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11 de maio de 2026

Business

Produtores de MT lutam contra a chuva para salvar cada saca das primeiras áreas da safra 25/26

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita das primeiras áreas de soja da safra 2025/26 em Mato Grosso virou uma corrida contra o tempo. Chuvas intensas, custos elevados e preços pressionados colocam os produtores diante de um cenário de risco, em que cada hora de sol pode significar a diferença entre salvar ou perder parte da produção.

Em Campo Novo do Parecis, o excesso de chuva encurta as janelas de trabalho e pressiona quem apostou em cultivares precoces para garantir o plantio da segunda safra. O que deveria ser um período intenso de retirada do grão se transforma, dia após dia, em uma disputa direta com o clima.

É o que vive o agricultor Milton Bazila, que tenta avançar o máximo possível na colheita da soja. “A chuva está bem intensa, está chovendo todo dia praticamente. São poucas horas que a gente consegue”, relata.

Segundo ele, o atraso pode comprometer o planejamento. “Nós precisamos recolher ela o quanto antes da lavoura, e o plantio do algodão tem que vir logo atrás, porque a melhor janela está aí. Se alongar mais uma semana, chover mais uma semana em cima dessa soja aí, a perda vai ser grande”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Força-tarefa no campo

Com 3.170 hectares de soja nesta safra, o produtor reforçou a estrutura e organizou um verdadeiro mutirão no campo para evitar perdas nas áreas prontas. Máquinas próprias e terceirizadas trabalham sempre que o tempo permite, mas a pressão vai além do clima. “A preocupação que a gente fica… já trouxe máquinas terceirizadas para ajudar dos vizinhos”, conta Milton ao Canal Rural Mato Grosso. A angústia acompanha a rotina. “A gente passa por uma ansiedade muito grande, de não dormir direito. É um negócio a céu aberto, a lavoura”.

Além da instabilidade climática, os números pesam no bolso. “Os custos estão altíssimo esse ano, as commodities nos últimos anos comparando caíram muito. Esse ano a gente está na faixa de 60 sacas hoje só de custo”, afirma Milton à reportagem.

Excesso de chuva e custos no limite

Na Fazenda Três Marcos, também em Campo Novo do Parecis, o desafio é semelhante. São 5,7 mil hectares de soja plantados nesta temporada, dos quais pouco mais de 800 hectares foram colhidos até agora. O agricultor Junior Masanobu Utida explica que o ciclo começou com irregularidade e terminou com excesso de chuva. “Foi um início seco, de outubro para frente é que começou chover e depois não faltou mais chuva”, relata.

Somente no fim de dezembro e início de janeiro, os volumes foram expressivos. “Em 15 dias mais ou menos choveu 350 milímetros só finalzinho de dezembro, e agora mais uns 120, 130 milímetros em janeiro”, detalha. Mesmo com estrutura reforçada — “uma máquina para cada seiscentos hectares” —, a colheita depende de pequenas aberturas no tempo. “Precisa dar um sol aqui para a gente colher”.

Conforme Junior, as áreas mais precoces sentem mais os efeitos do clima. “Essa soja plantada mais cedo em setembro é a que sofreu um pouquinho mais na questão da germinação, na questão da população. A soja está baixinha, está pequenininha, está diferente de todos os anos que a gente conhece”, observa ao Canal Rural Mato Grosso. Ainda assim, mantém cautela. “Todo ano vai ser diferente, então não dá para fazer expectativa com chuva. Deixa acontecer que a gente vai vencer”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

De acordo com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, o município já acumula cerca de 850 milímetros de chuva. A média histórica anual é de aproximadamente 1,6 mil milímetros, o que mantém o setor produtivo em alerta, já que a maior parte da safra ainda está no campo.

O presidente do Sindicato, Antônio César Brólio, lembra que o período crítico ainda não acabou. “Resta janeiro, fevereiro, março e abril. Então temos longos meses para frente aí para finalizarmos essas duas safras”, afirma. Para ele, o produtor precisa aprender a conviver com o excesso. “As chuvas a mais a gente tem que saber conviver, seca no secador, põe máquinas para tirar da lavoura, colhe um pouco mais úmido, mas vai se virando”.

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Apesar das dificuldades, Brólio faz uma comparação direta. “Eu já sofri com seca. Eu prefiro que caia um pouco mais de chuva do que a falta de água. Secou, meu filho, não tem o que colher”, diz. A expectativa agora é por uma melhora nas condições. “É a esperança de todo agricultor que esse tempo venha abrir e aí a gente consiga limpar um bom tanto do campo com um pouco mais de sol do que há hoje”.

Janelas curtas também no leste do Estado

No leste de Mato Grosso, em Querência, o excesso de umidade também exige estratégia. Para evitar perdas, o produtor na região aproveita as poucas janelas de sol e colhe o grão com umidade mais elevada, direcionando a produção diretamente para o secador da propriedade.

Na Fazenda Certeza, onde foram cultivados cerca de 2,8 mil hectares de soja, a colheita das áreas precoces ocorre de forma escalonada. O agricultor Neori Norberto Wink reforça a importância dessa estrutura. “Secador nesta época trabalha e muito, porque realmente não consegue tirar produto com menos de 20 de umidade”, afirma.

Segundo ele, o acumulado na fazenda já chega a cerca de 1,3 mil a 1.350 milímetros, enquanto a média histórica varia entre 2.250 e 2,3 mil milímetros. O que mostra que ainda há muita água pela frente, e o relógio corre. “Tem que tirar, porque temos a projeção de terminar tudo em janeiro para o plantio do milho na sequência”.

O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, avalia que janeiro é um período naturalmente arriscado para a colheita. “Os maiores índices de chuvas do ano realmente são janeiro e março”, explica. Para ele, apesar do risco, o cenário ainda é menos crítico que em temporadas anteriores. “O ano passado tivemos problemas mais graves, o pessoal até perdeu soja. Esse ano até que está conseguindo umas janelas para conseguir colher, mas é bem arriscada essa colheita em janeiro”.

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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

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Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

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Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


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