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13 de setembro de 2026

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Fim do tarifaço nos EUA amplia competitividade da carne bovina de Mato Grosso

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O fim da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo a carne bovina, repercutiu diretamente em Mato Grosso, maior produtor do país e líder nas exportações do setor. A decisão norte-americana, anunciada nesta quinta-feira (20), elimina o tarifaço de 40% e devolve competitividade aos embarques brasileiros.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirma que a medida representa um avanço significativo na relação bilateral. Para ele, a retirada da sobretaxa é uma notícia tranquilizadora tanto para o agronegócio brasileiro quanto para os mercados internacionais.

Fávaro avalia que o anúncio demonstra maturidade nas tratativas entre os dois países e ressalta que “o diálogo continua”, pois “ainda há muito a negociar”.

Efeito direto para Mato Grosso: mais previsibilidade e exportações

Em Mato Grosso, a medida foi recebida com otimismo pelo setor produtivo. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) classifica a decisão como positiva para a cadeia da carne.

“A pecuária mato-grossense comemora essa reversão de tarifas. Esperamos que esse novo cenário de diálogo contribua para ampliar exportações, consolidar parcerias e fortalecer o agronegócio regional, impulsionando o crescimento econômico para Mato Grosso e para o Brasil”, pontua o superintendente, Cleiton Gauer.

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Segundo a Famato, o fim da sobretaxa também tende a favorecer contratos mais longos e prazos mais estáveis com compradores norte-americanos, criando um ambiente de maior previsibilidade comercial.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o estado segue ampliando presença no comércio exterior. De janeiro a outubro de 2025, o volume exportado ficou 35,19% acima do mesmo período de 2024. Apenas em outubro, Mato Grosso embarcou 107,94 mil toneladas de carne bovina, com faturamento de US$ 462,82 milhões.

O Imea destaca ainda que o estado diversificou destinos e ganhou espaço no ranking nacional.

Produção fortalecida e espaço para avançar

O aumento na oferta também contribuiu para o desempenho. A intenção de confinamento atingiu 926,78 mil cabeças no segundo trimestre, e a projeção mais recente indica 928,7 mil animais confinados em 2025, um avanço de 4,05% sobre 2024 — movimento sustentado pela melhora das margens, com a arroba valorizando acima do milho.

Mesmo com ajuste no rebanho, estimado em 32,1 milhões de cabeças em 2025, Mato Grosso mantém a liderança como principal polo pecuário do país, conforme dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). O recuo anual de 2,03% reflete o maior descarte de fêmeas nos últimos anos.

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Para a Famato, o novo cenário reforça o papel estratégico do estado no abastecimento global. “Além de previsibilidade e mais competitividade para o setor, a decisão reforça a confiança no papel do Brasil, sobretudo de Mato Grosso, como fornecedor essencial para a segurança alimentar mundial”, diz Gauer, ao destacar que a carne produzida no estado atende padrões de sanidade, sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos mercados mais rigorosos.

Em nota técnica, o Imea frisa que Mato Grosso está próximo de São Paulo nas exportações e vê amplo espaço para ampliar sua participação nas vendas do Brasil. A redução tarifária nos Estados Unidos, se mantida, pode acelerar esse movimento.

  1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

Carcaças e meias-carcaças
Cortes com osso
Cortes sem osso
Cortes de “high-quality beef”
Miúdos bovinos
Carne salgada, curada, seca ou defumada

  1. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

Tomate (por sazonalidade)
Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
Lima Tahiti / Lima da Pérsia
Abacate
Manga
Goiaba
Mangostim
Abacaxi (fresco e processado)
Papaya (mamão)
Diversas raízes tropicais: mandioca

  1. Café e derivados

Café verde
Café torrado
Café descafeinado
Cascas e películas de café (“husks and skins”)
Substitutos contendo café

  1. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

Chá verde
Chá preto
Erva-mate
Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
Noz-moscada
Cravo
Canela
Cardamomo
Açafrão
Gengibre
Cúrcuma
Misturas de especiarias

  1. Castanhas e sementes

Castanha-do-pará
Castanha de caju
Macadâmia
Nozes pignolia e outras
Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

  1. Sucos de frutas e derivados

Suco de Laranja (várias classificações)
Suco de limão / lima
Suco de abacaxi
Água de coco
Açaí (polpas e preparados)

  1. Produtos de cacau

Amêndoas de cacau
Pasta de cacau
Manteiga de cacau
Pó de cacau

  1. Produtos processados

Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
Geleias
Pastas e purês
Palmito
Tapioca, féculas e amidos
Produtos preservados em açúcar ou vinagre

  1. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

Ureia
Sulfato de amônio
Nitrato de amônio
Misturas NPK
Fosfatos (MAP/DAP)
Cloreto de potássio (KCl)


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Morcegos podem ajudar a recuperar florestas com técnica que usa aromas sintéticos

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Foto: Gledson Bianconi

A atração de morcegos dispersores de sementes por essências aromáticas de frutos  já é um recurso conhecido. Estudos conduzidos por pesquisadores da Embrapa Florestas (PR), do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) constataram que também é possível atraí-los utilizando compostos aromáticos sintéticos ou frações deles.

A descoberta abre caminho para uma alternativa potencialmente mais barata e operacionalmente mais simples do que o uso de óleos essenciais puros, além de reduzir a necessidade de coletar frutos silvestres na natureza.

Os resultados da pesquisa, desenvolvida pelos pesquisadores Gledson Bianconi (IFPR), Lays Cherobim (PUC-PR) e Sandra Mikich (Embrapa Florestas), estão apresentados na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes.

Origem da técnica e o uso de sintéticos

Desde 2003, a técnica vem sendo estudada a partir do uso de óleos essenciais de frutos preferidos por morcegos frugívoros (que se alimentam de frutos). Guiados pelo olfato, esses animais sobrevoam as regiões e dispersam sementes por meio de suas fezes, promovendo uma “chuva de sementes” natural que acelera a recuperação da vegetação.

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“Nossos estudos mostraram que morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira são altamente atraídos por óleos essenciais de frutos de plantas dos gêneros Ficus (figueiras), Piper (jaborandis) e Solanum (tomates silvestres). Essa atração aumenta significativamente a dispersão de sementes”, aponta a pesquisadora Sandra Mikich.

Nos últimos seis anos, os pesquisadores testaram frações desses óleos e substâncias equivalentes produzidas artificialmente. “Trabalhamos para identificar quais partes dos óleos naturais eram responsáveis pela atração dos morcegos. Mas o melhor resultado foi constatar que compostos sintéticos já disponíveis no mercado têm efeito atrativo semelhante quando utilizados em pequenas quantidades”, explica Mikich.

A técnica é uma alternativa complementar baseada em semioquímicos (substâncias que transmitem sinais químicos e influenciam o comportamento dos organismos). Lays Cherobim,  pesquisadora da PUC-PR, ressalta que o uso de substâncias sintéticas traz ganhos ambientais imediatos.

“A solução evita a coleta intensiva de frutos silvestres na natureza, necessária para extrair óleos puros. Muitas vezes, 500 gramas de frutos rendem apenas algumas gotas de óleo natural”, observa.

Restauração mais barata e rápida

A restauração de ecossistemas degradados é um desafio global, especialmente em biomas fragmentados como a Mata Atlântica, da qual restam apenas cerca de 12,4% da cobertura original, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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O pesquisador Gledson Bianconi (IFPR) destaca que o grande diferencial da tecnologia é a integração entre baixo custo, simplicidade operacional e eficácia ecológica. “A proposta é estimular processos naturais de dispersão de sementes, reduzindo a dependência exclusiva do plantio de mudas e aproveitando o próprio funcionamento ecológico da fauna”, afirma.

Cherobim reforça que a alternativa é mais prática do que o plantio direto de mudas nativas. “Produzir e manter mudas exige etapas longas e custosas: conhecer o ciclo da espécie nativa, coletar sementes, germiná-las em estufa, acompanhar o desenvolvimento e realizar o plantio”, compara.

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Agro Mato Grosso

Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta Imea

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Os dados foram apresentados aos produtores rurais em Brasnorte e fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso

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Tecnologia dos EUA pode ajudar no monitoramento de javalis em lavouras e na pecuária brasileira

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ Divulgação

Um grupo formado por 40 produtores e lideranças rurais paranaenses visitou a empresa Planet Labs, em São Francisco, nos Estados Unidos, para conhecer uma tecnologia que acompanha lavouras, identifica alterações na vegetação e estima o desempenho das culturas e que pode ser utilizada para o monitoramento de javalis no meio rural do Brasil.

A companhia norte-americana utiliza imagens de satélite para observar diariamente diferentes talhões de uma propriedade. “Para o produtor, o interessante é conhecer o que está acontecendo a cada dia em cada um dos talhões. Com os nossos dados, combinados com inteligência artificial, podemos produzir resumos do que está acontecendo em toda a área de manejo”, analisa o gerente de Produto de Agricultura da Planet Labs, Ariel Zajdband.

A visita à empresa fez parte da programação do quarto grupo da viagem técnica promovida pelo Sistema Faep aos Estados Unidos, que segue até o dia 19 de setembro.

A presidente da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura da entidade e representante do Sindicato Rural de Tibagi, Deborah Gerda de Geus, identificou no sistema a possibilidade de ampliar o mapeamento das áreas atingidas pelos javalis, além de dimensionar os prejuízos provocados nas propriedades.

Atualmente, ela utiliza informações relacionadas ao Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI, na sigla em inglês), indicador obtido a partir de sensoriamento remoto e usado para avaliar o comportamento da vegetação.

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“Com essas imagens de satélite, podemos identificar onde o javali está causando a devastação, ter uma dimensão mais próxima do dano real e acompanhar as regiões onde esse problema está avançando”, afirma Deborah.

Segundo ela, a aplicação da tecnologia norte-americana ainda precisa ser avaliada tecnicamente. Para avançar nessa análise, uma reunião com a empresa foi agendada para o fim de setembro. A ideia é entender até que ponto as imagens podem ser utilizadas para identificar alterações provocadas pelos javalis nas áreas agrícolas.

Hoje, a falta de informação é um complicador no manejo e controle dos animais. Tanto que, ao longo de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) conduziu a pesquisa nacional “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil”, levantamento que busca, justamente, reunir informações das propriedades para dimensionar a ocorrência dos animais, identificar prejuízos e subsidiar políticas públicas de controle e manejo.

Prejuízos causados por javalis

Os prejuízos agrícolas, como destruição de lavouras, são apenas uma parte da preocupação relacionada aos javalis. Para a suinocultura, há ainda um componente sanitário. O Sistema Faep alerta que suínos asselvajados podem participar da circulação de enfermidades de alto impacto para a produção comercial, como a Peste Suína Africana (PSA) e a Peste Suína Clássica (PSC).

“A principal preocupação é a quantidade de doenças que o javali pode trazer, principalmente para a suinocultura, e o impacto financeiro que um problema sanitário pode provocar no setor. Além disso, existe a devastação na parte agrícola, que traz prejuízo direto para os produtores”, ressalta a presidente da CT de Suinocultura. “Precisamos buscar alternativas e discutir de que forma o governo pode ajudar nesse controle”, afirma.

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Uso na pecuária

Além da possibilidade de acompanhar danos provocados por javalis, produtores da delegação identificaram a possibilidade de aplicação do sistema de imagens de satélite da Planet Labs na pecuária.

O pecuarista e vice-presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Mário Zafanelli, destacou o potencial do monitoramento para acompanhar a condição das pastagens e tornar mais rápidas as decisões sobre o manejo dos animais.

“Pelas informações, o produtor consegue perceber que determinado pasto está deteriorado e antecipar a decisão de colocar ou retirar um lote daquela área. Isso otimiza a tomada de decisão”, afirma.

Zafanelli também vê possibilidade de avanço no uso da tecnologia para auxiliar na contagem de animais, demanda que ainda representa um obstáculo para pecuaristas.

“Em pouco tempo, essa tecnologia pode estar na nossa mão e ajudar a solucionar uma dificuldade que temos há muito tempo”, avalia. “Uma possibilidade seria criar formas de acesso coletivo a essas informações, envolvendo os sindicatos e outras entidades que já estão próximas do produtor. Isso poderia facilitar o uso desses dados no campo”, conclui o produtor.

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