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Fim do tarifaço nos EUA amplia competitividade da carne bovina de Mato Grosso

O fim da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo a carne bovina, repercutiu diretamente em Mato Grosso, maior produtor do país e líder nas exportações do setor. A decisão norte-americana, anunciada nesta quinta-feira (20), elimina o tarifaço de 40% e devolve competitividade aos embarques brasileiros.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirma que a medida representa um avanço significativo na relação bilateral. Para ele, a retirada da sobretaxa é uma notícia tranquilizadora tanto para o agronegócio brasileiro quanto para os mercados internacionais.
Fávaro avalia que o anúncio demonstra maturidade nas tratativas entre os dois países e ressalta que “o diálogo continua”, pois “ainda há muito a negociar”.
Efeito direto para Mato Grosso: mais previsibilidade e exportações
Em Mato Grosso, a medida foi recebida com otimismo pelo setor produtivo. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) classifica a decisão como positiva para a cadeia da carne.
“A pecuária mato-grossense comemora essa reversão de tarifas. Esperamos que esse novo cenário de diálogo contribua para ampliar exportações, consolidar parcerias e fortalecer o agronegócio regional, impulsionando o crescimento econômico para Mato Grosso e para o Brasil”, pontua o superintendente, Cleiton Gauer.
Segundo a Famato, o fim da sobretaxa também tende a favorecer contratos mais longos e prazos mais estáveis com compradores norte-americanos, criando um ambiente de maior previsibilidade comercial.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o estado segue ampliando presença no comércio exterior. De janeiro a outubro de 2025, o volume exportado ficou 35,19% acima do mesmo período de 2024. Apenas em outubro, Mato Grosso embarcou 107,94 mil toneladas de carne bovina, com faturamento de US$ 462,82 milhões.
O Imea destaca ainda que o estado diversificou destinos e ganhou espaço no ranking nacional.
Produção fortalecida e espaço para avançar
O aumento na oferta também contribuiu para o desempenho. A intenção de confinamento atingiu 926,78 mil cabeças no segundo trimestre, e a projeção mais recente indica 928,7 mil animais confinados em 2025, um avanço de 4,05% sobre 2024 — movimento sustentado pela melhora das margens, com a arroba valorizando acima do milho.
Mesmo com ajuste no rebanho, estimado em 32,1 milhões de cabeças em 2025, Mato Grosso mantém a liderança como principal polo pecuário do país, conforme dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). O recuo anual de 2,03% reflete o maior descarte de fêmeas nos últimos anos.
Para a Famato, o novo cenário reforça o papel estratégico do estado no abastecimento global. “Além de previsibilidade e mais competitividade para o setor, a decisão reforça a confiança no papel do Brasil, sobretudo de Mato Grosso, como fornecedor essencial para a segurança alimentar mundial”, diz Gauer, ao destacar que a carne produzida no estado atende padrões de sanidade, sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos mercados mais rigorosos.
Em nota técnica, o Imea frisa que Mato Grosso está próximo de São Paulo nas exportações e vê amplo espaço para ampliar sua participação nas vendas do Brasil. A redução tarifária nos Estados Unidos, se mantida, pode acelerar esse movimento.
- Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:
Carcaças e meias-carcaças
Cortes com osso
Cortes sem osso
Cortes de “high-quality beef”
Miúdos bovinos
Carne salgada, curada, seca ou defumada
- Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:
Tomate (por sazonalidade)
Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
Lima Tahiti / Lima da Pérsia
Abacate
Manga
Goiaba
Mangostim
Abacaxi (fresco e processado)
Papaya (mamão)
Diversas raízes tropicais: mandioca
- Café e derivados
Café verde
Café torrado
Café descafeinado
Cascas e películas de café (“husks and skins”)
Substitutos contendo café
- Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:
Chá verde
Chá preto
Erva-mate
Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
Noz-moscada
Cravo
Canela
Cardamomo
Açafrão
Gengibre
Cúrcuma
Misturas de especiarias
- Castanhas e sementes
Castanha-do-pará
Castanha de caju
Macadâmia
Nozes pignolia e outras
Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)
- Sucos de frutas e derivados
Suco de Laranja (várias classificações)
Suco de limão / lima
Suco de abacaxi
Água de coco
Açaí (polpas e preparados)
- Produtos de cacau
Amêndoas de cacau
Pasta de cacau
Manteiga de cacau
Pó de cacau
- Produtos processados
Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
Geleias
Pastas e purês
Palmito
Tapioca, féculas e amidos
Produtos preservados em açúcar ou vinagre
- Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)
Ureia
Sulfato de amônio
Nitrato de amônio
Misturas NPK
Fosfatos (MAP/DAP)
Cloreto de potássio (KCl)
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Cultivar BRS Savana é apresentada em Dia de Campo sobre trigo safrinha no DF

A cultivar de trigo sequeiro BRS Savana, lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na AgroBrasília 2026, foi apresentada a 65 produtores e técnicos em um Dia de Campo no Distrito Federal. Segundo o material fornecido, o evento foi promovido pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal. O conteúdo relaciona a apresentação da variedade ao sistema de trigo safrinha.
O destaque do evento foi a cultivar BRS Savana, identificada no material como uma variedade de trigo sequeiro. A apresentação ocorreu em um Dia de Campo voltado ao trigo safrinha no Distrito Federal, com a presença de 65 produtores e técnicos.
A fonte informa que a cultivar foi lançada pela Embrapa durante a AgroBrasília 2026. A demonstração em campo indica continuidade na divulgação técnica da nova variedade junto ao público produtor e aos agentes ligados à assistência e ao acompanhamento das lavouras.
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Pelo conteúdo disponível, a informação central está na exposição da cultivar a participantes do setor, dentro de uma agenda técnica de campo. Esse tipo de evento costuma ser utilizado para apresentar materiais genéticos, manejo e desempenho agronômico, mas o texto original não detalha quais características da BRS Savana foram mostradas aos participantes.
A fonte também não informa o local exato do encontro, a data completa do Dia de Campo, o nome completo da cooperativa organizadora, nem dados técnicos como produtividade, ciclo, tolerância climática, adaptação regional ou área recomendada para cultivo. Também não há, no material fornecido, comparação com outras cultivares ou detalhamento dos impactos esperados para produtores.
Com as informações disponíveis, o fato confirmado é a apresentação da BRS Savana a produtores e técnicos em um evento técnico sobre trigo safrinha no Distrito Federal. O material divulgado não informa indicadores agronômicos, prazos de adoção ou resultados produtivos da cultivar.
Fonte: embrapa.br
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Adidos de México e Indonésia se queixam de baixa relação comercial com o Brasil

O Fórum Internacional de Agropecuária (Fiap), realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, reuniu adidos agrícolas de sete países nesta quinta-feira (18) para discutir as oportunidades e os desafios da relação comercial do Brasil com o mundo.
Os representantes de México e Indonésia exaltaram que a relação comercial entre suas nações e o Brasil ainda é pequena diante da importância econômica e populacional que representam.
“México e Brasil são as duas economias mais importantes da América Latina e o nosso fluxo comercial ao longo de um ano inteiro equivale a apenas dez dias com o que temos com os Estados Unidos”, enfatizou o conselheiro da Embaixada do México, Marco Huerta Sanchez.
Segundo ele, o Brasil é importante para a estabilidade da segurança alimentar e inflacionária mexicana, com destaque para a abertura de mercado de proteínas animais. “Um exemplo disso é a fábrica da Pilgrim’s Pride, da JBS no México, que emprega mais de 11 mil pessoas”, enfatiza. Sanchez destaca, ainda, que o México deseja ampliar a relação com o Brasil para reduzir a dependência agrícola que possui com os Estados Unidos e a China.
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“Temos acordos setoriais, mas não um acordo de livre comércio e precisamos trabalhar nisso. […] Quando os Estados Unidos enfrentaram casos de doença de Newcastle [entre 2018 e 2020] recorremos à carne de frango brasileira”, disse. O representante ainda destacou o interesse do México no modelo de cooperativas agroindustriais brasileiras e no trabalho de pesquisa da Embrapa em agricultura tropical, visto por ele como referência mundial.
Já o ministro conselheiro da Embaixada da Indonésia, Dhanny Arifin, ressaltou que as populações indonésia e brasileira combinadas são de quase 500 milhões de habitantes. “Somos países muito grandes para termos uma balança comercial tão pequena, de apenas US$ 7 bilhões”, enfatizou.
De acordo com ele, a Indonésia enxerga amplo potencial para aumentar as exportações de coco, item do qual é a maior produtora global, com cerca de 17 milhões de toneladas/ano, e de óleo de palma. “A agricultura brasileira é muito importante para nós. Queremos mais parcerias em soja, açúcar e carnes. […] Queremos que as empresas brasileiras invistam nesses setores e fortaleçam relacionamento. […] Temos muitas similaridades em termos agropecuários e o nosso relacionamento deveria ser muito maior”, considera.
Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Indonésia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia, sendo o 16º maior destino das exportações brasileiras e o 5º no setor do agronegócio. Em 2024, o Brasil registrou superávit de cerca de US$ 2,6 bilhões com a Indonésia.
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Não basta produzir, o agro precisa olhar para a geopolítica, diz especialista

Produzir bem já não é suficiente para garantir competitividade no agronegócio. Em um mundo cada vez mais influenciado por guerras, disputas comerciais e movimentos estratégicos entre países, entender a geopolítica passou a ser uma necessidade também para quem está dentro da porteira.
A avaliação é do cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como Professor HOC. Em Mato Grosso, ele defendeu que a geopolítica precisa fazer parte das estratégias do agronegócio, uma vez que decisões tomadas fora do Brasil afetam diretamente os custos de produção, o acesso a insumos, os mercados compradores e a rentabilidade das propriedades.
Na análise do especialista, olhar apenas para indicadores econômicos já não é suficiente para antecipar riscos. Questões como inflação, juros, fertilizantes e até a disponibilidade de determinados produtos estão ligadas a movimentos geopolíticos que ocorrem em diferentes regiões do mundo.
O tema foi discutido durante a 20ª edição do Circuito Aprosoja Mato Grosso, que percorre o estado promovendo debates sobre os desafios e as oportunidades para o setor.

Planejamento sob pressão
Enquanto finaliza a colheita de milho e algodão, a família Konageski já faz as contas para a próxima safra. A soja deverá ocupar 9,4 mil hectares, mas o cenário de custos elevados e margens apertadas exige cautela nas decisões.
O produtor Rodrigo Konageski afirma que a realidade do campo tem exigido planejamento cada vez mais rigoroso. Segundo ele, os custos seguem elevados, enquanto os preços recebidos pelos produtos permanecem pressionados pelo mercado internacional.
Nesse contexto, o agricultor defende que o momento não permite erros. “A tomada de decisão do produtor tem que ser bem consciente, para não inventar despesas desnecessária até você conseguir enxergar uma próxima oportunidade de investimento para frente”.
As preocupações também passam pelas incertezas que cercam o próximo ciclo produtivo. Além dos custos, produtores acompanham com atenção o comportamento do clima, da economia e da política.
Presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling observa que o setor convive com muitas indefinições. Conforme ele, a falta de previsibilidade dificulta o planejamento e aumenta a insegurança dos produtores. “A gente não tem certeza de nada do que vai ser daqui seis meses, e isso para o nosso setor é muito complicado”, frisa ao Canal Rural Mato Grosso.
Para Kroling, a política tem influência direta sobre o agronegócio e não pode ser ignorada por quem precisa tomar decisões dentro da propriedade. “A gente não tem como fechar os olhos para a política”.
Geopolítica dentro da porteira
Ao abordar o cenário global, Heni Ozi Cukier destacou que o agronegócio precisa ampliar seu campo de visão. Na avaliação dele, muitos dos desafios enfrentados atualmente pelo setor têm origem em acontecimentos que vão muito além das fronteiras brasileiras.
O cientista político cita como exemplo os impactos provocados por guerras, disputas comerciais e mudanças nas relações entre países. Segundo ele, esses fatores influenciam diretamente o preço dos insumos, dos fertilizantes e o comportamento dos mercados.
Por isso, defende que a geopolítica seja incorporada ao processo de tomada de decisão das empresas rurais. “O agro precisa entender que precisa incorporar na sua estratégia, no seu olhar para o mundo, esse olhar da geopolítica”, diz à reportagem.
Para o diretor da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antônio de Mello, o assunto deixou de interessar apenas aos produtores e passou a afetar toda a sociedade.
Conforme ele, conflitos internacionais e medidas como tarifas comerciais têm reflexos diretos sobre os preços de combustíveis e alimentos. “Estão alterando preços, principalmente de alimentos, combustíveis e isso afeta diretamente no consumidor”.

Diversificar para reduzir riscos
Outro ponto destacado durante o debate foi a forte dependência das exportações brasileiras em relação a poucos mercados compradores, especialmente a China.
De acordo com HOC, a parceria comercial com os chineses é positiva e continuará sendo importante para o agronegócio nacional. No entanto, ele avalia que o Brasil precisa discutir com mais atenção os riscos de uma concentração excessiva.
Na visão do cientista político, a diversificação de parceiros comerciais deixou de ser apenas uma estratégia econômica e passou a representar também uma questão geopolítica.
“O Brasil precisa ter uma relação comercial boa com todo mundo”, afirma. Para ele, o país precisa ampliar suas opções de mercado porque “a gente precisa diversificar, precisa encontrar outros parceiros”.
Vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Pedro Bier acredita que esse tipo de reflexão ajuda os produtores a enxergarem fatores que normalmente não fazem parte do cotidiano das propriedades.
Ele pontua que a contribuição do palestrante está justamente em apresentar uma visão mais ampla das relações políticas e econômicas globais. “Ele consegue trazer indagações que muitas vezes a gente não pensa”.
A avaliação é compartilhada pelo presidente do Sindicato Rural de São José do Rio Claro, Aparecido Rodrigues. Para ele, acompanhar a política é indispensável para quem atua no agronegócio. “Hoje o agronegócio é uma empresa e a política define tudo para nós”.
Circuito Aprosoja Mato Grosso percorre o estado
A 20ª edição do Circuito Aprosoja Mato Grosso já percorreu mais de cinco mil quilômetros e passou por 29 núcleos regionais, reunindo mais de 4 mil participantes.
Além de apresentar ações desenvolvidas pela entidade, o circuito tem servido para ouvir demandas dos produtores e promover discussões sobre os principais desafios enfrentados pelo setor em diferentes regiões do estado.
Para Luiz Pedro Bier, a iniciativa também permite compreender melhor a realidade da agricultura mato-grossense. “Vê os problemas e sente melhor qual a situação da agricultura no estado”.
Segundo ele, a proposta do circuito é justamente levar novas informações ao produtor rural e estimular debates que contribuam para a tomada de decisões no campo. “O circuito sempre vem com a intenção de trazer informação nova, trazer conhecimento novo”.
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