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3 de agosto de 2026

Business

Sucessão familiar: 30% sobrevivem à segunda geração e apenas 5% à terceira

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Reprodução Soja Brasil

Sucessão familiar é um termo que carrega significado no agro, pois representa a continuidade do trabalho, dos valores e do patrimônio construídos de geração em geração. O Soja Brasil acompanhou de perto essa realidade na história da família Sampaio, em Arapongas, no norte do Paraná.

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O cenário, no entanto, não é simples. Cada vez mais, jovens deixam o campo em busca de outras atividades, atraídos por maior estabilidade financeira e qualidade de vida. Diante disso, surge uma pergunta central: como manter viva a tradição da sucessão familiar no agro?

A propriedade da família Sampaio passou por transformações ao longo dos anos. Antes dedicada ao café e à pecuária, hoje tem na soja sua principal atividade. Nesta safra, são mais de mil hectares cultivados, com expectativa de boa produção. Cada talhão carrega a dedicação de seu Antônio, que percebe, com o passar do tempo, as mudanças na rotina e nos desafios do campo.

Segundo ele, a rentabilidade tem sido um fator decisivo nas escolhas da nova geração. Dois dos filhos são agrônomos, enquanto a filha seguiu a carreira médica. “A rentabilidade é muito baixa e, muitas vezes, você consegue mais resultado em atividades urbanas do que na lavoura”, observa. Esse contexto torna a sucessão familiar um processo complexo, que vai muito além da transferência de terras e conhecimento técnico.

Fazer sucessão exige identificar perfis, incentivar vocações e, sobretudo, criar condições para que os herdeiros queiram permanecer no negócio. João, o filho do meio, é quem demonstra maior vontade de retornar à propriedade, mesmo estando hoje consolidado na carreira de agrônomo, atuando na área comercial. Ainda assim, ele reconhece as dificuldades.

A divisão da propriedade entre diferentes ramos da família gera incertezas sobre o futuro financeiro do negócio. “Pensando no longo prazo, essa fragmentação nos preocupava muito. Por isso, buscamos uma carreira profissional mais independente, menos sujeita a fatores externos”, relata.

Os dados reforçam o desafio. Segundo o consultor norte-americano John Ward, apenas 30% dos empreendimentos familiares sobrevivem à segunda geração e somente 5% chegam à terceira, em diferentes setores da economia. No agro, a sucessão bem-sucedida passa por planejamento, organização e mudança de mentalidade. O herdeiro precisa ter visão estratégica, entender seu papel como dono, participar da gestão e assumir uma função bem definida dentro do negócio.

Especialistas apontam que as novas gerações começam a perceber que o agronegócio mudou e que hoje oferece oportunidades reais de carreira e qualidade de vida. Para isso, é fundamental mostrar desde cedo o valor do patrimônio, como ele gera riqueza para a família e qual é a visão de longo prazo do negócio. Esse entendimento só se consolida em ambientes com diálogo, e não em contextos de conflito permanente.

A rotina no campo segue exigente: sol, chuva, fins de semana e feriados, sem férias. Sem renda atrativa, o desinteresse tende a aumentar. Ainda assim, o vínculo com a terra permanece. Mesmo à distância, os filhos colaboram em decisões estratégicas e mantêm vivo o desejo de um dia retornar à propriedade e viver o dia a dia da fazenda.

Enquanto isso, o ciclo da produção segue. Em algumas regiões, a soja está em fase final de desenvolvimento e, em outras, a colheita se aproxima ou já começou. Assim como a lavoura, a sucessão familiar também exige tempo, cuidado e planejamento para florescer e garantir a continuidade do legado no campo.

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Business

Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

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Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro Mato Grosso

Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta e exige planejamento para safra 2026/27

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Informação, monitoramento e antecipação são ferramentas para o produtor enfrentar desafios climáticos com segurança, eficiência e previsibilidade

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Agro Mato Grosso

Colheita do milho entra na reta final e já alcança 96,8% da área em MT

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Trabalhos avançam acima do ritmo da safra passada; produção deve atingir recorde de 57 milhões de toneladas, impulsionada por produtividade histórica

A colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso entrou na reta final e já alcança 96,77% da área cultivada, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na última semana de julho, os trabalhos avançaram 6,11 pontos percentuais, mantendo o Estado ligeiramente à frente do ritmo registrado no mesmo período da safra anterior.

Com praticamente todas as regiões em fase de conclusão da colheita, apenas o Sudeste mato-grossense ainda concentra áreas mais expressivas por colher. Segundo a analista do Imea, Milena Bezerra, o encerramento dos trabalhos deve ocorrer nas próximas semanas.

“A colheita do milho de segunda safra já caminha para a reta final aqui em Mato Grosso, com cerca de 97% da área total colhida. De forma geral, os trabalhos seguem ligeiramente acima do observado no mesmo período da safra 2024/25”, afirma.

As regiões Médio-Norte e Norte praticamente concluíram a retirada dos grãos do campo. Já o Sudeste apresenta 85,61% da área colhida, sendo a região que registrou o maior avanço semanal, de 18,02 pontos percentuais, resultado da intensificação das operações em lavouras que atingiram o ponto ideal para a colheita.

Umidade reduz ritmo final – Embora a colheita esteja próxima do fim, a tendência é de redução no ritmo das operações.

De acordo com Milena Bezerra, grande parte das áreas remanescentes está dispersa e muitos produtores preferem aguardar a diminuição da umidade dos grãos antes de concluir a retirada da produção.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do Estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, explica.

Mesmo com essa desaceleração prevista, Mato Grosso mantém vantagem de 0,39 ponto percentual em relação ao desempenho registrado no mesmo período da safra 2024/25.

Safra histórica – Além do avanço da colheita, o Imea mantém a projeção de uma safra recorde em Mato Grosso.

As mais de 800 avaliações de campo realizadas em 82 municípios apontaram produtividade média de 128,64 sacas por hectare, o maior rendimento já registrado no Estado.

O desempenho, aliado à expansão da área cultivada, deverá resultar em uma produção estimada em 57,06 milhões de toneladas, volume 2,92% superior ao da safra anterior.

Segundo o instituto, o resultado é consequência das condições climáticas favoráveis durante praticamente todo o ciclo da cultura, garantindo elevado potencial produtivo nas principais regiões agrícolas.

Liderança nacional – Maior produtor de milho do Brasil, Mato Grosso consolida mais uma vez sua posição de liderança nacional.

A expectativa é que, com a conclusão da colheita nas próximas semanas, o Estado confirme uma das maiores safras de sua história, reforçando sua importância para o abastecimento interno, as exportações e a cadeia de proteína animal, que utiliza o milho como principal insumo para a produção de rações.

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