Sustentabilidade
Uso de sementes certificadas contribui para o melhor estabelecimento da lavoura e produtividade da soja – MAIS SOJA

O número de plantas por área é um dos principais componentes de produtividade da soja (Tagliapietra et al., 2022). Embora o ambiente também interfira no estabelecimento da cultura no campo, cerca de 50% dessa interferência é dada pela qualidade das sementes (figura 1). Ainda que a soja apresente uma conhecida habilidade compensatória (plasticidade), estudos demonstram que, dependendo das características da cultivar, a redução da densidade populacional pode implicar em perdas substanciais de produtividade.
Figura 1. Representação gráfica da influência do ambiente e da qualidade das sementes no estabelecimento da lavoura.
A correlação entre a densidade populacional de plantas e o rendimento da soja é um tema frequente das pesquisas científica. Ainda que o comportamento dessa correlação possa variar em função das características fisiológicas da cultivar, alguns resultados demonstram um efeito positivo do aumento população com a produtividade da soja, conforme o observado por Silva et al. (2021).
Analisando a influência do espaçamento entre linhas e da população de plantas sobre a produtividade da cultivar BMX Potência RR®, Silva e colaboradores (2021), observaram uma correlação positiva entre o aumento da densidade populacional de plantas e a produtividade da soja, fato corroborado por Dörr et al. (2023) ao avaliar o desempenho da cultivar TMG 7161 RR® sob diferentes densidades populacionais (figura 2).
Figura 2. Produtividade de grãos de soja por área sob diferentes densidades de plantas de soja do genótipo TMG 7161 RR.

Tendo em vista o impacto da população de plantas sobre a produtividade da soja, adotar estratégias de manejo que permitam o bom estabelecimento inicial da lavoura, com populações consideradas adequadas, é essencial para assegurar a manutenção do potencial produtivo da cultura. Uma das principais a mais eficientes estratégias para isso , é uso de sementes com boa qualidade para a semeadura, garantindo um bom estabelecimento da lavoura.
Quais as características de sementes de qualidade?
Sementes de qualidade devem apresentar bons atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários, seguindo os requisitos mínimos estabelecidos para cada cultura, para serem classificadas como sementes.
Atributos genéticos
Os atributos genéticos da sementes referem-se a sua pureza varietal e representatividade do material genético. Sementes com boa qualidade genética devem ser produzidas de forma a representar o material genético escolhido, além de não sofrer influência de outros materiais, sem conter misturas varietais.
Atributos físicos
Com relação aos atributos físicos das sementes, sementes de boa qualidade devem ser livres de materiais inertes, impurezas e danos mecânicos. A ocorrência de danos mecânicos pode comprometer a qualidade da semente, uma vez que microfissuras, podem se tornar porta de entrada para microrganismos fitopatogênicos, além de comprometer a estrutura da semente. Danos externos e internos das sementes devem ser avaliados a fim de atestar sua qualidade física.
Atributos fisiológicos
Os atributos fisiológicos da semente estão relacionados a capacidade da sementes em germinar e dar origem a uma plântula saudável. Dentre os principais atributos fisiológicos destacam-se germinação e vigor. Ainda que não haja conceito pré-estabelecido de vigor, sabe-se que essa variável está relacionado a velocidade e uniformidade de germinação das sementes em condições não necessariamente consideradas ideais para a germinação. Esses atributos refletem diretamente na capacidade de desenvolvimento da planta a campo, na uniformidade de estande e a velocidade de germinação.
Atributos sanitários
Sementes com bons atributos sanitários devem apresentar considerável nível de pureza, não contendo sementes de espécies daninhas, ser livre de doenças, patógenos e fungos que possam vir a prejudicar o estabelecimento das plantas.
Sementes que apresentam bons atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários dão origem a plantas sadias e de elevado potencial produtivo, possibilitando o bom estabelecimento do estande de plantas. Como supracitado, a obtenção de populações adequadas é determinante para o obtenção de altas produtividade de soja.
Para tanto, é fundamental o uso de sementes certificadas, as quais seguem um rigoroso processo de produção e beneficiamento visando garantir que as sementes produzidas atendam os requisitos necessários para comercialização. Com o intuito de garantir que os níveis mínimos exigidos de atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários sejam obtidos na produção de sementes, diversas estratégias de manejo necessitam ser empregadas de forma eficiente, garantindo a menor interferência de fatores bióticos e abióticos que possam deprecias as sementes.
Vale destacar que além de possibilitar um melhor estabelecimento da lavoura e obtenção de maiores produtividades, o uso de sementes certificadas reduz a incidência de plantas daninhas e doenças dispersas por sementes contaminadas. Sementes salvas, e/ou de baixa pureza, não só de culturas produtoras de grãos como também de plantas de cobertura, podem ser fonte de patógenos e/ou sementes de plantas daninhas, contribuindo para o aumento da incidência de doenças iniciais em soja e para o aumento das populações infestantes.
Figura 3. Sementes de nabo-forrageiro contaminadas. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) misturados com sementes de nabo-forrageiro.

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Referências:
DÖRR, C. S. et al. DENSIDADE DE PLANTAS E DESEMPENHO PRODUTIVO DA SOJA. Revista Gestão e Secretariado, 2023. Disponível em: < https://ojs.revistagesec.org.br/secretariado/article/view/3083/1824 >, acesso em: 29/09/2025.
SILVA, A. G. et al. INFLUÊNCIA DO ESPAÇAMENTO ENTRELINHAS E DA POPULAÇÃO DE PLANTAS A UMA CULTIVAR DE SOJA DE HÁBITO DE CRESCIMENTO INDETERMINADO. Nucleus, 2021. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1148889/1/procopio-Influencia-espacamento-2021.pdf >, acesso em: 29/09/2025.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

Sustentabilidade
Valor Bruto da Produção Agropecuária deve atingir R$ 1,39 tri em 2026 – MAIS SOJA

O Valor Bruto da Produção (VBP), que mede o faturamento da agropecuária, deve atingir R$ 1,39 trilhão, queda de 4,8% em relação a 2025, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Esse resultado reflete a combinação da redução dos preços reais e, em menor medida, de variações na produção.
Para a agricultura, o faturamento estimado para 2026 é de R$ 903,5 bilhões, redução de 5,9% na comparação com 2025. A soja, que tem maior participação no VBP agrícola, deve ter queda de apenas 0,5% no VBP, mesmo com aumento da produção (3,71%).
Para o milho, a previsão é de queda de 6,9% no VBP, devido à redução dos preços (-4,9%) e da produção (-2,05%). Já a cana-de-açúcar deve registrar diminuição de 5,6% no faturamento, em razão da queda nos preços (-5,2%), apesar da leve alta na produção (0,37%).
Por outro lado, o café arábica terá desempenho positivo, com crescimento de 10,4% no VBP, impulsionado principalmente pelo aumento expressivo da produção (23,29%), apesar da redução esperada nos preços (10,5%).
Para a pecuária, por sua vez, o VBP estimado é de R$ 485,3 bilhões, queda de 2,6% em relação a 2025. A carne bovina foi o único produto com projeção de faturamento (7,6%). Para os demais produtos do segmento, a previsão é de queda, reflexo de menores preços reais recebidos pelos produtores.
Neste contexto, as reduções de receitas projetadas são de 19,1% para o leite, 13,3% para os ovos, 10,2% para a carne suína e de 5,8% para a carne de frango.
Veja o Comunicado Técnico do VBP
Fonte: CNA
Autor:CNA
Site: CNA
Sustentabilidade
Colheita de soja em MT se aproxima do fim e ultrapassa 99%

A colheita da safra de soja 2025/26 no Mato Grosso atingiu 99,06% da área cultivada até o dia 20 de março, conforme boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
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O avanço em relação à semana anterior, quando o índice era de 96,42%, indica a reta final dos trabalhos no principal estado produtor do país.
Na comparação anual, o ritmo está levemente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita alcançava 99,48% da área. Ainda assim, os números mostram que os trabalhos seguem praticamente concluídos no estado.
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Sustentabilidade
Potencial de Produtividade da soja nos Estados Unidos – MAIS SOJA

Os Estados Unidos da América (EUA) possuem uma das maiores áreas de produção agrícola do mundo, com aproximadamente 97 milhões de hectares cultivados, nesse contexto, a soja se destaca ocupando 35% dessa área cultivada, colocando o país como o segundo maior produtor mundial de soja, atrás apenas do Brasil. Os principais estados produtores de soja nos EUA são Illinois, Iowa, Minnesota, Indiana e Nebraska, juntos são responsáveis por 52% da produção nacional. Esses estados estão localizados na região conhecida como “Corn Belt” ou na tradução “Cinturão do Milho” (Figura 1A), onde o sistema predominante baseia-se na rotação entre soja e milho, iniciando em abril com a soja e finalizando com a colheita de milho em outubro.
O potencial de produtividade da soja nos Estados Unidos foi estimado pelo Global Yield Gap Atlas (GYGA), onde os maiores valores médios de Potencial de produtividade irrigado (PI), são observados em Illinois (IL) (6,5 t ha-1), Kansas (KS) (6,3 t ha-1), Indiana (IN) (6,1 t ha-1), Missouri (MO) (6,1 t ha-1) e Nebraska (NE) (6,0 t ha-1) (Figura 1B). Por outro lado, o potencial de produtividade de sequeiro (PS) é maior nos estados do leste em comparação ao oeste (Figura 1C). Esse fenômeno é explicado pelo gradiente de chuvas do país e pela presença de solos profundos, férteis e ricos em matéria orgânica em estados como IN, IL, Iowa (IA) e Ohio (OH). Essas características favorecem o crescimento radicular e garantem um bom desempenho em condições de sequeiro. Em contraste, os menores valores de PS ocorrem no KS e na Dakota do Sul (SD), que, apesar de pertencerem ao Corn Belt, apresentam menor volume de chuvas durante o ciclo da cultura, limitando o potencial produtivo.
A produtividade média (de 2009 a 2018) (PM) da soja varia significativamente entre os locais avaliados nos EUA. O maior valor é registrado em Bondville/IL, de 3,9 t ha-1, enquanto o menor foi observado em Silverlake/KS, de 2,1 t ha-1. Os maiores valores de PM concentram-se nos estados de Illinois (IL) (3,7 t ha-1), Iowa (IA) (3,5 t ha-1) e Indiana (IN) (3,4 t ha-1). Por outro lado, os menores valores médios são encontrados em Dakota do Sul (SD) (2,4 t ha-1) e Kansas (KS) (2,5 t ha-1) (Figura 1D). Essa distribuição evidencia uma correlação direta entre a produtividade média (PM) observada e o potencial de produtividade de sequeiro (PS). Os estados com maior PM também apresentaram os maiores valores de PS, indicando que esses ambientes oferecem condições mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura, especialmente em termos de disponibilidade hídrica ao longo do ciclo da soja.
Figura 1. Área de colheita de soja nos Estados Unidos (ha) e distribuição dos locais avaliados no estudo dos potenciais e das lacunas de produtividade da soja (as siglas identificam cada local) (A). potencial de produtividade irrigado (t ha-1) (B), potencial de produtividade de sequeiro (t ha-1) (C), produtividade média da soja (t ha-1) (D). Os valores de PI e PS apresentados para cada região refletem a média das simulações de 13 anos (2006 – 2018) e o valor de PM apresentado para cada região é a média de 10 anos entre 2009 e 2018.

Referências:
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.
GLOBAL YIELD GAP ATLAS – GYGA – www.yieldgap.org

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