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Produtores de MT lutam contra a chuva para salvar cada saca das primeiras áreas da safra 25/26

A colheita das primeiras áreas de soja da safra 2025/26 em Mato Grosso virou uma corrida contra o tempo. Chuvas intensas, custos elevados e preços pressionados colocam os produtores diante de um cenário de risco, em que cada hora de sol pode significar a diferença entre salvar ou perder parte da produção.
Em Campo Novo do Parecis, o excesso de chuva encurta as janelas de trabalho e pressiona quem apostou em cultivares precoces para garantir o plantio da segunda safra. O que deveria ser um período intenso de retirada do grão se transforma, dia após dia, em uma disputa direta com o clima.
É o que vive o agricultor Milton Bazila, que tenta avançar o máximo possível na colheita da soja. “A chuva está bem intensa, está chovendo todo dia praticamente. São poucas horas que a gente consegue”, relata.
Segundo ele, o atraso pode comprometer o planejamento. “Nós precisamos recolher ela o quanto antes da lavoura, e o plantio do algodão tem que vir logo atrás, porque a melhor janela está aí. Se alongar mais uma semana, chover mais uma semana em cima dessa soja aí, a perda vai ser grande”.

Força-tarefa no campo
Com 3.170 hectares de soja nesta safra, o produtor reforçou a estrutura e organizou um verdadeiro mutirão no campo para evitar perdas nas áreas prontas. Máquinas próprias e terceirizadas trabalham sempre que o tempo permite, mas a pressão vai além do clima. “A preocupação que a gente fica… já trouxe máquinas terceirizadas para ajudar dos vizinhos”, conta Milton ao Canal Rural Mato Grosso. A angústia acompanha a rotina. “A gente passa por uma ansiedade muito grande, de não dormir direito. É um negócio a céu aberto, a lavoura”.
Além da instabilidade climática, os números pesam no bolso. “Os custos estão altíssimo esse ano, as commodities nos últimos anos comparando caíram muito. Esse ano a gente está na faixa de 60 sacas hoje só de custo”, afirma Milton à reportagem.
Excesso de chuva e custos no limite
Na Fazenda Três Marcos, também em Campo Novo do Parecis, o desafio é semelhante. São 5,7 mil hectares de soja plantados nesta temporada, dos quais pouco mais de 800 hectares foram colhidos até agora. O agricultor Junior Masanobu Utida explica que o ciclo começou com irregularidade e terminou com excesso de chuva. “Foi um início seco, de outubro para frente é que começou chover e depois não faltou mais chuva”, relata.
Somente no fim de dezembro e início de janeiro, os volumes foram expressivos. “Em 15 dias mais ou menos choveu 350 milímetros só finalzinho de dezembro, e agora mais uns 120, 130 milímetros em janeiro”, detalha. Mesmo com estrutura reforçada — “uma máquina para cada seiscentos hectares” —, a colheita depende de pequenas aberturas no tempo. “Precisa dar um sol aqui para a gente colher”.
Conforme Junior, as áreas mais precoces sentem mais os efeitos do clima. “Essa soja plantada mais cedo em setembro é a que sofreu um pouquinho mais na questão da germinação, na questão da população. A soja está baixinha, está pequenininha, está diferente de todos os anos que a gente conhece”, observa ao Canal Rural Mato Grosso. Ainda assim, mantém cautela. “Todo ano vai ser diferente, então não dá para fazer expectativa com chuva. Deixa acontecer que a gente vai vencer”.
De acordo com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, o município já acumula cerca de 850 milímetros de chuva. A média histórica anual é de aproximadamente 1,6 mil milímetros, o que mantém o setor produtivo em alerta, já que a maior parte da safra ainda está no campo.
O presidente do Sindicato, Antônio César Brólio, lembra que o período crítico ainda não acabou. “Resta janeiro, fevereiro, março e abril. Então temos longos meses para frente aí para finalizarmos essas duas safras”, afirma. Para ele, o produtor precisa aprender a conviver com o excesso. “As chuvas a mais a gente tem que saber conviver, seca no secador, põe máquinas para tirar da lavoura, colhe um pouco mais úmido, mas vai se virando”.
Apesar das dificuldades, Brólio faz uma comparação direta. “Eu já sofri com seca. Eu prefiro que caia um pouco mais de chuva do que a falta de água. Secou, meu filho, não tem o que colher”, diz. A expectativa agora é por uma melhora nas condições. “É a esperança de todo agricultor que esse tempo venha abrir e aí a gente consiga limpar um bom tanto do campo com um pouco mais de sol do que há hoje”.
Janelas curtas também no leste do Estado
No leste de Mato Grosso, em Querência, o excesso de umidade também exige estratégia. Para evitar perdas, o produtor na região aproveita as poucas janelas de sol e colhe o grão com umidade mais elevada, direcionando a produção diretamente para o secador da propriedade.
Na Fazenda Certeza, onde foram cultivados cerca de 2,8 mil hectares de soja, a colheita das áreas precoces ocorre de forma escalonada. O agricultor Neori Norberto Wink reforça a importância dessa estrutura. “Secador nesta época trabalha e muito, porque realmente não consegue tirar produto com menos de 20 de umidade”, afirma.
Segundo ele, o acumulado na fazenda já chega a cerca de 1,3 mil a 1.350 milímetros, enquanto a média histórica varia entre 2.250 e 2,3 mil milímetros. O que mostra que ainda há muita água pela frente, e o relógio corre. “Tem que tirar, porque temos a projeção de terminar tudo em janeiro para o plantio do milho na sequência”.
O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, avalia que janeiro é um período naturalmente arriscado para a colheita. “Os maiores índices de chuvas do ano realmente são janeiro e março”, explica. Para ele, apesar do risco, o cenário ainda é menos crítico que em temporadas anteriores. “O ano passado tivemos problemas mais graves, o pessoal até perdeu soja. Esse ano até que está conseguindo umas janelas para conseguir colher, mas é bem arriscada essa colheita em janeiro”.
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Show Rural 2027 selecionará 120 expositores para a Feira Sabores; inscreva-se

Encerra no dia 30 de outubro o período de inscrições para a Feira Sabores da edição 2027 do Show Rural Coopavel, que disponibilizará apenas 120 vagas para expositores. Podem participar produtores de alimentos ou artesanato rural de todo o estado.
As inscrições devem ser feitas por meio deste formulário. Todos os participantes devem apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A Feira Sabores é resultado da parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Itaipu Binacional e Coopavel. O evento se destaca por integrar comércio, identidade cultural e agricultura familiar em um mesmo espaço dentro do Show Rural.
“A feira funciona como vitrine para os produtos paranaenses, permitindo que o público conheça o trabalho feito pelas mãos da agricultura familiar, que é tão importante para o nosso estado”, comenta a assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná, Karolline da Silva.
Os interessados em participar devem estar atentos aos critérios de participação definidos no Regulamento. A divulgação dos produtores classificados será no dia 06 de novembro e o resultado final no dia 13 de novembro de 2026
Agroindústrias
Apenas na região Oeste, com destaque para Cascavel e Toledo, são mais de 170 agroindústrias assistidas pelo IDR-Paraná. Entre os principais insumos produzidos na região estão biscoitos, geleias, conservas, melado, vinho, cachaça, salame, queijo, mel, frutas desidratadas, chips, polpa de fruta, antepastos, temperos e chás, que poderão ser encontrados na feira.
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Domingo de eleição terá tempestades no Sul e Sudeste; veja a previsão para o Brasil

O domingo de eleições será marcado por chuva e instabilidade em boa parte do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações devem se concentrar principalmente nas regiões Sul e Sudeste, além de atingir áreas do Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, o predomínio será de tempo seco e temperaturas elevadas, embora haja possibilidade de pancadas isoladas.
O Inmet alerta para o risco de tempestades em diferentes estados. No Sul, as instabilidades devem se concentrar no oeste e norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Há aviso vermelho de grande perigo para tempestades em áreas da região.
A previsão também indica chuva em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do sul de Mato Grosso e do Distrito Federal. Em parte dessas localidades, as precipitações podem vir acompanhadas de trovoadas.
De acordo com o instituto, o cenário é provocado por áreas de baixa pressão entre o norte da Argentina, o Paraguai e o sul da Bolívia, além da formação de um novo ciclone extratropical na costa da Região Sul. O sistema deve organizar uma frente fria ao longo do fim de semana, ampliando as condições para chuva no centro-sul do país.
Sudeste tem previsão de chuva e temperaturas mais baixas
Em São Paulo, a previsão é de tempo fechado, com temperatura mínima de 16°C e máxima de 21°C. O Inmet emitiu aviso de perigo potencial para tempestades para todo o estado, além do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.
No Rio de Janeiro, são esperadas chuvas com trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas no Triângulo Mineiro, na região central de Minas Gerais e em áreas do oeste e sul do Espírito Santo.
Nas capitais, as máximas devem chegar a 30°C em Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).
Sul concentra áreas de maior risco
A Região Sul deve registrar chuva, com destaque para o Paraná, onde são esperadas trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas na Serra de Santa Catarina e no norte e nordeste do Rio Grande do Sul.
O Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no norte e leste do Paraná, no leste de Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. Para algumas áreas da região, há também alerta vermelho de grande perigo.
Em Curitiba (PR), a temperatura varia entre 11°C e 20°C. Em Florianópolis (SC), os termômetros devem marcar entre 15°C e 19°C. Já em Porto Alegre (RS), a máxima não deve passar de 18°C.
Centro-Oeste terá instabilidade e calor
No Centro-Oeste, a previsão é de tempo instável e aumento da nebulosidade. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de Mato Grosso, no centro-sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul, abrangendo as capitais Cuiabá, Goiânia e Campo Grande.
Nas demais áreas da região, incluindo o Distrito Federal, também podem ocorrer chuvas isoladas.
Apesar da instabilidade, o calor permanece em parte do Centro-Oeste. A máxima prevista é de 39°C em Cuiabá (MT), 35°C em Goiânia (GO) e 33°C em Brasília (DF). Em Campo Grande (MS), os termômetros não devem passar de 27°C.
Norte e Nordeste terão calor de até 40°C
No Norte, a previsão indica chuva com trovoadas no oeste e noroeste do Amazonas. Também podem ocorrer precipitações isoladas no Acre, em Rondônia, em outras áreas do Amazonas, no centro-sul do Pará e no Tocantins. Em Roraima, há possibilidade de chuva isolada.
As temperaturas seguem elevadas, com máximas de 36°C em Belém (PA) e Porto Velho (RO), e de 37°C em Boa Vista (RR) e Palmas (TO).
No Nordeste, o tempo seco e o calor predominam. Há previsão de chuva no sudoeste do Maranhão, no oeste do Piauí e no oeste e sul da Bahia. Em Teixeira de Freitas (BA), o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades.
Teresina (PI) deve registrar a maior temperatura entre as capitais brasileiras no domingo, com máxima de 40°C. Em Salvador (BA) e João Pessoa (PB), a mínima prevista é de 23°C.
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USP descobre como reduzir em 60% os sintomas de fungo no trigo

Um estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de São Paulo (USP) reforça uma nova abordagem para o controle biológico de doenças do trigo. Em experimentos realizados em condições controladas, bactérias benéficas reduziram em aproximadamente 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana.
A solução foi baseada no manejo da comunidade de microrganismos associada às raízes. Se a descoberta for viabilizada comercialmente, tem potencial para diminuir a dependência de fungicidas químicos no cultivo de trigo.
A Embrapa destaca que o diferencial da pesquisa está em como esse controle ocorre. Em vez de eliminar diretamente o fungo causador da doença, os microrganismos reorganizam a comunidade microbiana que vive ao redor das raízes, restaurando funções ecológicas do solo que favorecem a resistência natural das plantas.
Coordenado pelo pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente, o estudo investigou como três bactérias interferem na interação entre o trigo e o Bipolaris sorokiniana, causador de doenças como mancha-marrom, podridão radicular, podridão da coroa, queima de plântulas e black point (ponto preto). O patógeno é um dos de maior importância econômica para a cultura, especialmente em regiões de clima quente ou sujeitas à deficiência hídrica.
Controle biológico vai além do combate direto ao fungo
Caroline Nishisaka, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), explica mais: “os inoculantes bacterianos remodelam as comunidades microbianas do solo, restauram funções ecológicas importantes e reforçam os mecanismos naturais de resistência das plantas”.
Todas as tês bactérias estudadas apresentaram características importantes para uso agrícola, como capacidade de estimular o crescimento das plantas, aumentar a disponibilidade de fósforo e atuar contra o Bipolaris sorokiniana.
Para testar o efeito das bactérias, os pesquisadores compararam plantas expostas apenas ao fungo com outras que, além do fungo, receberam as bactérias benéficas. Nesse segundo grupo, a severidade da doença foi menor.
Um dos resultados mais relevantes foi a redução da doença mesmo quando a população do fungo permaneceu estável e, em alguns tratamentos, até aumentou.
Segundo Hélio Quevedo, doutor em Microbiologia Agrícola pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP), isso demonstra que o sucesso do controle biológico não depende necessariamente da eliminação do patógeno.
“O estudo mostra que um patógeno pode permanecer presente no solo sem causar grandes danos quando o microbioma mantém funções ecológicas capazes de limitar sua ação”, afirma.
Pesquisa amplia visão sobre o controle biológico
Além de eliminar o agente causador da doença, a nova abordagem busca fortalecer o equilíbrio da comunidade microbiana que protege naturalmente as plantas.
Entre as bactérias avaliadas, Pseudomonas inefficax apresentou os resultados mais expressivos. Não só reduziu a severidade da doença, como se destacou pela capacidade de aumentar a disponibilidade de fósforo para as plantas e de promover maior desenvolvimento do sistema radicular.
As análises mostraram que essa bactéria reorganizou profundamente a comunidade microbiana da raiz. Embora representasse menos de 2,5% dos microrganismos detectados ao final dos experimentos, sua introdução foi suficiente para desencadear uma ampla reestruturação do microbioma do solo, o que beneficiou grupos associados à proteção vegetal.
Os pesquisadores observaram ainda que as bactérias exerceram mais influência sobre a organização do microbioma do que a própria presença do fungo patogênico, atuando como verdadeiros reguladores ecológicos da comunidade microbiana.
A infecção pelo fungo reduz a presença de genes associados ao crescimento vegetal e afeta processos importantes para a defesa natural das plantas. Por outro lado, os tratamentos com as bactérias Streptomyces virginiae e Pseudomonas inefficax restauraram essas funções, com aumento de genes associados à resistência a condições de estresse e à produção de substâncias envolvidas na proteção das plantas.
Para Mendes, coordenador do estudo, essa abordagem pode contribuir para o desenvolvimento de inoculantes biológicos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo a dependência de fungicidas químicos e fortalecendo sistemas agrícolas mais resilientes.
O artigo Bacterial inoculation drives microbiome-mediated resistance to a soil-borne pathogen in wheat é assinado por Caroline Nishisaka (Cena-USP), Hélio Quevedo (bolsista da Embrapa Meio Ambiente), Thierry Pellegrinetti (Cena-USP), Fernanda Godoy (USP), Maike Rossmann (Cena-USP), Lucas Mendes (Cena-USP) e Rodrigo Mendes (Embrapa Meio Ambiente) e foi publicado na revista npj Biofilms and Microbiomes, do grupo Nature.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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