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5 de maio de 2026

Sustentabilidade

Uso de sementes certificadas contribui para o melhor estabelecimento da lavoura e produtividade da soja – MAIS SOJA

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O número de plantas por área é um dos principais componentes de produtividade da soja (Tagliapietra et al., 2022). Embora o ambiente também interfira no estabelecimento da cultura no campo, cerca de 50% dessa interferência é dada pela qualidade das sementes (figura 1). Ainda que a soja apresente uma conhecida habilidade compensatória (plasticidade), estudos demonstram que, dependendo das características da cultivar, a redução da densidade populacional pode implicar em perdas substanciais de produtividade.

Figura 1. Representação gráfica da influência do ambiente e da qualidade das sementes no estabelecimento da lavoura.

A correlação entre a densidade populacional de plantas e o rendimento da soja é um tema frequente das pesquisas científica. Ainda que o comportamento dessa correlação possa variar em função das características fisiológicas da cultivar, alguns resultados demonstram um efeito positivo do aumento população com a produtividade da soja, conforme o observado por Silva et al. (2021).

Analisando a influência do espaçamento entre linhas e da  população de plantas sobre a produtividade da cultivar BMX Potência RR®, Silva e colaboradores (2021), observaram uma correlação positiva entre o aumento da densidade populacional de plantas e a produtividade da soja, fato corroborado por Dörr et al. (2023) ao avaliar o desempenho da cultivar TMG 7161  RR® sob diferentes densidades populacionais (figura 2).

Figura 2. Produtividade de grãos de soja por área sob diferentes densidades de plantas de soja do genótipo TMG 7161 RR.
Fonte: Dörr et al. (2023)

Tendo em vista o impacto da população de plantas sobre a produtividade da soja, adotar estratégias de manejo que permitam o bom estabelecimento inicial da lavoura, com populações consideradas adequadas, é essencial para assegurar a manutenção do potencial produtivo da cultura. Uma das principais a mais eficientes estratégias para isso , é uso de sementes com boa qualidade para a semeadura, garantindo um bom estabelecimento da lavoura.

Quais as características de sementes de qualidade?

Sementes de qualidade devem apresentar bons atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários, seguindo os requisitos mínimos estabelecidos para cada cultura, para serem classificadas como sementes.

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Atributos genéticos

Os atributos genéticos da sementes referem-se a sua pureza varietal e representatividade do material genético. Sementes com boa qualidade genética devem ser produzidas de forma a representar o material genético escolhido, além de não sofrer influência de outros materiais, sem conter misturas varietais.

Atributos físicos

Com relação aos atributos físicos das sementes, sementes de boa qualidade devem ser livres de materiais inertes, impurezas e danos mecânicos. A ocorrência de danos mecânicos pode comprometer a qualidade da semente, uma vez que microfissuras, podem se tornar porta de entrada para microrganismos fitopatogênicos, além de comprometer a estrutura da semente. Danos externos e internos das sementes devem ser avaliados a fim de atestar sua qualidade física.

Atributos fisiológicos

Os atributos fisiológicos da semente estão relacionados a capacidade da sementes em germinar e dar origem a uma plântula saudável. Dentre os principais atributos fisiológicos destacam-se germinação e vigor. Ainda que não haja conceito pré-estabelecido de vigor, sabe-se que essa variável está relacionado a velocidade e uniformidade de germinação das sementes em condições não necessariamente consideradas ideais para a germinação. Esses atributos refletem diretamente na capacidade de desenvolvimento da planta a campo, na uniformidade de estande e a velocidade de germinação.

Atributos sanitários

Sementes com bons atributos sanitários devem apresentar considerável nível de pureza, não contendo sementes de espécies daninhas, ser livre de doenças, patógenos e fungos que possam vir a prejudicar o estabelecimento das plantas.

Sementes que apresentam bons atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários dão origem a plantas sadias e de elevado potencial produtivo, possibilitando o bom estabelecimento do estande de plantas. Como supracitado, a obtenção de populações adequadas é determinante para o obtenção de altas produtividade de soja.

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Para tanto, é fundamental o uso de sementes certificadas, as quais seguem um rigoroso processo de produção e beneficiamento visando garantir que as sementes produzidas atendam os requisitos necessários para comercialização. Com o intuito de garantir que os níveis mínimos exigidos de atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários sejam obtidos na produção de sementes, diversas estratégias de manejo necessitam ser empregadas de forma eficiente, garantindo a menor interferência de fatores bióticos e abióticos que possam deprecias as sementes.

Vale destacar que além de possibilitar um melhor estabelecimento da lavoura e obtenção de maiores produtividades, o uso de sementes certificadas reduz a incidência de plantas daninhas e doenças dispersas por sementes contaminadas. Sementes salvas, e/ou de baixa pureza, não só de culturas produtoras de grãos como também de plantas de cobertura, podem ser fonte de patógenos e/ou sementes de plantas daninhas, contribuindo para o aumento da incidência de doenças iniciais em soja e para o aumento das populações infestantes.

Figura 3. Sementes de nabo-forrageiro contaminadas. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) misturados com sementes de nabo-forrageiro.
Foto: Dirceu Gassen, apud. Reis et al. (2011)

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Referências:

DÖRR, C. S. et al. DENSIDADE DE PLANTAS E DESEMPENHO PRODUTIVO DA SOJA. Revista Gestão e Secretariado, 2023. Disponível em: < https://ojs.revistagesec.org.br/secretariado/article/view/3083/1824 >, acesso em: 29/09/2025.

SILVA, A. G. et al. INFLUÊNCIA DO ESPAÇAMENTO ENTRELINHAS E DA POPULAÇÃO DE PLANTAS A UMA CULTIVAR DE SOJA DE HÁBITO DE CRESCIMENTO INDETERMINADO. Nucleus, 2021. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1148889/1/procopio-Influencia-espacamento-2021.pdf >, acesso em: 29/09/2025.

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TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

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Bradyrhizobium e Trichoderma são compatíveis para coinoculação? – MAIS SOJA

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Em função dos inúmeros benefícios associados ao uso de bioinsumos na cultura da soja, a adoção de produtos biológicos, especialmente aqueles à base de microrganismos, tem crescido de forma expressiva na produção agrícola. Entre os principais grupos utilizados, destacam-se as bactérias do gênero Bradyrhizobium, amplamente reconhecidas por sua elevada eficiência na fixação do nitrogênio (N) atmosférico, sendo capazes de suprir integralmente a demanda de N da soja por meio da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Paralelamente, fungos do gênero Trichoderma têm sido amplamente empregados devido ao seu papel como promotores de crescimento vegetal, indutores de resistência sistêmica e agentes de biocontrole de patógenos.

Com o objetivo de otimizar as práticas operacionais, especialmente no que se refere à aplicação desses bioinsumos, é comum que ambos os microrganismos sejam utilizados de forma conjunta, seja no tratamento de sementes (coinoculação), seja na aplicação no sulco de semeadura (figura 1).  No entanto, essa prática levanta questionamentos quanto à interação entre esses organismos, incluindo possíveis efeitos de sinergismo ou antagonismo, bem como seus reflexos sobre a eficácia agronômica.

Figura 1 Sistema de inoculação no sulco de semeadura.

Fonte: Embrapa
Integração entre Bradyrhizobium e Trichoderma

A interação entre fungos do gênero Trichoderma e bactérias do gênero Bradyrhizobium no tratamento de sementes de soja tem sido tema de questionamento. Pesquisas demonstram que, no geral, há predominância de compatibilidade biológica e potencial de atuação complementar. Estudos indicam que a coinoculação desses microrganismos, na maioria das combinações avaliadas, não compromete a nodulação nem o desenvolvimento inicial da cultura, podendo inclusive resultar em na melhoria de atributos fisiológicos da planta, como melhor crescimento e desenvolvimento radicular, além de contribuir para um melhor estabelecimento inicial da soja (Cadore, et al., 2020).

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Avaliando 24 linhagens de Trichoderma em coinoculação com Bradyrhizobium, Sales (2023) observou que a maioria dos isolados não compromete a nodulação nem o desenvolvimento da soja, evidenciando ausência de antagonismo significativo. Em alguns casos, inclusive, foram observadas respostas positivas no crescimento vegetal, possivelmente associadas à promoção do sistema radicular.

Embora efeitos negativos pontuais possam ocorrer, estes estão relacionados a características específicas de determinadas linhagens, não representando o comportamento predominante. Assim, os resultados obtidos por Sales (2023) indicam que o uso conjunto de Trichoderma e Bradyrhizobium é tecnicamente viável, desde que consideradas as combinações de estirpes.

Em termos práticos, as evidências disponíveis indicam que a interação entre Trichoderma spp. e bactérias do gênero Bradyrhizobium é, de modo geral, favorável ou neutra. Esse padrão reforça a predominância de compatibilidade biológica entre esses microrganismos. No entanto, ainda são necessários estudos mais direcionados que permitam quantificar, de forma consistente, a magnitude dessas interações, especialmente considerando as principais linhagens de Trichoderma utilizadas no tratamento de sementes de soja.

Ainda assim, estudos como o de Silva et al. (2018) demonstram que a coinoculação de bactérias do gênero Bradyrhizobium com fungos do gênero Trichoderma pode promover incrementos na produtividade da soja, no índice de nodulação e na redução da incidência de doenças, evidenciando o potencial dessa interação em atuar de forma positiva no desenvolvimento da cultura. Dessa forma, o uso conjunto de Trichoderma e Bradyrhizobium no tratamento de sementes de soja mostra-se tecnicamente viável e agronomicamente justificável, desde que fundamentado na seleção criteriosa de estirpes compatíveis.


Veja mais: Trichoderma – Compatibilidade com químicos no tratamento de sementes é determinante para o uso desse bioinsumo


Referências:

CADORE, L. S. et al. TRICHODERMA AND Bradyrhizobium japonicum BIOFORMULATES ON SOY INITIAL GROWTH. Ciência e Natura, 2020. Disponível em: < https://periodicos.ufsm.br/cienciaenatura/article/view/e23%27/pdf >, acesso em: 05/05/2026.

SALES, R. F. TESTE DE COMPATIBILIDADE DO BRADYRHIZOBIUM JAPONICUM COM 24 LINHAGENS DE TRICHODERMA SPP NA SOJA (Glycine max). Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Trabalho de Conclusão de Curso, 2023. Disponível em: < https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/6874/1/TESTE%20DE%20COMPATIBILIDADE%20DO%20BRADYRHIZOBIUM%20COM%2024%20LINHAGENS%20DE%20TRICHODERMA%20NA%20SOJA%20%28Glycine%20max%29.pdf >, acesso em: 05/05/2026.

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SILVA, I. W. et al. Growth Promoting Microorganisms for Treatment of Soybean Seeds. Journal of Agricultural Science, 2028. Disponível em: < https://www.ccsenet.org/journal/index.php/jas/article/view/74033?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 05/05/2026.

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Sustentabilidade

Com safra recorde de soja, preços ficam sob pressão

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Foto: Agência Brasil

A safra brasileira de soja 2025/2026 pode alcançar 181 milhões de toneladas, segundo nova estimativa da consultoria Hedgepoint Global Markets. O volume recorde amplia a oferta no mercado e já provoca pressão sobre os preços no país.

A projeção foi revisada para cima em 1,5 milhão de toneladas em relação ao levantamento anterior. O avanço é resultado da alta produtividade em estados do Centro e do Norte, que compensou as perdas registradas no Rio Grande do Sul.

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Centro-Norte sustenta safra recorde

De acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado da consultoria, Luiz Fernando Gutierrez Roque, o novo número já considera os impactos climáticos no Sul do país. “Esse novo número brasileiro já contempla as perdas no Rio Grande do Sul”, afirma.

Ele destaca que o estado não conseguiu atingir o potencial produtivo, mas ainda deve ter desempenho melhor que o da safra passada. “Mais uma vez, o Rio Grande do Sul não conseguiu colher uma safra cheia por conta de problemas climáticos”, diz.

Por outro lado, o analista ressalta o desempenho de outras regiões. “As produtividades de estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia surpreenderam e compensaram as perdas no Rio Grande do Sul”, explica.

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Com a colheita na reta final, a expectativa é de consolidação da produção. “A gente está vendo a consolidação realmente de uma supersafra, de 181 milhões de toneladas”, afirma.

No Rio Grande do Sul, a produção deve ficar em torno de 19,5 milhões de toneladas, abaixo do potencial próximo de 23 milhões.

Preços seguem pressionados

Com a oferta elevada e a colheita praticamente concluída, o mercado interno já sente os efeitos. Em algumas regiões, a soja é negociada abaixo de R$ 100 por saca.

Segundo Roque, o volume recorde pesa diretamente sobre as cotações. “Essa produção grande tem pressionado os preços no Brasil, em todas as regiões”, afirma.

Ele acrescenta que o cenário deve persistir no curto prazo. “A gente ainda entende que os preços devem continuar pressionados por um tempo”, diz.

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A valorização do real frente ao dólar também influencia a formação dos preços. “O dólar mais fraco não está ajudando na formação do preço”, completa.

Diante disso, os negócios seguem pontuais, com produtores mais cautelosos. “O produtor está segurando o seu produto porque não está satisfeito com os preços”, afirma.

Clima entra no radar para próxima safra

Para a temporada 2026/2027, o clima volta a ser um fator de atenção. Há possibilidade de influência do El Niño, com impacto potencial sobre as lavouras do Centro-Norte do Brasil.

“É um ponto de atenção muito importante, mas ainda é cedo”, avalia Roque.

Antes disso, o mercado acompanha o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos, que está em fase de plantio e pode registrar aumento de área. As condições climáticas iniciais são favoráveis, mas ainda dependem de confirmação nas próximas semanas.

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Sustentabilidade

TRIGO/CEPEA: Preços se recuperam em abril, com oferta limitada e baixa liquidez – MAIS SOJA

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Impulsionadas pela oferta restrita e baixa liquidez, características típicas do período de entressafra, as cotações do trigo em grão consolidaram sua trajetória de recuperação em abril. Segundo o Cepea, vendedores estiveram retraídos, limitando a oferta no mercado spot, à espera de melhores condições de comercialização. Esse comportamento, somado à menor disponibilidade interna, mantém o ritmo de negócios reduzido.

Do lado da demanda, compradores com necessidade imediata acabam cedendo às cotações mais elevadas. No segmento de farelo de trigo, os preços seguiram em queda, pressionados pela combinação de demanda enfraquecida, elevada disponibilidade e maior competitividade com produtos substitutos. Quanto às farinhas, o comportamento foi mais estável, refletindo uma demanda relativamente equilibrada, de acordo com dados do Centro de Pesquisas.

Fonte: Cepea



FONTE
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Autor:Cepea

Site: Cepea

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