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Novas homologações podem gerar prejuízo de R$ 173 milhões e eliminar 498 empregos em MT, aponta Imea

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A homologação de três Terras Indígenas e a criação de uma reserva em Mato Grosso podem provocar prejuízo anual de R$ 170,58 milhões no Valor Bruto da Produção (VBP) e a perda de 498 empregos, caso a atividade agropecuária seja retirada dessas áreas. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e embasa o pedido feito pela Famato e pela CNA ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os atos até o julgamento do marco temporal na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 87 (confira aqui).

As três Terras Indígenas homologadas pelo governo federal no último dia 17 de novembro no estado foram a Manoki (Brasnorte), Uirapuru (Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste) e Estação Parecis (Diamantino). Além disso, no mesmo ato, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), instituiu a Reserva Indígena Kanela do Araguaia. Tais atos foram publicados nos Decretos 12.721/2025, 12.722/2025 e 12.723/2025 e na Portaria Funai 1.378/2025.

O superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer, destaca que as recentes homologações e demarcações afetam diretamente mais de 110 propriedades rurais registradas no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e no Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR), processados por meio do software ArcGIS Pro (Esri) — número que pode ser ainda maior. Segundo ele, propriedades menores não são obrigadas a ter SIGEF, o que deixa parte desse universo fora do mapeamento oficial. “Podem existir mais propriedades que ainda não fizeram esse cadastro”, observa.

Gauer afirma que a extensão das áreas atingidas amplia a preocupação do setor. “Nós estamos falando de mais de 204 mil hectares nessa estrutura”, explica ao Canal Rural Mato Grosso. Desse total, frisa, mais de 35 mil hectares são produtivos.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O superintendente do Sistema Famato pondera que, embora o número possa parecer pequeno diante do território total, o impacto não se limita à produção direta. “Essas áreas também podem ser reservas, pode ser uma área que o produtor tem em compensação em outras situações que o produtor pode ter utilização de outros fins e não só exatamente para fins produtivos”, afirma.

Ele destaca ainda que os decretos publicados colocam as novas demarcações na etapa final do rito administrativo. “Essas áreas que vieram no decreto e entraram em homologação já estão praticamente na fase final do rito. Agora só falta realmente o registro delas pela Funai”, diz.

Gauer acrescenta que a situação da área Kanela do Araguaia também é motivo de alerta por estar em etapa anterior, mas já avançando para fases decisivas. Para o superintendente, o momento exige atuação rápida. “A partir de agora a Funai pode começar a atuar nessas áreas e o setor e os produtores precisam e têm atuado de forma bastante firme e célere, porque é uma contagem regressiva”, conclui.

O estudo do Imea mapeou 7,22 mil hectares de soja, 8,06 mil hectares de milho e 31,9 mil hectares de pastagens nas áreas que passaram por novas demarcações. A projeção inclui ainda queda de R$ 2,89 milhões na arrecadação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).

Agropecuária, terras, arrendamento
Foto: Pedro Silvestre/ Canal Rural Mato Grosso

Impactos nas áreas

A Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, foi a que teve maior expansão: passou a ter 250,53 mil hectares após incorporar 206,43 mil hectares. Ali, o Imea identificou 871 hectares de soja e 2,48 mil hectares de milho 2ª safra, com VBP agrícola de R$ 19,90 milhões. Na pecuária, o impacto estimado é de R$ 62,42 milhões, com 44,35 mil cabeças e abate anual de 15,15 mil animais. São 242 empregos ligados diretamente à atividade.

Na TI Uirapuru, entre Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste, 32,26% da área tem uso agropecuário. São 5,28 mil hectares de soja, 1,09 mil hectares de pastagem e rebanho estimado em 3,68 mil cabeças. O VBP total chega a R$ 74,90 milhões, com arrecadação de R$ 1,47 milhão ao Fethab. O levantamento aponta 217 empregos e 18 imóveis afetados.

Na Estação Parecis, em Diamantino, o estudo prevê 11,65 mil toneladas de grãos e VBP de R$ 13,16 milhões. A área reúne 35 empregos e 136 cabeças de gado.

Já a Reserva Kanela do Araguaia, ainda em fase anterior à homologação, abrange 17,16 mil hectares entre Luciara e São Félix do Araguaia, dos quais 53,91% são pasto natural. O rebanho é calculado em 2,59 mil cabeças, com VBP anual de R$ 199,4 mil.

Gado boi abate carne bovina Foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso fethab
Foto: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

Estado também recorre ao STF

O Governo de Mato Grosso também ingressou no STF, como já destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, para suspender o decreto que ampliou a TI Manoki. A Procuradoria-Geral do Estado sustenta violação da Lei 14.701/2023 e risco à segurança jurídica de famílias com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e títulos reconhecidos. Para o governo, a medida “desestrutura a malha fundiária da região e instaura o caos jurídico”.

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, afirma que os atos federais ignoram os efeitos econômicos e sociais nas regiões afetadas. “O governo federal tomou uma atitude imprudente que afeta o direito à propriedade, o produtor rural e a arrecadação estadual. O prejuízo recai sobre quem planta, emprega e paga imposto nos municípios”, diz.

Segundo ele, os números do Imea dimensionam a gravidade. “São R$ 170,6 milhões e 498 empregos nas áreas analisadas. Defendemos segurança jurídica, indenização célere e medidas de transição para mitigar perdas e preservar renda e atividade no campo e na cidade”.

O estudo reforça que as áreas economicamente ativas atingem municípios como Brasnorte, Diamantino, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste, Luciara e São Félix do Araguaia. Sem política de transição, a retirada de produtores tende a reduzir renda, empregos e arrecadação local, frisa o Instituto no levantamento.

Fávaro critica demarcações

Durante a inauguração do escritório da ApexBrasil em Cuiabá, nesta segunda-feira (24), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que vê “exagero” nas novas demarcações e que o processo não estava pacificado. Ele disse ainda que o presidente Lula pode ter sido “induzido ao erro”.

“Se for caso de ter desapropriação, tem que ser com indenização por valor venal em dinheiro e à vista. Se não ocorreu dessa forma, para mim é uma injustiça que está beneficiando um grupo e tirando a paz e a tranquilidade de outros”, declarou.

O ministro afirmou estar levantando informações para atuar politicamente dentro do governo. “Me parece que ele foi muito mais que uma busca, levaram o presidente na busca que estava tudo pronto e poderia fazer sem nenhum conflito, o que não é verdade e ele acabou publicando esse decreto. (…) Foi de forma exacerbada. Eu vou procurar dentro da minha capacidade ajudar a reverter essa situação”.


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Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

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Reprodução Canal Rural

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.

“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.

O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.

Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.

O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.

Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.

Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.

Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.

Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”

Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.

A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.

“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.

Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.

Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.

A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.

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Boi gordo mantém preços firmes com oferta restrita

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Foto: Fernando Carvalho/arquivo Pessoal

O mercado físico do boi gordo segue sustentado pela restrição de oferta, com negociações pontuais acima da referência média em diversas praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse cenário tem sido o principal fator de suporte aos preços ao longo de março.

Os frigoríficos continuam enfrentando dificuldades para alongar as escalas de abate, que atendem, em média, entre cinco e sete dias úteis, indicando oferta enxuta de animais terminados. Além disso, o mercado apresenta volatilidade, influenciado por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que impactam os contratos futuros do boi gordo na B3.

Os preços nas principais praças:

  • Em São Paulo, a média ficou em R$ 350,42
  • Em Goiás, a indicação foi de R$ 337,68
  • Em Minas Gerais, atingiu R$ 339,71
  • Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi cotada a R$ 337,95
  • Em Mato Grosso, a R$ 343,04.

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O consumo interno ainda apresenta limitações para absorver novos reajustes da carne bovina, diante da maior competitividade de proteínas concorrentes. Mesmo assim, os preços seguem próximos das máximas históricas. O quarto dianteiro é cotado a R$ 20,50/kg, o quarto traseiro a R$ 27,00/kg e a ponta de agulha também a R$ 20,50/kg.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,72%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,18 e R$ 5,24 ao longo do dia.

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Fórum reúne setor produtivo para debater inovação e expansão de mercados

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Foto: divulgação/Planeta Campo

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, recebeu, nesta quarta-feira, o Fórum Momento Agro: do Campo ao Mercado, reunindo lideranças, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os rumos do agronegócio brasileiro. O evento teve como foco temas como inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado.

O encontro foi realizado no Parque Científico e Tecnológico da Unochapecó, dentro da programação da Mercoagro, uma das principais feiras do setor na América Latina. Durante o fórum, foram debatidos assuntos estratégicos, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e seus impactos para o Brasil.

Para Santa Catarina, maior produtor e exportador de suínos do país, o acesso ao mercado europeu é visto como uma oportunidade relevante.

“O bloco da União Europeia é um bloco que historicamente é difícil de entrar, tem muitas exigências, tem um mercado local forte também. Com a aplicação dessas cotas, redução de tarifas, é uma oportunidade muito interessante da gente acessar esse mercado que paga muito bem”, destaca o economista do Rabobank, Wagner Yanaguizawa.

Inovação e IA

A inovação, com o uso de inteligência artificial já é apontada como uma das principais ferramentas para a tomada de decisão e ganho de produtividade no campo. 

“Nós teremos mais eficiência nos processos e mais controle sobre eles desde a própria criação até a fabricação, o resultado do produto final na saída da indústria”, destaca o presidente da Associação Internacional de Inteligência Artificial, Fernando Gomes de Oliveira.

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