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Entre a colheitadeira e a chuva: o desafio da soja no oeste de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja avança sob forte pressão em Mato Grosso, especialmente em Campo Novo do Parecis. As chuvas frequentes em janeiro têm limitado as horas de trabalho no campo e colocado produtores em uma corrida contra o tempo para retirar a safra no momento mais sensível do ciclo.

Na região, a preocupação não se resume apenas à produtividade. O excesso de umidade ameaça a qualidade dos grãos, enquanto os custos elevados e os preços mais baixos das commodities apertam ainda mais o orçamento das propriedades.

O agricultor Milton Bazila vive esse cenário diariamente. Nesta safra, ele cultivou 3.170 hectares de soja em Campo Novo do Parecis e relata a dificuldade para avançar com as máquinas em meio às chuvas quase constantes.

“A chuva está bem intensa, está todo dia chovendo praticamente. São poucas horas em que a gente consegue colher, chuva de mangas, forma precipitação muito rápida e a chuva vem”, conta ao Patrulheiro Agro desta semana. Segundo ele, a escolha por uma soja precoce foi estratégica para garantir o plantio do algodão logo na sequência.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Corrida contra o tempo e custos elevados

Bazila explica que o atraso na colheita pode gerar perdas significativas. “Nós precisamos recolher o quanto antes da lavoura, então é um desafio. A gente pega uma época chuvosa para colheita e o plantio do algodão tem que vir logo atrás, porque a melhor janela está aí e é agora”, afirma. Para tentar minimizar os impactos, ele reforçou a operação com máquinas terceirizadas.

A pressão também é emocional. “A gente passa por uma angústia muito grande, a gente fica com uma ansiedade muito grande de não dormir direito, é um negócio a céu aberto”, relata o produtor ao Canal Rural Mato Grosso. Ele observa ainda que o volume de chuvas em janeiro foge do padrão histórico. “Isso está um pouco anormal para janeiro, normalmente a nossa chuvarada mais pesada é a partir de fevereiro e início de março”.

Com os custos em alta e a queda nas cotações, o produtor faz contas apertadas. “Os custos estão altíssimos esse ano, as commodities caíram. Nos últimos anos, comparando caiu muito, esse ano a gente está na faixa de 60 sacas hoje só de custo, então está pesado o orçamento”, diz. Dependendo do clima, resume: “A gente está com a lavoura pronta para ser retirada agora e dependemos do clima, exclusivamente do clima”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Safra avançando lentamente

Na Fazenda Três Marcos, o produtor Junior Masanobu Utida também enfrenta dificuldades. Nesta temporada, a propriedade cultivou 5,7 mil hectares de soja, mas pouco mais de 800 hectares haviam sido colhidos até agora.

Conforme ele, o ciclo começou com falta de chuva, mas rapidamente mudou de cenário. “Foi um início seco. De outubro para frente começou a chover e depois não faltou mais chuva”, explica. O acumulado impressiona: “Em 15 dias mais ou menos choveu 350 milímetros só no finalzinho de dezembro, e agora mais uns 120, 130 milímetros em janeiro”.

Mesmo com boa estrutura de máquinas, o avanço depende de dias de sol. “Temos bastante máquinas também, uma máquina para cada 600 hectares, mas precisa dar um sol para a gente colher”, afirma Utida. Parte da soja mais precoce sofreu impactos, comenta. “Essa soja plantada mais cedo em setembro é a que sofreu um pouquinho mais na questão de germinação, na questão de população”.

Diante do cenário, o produtor já projeta um ano mais conservador. “É um ano de austeridade. Vamos ter que cortar despesas, não vai investir muita coisa. A lucratividade está baixa”, relata. Ainda assim, mantém cautela. “Todo ano vai ser diferente, então não dá para a gente fazer expectativa com chuva, deixa acontecer que a gente vai vencer”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Visão do setor produtivo

De acordo com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, a movimentação nas lavouras tende a aumentar a partir da segunda quinzena do mês, quando mais áreas entram em ponto de colheita. O presidente da entidade, Antônio César Brólio, explica que, até o momento, não há registros de perdas severas.

“Ainda não temos relatos de lavouras estragadas, com grãos estragados, mas sabemos que muita chuva em cima tira o peso desse grão que já está pronto para colheita”, alerta.

A área semeada com soja no município gira em torno de 450 mil hectares nesta safra. A expectativa é de uma produtividade semelhante à do ano passado, suficiente para cobrir os custos, mas longe de uma safra altamente rentável. “O preço hoje paga a conta para quem consegue colher bem”, resume Brólio.

O município já registra um acumulado de aproximadamente 850 milímetros de chuva, enquanto a média histórica chega a cerca de 1,6 mil milímetros ao longo do período chuvoso. Com meses ainda pela frente, o setor segue atento ao clima.

“Resta janeiro, fevereiro, março e abril. Então a gente tem longos meses pela frente para a gente finalizar essas duas safras”, diz o presidente do sindicato ao Canal Rural Mato Grosso. Apesar das dificuldades, ele mantém a perspectiva positiva. “Eu já sofri com seca, eu prefiro que caia um pouco mais de chuva do que a falta de água. Secou, não tem o que colher. É a esperança de todo agricultor que esse tempo venha abrir depois do dia 15”.

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‘Vai chegar ao consumidor’, diz produtor de café sobre alta do diesel e dos fertilizantes

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Foto: Pixabay.

Os produtores de café de Minas Gerais já começam a sentir os efeitos da guerra no Oriente Médio. O aumento nos preços de fertilizantes, diesel e frete tem pressionado os custos de produção e pode, em breve, chegar ao consumidor final.

Segundo Fernando Barbosa, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, o impacto ocorre em cadeia e já é percebido mesmo antes do início da colheita.

De acordo com o produtor, a alta nos insumos já atinge diretamente o manejo do cafezal, especialmente na fase de adubação.

Parte dos fertilizantes utilizados na cultura, como a ureia, depende de importações ligadas a regiões afetadas pelo conflito, o que tem elevado os preços.

“Já adquirimos insumos com aumento. A questão do conflito e das rotas logísticas impacta diretamente o custo da nutrição do café”, explica.

Diesel e frete ampliam pressão sobre o produtor

Além dos fertilizantes, o aumento do petróleo também tem reflexo direto no diesel, essencial para todas as etapas da produção.

O encarecimento do combustível impacta desde o transporte de insumos até a operação de máquinas e a colheita.

Segundo Barbosa, o frete já apresenta alta, o que agrava ainda mais o cenário. “A logística encarece tanto para levar os insumos quanto para escoar a produção. Isso já está acontecendo agora, antes mesmo da colheita”, afirma.

Ainda de acordo com Barbosa , a projeção no campo é de um aumento significativo nos custos ao longo da safra 2025/26. Ele projeta uma alta entre 20% e 30%, impulsionada principalmente pelo encarecimento dos insumos e da logística.

Colheita se aproxima em meio a cenário de incerteza

No sudoeste de Minas Gerais, algumas áreas devem iniciar a colheita entre o fim de abril e o começo de maio, enquanto o pico ocorre entre junho e setembro.

Mesmo com uma safra promissora, favorecida por boas condições climáticas e enchimento de grãos, o cenário de custos elevados preocupa. “Era um ano para aliviar o custo de produção, mas estamos vendo o contrário”, destaca o produtor.

Impacto deve chegar ao consumidor

Com a elevação dos custos no campo e na logística, a tendência é de repasse ao longo da cadeia. Segundo Barbosa, o aumento inevitavelmente deve impactar o preço final do café.

“Tudo isso vai chegar ao bolso do consumidor. Não tem como absorver esse custo sozinho”, afirma.

Dependência do petróleo

O produtor também chama atenção para a dependência do setor em relação aos combustíveis fósseis. Mesmo com avanços tecnológicos, grande parte das operações agrícolas ainda depende de diesel e gasolina.

“Não temos máquinas totalmente elétricas no campo. Toda a operação depende do petróleo, desde o transporte até a colheita”, ressalta.

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Exportações de café solúvel do Brasil crescem e atingem melhor resultado em cinco anos

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Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de café solúvel somaram 7,409 mil toneladas em fevereiro de 2026, o equivalente a 321.129 sacas de 60 kg, registrando alta de 13,9% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita cambial também avançou, atingindo US$ 90,289 milhões, um crescimento de 10,8%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abics).

O desempenho é considerado o melhor para meses de fevereiro nos últimos cinco anos, mesmo em um contexto de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O aumento das compras norte-americanas contribuiu para sustentar a demanda pelo produto brasileiro no período.

Apesar do bom resultado mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 apresentou retração. Os embarques totalizaram 13,235 mil toneladas, uma queda de 11,5% frente ao mesmo período do ano anterior. A receita também recuou, somando US$ 161,059 milhões, refletindo um início de ano mais fraco em comparação com 2025.

De acordo com a entidade, possíveis reduções tarifárias por parte dos Estados Unidos podem favorecer os embarques nos próximos meses. Além disso, o acordo entre o Mercosul-UE tende a reduzir gradualmente as tarifas atualmente aplicadas ao café solúvel brasileiro, ampliando oportunidades no mercado externo.

No ranking dos principais destinos no bimestre, os Estados Unidos lideraram as importações, com 1,769 mil toneladas, seguidos por Rússia, com 1,161 mil toneladas, e Argentina, com 1,090 mil toneladas.

No mercado interno, o consumo de café solúvel também apresentou crescimento, com alta de 15,1% no primeiro bimestre, totalizando 4,146 mil toneladas. O avanço reflete a maior demanda doméstica e os investimentos da indústria em qualidade e diversificação de produtos.

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Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

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Reprodução Canal Rural

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.

“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.

O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.

Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.

O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.

Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.

Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.

Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.

Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”

Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.

A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.

“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.

Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.

Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.

A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.

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