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Embrapa identifica gene que ativa ‘estado de alerta’ nas plantas e amplia resistência a doenças e seca

Descobertas conduzidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com instituições nacionais e internacionais, estão abrindo uma nova fronteira para o melhoramento genético de culturas agrícolas. Pesquisas recentes demonstraram que genes oriundos de parentes silvestres do amendoim podem aumentar significativamente a resistência de plantas cultivadas a múltiplos estresses, como seca, doenças fúngicas e ataque de nematoides — sem comprometer produtividade ou qualidade.
A abordagem é inédita por explorar espécies nativas da América do Sul, integrando biodiversidade, conhecimento ancestral e ferramentas avançadas da biotecnologia moderna. No centro dessa descoberta está o gene AdEXLB8, isolado da espécie silvestre Arachis duranensis, considerada um dos ancestrais diretos do amendoim cultivado.

Gene silvestre ativa defesa inteligente das plantas
Diferentemente de estratégias clássicas de resistência, o AdEXLB8 não atua bloqueando diretamente patógenos ou pragas. Segundo a pesquisadora Ana Brasileiro, líder dos estudos, o gene ativa um mecanismo molecular conhecido como priming de defesa.
Nesse processo, a planta passa a operar em um estado permanente de alerta fisiológico. “É como se ela estivesse sempre preparada para reagir rapidamente a um ataque, mas sem gastar energia em uma defesa contínua”, afirma a pesquisadora. A analogia usada por Brasileiro compara esse estado à adrenalina pronta no organismo humano, sem gerar desgaste excessivo.
Resultados expressivos contra seca, fungos e nematoides
Para testar a eficácia do gene, os pesquisadores inseriram o AdEXLB8 em plantas transgênicas de tabaco, soja e amendoim. Os resultados chamaram atenção da comunidade científica.
As plantas modificadas apresentaram maior tolerância à seca, resistência a nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e maior tolerância a doenças causadas por fungos, como Sclerotinia sclerotiorum. Em raízes com superexpressão do gene, a infecção por nematoides foi reduzida em até 60%.
Um ponto considerado estratégico é que essas respostas não vieram acompanhadas de perdas agronômicas. A produtividade e a qualidade final dos produtos permaneceram inalteradas, o que reforça o potencial de aplicação da tecnologia em sistemas produtivos comerciais.

Biodiversidade como fonte de soluções agrícolas
A trajetória dessa pesquisa começou com a observação de que espécies silvestres do gênero Arachis apresentam elevada rusticidade, tolerância à seca, à salinidade e resistência natural a pragas e doenças. Essas características são resultado de milhares de anos de evolução em ambientes sujeitos a estresses bióticos e abióticos.
Esse patrimônio genético é conservado pela Embrapa em um amplo programa de coleta e preservação de germoplasma, coordenado pelo pesquisador José Valls. Atualmente, o Banco Ativo de Germoplasma da instituição abriga cerca de 1.500 acessos de espécies silvestres de Arachis.
Segundo Valls, o Brasil é o principal centro de diversidade do gênero, com 62 das 84 espécies conhecidas ocorrendo no País — sendo 43 exclusivas do território nacional.
Biotecnologia supera limites do melhoramento tradicional
Historicamente, melhoristas evitavam o uso de espécies silvestres devido ao risco de transferir características indesejáveis junto com os traços positivos. Esse obstáculo começou a ser superado com o avanço da biotecnologia.
A pesquisadora Patricia Messemberg, que coordenou nos anos 2000 a caracterização molecular dessas espécies, explica que ferramentas como marcadores moleculares, mapas genéticos e, mais recentemente, a transgenia, permitiram acessar genes específicos sem comprometer desempenho agronômico.
“A biotecnologia permite transferir diretamente um gene de interesse para uma cultura comercial, preservando produtividade e qualidade”, destaca.
Pesquisa pioneira e impacto sustentável
O gene AdEXLB8 pertence à família das expansinas, proteínas ligadas ao afrouxamento da parede celular. Inicialmente, a equipe acreditava que essa característica poderia facilitar a entrada de patógenos. O efeito oposto observado surpreendeu os cientistas.
A explicação está justamente no priming de defesa. Ao perceber sinais constantes de estresse, a planta reorganiza sua parede celular, ativa vias hormonais de defesa e fortalece sistemas antioxidantes. Assim, quando o estresse real ocorre, a resposta é mais rápida e eficiente.
Esse mecanismo pode reduzir a dependência de fungicidas e nematicidas químicos, contribuindo para uma agricultura mais sustentável, com menor impacto ambiental e alimentos mais seguros.
Da conservação ao campo
A tecnologia associada ao gene AdEXLB8 está em processo de patenteamento e já vem sendo testada em outras culturas, como soja, algodão e tomate. Para os pesquisadores, o caso simboliza o valor estratégico da conservação de germoplasma.
O gene percorreu um longo caminho até chegar ao laboratório. A primeira coleta registrada da espécie Arachis duranensis ocorreu em 1905, na Argentina. As primeiras sementes viáveis foram obtidas apenas em 1953. Desde 1977, o material é preservado no Brasil, permitindo avanços científicos que hoje impactam a agricultura moderna.
Conhecimento indígena e futuro da agricultura
A pesquisa também reforça o papel histórico dos povos indígenas na domesticação e preservação do amendoim. Evidências arqueológicas indicam que a cultura já era cultivada há mais de 5 mil anos na América do Sul.
De acordo com a Embrapa, comunidades como os Kayabi, no Parque Indígena do Xingu, mantêm até hoje dezenas de variedades tradicionais, fundamentais para a diversidade genética da cultura. Para os pesquisadores, esse legado é essencial para o desenvolvimento de novas soluções agrícolas.
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Paraná estabelece novo prazo para colheita do pinhão; veja mudanças

O Instituto Água e Terra (IAT) anunciou uma mudança importante no calendário do pinhão no Paraná. A partir deste ano, a temporada para colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente começa no dia 15 de abril, ao invés de 1º de abril como nos anos anteriores. A medida vale tanto para o consumo humano quanto para uso em sementeiras.
A alteração atende a Instrução Normativa nº 03/2026 e busca alinhar a legislação estadual ao regramento federal.
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O objetivo é garantir a extração sustentável da semente, proteger o ciclo reprodutivo da espécie e conciliar a geração de renda das comunidades produtoras com a conservação do meio ambiente.
A multa em caso de desobediência é de R$ 300 a cada 50 quilos apreendidos (ou fração equivalente), além da responsabilização por crime ambiental.
Ciclo sustentável
O chefe da Divisão de Licenciamento de Fauna e Flora do IAT, José Wilson de Carvalho afirma que o adiamento da temporada fará com que pinhas imaturas não sejam mais coletadas, garantindo o ciclo sustentável do pinhão. De acordo com ele, a medida tem impacto direto na saúde da população.
“Já observamos casos de pessoas coletando pinhas que ainda estão verdes, com casca esbranquiçada e alto teor de umidade. Essa prática é proibida, já que nesse estado elas são impróprias para o consumo, podendo favorecer a presença de fungos. Por isso estabelecemos essa nova data-limite. Após o dia 15, as pinhas já estão com um aspecto mais marrom-avermelhado e caem naturalmente das árvores”, explica Carvalho.
Fiscalização
A fiscalização durante toda a temporada de pinhão será feita por agentes do IAT e pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do IAT, aos escritórios regionais pelos telefones (41) 3213-3466 e (41) 3213-3873 ou 0800-643-0304 e, ainda, à Polícia Ambiental (41) 3299-1350.
Destaque econômico
A cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024 (dado mais recente), de acordo com o Valor Bruto de Produção (VBP), levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Os municípios que mais se destacaram na produção foram Pinhão (17,5%), Inácio Martins (14,9%), Turvo (8,7%), Guarapuava (7,3%) e Prudentópolis (5,2%).
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Mercado do boi inicia semana travado, com preços estáveis e consumo lento

O mercado físico do boi gordo começou a semana com preços acomodados e pouca movimentação nas negociações. Apesar de ainda ocorrerem pontualmente negócios acima da média, o cenário predominante é de estabilidade. A oferta restrita de animais terminados segue dificultando a formação das escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, fatores externos continuam no radar, como as tensões no Oriente Médio e o avanço da cota chinesa, que podem influenciar a formação de preços ao longo do semestre.
Preços da arroba no Brasil:
- São Paulo: R$ 352,17, na modalidade a prazo
- Goiás: R$ 339,29
- Minas Gerais: R$ 342,35
- Mato Grosso do Sul: R$ 338,52
- Mato Grosso: R$ 344,80, a arroba
Atacado
No mercado atacadista, o cenário também é de acomodação. O escoamento da carne segue mais lento, refletindo o menor apelo ao consumo neste período. Proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, continuam ganhando espaço na preferência do consumidor brasileiro, pressionando a demanda por carne bovina.
Entre os cortes, o quarto traseiro segue cotado a R$ 27,30 por quilo, enquanto o dianteiro permanece em R$ 21,00 por quilo. A ponta de agulha é negociada a R$ 19,50 por quilo.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 1,31%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,21 e R$ 5,31 ao longo da sessão, movimento que também influencia a dinâmica do mercado pecuário.
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Milho recua com pressão da safrinha e cenário externo incerto

O mercado de milho registrou queda nas cotações ao longo da última semana, tanto no Brasil quanto no exterior. Na B3, o contrato com vencimento em maio de 2026 recuou para a faixa de R$ 72,00 por saca, refletindo o avanço da safrinha e o aumento da oferta interna, mesmo diante da valorização do dólar.
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Plantio
No campo, o plantio da segunda safra ganhou ritmo no Centro-Sul, favorecido por uma trégua nas chuvas mais intensas. Apesar disso, parte das lavouras foi semeada fora da janela ideal, elevando os riscos climáticos para o desenvolvimento das plantas nas próximas semanas.
Segundo dados da plataforma Grainsights, da Grão Direto, o milho em Chicago apresentou leve queda de 0,21% na semana. Já no Brasil, o movimento foi mais intenso, com recuo de 4,38% na B3, encerrando a R$ 71,99 por saca. No mercado físico, também houve desvalorização, como em Lucas do Rio Verde (MT), onde os preços caíram 3,25%, para cerca de R$ 48,12 por saca.
O que vem por aí?
Para o curto prazo, o mercado segue atento ao relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31 de março. A expectativa é de redução da área de milho nos Estados Unidos, o que pode dar suporte aos preços no cenário global.
Por outro lado, o conflito no Oriente Médio traz preocupações relevantes. A região é importante fornecedora de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, e eventuais interrupções no fluxo podem elevar os custos de produção da próxima safra. Além disso, o Irã, um dos principais compradores do milho brasileiro, pode reduzir suas importações em caso de agravamento do cenário, o que pressionaria ainda mais os preços internos.
O clima também será determinante para a safrinha 2026. Com parte das lavouras fora da janela ideal, a dependência por chuvas regulares em abril aumenta, sendo fator decisivo para o potencial produtivo.
No campo macroeconômico, o dólar acima de R$ 5,30 ajuda a sustentar os preços em reais, mesmo com a pressão negativa nas bolsas. Ainda assim, a volatilidade deve permanecer elevada, exigindo atenção redobrada dos produtores à gestão de custos e às oportunidades de comercialização.
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