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12 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Agroindústria abre nova frente de expansão em MT e impulsiona PIB acima da média nacional

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Apesar da desaceleração econômica a nível nacional, a economia mato-grossense parece refletir as altas temperaturas de Cuiabá e se mantém aquecida, inclusive acima da média. O que traz esse ganho nos indicadores econômicos é o resultado da agropecuária e, mais recentemente, a combinação da produção agrícola com a expansão da base industrial.

Isso pode ser medido por meio da projeção do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que saltou de 4,1%, em janeiro, para 6,6%, em setembro, de acordo com o boletim mensal do Banco do Brasil. Assim, Mato Grosso dispara na frente de todos os estados quando o assunto é crescimento econômico.

Com os resultados dos últimos meses, o estado vai na contramão do país. A atividade econômica nacional começa a dar sinais de desaceleração conforme esperado pelo Banco Central (BC), que mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, sendo a maior taxa em quase 20 anos.

O BC usa essa ferramenta para trazer a inflação para dentro da meta estipulada pelo governo e, com isso, provoca um esfriamento na atividade econômica, no acesso ao crédito e em investimentos. Portanto, a previsão do PIB do país neste ano foi revisada para baixo, de 2,1% para 2%, de acordo com o relatório de Política Monetária do BC.

🔍O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos num período de tempo. O cálculo leva em conta o produto final para evitar dupla contagem. Se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, por exemplo, seu PIB será de R$ 300, porque os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão. Diante disso, o PIB não reflete a riqueza de um país, mas aponta somente o fluxo de novos bens e serviços finais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O diferencial de Mato Grosso ao se manter na liderança nacional em termos de crescimento econômico, nos últimos anos, tem sido a combinação do agro com a indústria, o que gerou um novo ciclo produtivo.

“O agronegócio foi o motor do primeiro ciclo econômico. Agora, a agroindústria é a frente de expansão, agregando valor, industrializando matérias-primas e gerando empregos qualificados. O setor já emprega mais de 200 mil pessoas direta e indiretamente no estado, com forte absorção de jovens”, destaca a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

A indústria estadual como um todo deve crescer 6,7% em 2025, acima da média nacional, conforme a Sedec. Além do setor de grãos, frigoríficos de carne bovina, aves e suínos estão se expandindo, o que fortalece a industrialização da proteína animal.

Nos últimos dez anos, o PIB industrial do estado triplicou, puxado especialmente pelos segmentos de alimentos (carne bovina e derivados), bebidas e combustíveis renováveis (etanol de milho), de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT). Conforme últimos dados, o PIB industrial foi de R$ 37,7 bilhões, o que correspondeu a cerca de 16,3 % do PIB do estado.

“O que ainda falta é superar gargalos históricos: logística mais eficiente e estabilidade tributária. Com a expansão da infraestrutura de transporte e a modernização do ambiente regulatório, o estado pode acelerar ainda mais sua industrialização e reduzir a dependência da exportação de commodities in natura”, segundo a FIEMT.

A agroindústria transforma os produtos do campo. No estado, há abundância de matérias-primas estratégicas. É o caso das usinas de etanol de milho, que se expandiram e impulsionaram o crescimento da produção do grão e das indústrias de biodiesel, que utilizam a soja como base.

Municípios consolidados em agroindústria:

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  • Cuiabá: 364 estabelecimentos agroindustriais
  • Sinop: 263
  • Rondonópolis: 203
  • Várzea Grande: 195

 

A Sedec explicou ainda que Sorriso, Lucas do Rio Verde, Sapezal e Campo Novo do Parecis contam com tecnologia no campo, sobretudo em soja, milho e algodão.

Municípios que crescem com agroindústria:

  • Colniza: de 9 agroindústrias, em 2014, saltou para mais de 70, em 2023;
  • Nova Ubiratã e Nova Mutum: estão entre os 100 municípios mais ricos do agro no país, seguem expandindo capacidade produtiva e base industrial;
  • Campo Verde: é o maior polo têxtil do estado com 23 algodoeiras e 2 fiações em operação, com aproximadamente 2,5 mil toneladas ao mês de fios;
  • Água Boa: será ponto logístico-industrial estratégico do traçado da Fico, que virá de Mara Rosa (GO) até o município. Será o marco da 1ª etapa da ferrovia no estado e tende a captar terminais, indústrias de processamento e armazenagem.

 

🛣️Desafios logísticos

Com uma área equivalente ao território da França e da Alemanha, Mato Grosso possui o maior pacote de obras de infraestrutura do país, de acordo com dados da Sedec. Desde 2019, já foram entregues 6.037 km de asfalto novo e há outros 1.417km em andamento.

Contudo, apenas 14% de todo o território é usado pelo agronegócio, enquanto outros 60% são preservados em terras indígenas, unidades de conservação e áreas protegidas pelos produtores.

A questão logística, contudo, ainda é um desafio a ser superado no estado. Afinal, toda a produção de soja, milho e algodão precisa escoar para os portos até os navios, e as estradas ainda são os meios mais usados para essa tarefa.

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Apesar disso, a expectativa é de que o estado se torne um dos maiores hubs logísticos da América Latina, conforme a Sedec, caso os projetos de infraestrutura e ferroviários avancem nos próximos anos.

Especialistas precisam cruzar dados de diferentes instituições para monitorar uso da terra — Foto: Imea

Especialistas precisam cruzar dados de diferentes instituições para monitorar uso da terra — Foto: Imea

Ainda assim, a logística pouco acompanha o ritmo da produção agrícola, o que gera um desequilíbrio entre o que é produzido e o que é escoado. A superintendente de inteligência de mercado da Infra — estatal do Ministério dos Transportes — Lilian Campos ressaltou as razões desse desequilíbrio logístico.

“Temos condições de poder atuar e sanar os desafios logísticos que o estado tanto precisa. Nós temos um paradoxo, porque temos uma produção agrícola de classe mundial, e temos infraestrutura que precisa acompanhar essa produção”, afirmou.

Como diagnóstico, ela destacou alguns projetos estratégicos que estão encaminhados e, assim que concluídos, poderão conectar o estado além das rodovias. Lilian cita exemplos. “Temos a Fico, a Ferrogrão e as rotas bioceânicas, que estão em curso e vão transformar a matriz no estado.”

Para isso, Mato Grosso abre diferentes frentes, tanto por terra, água e ar, para escoar toda a produção agrícola.

A Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) já possui cerca de 39% de execução. A expectativa é que a obra possa ampliar o escoamento da safra na região, e deve ligar Água Boa a Lucas do Rio Verde, dois municípios do agro.

Já as obras da Ferrogrão estão em fase de reestruturação e a constitucionalidade da ferrovia é analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Quando concluída, o traçado deve ligar o Arco Norte e reduzir os custos logísticos, ligando Sinop ao Porto de Miritituba, no Pará, para onde escoa grande parte da produção agrícola.

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Governo estuda maneiras de viabilizar a Ferrogrão — Foto: g1 Arte

Governo estuda maneiras de viabilizar a Ferrogrão — Foto: g1 Arte

Outra ferrovia em andamento é a Senador Vicente Vuolo, a primeira estadual no país, que conta com 700 km ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e um ramal até Cuiabá. Com investimento privado estimado em R$ 14 bilhões, a obra deve gerar 180 mil empregos.

Nas estradas, a duplicação de cerca de 450 km da BR-163 e todas as obras previstas em contrato de concessão devem receber investimentos de R$ 9 bilhões, segundo a Sedec. “A previsão para conclusão das obras de duplicação é de oito anos, conforme o contrato e a meta interna é antecipar o cronograma para quatro anos.”

Já a MT-170 — antiga BR-174 — vai interligar Juruena a Castanheira, e conta com 155 km executados, com investimentos de R$ 675 milhões. Outra rota é a hidrovia do Rio Paraguai, que segue em processo de concessão. A expectativa é de reduzir as interrupções na navegação e, com isso, ampliar a competitividade.

Nos aeroportos, sob concessão da Centro Oeste Airports, foram realizadas obras de ampliação e modernização, com investimento de R$ 570 milhões em Várzea Grande, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta.

Diante desse quadro geral de obras em andamento, a economia mato-grossense é vista como um adolescente que cresceu rápido demais, conforme Lilian. “Agora as roupas precisam caber no corpo. A solução aqui não vai promover apenas a economia do estado, mas também a do Brasil”, salientou.

Para o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) Cleiton Gauer, a agroindústria deve contribuir para a economia do estado sair da fase de adolescente para a adulta.

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“Quando falo de desenvolvimento e fase de amadurecimento, a economia passa por processo de agroindustrialização. Então, as indústrias estão surgindo e ganhando tração no estado. A gente tem uma planta na área de esmagamento de soja para atender a demanda de biocombustíveis”, explicou.

Segundo Gauer, a logística no estado é o principal desafio a ser superado. “Nunca existiu logística em Mato Grosso. Se a gente esperasse tudo acontecer e chegar primeiro para desenvolver a produção, o estado não seria o que é hoje. Então, a produção veio primeiro, o que forçou o desenvolvimento logístico, a abertura de estradas, ferrovia e hidrovia. Nós passamos por desafios no passado e podemos nos planejar e desenvolver um futuro diferente.”

Imagem aérea das obras da BR 163 em MT — Foto: TVCA/Reprodução

Imagem aérea das obras da BR 163 em MT — Foto: TVCA/Reprodução

A situação das estradas também impacta outro fator de peso na balança de todo empresário e produtor: o custo do frete.

“Mato Grosso enfrenta desafios de infraestrutura logística, com estradas precárias e altos custos de escoamento da produção, além de dificuldades de armazenamento para pequenos produtores”, destacou Fernando Henrique Dias, professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Para se ter uma ideia desse custo, um caminhão que sai de Sorriso para Rondonópolis tem um frete cobrado em US$ 30,27 por tonelada. De Rondonópolis até o Porto de Santos, por ferrovia, o frete já sobe para US$ 46,59 por tonelada, e de Santos para a China, de navio, o custo vai para US$ 37,00. No total, foi gasto US$ 113,86 por tonelada, enquanto a mesma logística nos Estados Unidos custa, ao todo, US$ 84,90 por tonelada.

O principal destino das exportações do estado incluem a China, Rússia, Japão e Estados Unidos. Enquanto na balança comercial do país, a participação do agro mato-grossense corresponde a 36,4%, segundo dados do Imea. No cenário doméstico, Mato Grosso lidera com folga o ranking do Centro-Oeste em toneladas exportadas (veja infográfico abaixo.)

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O professor lembra ainda que, para a agroindústria se desenvolver plenamente no estado, é preciso mão de obra qualificada. “Mas é preciso preparar a população local para ocupar essas vagas”, afirmou.

Essa preparação passa, antes, pela distribuição de renda. “Apesar do crescimento econômico, existe um problema de distribuição de renda, com o poder econômico concentrado, o que maqueia os números e causa empobrecimento em algumas regiões. Então, a solução passa por uma transferência de políticas sociais para as regiões empobrecidas, com foco em moradia e qualificação profissional para diversificar a economia e reduzir a dependência do agronegócio.”

💰Investimentos

 

A Sedec aponta que Mato Grosso é o único estado do país que segue com a população crescendo até 2070. Atualmente, o estado tem 3,84 milhões de habitantes, sendo o 16º maior do país. Isso significa que o estado tem atraído migrantes e profissionais de outros estados, o que reflete na geração de empregos e na confiança do crescimento econômico.

Para seguir atrativo, contudo, o estado precisa de investimentos. Em 20 municípios, o governo estadual informou que já investiu R$ 106 milhões em obras para melhorar a infraestrutura de aeroportos e aeródromos.

“Todos esses investimentos têm como objetivo reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência e consolidar Mato Grosso como o principal corredor de exportação de alimentos e energia do país”, informou a Sedec.

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A secretaria estima ainda que, somando os recursos públicos e privados em infraestrutura, além dos aportes privados das agroindústrias e de biocombustíveis, os investimentos no estado ultrapassem R$ 60 bilhões na próxima década, consolidando Mato Grosso como a fronteira mais dinâmica do agronegócio brasileiro.

Para o Imea, o estado tem diferentes oportunidades a serem desenvolvidas e investidas até 2034:

  • 15,6 milhões de hectares de pastagens plantadas poderão ser convertidas para agricultura.
  • A produção de soja deve crescer 65% (de 39 milhões para 64 milhões de toneladas).
  • O milho deve expandir 70% (atingindo 80 milhões de toneladas).
  • O algodão deve avançar 52%, alcançando mais de 4 milhões de toneladas de pluma.

 

Desde 2019 foram investidos R$ 7,8 bilhões em pavimentação e duplicação de rodovias pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra).

Apenas a ferrovia estadual representa R$ 14 bilhões em capital privado e outros R$ 9 bilhões devem ser injetados na BR-163 em oito anos.

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Ônibus de viagem com destino a Natal (RN) tomba em curva de serra em MT

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Um ônibus de viagem que saiu de Sinop, a 503 km de Cuiabá, com destino a Natal (RN), tombou em uma curva na Serra da Petrovina, em Pedra Preta (MT), na manhã desta segunda-feira (12). O veículo transportava 16 passageiros, e duas pessoas ficaram feridas.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 5h20, na altura do km 137 da rodovia. Uma das vítimas sofreu uma fratura no pé, enquanto a outra teve uma fratura na clavícula. Não foram divulgadas informações sobre o atual estado de saúde dos feridos.

À PRF, o motorista relatou que o ônibus apresentou um problema na direção, o que teria impedido o veículo de completar a curva, provocando o tombamento.

O condutor foi submetido ao teste do bafômetro, que não apontou ingestão de bebida alcoólica. As circunstâncias do acidente deverão ser apuradas.

Até a última atualização desta reportagem, o ônibus permanecia tombado no local. Uma equipe da PRF aguardava a chegada de um guincho para realizar o destombamento e a retirada do veículo.

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Duas pessoas ficaram feridas no acidente — Foto: PRF

Duas pessoas ficaram feridas no acidente — Foto: PRFDuas pessoas ficaram feridas no acidente — Foto: PRF

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Jovem de Goiás morre em acidente que matou vereador e mulher no MT

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Natural de Anápolis, no região central de Goiás, a jovem Ana Vitória Santana Alves, de 19 anos, morreu em um grave acidente registrado em Mato Grosso. O caso também deixou outras duas vítimas fatais, entre elas um vereador do estado e uma mulher.

Em contato com a reportagem, a analista Luana Gabrielle Santana Alves, de 25 anos, confirmou a identidade da irmã. De acordo com a familiar, a jovem atuava como autônoma e não tinha filhos. Nas redes sociais, Luana Gabrielle prestou uma homenagem à irmã, a quem definiu como parceira e confidente.

Na publicação, a jovem relatou que as duas estavam cheias de planos para o futuro e que haviam passado o último fim de semana juntas, sem imaginar que aquele encontro seria uma despedida.

A irmã lamentou a perda repentina e destacou o sofrimento com a ausência de Ana Vitória. “Como eu queria que tudo isso fosse um pesadelo, que você voltasse e que a gente ainda tivesse tanto tempo pela frente. Eu não consigo acreditar, irmã. Não consigo aceitar que você se foi. Está doendo tanto saber que vou ter que aprender a viver sem você aqui”, escreveu.

Acidente

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a equipe foi acionada para atender ao capotamento de um carro branco, sob a informação de que havia uma pessoa presa às ferragens. Ao chegarem ao local, os militares encontraram os três ocupantes do veículo já mortos. Uma das mulheres apresentava fraturas múltiplas, e a outra sofreu ferimentos graves na cabeça.

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As equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e uma ambulância do hospital foram acionadas para atender à ocorrência. As circunstâncias do acidente ainda serão apuradas. Segunda Luana, Ana Vitória será velada neste domingo (11) na funerária Serpos, início às 23h. O sepultamento será na segunda-feira (12), às 15h, com saída às 13h30.

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Paraíso de águas cristalinas em MT foi descoberto por pai e filho durante caçada há 50 anos

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🏞️ Um paraíso de águas cristalinas escondido entre paredões de pedra na Serra do Roncador, em Barra do Garças (MT) foi descoberto durante uma caçada há mais de 50 anos, segundo o agente de endemias Osmair Guimarães Farias, de 65 anos. Ele contou que tinha 9 anos quando chegou ao local pela primeira vez, enquanto acompanhava o pai em uma caçada pela região.

Segundo Osmair, os cães que acompanhavam pai e filho encontraram uma anta e começaram a perseguir o animal pela mata. Os dois seguiram os cachorros e, durante o percurso, chegaram ao lugar hoje conhecido como Santuário das Araras, que reúne uma piscina natural de águas cristalinas, cânions, cachoeira e araras-vermelhas.

“Subimos acompanhando os cachorros e chegamos nesse lugar que me deixou muito encantado com aquela beleza toda ali do santuário. No dia seguinte, a gente retornou lá, eu e minhas irmãs, porque eu cheguei e contei para elas a maravilha que a gente tinha encontrado”, detalhou.

O que tem no Santuário das Araras:

  • ⛰️Cânion das Araras: corredor de paredões de rocha arenítica que chegam a 100 metros de altura;
  • 🦜Show das Araras-Vermelhas: dezenas de araras-vermelhas voando livremente entre os paredões;
  • 🏞️Poço azul: piscina natural de águas cristalinas e tons azulados;
  • 🚵Trilha ecológica: caminho em meio à vegetação preservada do Cerrado;
  • 🤿Flutuação e mergulho: águas transparentes que permitem ver peixes e o fundo do poço.

 

Osmair contou que, inicialmente, o lugar ficou conhecido como Boqueirão das Araras, nome inspirado tanto pela presença das aves na região quanto pelas características da paisagem.

“A gente não chamava de Santuário das Araras, a gente chamava de Boqueirão das Araras. Não só pela quantidade de arara que existia, mas pela beleza também do lugar, que é encantador. Até hoje, quando eu chego lá, sinto aquela emoção de estar chegando num lugar que parece que foi Deus que guiou a gente até lá para encontrar”, disse.

Foi somente décadas depois daquela primeira descoberta que Osmair passou a enxergar o potencial turístico do lugar. Segundo ele, isso aconteceu em 2012, quando retornou ao ponto que havia conhecido ainda criança durante uma travessia pela Serra do Roncador. Anos depois, em 2019, uma visita da TV Globo à Serra do Roncador levou à mudança para o nome pelo qual o local é conhecido atualmente.

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“O [jornalista] Chico José chegou lá, se encantou também com toda aquela maravilha e disse: ‘Aqui é um verdadeiro santuário’. E, a partir daquele momento, a gente deixou de chamar de Boqueirão das Araras e começou a chamar de Santuário das Araras’, explicou.

A procura por visitas aumentou, posteriormente. Segundo ele, o local passou a receber turistas que chegavam à região especificamente interessados em conhecer o Santuário das Araras após terem contato com imagens do lugar. Atualmente, o atrativo recebe visitantes de diferentes partes do país.

🗓️☀️ Melhor período para visitar

 

Águas azuis e cristalinas formam piscina natural entre as rochas do Santuário das Araras, na Serra do Roncador, em Barra do Garças (MT) — Foto: Lucas Machado de Souza

Águas azuis e cristalinas formam piscina natural entre as rochas do Santuário das Araras, na Serra do Roncador, em Barra do Garças (MT) — Foto: Lucas Machado de Souza

Segundo Lucas Machado, proprietário de uma agência de turismo em Barra do Garças, o período de seca, entre o fim de abril e meados de outubro, é o mais indicado para quem busca encontrar a água da piscina natural com a coloração mais azulada e evitar chuvas.

Já para quem deseja ver os raios de sol incidindo diretamente na formação rochosa, a melhor época é durante o período chuvoso, entre meados de outubro e março. Apesar das diferenças entre os períodos, os passeios são realizados durante todo o ano.

O Santuário das Araras fica a cerca de 48 km do centro de Barra do Garças, com acesso pela BR-070 e trecho de estrada de terra. A visita deve ser feita com guia ou agência, e a trilha tem 12 km no total, com cerca de duas horas de caminhada na ida.

🛣️📍 Barra do Garças entre os destinos de ecoturismo

 

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A região de Barra do Garças tem se destacado no cenário nacional do ecoturismo. Um estudo dos principais destinos naturais do Brasil em 2026, desenvolvido pela plataforma PlanetaEXO, apontou o município como o 3º melhor destino de ecoturismo do Brasil e o 1º de Mato Grosso, impulsionado por atrativos como o Santuário das Araras.

Lucas Ribeiro, diretor do PlanetaEXO, afirmou que o município se diferencia pela concentração de diferentes experiências em uma mesma região.

“Em uma mesma viagem, é possível fazer trilhas pelo Cerrado, conhecer cachoeiras e cânions, chegar a mirantes, nadar em águas naturais e também aproveitar águas termais. Existe uma diversidade grande sem que o viajante precise percorrer enormes distâncias entre diferentes regiões do país”, destacou.

Além do Santuário das Araras, a região também oferece diversos atrativos turísticos, como cachoeiras, cânions e piscinas naturais, com trilhas de nível médio a difícil. A região também reúne outros atrativos naturais, como o Cânion do Cipó e a Cachoeira Sol Nascente, que fazem parte dos roteiros de visitação do município.

*Sob supervisão de Kessillen Lopes.

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