Connect with us
15 de setembro de 2026

Business

Importações de lácteos do Mercosul agravam crise entre produtores de leite em MT

Published

on

As propriedades leiteiras de Mato Grosso vivem um momento de incerteza. O custo de produção tem aumentado, enquanto o preço pago ao produtor segue em queda. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), mostram que em agosto o valor médio do litro de leite pago ao produtor foi de R$ 2,28, enquanto no fechamento do primeiro semestre o ano, o preço médio era de R$2,37. Para os produtores, o repasse atual não cobre os custos de produção da cadeia, além de pressionar as margens de lucro.

“Alguns laticínios estão pagando R$ 2,25 mais volume, mas a maioria não está chegando a esse valor. O produtor precisa de no mínimo R$ 2,60 para ele se manter vivo no campo, para cuidar da sua propriedade, das vacas”, afirma Luciano Rodrigues, presidente da Associação dos Produtores de Leite da Região Oeste de Mato Grosso (APLO – MT).

A região oeste do estado, composta por 22 municípios, encabeça a produção leiteira em Mato Grosso, que em 2024 ocupou a 14º posição no ranking nacional de produção de leite, com 432,5 milhões de litros. No entanto, o estado já esteve entre os 10 maiores produtores de leite no Brasil, em 2021.

Segundo Luciano, em 2020 a região contava com cerca de 10 mil produtores de leite, que chegavam a produzir cerca de 900 mil litros de leite por dia. Em 2025, ele estima que somente 4 mil permanecem na atividade, diminuindo a produção para aproximadamente 350 mil litros ao dia.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite), a queda no número de produtores ligados à atividade leiteira também está atrelada às dificuldades na sucessão familiar.

Advertisement

“Uma das coisas que mais está nos prejudicando é a questão da sucessão familiar. O produtor de leite trabalha todos os dias, não tem fim de semana, feriado, sol ou chuva. A vaca não tem como parar a sua produção de leite. A gente está trabalhando nesse sentindo, levando palestras e orientando aos produtores que busquem uma maneira de encontrar alguém que possa suceder essa produção de leite”, afirma Antônio Carlos Carvalho, presidente do MT Leite.

Importações preocupam o setor

Outro fator que preocupa o setor é o aumento das importações de produtos lácteos vindos de países do Mercosul, o que tem pressionado os preços no mercado interno e dificultado a competitividade dos produtores locais.

Segundo o IMEA, as importações brasileiras de lácteos atingiram 590,83 milhões de litros em equivalente de leite no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 5,28% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume registrado desde 1997.

Somente em setembro, o Brasil importou 192,31 milhões de litros, enquanto as exportações somaram apenas 4,96 milhões. A maior parte dos produtos vem do Uruguai e da Argentina.

“Nos dois últimos anos, com aquele excesso de calor, houve um déficit de leite e com isso o governo autorizou a importação de lácteos que acabou prejudicando o estado de Mato Grosso. A gente também teve uma chuva boa esse ano que acabou mantendo as pastagens e aquele aumento que a gente tinha na época da seca, nós não tivemos. Isso beneficiou os consumidores, mas diminuiu a renda do produtor ”, ressalta Antônio Carlos em entrevista ao Canal Rural Mato Groso.

Advertisement

Indústrias também são afetadas

O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Mato Grosso (Sindilat – MT) afirma que a baixa no preço também afeta as indústrias, especialmente com a entrada de produtos internacionais no país a preços menores do que o produto local.

“Nós temos um problema muito sério que é o Custo Brasil de produção, nossos preços não são competitivos internacionalmente. Quando entra um leite em pó, um queijo, principalmente da Argentina, chega à um preço abaixo do nosso custo de produção (…) A região oeste de Mato Grosso tem diminuído a produção de leite. Em 15 anos caiu 54%, então as indústrias ficam ociosas”, destaca Antônio Bornelli, presidente do Sindilat – MT.

Diante de tantos desafios, os produtores e a indústria pedem políticas de incentivo, melhores condições de crédito e medidas que controlem a entrada de produtos importados, para garantir que o leite brasileiro continue chegando à mesa da população.

O setor leiteiro é responsável pelo sustento de milhares de famílias em Mato Grosso e tem papel essencial na economia do estado. No entanto, os desafios crescentes nas propriedades rurais colocam o futuro da atividade em risco.

“A cadeia produtiva do leite é a que mais emprega no Brasil. Em Mato Grosso nós temos cerca de 35 mil pequenos produtores e nós sabemos que qualquer governo quer o produto barato na mesa, mas que tenha equilíbrio para que as cadeias fiquem equalizadas”, destaca Bornelli.

Advertisement

Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real

Continue Reading
Advertisement

Business

‘Ano que vem será melhor’, crença do produtor pode dificultar sucesso da RJ, diz advogada

Published

on


Imagem: Felipe Carvalho/Canal Rural BA

O momento em que o pedido de recuperação judicial de um produtor rural chega ao Judiciário é tão relevante quanto o tamanho da dívida. Essa é a análise da advogada Renata Abalém, especializada em Direito do Agronegócio.

Ela ressalta que em atividades sujeitas a ciclos de safra, necessidade constante de financiamento e compromissos assumidos antes da geração da receita, a deterioração financeira costuma deixar sinais muito antes de a operação se tornar inviável.

Para a advogada, o problema é que, especialmente nas estruturas familiares, reconhecer os sinais de que o negócio “não anda bem das pernas” pode significar admitir que uma atividade construída ao longo de gerações precisa ser revista.

“A crise não vem de uma vez. A escassez do crédito também não. No caso do agro, estima-se que, ao menos três anos antes do ponto sem volta, o produtor já começa a perceber os sinais de não recuperabilidade, até porque a atividade é cíclica e minimamente previsível. Por óbvio que os eventos não previsíveis agravam e antecipam a crise, mas, pelo que tenho acompanhado ao longo dos anos, a falta de planejamento e antecipação do diagnóstico é causa preponderante da dificuldade em reorganizar a atividade como um todo”, afirma Renata.

Advertisement

Aumento nos pedidos de recuperação judicial

O Brasil registrou 474 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação aos 389 casos do mesmo período do ano passado, conforme dados da Serasa Experian.

Entre os produtores rurais pessoa jurídica, o crescimento foi ainda maior: 73,5%, passando de 113 para 196 solicitações. Já no universo dos agricultores pessoa física, pequenos proprietários responderam por 44 pedidos e médios por outros 37 no período.

A advogada salienta que a incapacidade de diagnosticar a situação e demorar na busca pela resolução do problema traz situações ainda mais delicadas quando se tratam de pequenos e médios produtores. Isso porque a gestão financeira costuma conviver com relações familiares, patrimônio, tradição e identidade pessoal, o que pode dificultar decisões como venda de ativos, renegociação antecipada, revisão da estrutura de crédito ou procura por assessoria jurídica antes da perda de liquidez.

Para Renata, a expectativa de que uma safra futura seja suficiente para recompor as perdas pode consumir justamente o período em que ainda existiriam alternativas à judicialização.

“É muito difícil para o pequeno ou médio produtor ter um olhar técnico, financeiro e jurídico sobre a sua atividade, que na maioria das vezes está na sua história há gerações. A crença de que ‘vai dar certo’, ‘ano que vem será melhor’, ‘na próxima safra resolvemos’ é o maior entrave para um diagnóstico precoce e para se traçar estratégias jurídicas de sucesso”, comenta.

Advertisement

Assim, quem olha para a atividade com olhar técnico e longe de paixão acaba por ter mais condições de traçar planejamento e estratégias realmente efetivas.

Problema se estende por toda a cadeia

O efeito de uma atividade agropecuária em apuros tende a ser mais relevante em municípios cuja força econômica está intimamente ligada à produção rural.

Quando um produtor reduz compras, atrasa pagamentos ou interrompe investimentos, o impacto pode chegar a revendas de insumos, transportadores, armazenadores, oficinas, prestadores de serviços e fornecedores que dependem do mesmo ciclo de produção.

“A saída judicial não atinge somente produtores rurais, mas empresas de apoio direto ao agronegócio, como armazéns gerais e holdings familiares ligadas à atividade rural, impactando de fornecedores locais a prestadores de serviços. Não é possível olhar para o agro problemático sem observar os problemas que dele orbitam”, pontua Renata.

Nesse contexto, a advogada salienta que a recuperação judicial pode preservar uma operação economicamente viável ao permitir a reorganização de determinadas obrigações, mas sua capacidade de cumprir esse papel depende das condições existentes no momento do pedido.

Advertisement

Desta forma, se o produtor já perdeu capital de giro, deteriorou a relação com fornecedores e comprometeu sua capacidade de financiar uma nova safra, o processo judicial passa a enfrentar uma limitação prática: suspender ou reorganizar dívidas não gera, por si só, os recursos necessários para continuar produzindo.

“Quanto mais tardio o pedido e mais fragilizada a relação com fornecedores no momento do protocolo da recuperação judicial, menor a chance de ela efetivamente sustentar a continuidade da produção e maior o risco de o instrumento se tornar apenas uma sobrevida temporária, sem resolver de fato o problema estrutural que levou à crise”, afirma a advogada.

Por isso, conforme a especialista, a discussão sobre recuperação judicial no campo precisa começar antes do processo. A avaliação deve considerar a capacidade futura de geração de caixa, o capital necessário para manter a atividade, o nível de comprometimento das receitas e as alternativas disponíveis para reorganizar as obrigações.

“A recuperação judicial deve servir para preservar a atividade, mas precisa ser intentada antes que o produtor tenha esgotado o capital de giro necessário para continuar plantando ou operando. É preciso olhar com tecnicidade e dureza para o binômio necessidade e efetividade. E esse momento é o quanto antes: ontem, mês passado, ano passado”, conclui.

O post ‘Ano que vem será melhor’, crença do produtor pode dificultar sucesso da RJ, diz advogada apareceu primeiro em Canal Rural.

Advertisement
Continue Reading

Business

Colheita de café arábica atinge 99% na área da Expocacer

Published

on


A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 99% na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) até sexta-feira (11). Segundo a cooperativa, cerca de 90% da produção já foi beneficiada, com rendimento médio de 455 litros por saca de 60 quilos beneficiada. O encerramento dos trabalhos ocorre em ritmo mais lento nesta etapa final, com poucas áreas ainda em finalização.

A Expocacer informou que a maior parte das propriedades monitoradas já concluiu a colheita. Em 2025, as operações haviam sido encerradas neste mesmo período.

De acordo com os técnicos de campo da cooperativa, cerca de 30% do volume total da safra corresponde ao café de chão, dos quais aproximadamente 80% já foram recolhidos. O índice médio de catação está em torno de 21%, influenciado principalmente pela maior participação desse café.

Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

Advertisement

O avanço da colheita foi interrompido entre os dias 5 e 9 de setembro por causa das chuvas, que elevaram a umidade do solo e inviabilizaram o tráfego de máquinas e as operações mecanizadas.

Na avaliação da cooperativa, uma nova florada já foi observada no Cerrado Mineiro e corresponde, em média, a 33% do potencial total de floração. Nas lavouras de carga baixa ou safra zero, a intensidade e a uniformidade foram maiores. Já nas áreas com cargas produtivas elevadas, a florada teve menor intensidade.

Os técnicos apontam que a continuidade das precipitações poderá favorecer a abertura de outra florada, também com potencial médio de 33%, enquanto o restante deverá ocorrer entre outubro e novembro. Como essas primeiras floradas ocorreram de forma precoce, a recomendação é adiantar o planejamento dos manejos nutricionais, com atenção à distribuição de corretivos e ao início das adubações. Também foi indicada a intensificação do monitoramento da broca-do-café e o acompanhamento da desuniformidade de maturação na próxima safra.

Em Patrocínio (MG), o acumulado de chuva em setembro chegou a 43,1 milímetros até o dia 11, acima dos 35,9 mm registrados no mesmo período da safra 2025/26. A previsão para os próximos dias indica baixos volumes de precipitação e manutenção da irregularidade das chuvas, com oscilação de temperaturas.

Segundo a Expocacer, a reta final da colheita no Cerrado Mineiro coincide com o retorno das chuvas e com a antecipação da florada, cenário que amplia a necessidade de acompanhamento meteorológico e de planejamento das operações agrícolas nas lavouras de café.

Advertisement

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Colheita de café arábica atinge 99% na área da Expocacer apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Mato Grosso amplia acesso à Indonésia com carne bovina e miúdos entre novas habilitações

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A abertura de novos estabelecimentos brasileiros para a Indonésia amplia as possibilidades de negócios para duas frentes da pecuária: carne e miúdos bovinos. Entre os estados contemplados pelas novas habilitações está Mato Grosso, que já tem participação relevante nos embarques ao país asiático.

Em 2025, Mato Grosso enviou 5.880 toneladas de carne bovina para a Indonésia, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Neste ano, o estado já soma 3.176 toneladas destinadas ao mercado indonésio.

As novas habilitações foram anunciadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 10 de setembro, após auditoria presencial realizada pela autoridade sanitária da Indonésia entre 27 de junho e 5 de julho de 2026. O Ministério, contudo, não informa quantas das unidades aprovadas estão localizadas em cada estado.

No total, 21 novos estabelecimentos brasileiros foram autorizados a exportar carne e miúdos bovinos para a Indonésia. As unidades estão distribuídas por Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

Advertisement

Com as novas autorizações, o número de frigoríficos brasileiros habilitados a atender o mercado indonésio passou de 52 para 73. A ampliação ocorre em um momento de avanço dos embarques brasileiros para o país, que tem mais de 280 milhões de habitantes.

Indonésia ganha espaço para carne e miúdos brasileiros

Em 2025, o Brasil exportou 31.511 toneladas de carne bovina para a Indonésia. O mercado manteve ritmo de crescimento em 2026: somente nos primeiros seis meses do ano, foram embarcadas 17.461 toneladas.

Além da carne bovina, os miúdos passaram a ganhar espaço nas relações comerciais com o país asiático. A abertura desse mercado é recente, mas os embarques já alcançaram 21.191 toneladas no primeiro semestre de 2026, conforme o Mapa.

Com esse volume, a Indonésia já aparece como o segundo maior mercado para os miúdos bovinos brasileiros. A expansão das habilitações, portanto, ocorre em duas frentes de produtos da pecuária, ampliando o número de estabelecimentos que podem disputar esse mercado.

A aprovação das unidades brasileiras, de acordo com o Ministério, também reforça a relação entre as autoridades sanitárias dos dois países. A avaliação dos estabelecimentos ocorreu presencialmente e envolveu o sistema de defesa agropecuária brasileiro.

Advertisement

A habilitação de frigoríficos em dez estados é apontada pelo Ministério como estratégica para a geração de emprego e renda. Para Mato Grosso, que já possui fluxo de carne bovina para a Indonésia, a inclusão entre os estados contemplados amplia o potencial de participação no mercado asiático.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Mato Grosso amplia acesso à Indonésia com carne bovina e miúdos entre novas habilitações apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT