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Café, milho, suco de laranja, e mel devem ser os mais beneficiados pelo acordo Mercosul-UE, diz Apex

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra na fase final de formalização e deve abrir novas oportunidades para produtos do agronegócio brasileiro no mercado europeu, segundo avaliação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Em entrevista concedida para o Canal Rural em Lisboa, o gerente executivo da Apex na capital portuguesa, Paulo Matheus, explicou que, embora a assinatura represente um marco histórico, o acordo ainda precisará cumprir trâmites institucionais antes de entrar em vigor.

“Chegamos agora à fase da assinatura, mas não é ainda a execução plena do acordo. Isso depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais dos países-membros”, afirmou.

A expectativa, segundo ele, é que a aplicação integral do acordo aconteça a partir de 2027, embora alguns produtos já possam sentir efeitos mais imediatos.

Redução de tarifas será escalonada por cadeia produtiva

Um dos pontos centrais do acordo, segundo Paulo Matheus, é que a redução de tarifas não ocorrerá de forma imediata e uniforme para todos os produtos, mas sim por meio de um escalonamento definido por cadeias produtivas.

“Esse escalonamento, em algumas cadeias, pode chegar a até dez anos para que haja a adequação completa”, explicou o gerente da Apex.

Na avaliação dele, esse modelo permite uma transição gradual, tanto para os produtores brasileiros quanto para os europeus, reduzindo impactos abruptos e oferecendo tempo para ajustes produtivos, sanitários e regulatórios.

Produtos com efeito mais rápido da desoneração

Apesar do escalonamento, Matheus destaca que parte relevante dos produtos agroindustriais deve sentir os efeitos da desoneração em um prazo mais curto.

Entre os itens com impacto mais imediato estão:

  • café, especialmente cafés especiais
  • milho
  • suco de laranja
  • mel natural

“Esses produtos estão entre os que terão efeito mais imediato do ponto de vista da desagravação tributária”, afirmou.

Além do agro, segmentos como madeira, máquinas e equipamentos também tendem a apresentar resposta mais rápida ao acordo, segundo a Apex.

No caso das carnes, Paulo Matheus lembra que o Brasil hoje destina apenas cerca de 2% da produção ao mercado europeu, volume que atende às exigências do bloco.

“É um percentual pequeno, mas que mostra um potencial claro de crescimento”, disse.

Segundo ele, embora a cadeia de carnes também esteja sujeita ao escalonamento tarifário, o acordo cria um ambiente mais previsível, que pode estimular investimentos e ampliar a participação brasileira no mercado europeu ao longo do tempo.

Ambiente regulatório unificado favorece o agro

Outro avanço destacado pelo gerente da Apex é a padronização das regras comerciais, contratuais e fitossanitárias dentro da União Europeia.

“Antes, o investidor brasileiro precisava entender regras diferentes em cada um dos 27 países. Agora, o acordo cria um guarda-chuva único de normas”, explicou.

Segundo Matheus, isso traz mais segurança jurídica, previsibilidade nos contratos e facilidade para investimentos, fatores considerados decisivos para a expansão do agronegócio brasileiro na Europa.

Questão ambiental deixou de ser entrave

As exigências ambientais, que por anos travaram o avanço das negociações, hoje são vistas como um pilar do acordo. De acordo com Matheus, muitos produtos brasileiros já atendem às conformidades exigidas pela União Europeia.

“O Brasil e os países do Mercosul têm capacidade de cumprir essas exigências. Essa elevação da régua é positiva para os dois lados”, afirmou.

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Leitura sobre acordo Mercosul-UE está equivocada, diz porta-voz de Câmara italiana

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Foto: Divulgação

À medida que as negociações eram finalizadas, os holofotes ao acordo Mercosul-União Europeia se concentrou nas salvaguardas europeias, como se o Brasil estivesse diante de um bloqueio disfarçado. No entanto, essa leitura é equivocada. Essa é a opinião do vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam), Fabio Ongaro.

Segundo ele, o debate acabou dominado por uma narrativa defensiva: cotas para carne, limites para açúcar, restrições ao etanol. “O verdadeiro impacto do acordo não está no número de toneladas autorizadas. Está no que ele pode provocar dentro do mercado agro brasileiro”, ressalta.

Ongaro pontua que a União Europeia não é o principal destino das exportações agrícolas brasileiras. China e Ásia têm peso maior em carnes e grãos. “Isso significa que o efeito direto das cotas europeias sobre o volume total exportado é relativamente limitado. O que muda não é a quantidade, mas o padrão”, destaca.

De acordo com ele, vale destacar que a Europa funciona como referência regulatória global, visto que suas exigências de rastreabilidade, controle sanitário e critérios ambientais tendem a se tornar padrão de referência internacional.

“Atender a esses requisitos não é apenas acessar um mercado específico, é elevar o nível de organização e governança da cadeia produtiva. Isso gera efeitos internos consistentes, como: produtores mais estruturados que ganham vantagem competitiva; a formalização que tende a aumentar; e a gestão e o controle de qualidade que se tornam diferenciais estratégicos.

Para Ongaro, o agro brasileiro que já é altamente produtivo pode, com o tratado entre os blocos, tornar-se também mais sofisticado e integrado.

Brasil é superavitário em alimentos

O representante da Câmara Italiana também considera que o receio de que o aumento das exportações brasileiras reduzam a oferta interna e pressionem preços não deve se concretizar, já que o Brasil é estruturalmente superavitário em alimentos.

“O mais provável é uma segmentação maior: produtos premium direcionados à exportação e grande parte da produção mantendo abastecimento regular do mercado doméstico”, contextualiza.

Para ele, trata-se de especialização, não de escassez. As salvaguardas europeias são resultado de dinâmicas políticas internas do bloco. Assim, o desafio brasileiro passa a ser essencialmente econômico e estrutural.

“O produtor nacional convive com crédito mais caro do que concorrentes globais, infraestrutura logística desigual, complexidade tributária e insegurança regulatória. Esses fatores afetam margens de forma muito mais relevante do que qualquer limite de cota”, ressalta.

Ampliação de valor agregado

Ongaro acredita que se o acordo vier acompanhado de melhorias no ambiente doméstico em infraestrutura, segurança jurídica, simplificação tributária e acesso a financiamento competitivo, o agro poderá ampliar valor agregado, não apenas volume exportado.

“Hoje, o Brasil é extremamente eficiente na produção primária. O próximo passo natural é aprofundar a industrialização da cadeia: alimentos processados, biocombustíveis avançados, bioquímica, proteínas com maior grau de transformação”, comenta.

Segundo ele, a integração com a União Europeia pode facilitar esse movimento, mas ele depende sobretudo de decisões internas. Há também um fator relevante do ponto de vista macroeconômico: previsibilidade institucional.

Na visão do vice-presidente de finanças da Italcam, um acordo com a União Europeia sinaliza estabilidade de regras no longo prazo, algo que tende a reduzir percepção de risco e estimular investimentos em tecnologia agrícola, armazenagem, logística e transformação industrial.

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e reorganização das cadeias produtivas, diversificar parcerias comerciais fortalece a posição estratégica do país.

“No fim, a questão central não é apenas o volume autorizado para exportação. É como o Brasil utilizará esse acesso para consolidar seu agro como setor cada vez mais moderno, eficiente e integrado às cadeias globais de maior valor agregado”, conclui Ongaro.

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PRF apreende mais de 1.600 kg de maconha escondida em carga de soja no Paraná

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Ministério da Justiça e Segurança Pública

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais de 1.600 quilos de maconha na tarde desta terça-feira (3), por volta das 18h, durante fiscalização na BR-277, no município de Irati, no Paraná.

A equipe deu ordem de parada a um caminhão com placas de Porto Velho (RO). Durante a abordagem, o motorista informou que havia carregado soja no município de Naviraí (MS) e que o destino final da carga seria Curitiba (PR).

Ao longo da fiscalização, os policiais identificaram nervosismo e contradições nas informações prestadas pelo condutor, especialmente em relação ao trajeto percorrido e aos locais de descanso. Diante da suspeita, foi realizada uma verificação detalhada da carga.

Na inspeção, a PRF localizou 153 fardos de maconha prensada, ocultos e misturados à carga de soja. Ao todo, foram apreendidos 1.609,8 quilos da droga.

O motorista foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e encaminhado, juntamente com o caminhão e o entorpecente apreendido, à Polícia Civil de Irati (PR), onde foram adotados os procedimentos legais cabíveis.

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Clima ajuda aumentar a produtividade e faz preço do café recuar, aponta Cepea

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

As condições climáticas mais favoráveis em grande parte de janeiro e a expectativa de continuidade da umidade no início de fevereiro devem beneficiar o enchimento dos grãos de café, fase considerada decisiva para a temporada, de acordo a avaliação dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Diante desse cenário produtivo mais positivo, os preços do café vêm recuando no mercado brasileiro. Entre 30 de dezembro e 30 de janeiro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, caiu R$ 80,19 por saca de 60 quilos, o equivalente a uma retração de 3,7%.

No encerramento do dia 30 de janeiro, a cotação ficou em R$ 2.094,55 por saca. Já a média de janeiro de 2026, de R$ 2.178,82, foi a menor desde outubro de 2025.

Safra maior, mas clima ainda inspira atenção

No campo, a perspectiva é de que a safra 2026/27 de café arábica apresente produção superior à da temporada anterior. O avanço está relacionado às condições climáticas mais favoráveis observadas em parte do período recente.

Apesar disso, os pesquisadores do Cepea alertam que o clima segue como fator de risco. O final de dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade em algumas regiões produtoras, situação que pode comprometer a formação dos grãos e resultar em cafés chochos.

Segundo o centro de pesquisas, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante tanto para o desempenho produtivo quanto para o direcionamento dos preços no mercado interno.

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