso de V2 a V12 (ES1), Excesso de R1 a R3 (ES2), Excesso de R4 a R6 (ES3), Excesso no R7 a R8 (ES4), Irrigação Plena (IP).
Adaptado: Gava et al. (2015)
Quando o déficit hídrico ocorre durante o período vegetativo, há perda de rendimento?

O impacto do déficit hídrico durante o período vegetativo da soja é condicionado por fatores como a intensidade e a duração do estresse, a taxa de evapotranspiração da cultura nesse período e as condições ambientais que podem potencializar seus efeitos, como temperatura elevada e ventos intensos. De modo geral, estudos indicam que a ocorrência de déficit hídrico na fase vegetativa da soja não resulta, normalmente, em perdas expressivas de produtividade, desde que os níveis de umidade do solo e a disponibilidade hídrica sejam restabelecidos durante a fase reprodutiva da cultura.

Sobretudo, o déficit hídrico nesse período pode comprometer o crescimento das plantas e atributos morfológicos e qualitativos, como área foliar e estatura. Corroborando o exposto, ao avaliar os efeitos do estresse hídrico na produtividade da soja, Alves et al. (2023) observaram que, independentemente da ocorrência de déficit hídrico durante a fase vegetativa (de V1 a V9), não houve prejuízos à fase reprodutiva da cultura, desde que, nesse período, as plantas recebessem irrigação e houvesse adequada disponibilidade hídrica. Ainda assim, a restrição hídrica na fase vegetativa pode afetar características fisiológicas das plantas, mesmo que não se reflita diretamente na produtividade final.

Confira o estudo completo desenvolvimento por Alves e colaboradores (2023) clicando aqui!

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Referências:

ALVES, R. E. A. et al. EFEITO DO ESTRESSE HÍDRICO NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Revista Observatorio de la Economia Latinoamericana, 2023. Disponível em: < https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/2008/1537 >, acesso em: 21/01/2026.

ANDRADE, S. R. M. et al. IMPACTO DO ESTRESSE HÍDRICO NA NODULAÇÃO DA SOJA. X Congresso Brasileiro de Soja, 2025. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1177643 >, acesso em: 21/01/2026.

FARIAS, J. R. B.; NEUMAIER, N.; NEPOMUCENO, A. L. SOJA. INMET, Agrometeorologia dos cultivos: O fator meteorológico na produção agrícola, 2009. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1355291/37056285/Bases+climatol%C3%B3gicas_G.R.CUNHA_Livro_Agrometeorologia+dos+cultivos.pdf/13d616f5-cbd1-7261-b157-351eaa31188d?version=1.0 >, acesso em: 21/01/2026.

GAVA, R. et al. ESTRESSE HÍDRICO EM DIFERENTES FASES DA CULTURA DA SOJA. Revista Brasileira de Agricultura irrigada, 2015. Disponível em: < https://www.inovagri.org.br/revista/index.php/rbai/article/view/368/pdf_248 >, acesso em: 21/01/2026.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

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Sustentabilidade

Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

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O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.

Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.

Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.

Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.

Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.

Resultados em sementes de baixo vigor

Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.

De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.

Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).

Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Crop Evo® = bioinsumo a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total, nitrogênio, enxofre, boro, cobalto, ferro, cobre, manganês, molibdênio e zinco.
Fonte: Machado et al. (2026)

Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.

Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!


Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja



Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.

MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

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Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

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O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

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As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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