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Era Bio e tecnologia devem marcar a safra de milho em Mato Grosso

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milho mais milho foto Israel Baumann
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A safra de milho 2026 começou antes mesmo da semeadura em Mato Grosso. Com o plantio da soja que registrou atrasos, custos elevados e uma janela encurtada, produtores fazem contas e ajustam estratégias em um ano que especialistas já classificam como um dos mais desafiadores da década.

Em Itiquira, no sul do estado, o agricultor Marcelo Fernando Vankevicius se prepara para plantar dois mil hectares e resume o ambiente de cautela que domina o campo. Ele explica que, diante da instabilidade e de margens mais apertadas, cada decisão pesa. “Eu não consigo mais aceitar o fato de você ter uma única safra até por uma questão econômica. Nós e vários produtores se obrigam a ter duas safras por ano. No meu caso em específico, eu tenho balizado muito essa questão de milho e integração lavoura”.

No manejo, relata que o nível de exigência técnica cresceu. “Virou o que eu chamo de engenharia da complexidade, você tem que estudar muito para plantar. Antigamente parecia que a gente era mais braçal, hoje é menos braçal e muito mais intelectual”, frisa ao projeto Mais Milho.

milho mais milho foto Israel Baumann
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Clima instável, pragas no radar e menor investimento

O clima irregular amplia a preocupação com o aumento da pressão de pragas, especialmente lagartas. A pesquisadora de fitotecnia Daniela Aparecida Dalla Costa, da Fundação MT, lembra que a última safra já apresentou perda de eficiência das biotecnologias para o controle de spodoptera frugiperda.

Segundo ela, a combinação entre rentabilidade reduzida e soja semeada tardiamente exige maior rigor técnico. “É um ano difícil, porque tivemos uma semeadura da soja de uma forma muito tardia em várias regiões do estado. O manejo do milho para controle de pragas vai começar agora na cultura da soja. E a tendência, especialmente da região centro-sul, onde nós tivemos esse cenário de semeadura mais tardia, é que o produtor reduza o nível de investimento na soja e, consequentemente, no milho que vai ser plantado mais tardiamente tenha um menor nível de investimento”.

A pesquisadora entomologista Mariana Ortega, também da Fundação MT, reforça que 2026 deve exigir atenção ainda maior ao monitoramento. “Tem sim uma certa incerteza de como será essa safra de milho principalmente, como serão essas infestações”, afirma. A especialista alerta que perder o início das pragas compromete o controle. “Hoje nós estamos vivendo um cenário bem crítico porque a utilização excessiva de algumas moléculas pode gerar um risco também para perda de eficiência dessas moléculas”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mercado incerto e margens apertadas

Na comercialização, o sentimento é de apreensão. A safra 2024/25 já superou 80% de vendas, mas o ritmo da safra nova é mais lento, pressionado por oscilações do mercado externo e por um câmbio instável.

Na avaliação de André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult, esse cenário reforça o peso da produtividade. “O preço é importante, o custo é importante, mas o que vai fazer muita diferença é a produtividade final e aí a gente precisa de clima”, pontua. Ele lembra que o milho deixou de ser apenas opção e passou a ser necessidade para compor renda. “As margens tanto de soja quanto de milho são margens apertadas”.

O avanço do etanol de milho segue como uma luz no horizonte. “A gente tem lá um consumo em torno de 20, 25 milhões de toneladas para produção de etanol e é um mercado que deve continuar crescendo ao longo dos próximos anos”, diz Debastiani em entrevista ao projeto Mais Milho, destacando que isso traz segurança para o produtor continuar investindo no cereal.

Arsil Garcez, coordenador de Desenvolvimento Agrícola da FS, explica que a demanda por descarbonização e novos biocombustíveis abre caminhos para ampliar o valor agregado. “O agricultor está condicionado a produzir mais. Ele percebeu que o milho não é mais uma cobertura como era há dez anos atrás. Essa rentabilidade aumentou. Se expandir é fator limitante agregar é fator relevante”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Era Bio aponta tendências para a próxima década

Com tantos desafios no horizonte, o 6º Encontro Técnico do Milho, realizado em Cuiabá recentemente, abriu espaço para discussões sobre tecnologia, manejo e as oportunidades da chamada Era Bio. Para Luiz Carlos de Oliveira, gerente de Pesquisas, Serviços e Operações da Fundação MT, a cultura segue sendo crucial para o equilíbrio financeiro das fazendas.

“O milho em termos de rentabilidade ele está até melhor do que a cultura da soja hoje. Para fechar as contas, a segunda safra tem um papel importantíssimo dentro do sistema de produção do produtor e é uma cultura de alta tecnologia para você ter produtividade”, diz. Ele reforça que alta produtividade depende de informação confiável, pesquisa e debate.

Marcelo Vankevicius, que participou do encontro, avalia que o evento ajuda a testar novas ideias. “A gente aprende muito, acho que quebra alguns paradigmas, traz inspirações seja algum tipo de manejo diferenciado, seja algum tipo de tomada de decisão que a gente nunca ousou pensar”.

Entre as tendências mais citadas está a combinação entre biológicos e novas biotecnologias para reduzir riscos e custos. Uma estratégia que, segundo os especialistas, deve ganhar protagonismo já em 2026.

O diretor de R&D da Agrivalle, João Oliveira, explica, ao Canal Rural Mato Grosso, que o uso integrado das ferramentas é o caminho para lavouras mais equilibradas. “Cada planta é uma espiga e cada espiga é uma parte da sua produtividade, então ele precisa cuidar planta a planta”.

Ele destaca que a pressão de pragas evolui mais rápido que os métodos de controle. “Os biológicos eles vão cultivar o ambiente, eles vão trazer esse equilíbrio de volta”, diz. Conforme Oliveira, a tendência mundial é clara: produzir mais com base em recursos renováveis e sustentáveis, apoiados por tecnologia e informação.

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Turquia abre mercado para a castanha-do-Brasil, informa Mapa

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Foto: Ronaldo Rosa

A Turquia passará a importar castanha-do-Brasil com e sem casca, informou nesta terça-feira (3) o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A pasta destaca que o produto é internacionalmente reconhecido por seu valor nutricional e extraído de forma sustentável por comunidades tradicionais.

“A exportação desse produto para o mercado turco promoverá geração de renda e desenvolvimento regional, contribuindo para a conservação da floresta em pé”, diz o Ministério.

Em 2025, a Turquia, país de aproximadamente 87 milhões de habitantes, importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos do complexo soja, café, fibras e produtos têxteis.

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Empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026 esperam US$ 1,4 bi em negócios

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Foto: Divulgação ABPA

As empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, esperam que os contatos e acordos realizados durante o evento deverão gerar US$ 1,4 bilhão em negócios ao longo dos próximos 12 meses.

A projeção foi divulgada em nota pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) que, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), levou 21 agroindústrias nacionais à feira, encerrada na última sexta-feira (30 de janeiro).

Segundo a entidade, apenas durante os cinco dias de Gulfood, os negócios efetivamente realizados somaram US$ 131,4 milhões, números que, para a ABPA, reforçam o papel da feira como a principal vitrine global para o mercado halal e para destinos estratégicos do Oriente Médio, Ásia e África.

De acordo com a ABPA, as empresas brasileiras que foram ao evento contaram com um espaço exclusivo de mais de 430 metros quadrados dedicado à realização de negócios, relacionamento institucional e promoção da proteína animal brasileira.

A ação também contou com uma área central de degustação, onde foram servidos shawarma de carne de frango e de pato, além de omeletes, com o objetivo de reforçar junto aos visitantes a qualidade, a versatilidade e o sabor diferenciado dos produtos brasileiros. A entidade destaca que ao longo dos dias de feira, foram servidos cerca de 6.500 shawarmas e de 1.000 omeletes.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango produzida segundo os preceitos islâmicos e mantém posição de destaque como fornecedor confiável para países muçulmanos, atendendo exigências sanitárias, religiosas e de rastreabilidade.

“Os resultados alcançados na Gulfood 2026 refletem a confiança do mercado internacional na proteína animal brasileira. A feira é um espaço estratégico para consolidar parcerias, ampliar o diálogo com importadores e reforçar a imagem do Brasil como fornecedor seguro, previsível e alinhado às exigências dos mercados halal”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

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Nova portaria do Mapa consolida regras sobre fiscalização agropecuária de bagagens

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Cão farejador contribui para evitar a entrada de pragas e doenças por meio de alimentos e outros produtos – Foto: Antônio Araújo/ Ministério da Agricultura

A Portaria nº 872/2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entra em vigor nesta quarta-feira (4) e consolida em um único regulamento as regras já existentes para a fiscalização agropecuária de bagagens de viajantes que chegam ao país com alimentos, sementes e outros produtos agropecuários.

Na avaliação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a medida amplia a transparência para a sociedade e fortalece a previsibilidade das ações do Estado, ao mesmo tempo em que reforça o papel estratégico da fiscalização na proteção do patrimônio agropecuário, ambiental e da saúde pública.

Para o presidente do órgão, Janus Pablo Macedo, o principal desafio está na percepção equivocada de que pequenas quantidades não representam risco.

“Quando um viajante traz alimentos de origem animal ou vegetal sem autorização, mesmo em volumes reduzidos, ele pode introduzir no Brasil pragas e doenças inexistentes no país ou atualmente sob controle, com impactos diretos sobre a produção agropecuária, o meio ambiente e a saúde pública”, alerta.

Um dos exemplos mais sensíveis é o da carne suína, cuja entrada é rigidamente controlada devido ao risco da peste suína africana, doença altamente letal para os animais, sem vacina disponível e ausente no Brasil, mas presente em vários outros países.

“A fiscalização na bagagem do viajante é uma barreira sanitária estratégica. Sem esse controle, o prejuízo potencial ao agro brasileiro pode ser incalculável”, reforça Janus.

Já o coordenador da Unidade de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Cleverson Freitas, acredita que a consolidação das regras traz ganhos operacionais relevantes.

“A Portaria reduz a subjetividade nas análises, promove a harmonização dos procedimentos em âmbito nacional e confere maior segurança técnica e jurídica para a tomada de decisão quanto à autorização ou não do ingresso de produtos agropecuários no país”, afirma.

‘Produtos inofensivos’

A chefe do Serviço de Fiscalização de Viajantes do Mapa, Maria Joana Brito, conta que os passageiros são surpreendidos com o bloqueio de produtos de uso cotidiano, já que não associam esses itens a riscos sanitários.

“São produtos considerados simples, mas que apresentam risco relevante para o Brasil, como queijos artesanais, embutidos, produtos suínos em geral, frutas frescas, sementes, mudas e até mel”, enumera.

Ela destaca ainda que o fato de o produto estar lacrado ou na embalagem original não elimina o risco, mesmo que seja para consumo próprio ou para presente a um familiar. “O risco sanitário não é avaliado pela apresentação comercial. Mesmo embalados a vácuo ou industrializados, alimentos de origem animal ou vegetal podem veicular vírus, bactérias e pragas exóticas”, ressalta.

Assim, conforme a fiscalização, a maioria das apreensões ocorre por falta de informação e não por tentativa deliberada de burlar as regras. “Na maior parte dos casos, o viajante traz alimentos típicos para consumo próprio, sem conhecer as exigências. As tentativas intencionais existem, mas representam uma minoria e recebem tratamento específico”, acrescenta Joana.

Lista oficial de produtos

A Portaria nº 872/2025 consolida as regras em uma lista oficial de produtos, que pode ser atualizada sempre que necessário, de acordo com eventos sanitários e novos estudos de risco.

A orientação é que, antes de cada viagem, o passageiro consulte a lista, declare corretamente os produtos na chegada ao Brasil e procure a Vigilância Agropecuária em caso de dúvida.

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