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VL Holding assume controle da única mina de potássio em operação no Brasil

A VL Holding concluiu, nesta segunda-feira (3), a compra do Complexo de Taquari-Vassouras, em Sergipe, único ativo de potássio em atividade no país. A aquisição marca o início de uma nova fase de investimentos voltada à ampliação da oferta nacional de fertilizantes e à redução da dependência externa por insumos agrícolas.
O complexo, localizado em Rosário do Catete, a cerca de 45 quilômetros de Aracaju, pertencia à Mosaic. Com a transação, a empresa brasileira passa a controlar uma estrutura estratégica para o abastecimento do agronegócio, reforçando sua presença na cadeia de produção de cloreto de potássio, composto essencial para o desenvolvimento das lavouras.
Expansão e estratégia nacional
A compra foi realizada por meio da subsidiária VL Mineração. Segundo o CEO da VL Holding, Daniel Moreira, a operação faz parte de um plano de crescimento voltado à eficiência produtiva, segurança logística e autonomia na oferta de fertilizantes. “Assumimos uma operação sólida e com potencial de expansão. Nosso foco é garantir regularidade no fornecimento e fortalecer o produtor rural brasileiro”, afirmou o executivo.
A empresa pretende investir na modernização da unidade para elevar a produtividade da mina. A localização próxima dos principais polos agrícolas do Nordeste é apontada como uma vantagem logística, reduzindo custos e riscos associados ao transporte marítimo — dependente de importações e variações climáticas.
Redução da dependência externa
A aquisição é considerada estratégica em um cenário em que mais de 90% do potássio consumido no Brasil é importado. A expectativa é que o controle nacional sobre a mina contribua para reduzir a vulnerabilidade do país a oscilações internacionais de preço e oferta.
Com 20 anos de atuação no agronegócio e experiência em setores como genética, alimentos e energia, a VL Holding vem ampliando sua presença em insumos agrícolas. O grupo pertence a uma família com mais de 70 anos de trajetória no campo e busca diversificar o portfólio, investindo em tecnologia e inovação para fortalecer a competitividade do setor produtivo brasileiro.
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Valor bruto da agropecuária deve cair 4,6% em 2026, estima CNA

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira deve atingir R$ 1,40 trilhão em 2026, queda de 4,6% em relação a 2025. A estimativa é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e considera os preços médios reais recebidos pelos produtores, corrigidos pelo IGP-DI.
O VBP corresponde ao faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, reunindo as produções agrícola e pecuária. Apesar da expectativa de aumento na produção em parte das atividades, a projeção de preços mais baixos neste ano deve reduzir a renda no campo.
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Agricultura: preços pressionam resultado
Para a agricultura, o faturamento estimado é de R$ 926,9 bilhões, retração de 4,5% frente a 2025. Segundo a CNA, com exceção do caroço de algodão, do feijão e da maçã, os demais produtos devem registrar queda nos preços médios.
A soja deve apresentar leve alta de 0,6% no VBP. A produção tende a crescer 3,79%, mas a redução de 3,0% nos preços limita o avanço da receita.
No milho, a combinação de queda de 5,3% nos preços e recuo de 1,92% na produção deve resultar em retração de 7,1% no VBP. A cana-de-açúcar também deve registrar redução de 6,5%, puxada pela queda de 7,0% nos preços, mesmo com leve alta de 0,57% na produção.
Entre as culturas com expectativa de crescimento, o destaque é o café arábica. Apesar do recuo de 3,9% nos preços, a produção deve avançar 23,29%, o que pode elevar o VBP em 18,4%.
Pecuária: recuo generalizado
Na pecuária, o faturamento estimado é de R$ 476,3 bilhões, queda de 4,7% na comparação anual.
A projeção indica retração do VBP em todos os produtos do segmento, reflexo da redução esperada nos preços. A exceção é a carne bovina, com estimativa de alta de 3,7% nos preços em 2026. Ainda assim, a queda de 5,73% na produção deve resultar em recuo de 2,3% no VBP da atividade.
Para os demais produtos, a CNA projeta crescimento da produção inferior a 3%, combinado a quedas de preços superiores a 4%. Nesse cenário, o VBP da carne de frango deve cair 1,6%, o do leite, 11,0%, o da carne suína, 1,8%, e o dos ovos, 22,8%, em ordem de relevância para o resultado da pecuária.
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Maior cafezal urbano do mundo ganha 1,5 mil mudas de cultivares mais resistentes

O maior cafezal urbano do mundo, localizado na Instituto Biológico, na capital paulista, ganhou 1.500 novas mudas de café nesta segunda-feira (2). O plantio amplia a área experimental e reforça o papel do espaço como vitrine de pesquisa em plena cidade de São Paulo.
Criado na década de 1950, o cafezal do Instituto Biológico funciona hoje como área de estudos voltados à agricultura regenerativa, controle biológico e biodiversidade. As pesquisas incluem o uso de bioinsumos e de inimigos naturais no combate a pragas, além da avaliação de novas cultivares mais adaptadas aos desafios da cafeicultura.
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Entre as variedades implantadas estão materiais desenvolvidos para enfrentar problemas cada vez mais frequentes no campo, como o déficit hídrico e o avanço de pragas e doenças. A renovação também marca uma nova etapa do projeto, que desde 2021 passou a incorporar diferentes informações sobre o comportamento das variedades cultivadas.
“A gente acha que é muito importante tratar o solo e voltar a fazer uma agricultura regenerativa, onde a gente consiga aumentar a diversidade de plantas e insetos, e dar condições para que todas as plantas consigam ter. Então, fazendo isso, nós vamos concluir uma etapa bacana de renovação do cafezal regenerativo tropical”, destaca a pesquisadora do Instituto Biológico Harumi Hojo.
A área, que abrigava um cafezal implantado na década de 1980, já estava em processo de manejo orgânico. A proposta é investir no cuidado com o solo, ampliar a diversidade de plantas e insetos e criar condições para o equilíbrio natural da lavoura, fortalecendo a presença de inimigos naturais e a saúde do ecossistema.
Em meio aos prédios da capital paulista, o espaço se mantém como referência em inovação e sustentabilidade na produção de café.
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Dólar baixo pode impactar preços da soja e do milho? Especialistas avaliam cenário

Volátil a fatores internos e externos, a cotação do dólar enfrenta pressões baixistas desde o começo de 2026. No fim de fevereiro, a moeda norte-americana chegou ao menor patamar em 21 meses — resultado da derrubada do tarifaço do governo de Donald Trump pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Enquanto o cenário econômico segue incerto, o agronegócio brasileiro dá passos firmes rumo a mais um ano positivo. Tanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) quanto consultorias privadas estimam uma safra recorde de grãos na temporada 2025/26, com destaque para a soja.
O câmbio mais baixo, contudo, acende o alerta no mercado nacional. O real valorizado impacta diretamente a formação de preços de soja e milho, panorama que exige atenção máxima do produtor rural. “O dólar em queda tira o poder de barganha”, explica Matheus Pereira, sócio-diretor da Pátria Agronegócios.
Nesse contexto, os preços da soja são os mais afetados, uma vez que a paridade de exportação é uma peça-chave para a precificação. No caso do milho, Pereira ressalta que, por ser consumido majoritariamente pelo mercado interno, o cereal sofre menos com a pressão baixista do dólar.
“Dois terços do que a gente produz de milho no Brasil são consumidos internamente. Então, o nosso mercado doméstico — a ração e o etanol — é que manda nos preços do milho”, afirma.
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Soja e milho enfrentam cenários distintos
Embora grande parte do mercado aponte para produções recordes de soja tanto no Brasil quanto em países da América do Sul, como Argentina e Paraguai, o clima pode ser um fator predominante para uma eventual mudança de cenário. Segundo Pereira, o excesso de chuva em áreas do Centro-Oeste tem limitado de forma agressiva o teto produtivo.
“Temos relatos de perdas de 15% em relação ao ano passado nos talhões já colhidos”, conta. Ele também destaca a preocupação com o Rio Grande do Sul, que ao contrário de Mato Grosso e Goiás, enfrenta justamente a falta de chuvas. O estado tem a segunda maior área semeada de soja no país, mas não deve colher uma safra à altura.
A perspectiva de safra cheia, apesar das preocupações climáticas, é o que está ditando os rumos do mercado de soja. O milho, por outro lado, conta com um cenário mais favorável. Isso porque com o atraso da colheita da oleaginosa, a janela do milho de segunda safra acaba se estreitando.
“O mercado observa que uma fração um pouco maior do milho talvez não seja plantada na janela ideal, o que aumenta a probabilidade de algum ajuste para baixo na produtividade”, avalia Felippe Serigati, economista e coordenador da FGV Agro. Diante disso, os preços do cereal sobem no mercado interno.
O cenário também é sustentado pela forte demanda de milho destinado à ração animal e pela expansão da produção de etanol.
Câmbio deve seguir no radar do produtor
Na avaliação dos especialistas, o cenário-base aponta para um dólar mais fraco ao longo de 2026, mas sem garantias de estabilidade.
Para Pereira, a mudança de viés já está desenhada. “O dólar hoje se resume muito à política no Brasil como fator principal de direcionamento”, afirma. Segundo ele, parte do mercado passou a precificar uma possível mudança na condução econômica a partir de 2027, o que tem sustentado o fluxo de investimentos e fortalecido o real.
Ele também destaca fatores externos. “O mundo como um todo está tirando crédito da moeda norte-americana”, diz, ao citar a pressão sobre o dólar no cenário internacional e a busca de bancos centrais por ativos como o ouro.
Serigati concorda que o fluxo estrangeiro e o diferencial de juros favorecem o Brasil neste momento, mas faz um alerta. “O cenário-base é de dólar mais fraco e real mais apreciado. Mas isso não está escrito em pedra”, pondera. De acordo com ele, riscos geopolíticos e o ambiente eleitoral doméstico podem alterar rapidamente a percepção de risco e reverter o movimento da taxa de câmbio.
É o caso do que ocorreu no último sábado, 28 de fevereiro, com o início de uma onda da ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os riscos do conflito no Oriente Médio mexeram com a cotação do dólar, que oscilou de R$ 5,14 no fechamento de 27 de fevereiro para R$ 5,20 em 2 de março.
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