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25 de junho de 2026

Agro Mato Grosso

Agroindústria abre nova frente de expansão em MT e impulsiona PIB acima da média nacional

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Apesar da desaceleração econômica a nível nacional, a economia mato-grossense parece refletir as altas temperaturas de Cuiabá e se mantém aquecida, inclusive acima da média. O que traz esse ganho nos indicadores econômicos é o resultado da agropecuária e, mais recentemente, a combinação da produção agrícola com a expansão da base industrial.

Isso pode ser medido por meio da projeção do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que saltou de 4,1%, em janeiro, para 6,6%, em setembro, de acordo com o boletim mensal do Banco do Brasil. Assim, Mato Grosso dispara na frente de todos os estados quando o assunto é crescimento econômico.

Com os resultados dos últimos meses, o estado vai na contramão do país. A atividade econômica nacional começa a dar sinais de desaceleração conforme esperado pelo Banco Central (BC), que mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, sendo a maior taxa em quase 20 anos.

O BC usa essa ferramenta para trazer a inflação para dentro da meta estipulada pelo governo e, com isso, provoca um esfriamento na atividade econômica, no acesso ao crédito e em investimentos. Portanto, a previsão do PIB do país neste ano foi revisada para baixo, de 2,1% para 2%, de acordo com o relatório de Política Monetária do BC.

🔍O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos num período de tempo. O cálculo leva em conta o produto final para evitar dupla contagem. Se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, por exemplo, seu PIB será de R$ 300, porque os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão. Diante disso, o PIB não reflete a riqueza de um país, mas aponta somente o fluxo de novos bens e serviços finais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O diferencial de Mato Grosso ao se manter na liderança nacional em termos de crescimento econômico, nos últimos anos, tem sido a combinação do agro com a indústria, o que gerou um novo ciclo produtivo.

“O agronegócio foi o motor do primeiro ciclo econômico. Agora, a agroindústria é a frente de expansão, agregando valor, industrializando matérias-primas e gerando empregos qualificados. O setor já emprega mais de 200 mil pessoas direta e indiretamente no estado, com forte absorção de jovens”, destaca a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

A indústria estadual como um todo deve crescer 6,7% em 2025, acima da média nacional, conforme a Sedec. Além do setor de grãos, frigoríficos de carne bovina, aves e suínos estão se expandindo, o que fortalece a industrialização da proteína animal.

Nos últimos dez anos, o PIB industrial do estado triplicou, puxado especialmente pelos segmentos de alimentos (carne bovina e derivados), bebidas e combustíveis renováveis (etanol de milho), de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT). Conforme últimos dados, o PIB industrial foi de R$ 37,7 bilhões, o que correspondeu a cerca de 16,3 % do PIB do estado.

“O que ainda falta é superar gargalos históricos: logística mais eficiente e estabilidade tributária. Com a expansão da infraestrutura de transporte e a modernização do ambiente regulatório, o estado pode acelerar ainda mais sua industrialização e reduzir a dependência da exportação de commodities in natura”, segundo a FIEMT.

A agroindústria transforma os produtos do campo. No estado, há abundância de matérias-primas estratégicas. É o caso das usinas de etanol de milho, que se expandiram e impulsionaram o crescimento da produção do grão e das indústrias de biodiesel, que utilizam a soja como base.

Municípios consolidados em agroindústria:

  • Cuiabá: 364 estabelecimentos agroindustriais
  • Sinop: 263
  • Rondonópolis: 203
  • Várzea Grande: 195

 

A Sedec explicou ainda que Sorriso, Lucas do Rio Verde, Sapezal e Campo Novo do Parecis contam com tecnologia no campo, sobretudo em soja, milho e algodão.

Municípios que crescem com agroindústria:

  • Colniza: de 9 agroindústrias, em 2014, saltou para mais de 70, em 2023;
  • Nova Ubiratã e Nova Mutum: estão entre os 100 municípios mais ricos do agro no país, seguem expandindo capacidade produtiva e base industrial;
  • Campo Verde: é o maior polo têxtil do estado com 23 algodoeiras e 2 fiações em operação, com aproximadamente 2,5 mil toneladas ao mês de fios;
  • Água Boa: será ponto logístico-industrial estratégico do traçado da Fico, que virá de Mara Rosa (GO) até o município. Será o marco da 1ª etapa da ferrovia no estado e tende a captar terminais, indústrias de processamento e armazenagem.

 

🛣️Desafios logísticos

Com uma área equivalente ao território da França e da Alemanha, Mato Grosso possui o maior pacote de obras de infraestrutura do país, de acordo com dados da Sedec. Desde 2019, já foram entregues 6.037 km de asfalto novo e há outros 1.417km em andamento.

Contudo, apenas 14% de todo o território é usado pelo agronegócio, enquanto outros 60% são preservados em terras indígenas, unidades de conservação e áreas protegidas pelos produtores.

A questão logística, contudo, ainda é um desafio a ser superado no estado. Afinal, toda a produção de soja, milho e algodão precisa escoar para os portos até os navios, e as estradas ainda são os meios mais usados para essa tarefa.

Apesar disso, a expectativa é de que o estado se torne um dos maiores hubs logísticos da América Latina, conforme a Sedec, caso os projetos de infraestrutura e ferroviários avancem nos próximos anos.

Especialistas precisam cruzar dados de diferentes instituições para monitorar uso da terra — Foto: Imea

Especialistas precisam cruzar dados de diferentes instituições para monitorar uso da terra — Foto: Imea

Ainda assim, a logística pouco acompanha o ritmo da produção agrícola, o que gera um desequilíbrio entre o que é produzido e o que é escoado. A superintendente de inteligência de mercado da Infra — estatal do Ministério dos Transportes — Lilian Campos ressaltou as razões desse desequilíbrio logístico.

“Temos condições de poder atuar e sanar os desafios logísticos que o estado tanto precisa. Nós temos um paradoxo, porque temos uma produção agrícola de classe mundial, e temos infraestrutura que precisa acompanhar essa produção”, afirmou.

Como diagnóstico, ela destacou alguns projetos estratégicos que estão encaminhados e, assim que concluídos, poderão conectar o estado além das rodovias. Lilian cita exemplos. “Temos a Fico, a Ferrogrão e as rotas bioceânicas, que estão em curso e vão transformar a matriz no estado.”

Para isso, Mato Grosso abre diferentes frentes, tanto por terra, água e ar, para escoar toda a produção agrícola.

A Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) já possui cerca de 39% de execução. A expectativa é que a obra possa ampliar o escoamento da safra na região, e deve ligar Água Boa a Lucas do Rio Verde, dois municípios do agro.

Já as obras da Ferrogrão estão em fase de reestruturação e a constitucionalidade da ferrovia é analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Quando concluída, o traçado deve ligar o Arco Norte e reduzir os custos logísticos, ligando Sinop ao Porto de Miritituba, no Pará, para onde escoa grande parte da produção agrícola.

Governo estuda maneiras de viabilizar a Ferrogrão — Foto: g1 Arte

Governo estuda maneiras de viabilizar a Ferrogrão — Foto: g1 Arte

Outra ferrovia em andamento é a Senador Vicente Vuolo, a primeira estadual no país, que conta com 700 km ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e um ramal até Cuiabá. Com investimento privado estimado em R$ 14 bilhões, a obra deve gerar 180 mil empregos.

Nas estradas, a duplicação de cerca de 450 km da BR-163 e todas as obras previstas em contrato de concessão devem receber investimentos de R$ 9 bilhões, segundo a Sedec. “A previsão para conclusão das obras de duplicação é de oito anos, conforme o contrato e a meta interna é antecipar o cronograma para quatro anos.”

Já a MT-170 — antiga BR-174 — vai interligar Juruena a Castanheira, e conta com 155 km executados, com investimentos de R$ 675 milhões. Outra rota é a hidrovia do Rio Paraguai, que segue em processo de concessão. A expectativa é de reduzir as interrupções na navegação e, com isso, ampliar a competitividade.

Nos aeroportos, sob concessão da Centro Oeste Airports, foram realizadas obras de ampliação e modernização, com investimento de R$ 570 milhões em Várzea Grande, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta.

Diante desse quadro geral de obras em andamento, a economia mato-grossense é vista como um adolescente que cresceu rápido demais, conforme Lilian. “Agora as roupas precisam caber no corpo. A solução aqui não vai promover apenas a economia do estado, mas também a do Brasil”, salientou.

Para o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) Cleiton Gauer, a agroindústria deve contribuir para a economia do estado sair da fase de adolescente para a adulta.

“Quando falo de desenvolvimento e fase de amadurecimento, a economia passa por processo de agroindustrialização. Então, as indústrias estão surgindo e ganhando tração no estado. A gente tem uma planta na área de esmagamento de soja para atender a demanda de biocombustíveis”, explicou.

Segundo Gauer, a logística no estado é o principal desafio a ser superado. “Nunca existiu logística em Mato Grosso. Se a gente esperasse tudo acontecer e chegar primeiro para desenvolver a produção, o estado não seria o que é hoje. Então, a produção veio primeiro, o que forçou o desenvolvimento logístico, a abertura de estradas, ferrovia e hidrovia. Nós passamos por desafios no passado e podemos nos planejar e desenvolver um futuro diferente.”

Imagem aérea das obras da BR 163 em MT — Foto: TVCA/Reprodução

Imagem aérea das obras da BR 163 em MT — Foto: TVCA/Reprodução

A situação das estradas também impacta outro fator de peso na balança de todo empresário e produtor: o custo do frete.

“Mato Grosso enfrenta desafios de infraestrutura logística, com estradas precárias e altos custos de escoamento da produção, além de dificuldades de armazenamento para pequenos produtores”, destacou Fernando Henrique Dias, professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Para se ter uma ideia desse custo, um caminhão que sai de Sorriso para Rondonópolis tem um frete cobrado em US$ 30,27 por tonelada. De Rondonópolis até o Porto de Santos, por ferrovia, o frete já sobe para US$ 46,59 por tonelada, e de Santos para a China, de navio, o custo vai para US$ 37,00. No total, foi gasto US$ 113,86 por tonelada, enquanto a mesma logística nos Estados Unidos custa, ao todo, US$ 84,90 por tonelada.

O principal destino das exportações do estado incluem a China, Rússia, Japão e Estados Unidos. Enquanto na balança comercial do país, a participação do agro mato-grossense corresponde a 36,4%, segundo dados do Imea. No cenário doméstico, Mato Grosso lidera com folga o ranking do Centro-Oeste em toneladas exportadas (veja infográfico abaixo.)

O professor lembra ainda que, para a agroindústria se desenvolver plenamente no estado, é preciso mão de obra qualificada. “Mas é preciso preparar a população local para ocupar essas vagas”, afirmou.

Essa preparação passa, antes, pela distribuição de renda. “Apesar do crescimento econômico, existe um problema de distribuição de renda, com o poder econômico concentrado, o que maqueia os números e causa empobrecimento em algumas regiões. Então, a solução passa por uma transferência de políticas sociais para as regiões empobrecidas, com foco em moradia e qualificação profissional para diversificar a economia e reduzir a dependência do agronegócio.”

💰Investimentos

 

A Sedec aponta que Mato Grosso é o único estado do país que segue com a população crescendo até 2070. Atualmente, o estado tem 3,84 milhões de habitantes, sendo o 16º maior do país. Isso significa que o estado tem atraído migrantes e profissionais de outros estados, o que reflete na geração de empregos e na confiança do crescimento econômico.

Para seguir atrativo, contudo, o estado precisa de investimentos. Em 20 municípios, o governo estadual informou que já investiu R$ 106 milhões em obras para melhorar a infraestrutura de aeroportos e aeródromos.

“Todos esses investimentos têm como objetivo reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência e consolidar Mato Grosso como o principal corredor de exportação de alimentos e energia do país”, informou a Sedec.

A secretaria estima ainda que, somando os recursos públicos e privados em infraestrutura, além dos aportes privados das agroindústrias e de biocombustíveis, os investimentos no estado ultrapassem R$ 60 bilhões na próxima década, consolidando Mato Grosso como a fronteira mais dinâmica do agronegócio brasileiro.

Para o Imea, o estado tem diferentes oportunidades a serem desenvolvidas e investidas até 2034:

  • 15,6 milhões de hectares de pastagens plantadas poderão ser convertidas para agricultura.
  • A produção de soja deve crescer 65% (de 39 milhões para 64 milhões de toneladas).
  • O milho deve expandir 70% (atingindo 80 milhões de toneladas).
  • O algodão deve avançar 52%, alcançando mais de 4 milhões de toneladas de pluma.

 

Desde 2019 foram investidos R$ 7,8 bilhões em pavimentação e duplicação de rodovias pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra).

Apenas a ferrovia estadual representa R$ 14 bilhões em capital privado e outros R$ 9 bilhões devem ser injetados na BR-163 em oito anos.

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TCE vê riscos aos serviços à população e veta transferência de hospital para consórcio de saúde

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou a suspensão imediata da transferência da gestão do Hospital Regional de Sinop “Jorge de Abreu” para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires. A tutela provisória de urgência foi concedida em decisão singular do conselheiro Guilherme Antonio Maluf e aponta fragilidades nos estudos técnicos, ausência de comprovação da capacidade operacional da entidade e riscos à continuidade dos serviços prestados à população.

A medida cautelar foi solicitada em denúncia que questiona a legalidade do procedimento adotado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para transferir a administração da unidade hospitalar, considerada referência para cerca de 35 municípios e aproximadamente 860 mil habitantes da região Norte do estado.

Ao analisar os autos, o relator identificou indícios de irregularidades relacionados à insuficiência dos estudos técnicos que embasaram a mudança do modelo de gestão, à ausência de demonstração objetiva da vantajosidade da medida e à falta de comprovação da capacidade técnica e operacional do consórcio para administrar uma unidade hospitalar de alta complexidade.

Segundo Guilherme Antonio Maluf, a transferência da gestão de um hospital regional exige planejamento detalhado, motivação técnica consistente e demonstração inequívoca de que a medida atende ao interesse público.

“A transferência da gestão de hospital regional de alta complexidade, sem a prévia demonstração integral da regularidade do procedimento administrativo, da efetiva publicidade dos atos preparatórios, da motivação técnica subjacente e da capacidade operacional da entidade destinatária, projeta risco concreto de comprometimento da continuidade assistencial, da segurança jurídica e da própria higidez do interesse público tutelado”, sustentou o conselheiro.

O relator observou ainda que o Estudo Técnico Preliminar apresentado pela administração estadual possui caráter predominantemente descritivo, sem apresentar análise comparativa consistente entre alternativas de gestão, demonstração robusta de viabilidade econômico-financeira ou comprovação dos ganhos de eficiência esperados com a mudança.

A decisão também leva em consideração estudo elaborado pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) do TCE-MT, presidida por Maluf, que apontou fragilidades no processo de transferência da gestão hospitalar.

Entre os pontos destacados estão a ausência de estudos prévios robustos, a falta de demonstração da experiência do consórcio na administração integral de hospitais de porte semelhante e a inexistência de comprovação objetiva da qualificação técnica necessária para assumir a unidade.

Conselheiro-relator, Guilherme Maluf [Foto – Tony Ribeiro]

Para o conselheiro, os elementos constantes nos autos demonstram a presença dos requisitos legais para a concessão da tutela provisória de urgência. Além dos indícios de irregularidades, a continuidade da execução contratual poderia gerar riscos tanto ao erário quanto à prestação dos serviços de saúde.

O relator destacou que o contrato firmado prevê movimentação financeira estimada em aproximadamente R$ 321 milhões e que a ausência de comprovação da vantajosidade econômica e operacional da medida pode resultar em prejuízos de difícil reparação. Também ressaltou que eventuais falhas no processo de transição poderiam comprometer a continuidade da assistência prestada à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro ponto considerado foi o fato de a SES-MT não ter encaminhado ao Tribunal informações complementares solicitadas sobre a comissão de transição e o cronograma de execução das ações previstas para a mudança de gestão do hospital.

Diante disso, o conselheiro determinou à Secretaria de Estado de Saúde e ao Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires a suspensão imediata da execução do Contrato de Gestão Especial nº 001/2026/SES-MT, bem como de todos os atos dele decorrentes, incluindo repasses financeiros.

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Governo de MT lança concurso para eleger os melhores cafés produzidos no Estado

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O governo de Mato Grosso lançou o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso – “Valorizando Origens, Impulsionando Negócios”, iniciativa que busca reconhecer os melhores cafés produzidos no estado e fortalecer a cafeicultura como fonte de renda para as famílias rurais. O evento aconteceu em Colniza, reconhecida no estado como ‘Capital do Café’, neste final de semana.

O lançamento reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades da região noroeste do estado. Durante o evento, uma série de palestras orientou os participantes sobre todas as etapas da competição, desde os critérios de avaliação até os cuidados necessários na colheita e pós-colheita para garantir um café de alta qualidade.

Os produtores receberam orientações sobre o checklist diagnóstico que será avaliado pelo laboratório, a forma correta de embalar e enviar as amostras, a importância da ciência na produção cafeeira, além dos principais atributos analisados pelos especialistas, como aroma, sabor, acidez, corpo, finalização, uniformidade e ausência de defeitos.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o concurso foi criado para dar visibilidade ao trabalho dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado. Entre os anos de 2019 e 2025, o governo por meio da secretaria de Agricultura Familiar, investiu mais de R$ 4,4 milhões na cefeicutura do estado com insumos, mudas, máquinas e equipamentos.

“Os produtores já provaram que fazem acontecer. Chegaram nesta região, desbravaram essas terras com coragem e determinação e acreditaram que era possível produzir café de qualidade. Os resultados estão aí para todos verem. Nossa missão, enquanto Estado, é ajudar vocês a impulsionar esse mercado. Em parceria com o governador Otaviano Pivetta e com o Sebrae, criamos essa iniciativa para identificar e apoiar os produtores na missão de mostrar o melhor café de Mato Grosso e transformar sua produção em excelência”, afirmou.

Andreia também ressaltou os impactos sociais da valorização da cafeicultura. “Quanto mais valor vocês agregarem ao café produzido, mais renda terão e mais qualidade de vida poderão proporcionar às suas famílias. Vamos contribuir para reduzir o êxodo rural dos jovens, fortalecer a participação das mulheres e incentivar o desenvolvimento das comunidades. Este é apenas o primeiro de muitos concursos. Assumimos o compromisso de realizar o Concurso de Qualidade do Café todos os anos”, completou.

As inscrições seguem abertas até o dia 31 de julho. O resultado será divulgado durante evento na cidade de Juína, no dia 31 de outubro.

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TCE anuncia auditoria em obras inacabadas após repases de R$ 500 milhões em emendas em MT

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O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou auditoria sobre a aplicação de recursos públicos em uma série de obras inacabadas em Barra do Bugres.

A medida atende à demanda apresentada por vereadores do município que, em reunião nesta sexta-feira (19), apontaram que obras como a do hospital municipal e a da estação de tratamento de esgoto ainda não atendem à população, apesar de repasses de cerca de R$ 500 milhões nos últimos anos.

Diante dos relatos, Sérgio Ricardo adiantou que realizará vistoria no município nos próximos dias. “O Tribunal de Contas está aqui para fiscalizar a destinação do recurso público. O dinheiro público tem que ter destinação, prestação de contas e transparência. Vamos buscar saber para onde foram os 500 milhões de emendas. Por que já foram investidos R$ 50 milhões no hospital e ele ainda não está funcionando?. Por que foram investidos quase R$ 5 milhões na estação de tratamento e o esgoto continua sendo jogado in natura no Rio Paraguai?”, questionou o presidente.

Com relação ao Hospital Municipal Roosevelth Figueiredo Lira, o vereador Silvestre Fernandes da Silva explicou que a unidade está fechada desde o auge da pandemia e permanece sem funcionamento. Com isso, o município conta apenas com um pronto-atendimento e uma maternidade, e os casos mais graves precisam ser encaminhados a Cuiabá.

As denúncias apontam ainda uma emenda de R$ 30 milhões destinada exclusivamente à compra de equipamentos para o hospital. De acordo com o vereador, os equipamentos estariam armazenados em galpões, mal acondicionados e perdendo a garantia. “Pagaram mais de R$ 25 mil em cada uma dessas camas hospitalares, que a gente acha no mercado por um valor infinitamente menor. Foram compradas há dois anos e estão lá, jogadas num galpão, enferrujando, sem nunca terem chegado à população”, afirmou.

Para Silvestre, a atuação do Tribunal pode levar a resultados concretos. “Com o trabalho do presidente Sérgio Ricardo, apareceu uma luz no fundo do túnel, e a gente veio aqui buscar ajuda. Nós não inauguramos obras no nosso município há anos. A gente agradece o Governo do Estado, que encaminha o valor, mas o nosso Executivo não consegue entregar essas obras que trariam qualidade de vida ao nosso povo.”

O vereador Anderson Lima detalhou os motivos que o levaram a pedir a instalação de uma comissão para investigar a situação do hospital, mas alegou que foi rejeitado em votação na Câmara. “Chegamos e nos deparamos com o hospital praticamente pronto, todo forrado, e eles arrancando tudo. O que já tinha sido feito foi desmanchado, gastando dinheiro outra vez.”

Obras inacabadas e recursos sem retorno

A cobrança dos vereadores inclui o terminal rodoviário do município, no qual já teriam sido gastos quase R$ 1,9 milhão sem que a obra fosse concluída ou entregue. Os vereadores também citaram a implantação de energia fotovoltaica, com placas adquiridas em 2023. Segundo o relato, apenas parte do sistema foi instalada e a unidade não chegou a operar.

Outro ponto levantado foi a estação elevatória de esgoto, orçada em cerca de R$ 4,5 milhões e apontada como não concluída, resultando no despejo de esgoto sem tratamento no Rio Paraguai. Os vereadores mencionaram ainda a reestruturação do telhado da Câmara Municipal e contratos de assessoria jurídica entre os itens que devem ser examinados.

Os parlamentares também apresentaram ao Tribunal indícios de nepotismo na administração municipal. “Tem seis ou sete pessoas da mesma família trabalhando na Câmara e na prefeitura. Já levamos o caso para o Ministério Público também.”

Na ocasião, o suplente de deputado estadual Hugo Garcia destacou a atuação do Tribunal. “Parabenizo o presidente Sérgio Ricardo pelo grande trabalho, mostrando que o Tribunal de Contas existe para fiscalizar para onde está indo o dinheiro público. E parabenizo os corajosos vereadores por Barra do Bugres, que vieram fazer denúncias gravíssimas, que têm de ser investigadas. Algo de muito grave está acontecendo lá, e isso com certeza vai ser revelado nos próximos dias.”

Neste contexto, o presidente reforçou que o TCE está de portas abertas para vereadores, moradores e gestores de todo o estado. “O papel do Tribunal de Contas é cuidar do dinheiro público, ver o que está sendo feito com ele. Controle externo é ir lá e verificar e eu faço o controle externo, vou para a rua, vou para as localidades, porque o meu papel está escrito no artigo n° 70 e no artigo n° 71 da Constituição, que é a lei das leis. Tem que estar com o pé na estrada e o Tribunal vai continuar fazendo isso”, concluiu.

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