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Crédito, endividamento e segurança jurídica marcam avaliação do agro em 2025

O agronegócio de Mato Grosso encerra 2025 entre avanços produtivos e preocupações financeiras. Apesar de um cenário marcado por altos e baixos, a avaliação é de que o setor conseguiu manter resultados importantes, especialmente na pecuária, que apresentou valorização de preços e bom desempenho ao longo do ano.
Nos grãos, o cenário foi mais desafiador, com oscilações de mercado e margens pressionadas, o que elevou o nível de endividamento em parte das propriedades. Ainda assim, a leitura é de saldo positivo, sustentada pela capacidade produtiva do estado e pelo desempenho de diferentes cadeias do agro.
O momento, segundo Vilmondes Tomain, presidente do Sistema Famato, exige cautela e ajustes no planejamento das atividades. “Eu sou muito otimista. Eu vejo o agronegócio de Mato Grosso com as suas dificuldades, que passamos esse ano, mas foi bom. Tivemos bons resultados. Nós não podemos também penalizar tudo aquilo que talvez até esteja acontecendo dentro do setor, mas tem lados positivos”, afirma ele em entrevista ao Estúdio Rural.
Planejamento e alternativas no campo
As dificuldades financeiras, na avaliação do presidente do Sistema Famato, também servem como aprendizado. “Tem hora que tomamos medidas e decisões um pouco precipitadas. Eu vejo que falta um pouco mais de ajuste de planejamento”, pontua. A queda nas cotações internacionais de alguns grãos, voltados principalmente à exportação, reforçou a necessidade de reavaliar estratégias.
Nesse contexto, a diversificação da produção aparece como um caminho para reduzir riscos. “Há pessoas que vem diversificando a sua produção para poder garantir o melhor resultado. Não podemos ficar, como se diz, numa cumbuca só, né?”. A integração lavoura-pecuária, de acordo com ele, tem ajudado produtores a equilibrar receitas e despesas dentro da propriedade.
O planejamento financeiro também ganha peso em um cenário de margens apertadas. “Eu acho que o momento é o momento de você pensar, fazer o planejamento de onde você pode buscar alternativas para poder equilibrar as suas receitas, equilibrar as suas despesas também, para poder sair dessa situação”, afirma, ao mencionar produtores que buscam renegociar compromissos para permanecer na atividade.

Crédito caro e avanço das recuperações judiciais
A dificuldade de acesso ao crédito e a renegociação de dívidas em um ambiente de juros elevados têm sido temas recorrentes nas demandas que chegam à federação. “Hoje, infelizmente, estamos trabalhando aí com a Selic muito alta e não é um momento que favoreça essa negociação”, avalia durante a entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Conforme Tomain, repactuar dívidas com juros significativamente maiores do que os contratos originais tem se mostrado inviável para muitos produtores.
A expectativa, frisa o presidente do Sistema Famato, é de que uma boa safra e sinais de melhora nos preços ajudem a aliviar o cenário financeiro. “Então, a gente espera que tenhamos uma boa produção esse ano. O mercado está sinalizando melhores preços. E o Mato Grosso, ele vem atingindo o índice de produtividade que realmente pode ajudar o produtor rural a amenizar esses impactos negativos”.
Ainda assim, o ambiente é de cautela. “As recuperações judiciais dispararam, principalmente aqui em Mato Grosso, com a dificuldade que o segmento vem enfrentando”, disse. Para ele, embora seja uma alternativa extrema, a recuperação judicial tem sido uma saída para evitar o fechamento de propriedades, mesmo trazendo desafios à gestão interna.
Insegurança jurídica e demarcação de terras
Outro ponto de preocupação destacado foi a discussão sobre a demarcação de terras indígenas. Para Tomain, o tema gera insegurança jurídica e afeta diretamente o ambiente de negócios no campo. “Esse é um assunto que preocupa muito a gente, porque isso causa uma certa preocupação, um desconforto muito grande e traz uma insegurança jurídica para todo o segmento do agronegócio”.
O presidente do Sistema Famato cita a tramitação de uma PEC no Congresso como uma tentativa de encerrar o impasse. “Acredito que ali eles devam consolidar aquilo que já foi apreciado pelo Senado e possa pôr um ponto final nisso tudo, porque se a Câmara votar, ele põe o ponto final e a ação perde o objeto”. Segundo ele, a definição é fundamental para garantir tranquilidade aos produtores que estão dentro das áreas afetadas.
Tomain reforça ainda que a federação não se posiciona contra os povos indígenas, mas defende segurança jurídica e políticas que garantam qualidade de vida às comunidades. “Não adianta nada você estender a área se você não dá a condição. Eu acho que a gente primeiro tem que resolver a situação deles primeiro, dando condição de qualidade de vida para eles”.
Produção recorde e expectativas para 2026
Mesmo com os desafios, os números da produção sustentam uma avaliação positiva de 2025. “Como que eu posso definir um ano negativamente se nós tivermos uma safra recorde de milho, uma safra recorde de soja, uma safra recorde desfrute da pecuária, de algodão da mesma forma?”, questiona. Culturas como o gergelim e os pulses também foram citadas como exemplos de diversificação em expansão no estado.
Para 2026, a expectativa é de um cenário mais favorável, com foco em produtividade e recuperação financeira. “Eu vejo com otimismo. Há perspectivas de um bom momento de comercialização, o mercado sinalizando mais consumo”. Após um início de plantio marcado por irregularidades climáticas, o cenário se normalizou, salienta o presidente do Sistema Famato. “O tempo está bom, as lavouras se recuperaram bem e acredito que nós vamos ter uma grande safra novamente este ano”.
Ao final, o recado aos produtores é de confiança e perseverança. “Eu tenho certeza que todos nós vamos sair dessa dificuldade trabalhando, que é o que a gente sabe fazer e faz bem-feito que é plantar, produzir e colher bem”. Para ele, o histórico do agro mato-grossense mostra que o setor já superou crises ainda mais severas e segue preparado para enfrentar novos ciclos.
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Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da demanda e menor ritmo dos frigoríficos

O mercado físico do boi gordo encerrou junho em forte movimento de correção, com queda nas cotações da arroba em praticamente todas as principais regiões produtoras do Brasil. Segundo a Safras & Mercado, o cenário foi influenciado pelo ajuste da indústria frigorífica diante da redução temporária das compras chinesas, principal destino da carne bovina brasileira.
De acordo com o analista Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram a capacidade de abate e passaram a anunciar férias coletivas em diversas unidades para adequar a produção ao menor ritmo das exportações previsto para o terceiro trimestre.
O primeiro semestre também foi marcado por intensa volatilidade no mercado do boi gordo. As constantes mudanças relacionadas à salvaguarda chinesa provocaram oscilações nos preços, levando as indústrias a reagirem rapidamente às informações do mercado. Diante desse cenário, a recomendação é que os pecuaristas utilizem ferramentas de proteção de preços para reduzir riscos.
Entre as praças pecuárias, São Paulo registrou arroba a R$ 335, queda de 5,63% em relação ao fim de maio. Em Goiânia (GO), o preço recuou para R$ 320 (-3,03%). Em Uberaba (MG), a arroba caiu para R$ 315 (-3,08%). Já em Dourados (MS), a retração foi de 8,57%, com a arroba cotada a R$ 320. Em Cuiabá (MT), o preço caiu 7,04%, para R$ 330, enquanto em Vilhena (RO) a arroba encerrou o mês em R$ 320, baixa de 4,48%.
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Atacado
Segundo Iglesias, o mercado atacadista também registrou queda nas cotações ao longo de junho, mesmo durante o período da Copa do Mundo, quando tradicionalmente há expectativa de maior consumo. O desempenho foi limitado pela menor competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, principalmente a carne de frango, que seguiu mais atrativa ao consumidor.
No fechamento do mês, o quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,00 por quilo, recuo de 2,33% em relação aos R$ 21,50 registrados no fim de maio. Já os cortes do traseiro bovino encerraram junho cotados a R$ 25,50 por quilo, queda de 5,56% frente aos R$ 27,00 praticados no mês anterior.
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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.
O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.
Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.
Saúde das colônias
Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.
As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.
A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.
Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.
A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Polinização e manejo fitossanitário
Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.
A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.
Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.
“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.
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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.
Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.
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Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.
Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.
Confira:
A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.
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