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Lei do Frete Mínimo impacta autônomos e pressiona preços no transporte em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, a Lei do Frete Mínimo voltou ao centro do debate no transporte rodoviário. Caminhoneiros autônomos afirmam que a tabela tem reduzido oportunidades de trabalho, especialmente para veículos com menor número de eixos.

Na prática, a preferência por caminhões maiores, como os de nove eixos, tem deixado parte da frota parada. Profissionais relatam dias à espera de carga, enquanto transportadoras enfrentam dificuldade para fechar fretes dentro do piso estabelecido.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a lei estabeleceu uma metodologia de cálculo considerada complexa e pouco aderente à realidade do transporte brasileiro, o que tem provocado distorções no mercado.

A situação é ainda mais sentida em estados como Mato Grosso, onde as longas distâncias e a dependência do transporte rodoviário ampliam os impactos da tabela sobre a logística e os custos.

Distorções na tabela e impacto no autônomo

O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, explica que a lei passou por mudanças desde a criação, mas ainda carrega problemas estruturais. “A lei do piso mínimo dos fretes foi criada em função daquela greve dos caminhoneiros de 2018, então com a criação da lei se estabeleceu de uma forma meio atabalhoada, uma metodologia para cálculo deste piso mínimo dos fretes”, pontua ao Patrulheiro Agro.

Lei do Frete Mínimo Caminhão Transporte foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ele destaca que, hoje, a tabela considera 12 tipos de embarques e caminhões e prevê reajustes semestrais, além de atualizações sempre que o diesel varia 5% para mais ou para menos. O problema, segundo Edeon, está nos critérios adotados. “Quando foi feita essa tabela lá atrás o item, por exemplo, depreciação do equipamento se calculou em cima de caminhão novo e a frota brasileira tem mais de 20 anos”, ressalta.

Na avaliação do setor, a consequência foi a migração das cargas para caminhões maiores, considerados mais baratos dentro da tabela. “No nosso ponto de vista o caminhoneiro deu um tiro no pé com essa lei, porque agora todo mundo só quer embarcar, principalmente, grãos em caminhões de 9 eixos que é mais barato”, diz Edeon. “O caminhão de 7 eixos, 6 eixos, 5 eixos não estão conseguindo frete porque o piso ficou muito alto, então o autônomo está apavorado com isso”.

A realidade é sentida no dia a dia pelos caminhoneiros. Rodrigo Nicolau Macedo conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que já ficou dias parado à espera de carga. “Eu já cheguei a ficar de três a quatro dias até conseguir uma carga para pegar”, relata. Ele comenta que o tipo de veículo tem sido determinante. “Eles estão preferindo 9 eixo e a gente que é menor acaba ficando de lado, fica muito difícil para a gente que é autônomo”.

Dificuldade operacional e mudança no perfil do transporte

Transportadoras também relatam perdas com a aplicação da tabela. Márcio Roberto, empresário do setor de transporte de cargas, afirma que caminhões menores praticamente deixaram de operar. “Cargas de caminhões LS, quarto eixos para trabalhar em cima da tabela a gente perde bastante, às vezes não dá para captar o caminhão porque o frete não bate”, explica.

Conforme ele, a empresa passou a priorizar veículos maiores. “A gente trabalha mais em cima de rodotrem, 25 metros, porque a gente não consegue fechar os lotes com os clientes”, afirma. Para Márcio, quem tem poucos caminhões é o mais prejudicado. “Não trabalha, não consegue[…] Tem que fazer as contas para poder pegar um frete”.

Entre os caminhoneiros, há consenso de que o modelo atual precisa de ajustes. Thiago Pedroso Esteves defende equilíbrio. “O certo é todo mundo ganhar, não vou puxar para o meu lado, o sol brilha para todo mundo, tem que ter o equilíbrio”, diz. Para ele, o cálculo deveria considerar a distância percorrida. “Na minha opinião tem que ser calculado na distância, não existe eixo”.

Daniel dos Santos Rodrigues reforça que muitos fretes não cumprem a tabela. “Eu procuro trabalhar na volta de R$ 7 o quilômetro, é o mínimo que tem que ser para tirar os custos do caminhão”. Ele frisa que a realidade do mercado é outra. “Você entra no freteBras agora você não vai achar ali 10% dos fretes com a tabela”.

Lei do Frete Mínimo Caminhão Transporte foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fiscalização e reflexo no bolso do consumidor

De acordo com o Movimento Pró-Logística, a fiscalização da lei demorou a ser implementada por limitações estruturais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Isso mudou recentemente com a fiscalização eletrônica. “A partir de abril passou a ser feita essa fiscalização eletrônica, você emitiu o MDFE, que é o manifesto do frete, você já está sendo fiscalizado”, explica Edeon.

Para o setor, a medida aumentou a insegurança e os custos. “Essa fiscalização eletrônica está apavorando todo mundo”, afirma. Segundo ele, o frete não tem sazonalidade e o impacto da elevação do piso é constante. “Isso vai para a gôndola e o consumidor paga mais caro”.

Outro ponto de insatisfação é a ausência de regras específicas para o frete de retorno, o que encarece a operação e reduz a rentabilidade do transporte. A lei permite apenas um desconto limitado. “Não permitiram que fosse colocado na lei um valor menor o frete retorno”, diz Edeon. “Se você contrata um caminhão da origem até o porto e o mesmo caminhão fez um outro contrato de retorno tem um desconto de 10% só”.

Na prática, muitos caminhões acabam voltando vazios. “Como o frete retorno é um frete baixo ele não se enquadra na tabela de preço, aí geralmente a gente volta vazio”, relata Thiago Pedroso. Conforme o caminhoneiro, o custo da volta pesa no frete principal. “O caminhão vazio não paga a conta”.

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USDA projeta queda de 0,7% no lucro da agropecuária dos EUA em 2026

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Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

O lucro líquido da agropecuária dos Estados Unidos deve somar US$ 153,4 bilhões em 2026, queda de US$ 1,2 bilhão, ou 0,7%, ante o resultado do ano passado, de acordo com a mais recente projeção do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura do país (USDA).

Em valores ajustados pela inflação, o lucro líquido ficaria 2,6% abaixo do registrado no ano passado, uma queda de US$ 4,1 bilhões. Se confirmado, o indicador ainda ficará acima da média observada entre 2005 e 2024.

Segundo o USDA, as projeções consideram um aumento de US$ 13,8 bilhões nos pagamentos diretos do governo ante o ano anterior, somando US$ 44,3 bilhões. Além disso, as despesas totais de produção devem subir 1%, para US$ 477,7 bilhões. O maior avanço de custos é esperado em compras de gado e aves, com alta de US$ 5,9 bilhões (9,7%). Já os gastos com ração devem cair US$ 4,8 bilhões (6,8%).

Desempenho por produção

De acordo com a agência, as receitas totais da agricultura devem aumentar 1,2%, para US$ 240,8 bilhões. No milho, a alta esperada é de US$ 2 bilhões (3,3%), enquanto a receita com soja deve permanecer estável, disse o USDA. A receita com trigo deve recuar US$ 200 milhões (2,4%). Já o arroz deve registrar queda de US$ 400 milhões (12,5%).

Em contrapartida, as receitas totais da pecuária devem cair 5,8%, para US$ 273,9 bilhões, afirmou o USDA. O faturamento com bovinos deve aumentar US$ 5,2 bilhões (4,1%), enquanto o com suínos deve cair US$ 200 milhões (0,7%). A receita com frangos de corte deve crescer US$ 600 milhões (1,4%) e a com ovos deve recuar US$ 17,3 bilhões (66%). Já o setor de lácteos deve registrar queda de US$ 6,2 bilhões (12,8%).

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Preço dos alimentos cai pelo 5º mês seguido, aponta FAO

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Foto: Pixabay

Os preços mundiais dos alimentos voltaram a cair em janeiro, marcando o quinto mês consecutivo de recuo, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A queda foi puxada principalmente pela redução das cotações internacionais de laticínios, açúcar e carnes, compensando altas registradas em óleos vegetais e arroz.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de commodities alimentícias negociadas no mercado internacional, teve média de 123,9 pontos em janeiro, queda de 0,4% em relação a dezembro e de 0,6% na comparação anual.

Entre os grupos, o índice de cereais subiu levemente 0,2%, com recuos nos preços do trigo e do milho sendo compensados por uma alta de 1,8% no arroz, refletindo demanda mais firme por variedades aromáticas.

Já o índice de óleos vegetais avançou 2,1%, impulsionado pela alta do óleo de palma, em meio à desaceleração sazonal da produção no Sudeste Asiático e à demanda global consistente, além da recuperação do óleo de soja, diante da menor disponibilidade para exportação na América do Sul e da expectativa de forte consumo para biocombustíveis nos Estados Unidos. Em contrapartida, o óleo de canola apresentou leve recuo, com ampla oferta na União Europeia.

No segmento de proteínas, o índice de preços de carnes caiu 0,4%, pressionado pela queda da carne suína, enquanto as cotações da carne de aves subiram, sustentadas por preços mais altos no Brasil e pela forte demanda internacional.

Os preços das carnes bovina e ovina ficaram praticamente estáveis. O índice de laticínios recuou 5,0%, com quedas acentuadas nos preços do queijo e da manteiga, apesar da firmeza do leite em pó desnatado. O açúcar também registrou baixa, de 1,0%, refletindo expectativas de maior oferta global, com recuperação da produção na Índia e boas perspectivas no Brasil e na Tailândia.

Além dos preços, a FAO destacou um cenário de oferta abundante de grãos. A produção global de cereais em 2025 foi estimada em 3,023 bilhões de toneladas, com colheitas recordes de trigo, cereais secundários e arroz. Com isso, os estoques globais de cereais devem crescer 7,8%, atingindo um recorde histórico, e a relação estoque/consumo deve chegar a 31,8%, o nível mais alto desde 2001.

Para o ciclo 2025/26, a FAO projeta ainda um crescimento de 3,6% no comércio mundial de cereais, reforçando a expectativa de um mercado global bem abastecido.

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Juara recebe 1ª Arinos Show Agro para impulsionar expansão agrícola no Vale do Arinos

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Foto: Acrivale/Divulgação

O município de Juara sedia, entre os dias 6 e 9 de maio de 2026, a primeira edição da Arinos Show Agro. Organizada pela Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale) e pelo Sindicato Rural de Juara, a feira tecnológica de negócios surge com o objetivo de preparar os produtores locais para a rápida expansão da agricultura em uma região historicamente dominada pela pecuária de corte.

A escolha de Juara como sede é estratégica. O município detém o 10º maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 950 mil cabeças de gado. No entanto, o perfil produtivo tem passado por transformações nos últimos anos: no ciclo 2024/25, o cultivo de soja atingiu 126 mil hectares, um salto de 107% em comparação ao ano de 2021, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea).

Além da soja, o algodão também apresenta números robustos, com crescimento de 82% na área cultivada na última safra. O cenário é reforçado pela vocação de Juara para a cafeicultura — sendo o maior produtor do grão no estado, com 750 mil pés — e pela mineração, focada na extração de pó de rocha para remineralização de solos agrícolas e manganês para a indústria do aço.

A diretoria da Acrivale estima que o Vale do Arinos possua 1 milhão de hectares agricultáveis, dos quais mais da metade está em território juarense. Essa disponibilidade de terras prontas para a conversão de pastagem em lavoura é considerado o principal motor para atrair investimentos em maquinários, insumos e crédito rural durante os quatro dias de evento.

Desenvolvimento regional e tecnologia

Para as entidades organizadoras, a feira ocupa uma lacuna necessária no calendário de Mato Grosso, conectando a tradição da genética animal às novas demandas da agricultura de precisão. O evento reunirá expositores de implementos, veículos, bancos e empresas de tecnologia voltadas ao campo.

“Queremos aproximar os produtores rurais, criadores, empresas do agronegócio e toda a sociedade para oferecer soluções e pensarmos juntos o desenvolvimento do futuro do Vale do Arinos, que já é pujante e que constrói um futuro promissor”, destaca o presidente da Acrivale, Ricardo Bianchin.

A Arinos Show Agro será realizada no Parque de Exposições Edson Miguel Piovesan. A estrutura contará com portões abertos das 9h às 20h entre quarta e sexta-feira, e das 9h às 12h no sábado. O público-alvo abrange produtores dos municípios de Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Taboporã, Itanhagá, Juína e Brasnorte, que compõem o polo regional.


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