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30 de junho de 2026

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Soja 25/26: campo em movimento no maior produtor do país

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Enquanto muitos comemoravam o 7 de Setembro neste domingo, Mato Grosso deu a largada no plantio da soja 2025/26. A previsão é semear pouco mais de 13 milhões de hectares nesta nova temporada. Apesar das boas expectativas, as primeiras áreas a receberem as sementes ainda são as com irrigação.

Em Água Boa, região do Vale do Araguaia, as plantadeiras já entraram em campo em algumas propriedades onde há irrigação. Uma delas é a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, que deve plantar 8,2 mil hectares nesta nova safra.

“A gente sempre inicia o plantio nessa área mais cedo, respaldado pela água que é essencial para a produtividade. É uma área de alto teto produtivo, que tem tudo para produzir bem como tem produzido nos últimos anos”, diz o agricultor Vinícius Baldo.

Nas áreas de sequeiro a orientação, conforme produtores no estado, ainda é segurar as máquinas até que a chuva garanta a umidade necessária no solo para que o plantio ganhe ritmo. A cautela, salientam, visa evitar o risco de perdas com replantio.

Vinicius Baldo comenta que as primeiras chuvas no município estavam previstas para a segunda quinzena de setembro, entretanto os indicadores mudaram e começaram a marcar chuva para o final de setembro, começo de outubro. “É o período que historicamente chove por aqui. Então essas áreas temos que ter um pouco mais de cautela, não se deve arriscar tanto, uma vez que depende do clima e o clima a gente não tem o domínio”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cautela nos investimentos e alerta na rentabilidade

Presidente da Associação dos Agrônomos de Água Boa, José Otávio Vicentin Filho pontua que os últimos dois anos foram desafiadores, o que levou o produtor a repensar muitos pontos, principalmente quanto à questão de investimentos de insumos. “Aqui, por exemplo, tem adubo sobrando na terra. Vai diminuir essa adubação de plantio. Vai ter sim uma redução de custo por hectare esse ano sim”.

A expectativa é que Mato Grosso semeie mais de 13 milhões de hectares nesta temporada. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a extensão cultivada deve crescer 1,67% em relação ao ciclo passado.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, após os recordes de produtividade e área na safra 2024/25, a expectativa quanto ao rendimento em campo é de diminuição seguindo “um padrão médio” dos anos anterior.

Mas a projeção é de queda de quase 9% na produtividade, com média de 60 sacas por hectare, o que deve contribuir para uma produção um pouco menor. As estimativas iniciais do Instituto apontam para uma colheita de 47,18 milhões de toneladas de soja nesta safra 2025/26, recuo de 7,29% em relação ao ciclo passado. Cenário que acende o sinal de alerta do setor para a rentabilidade.

Ao Canal Rural Mato Grosso, o Lucas Beber ressalta que é preciso considerar outros fatores que podem ditar a temporada, e que preocupam, como custos e taxas de juros em alta e o cenário de endividamento do produtor mato-grossense.

“Tudo isso tem interferido nos investimentos na lavoura e também no acesso a crédito. Então fica a incógnita: “Será que o produtor vai conseguir investir como na safra anterior?”. O cenário é desfavorável. E, também o clima. Será que vai se repetir esse clima que foi positivamente acima da média, nós acreditamos que não”.

soja foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mais um ano em que não dá para errar

O médio-norte de Mato Grosso, maior produtor de soja do país, também já registra movimentação de plantadeiras apenas nas áreas irrigadas. No restante das lavouras, a recomendação é esperar a chuva garantir condições ideais de germinação.

“Esse é mais um ano em que não dá para errar. O pessoal está esperando as chuvas, há boas previsões, mas ela ainda não veio. Levando em conta que a área que a gente replanta, praticamente você perde o lucro daquela área porque o custo de plantio é basicamente o lucro que você ia ter na lavoura. Todo mundo vai ter um pouco de cautela para evitar prejuízo e comprometer o caixa do ano que vem”, destaca Rafael Bilibio, presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal.


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Usina que transforma resíduos em biometano e biofertilizantes é inaugurada em SP

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Foto: Divulgação

O estado de São Paulo passa a contar, a partir desta terça-feira (30), com uma usina capaz de transformar resíduos sólidos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes.

Trata-se de projeto-piloto desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) com apoio institucional da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).

A unidade opera como uma planta laboratorial em escala industrial e comercial, integrando os setores de saneamento, energia e agricultura. Com capacidade atual para processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia e licença para expansão de até 43,5 toneladas diárias, o projeto transforma materiais descartados da cadeia alimentar em recursos estratégicos, como energia elétrica, energia térmica, biometano e biofertilizantes.

Por meio do processo de biodigestão, cada tonelada de resíduo orgânico gera entre 120 e 180 Nm³ de biogás, com teor de metano entre 50% e 65%, que pode ser utilizado para produzir entre 166 e 200 kWh de eletricidade ou ser refinado para gerar de 90 a 117 m³ de biometano, destinado ao abastecimento de veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) ou à injeção na rede de distribuição de gás.

A geração de energia elétrica já abastece a rede da Universidade de São Paulo e o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a conclusão da unidade de refino, a usina também passa a produzir biometano e dióxido de carbono (CO₂), ampliando as possibilidades de uso do combustível renovável na descarbonização do transporte.

Além da produção de energia, aproximadamente 80% do material processado é convertido em digestato, um biofertilizante que está sendo utilizado em pesquisas conduzidas em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) para aplicação no cultivo de cana-de-açúcar, além de estudos voltados à produção de hortaliças em horta e hidroponia.

“Em São Paulo temos uma das matrizes energéticas mais limpas do Brasil. Estamos chegando a uma matriz renovável de quase 60%, enquanto países da OCDE têm em torno de 13%. O biometano é parte importante dessa estratégia e todo o avanço que temos alcançado se dá por projetos como este, que estamos inaugurando hoje e que são exemplo para outras instituições”, afirmou a secretária da Semil, Natália Resende.

O modelo desenvolvido pela USP busca reduzir o envio de resíduos orgânicos para aterros sanitários, permitindo o aproveitamento energético dos resíduos e a recuperação de nutrientes para uso agrícola.

“É um projeto que prova que podemos diminuir efetivamente as emissões, principalmente de metano, convertendo o resíduo em benefício para a sociedade”, destacou o diretor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP), Tercio Ambrizzi.

A implantação da usina contou, até o momento, com investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões, com a maior parte dos recursos advinda do orçamento próprio do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. O projeto também recebeu cerca de R$ 3,5 milhões em equipamentos fornecidos pela empresa TPI.

A inauguração da usina da USP reforça o protagonismo de São Paulo no desenvolvimento da cadeia do biometano. O estado concentra atualmente nove das 19 plantas de biometano em operação no Brasil e poderá atingir, ainda em 2026, a capacidade instalada recorde de 1 milhão de metros cúbicos por dia, volume suficiente para atender integralmente o consumo de gás canalizado das 2,8 milhões de residências conectadas à rede paulista.

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Governo confirma R$ 18,1 bilhões para equalização de juros do Plano Safra 2026/27

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Foto: Pixabay/divulgação

O novo Plano Safra deve custar R$ 18,1 bilhões aos cofres públicos no ciclo 2026/27, segundo fontes do governo. No ano passado, esse valor chegou a R$ 13,4 bilhões – o que significa que o custo da União aumentou 35%, considerando a agricultura empresarial e a familiar.

É importante destacar que esse valor não é o orçamento total disponível para os produtores pegarem emprestado, mas sim o custo do subsídio pago pela União. Ele cobre a chamada equalização: o Tesouro Nacional paga aos bancos e cooperativas a diferença entre as taxas de mercado e as taxas subsidiadas oferecidas ao setor agropecuário.

No anúncio desta terça-feira (30), o governo informou que o Plano Safra 2026/27 terá R$ 97 bilhões em linhas com juros equalizados. Esse valor representa uma queda de 14,7% frente ao ciclo passado, quando foram disponibilizados R$ 113,8 bilhões nessa modalidade.

Em entrevista ao Mercado & Cia, o secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, afirmou que o desenho final foi “o plano possível” diante do atual cenário de restrição fiscal e das fontes de financiamento disponíveis.

Os recursos são considerados essenciais para garantir o ritmo das contratações de custeio, que financiam a compra de sementes, fertilizantes e defensivos para a próxima temporada. Após a definição do orçamento, a expectativa do setor agora se volta para a publicação das regras oficiais e a liberação do crédito nas agências bancárias.

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Plano Safra mantém juros elevados e deixa dúvidas sobre acesso ao crédito, avalia Federarroz

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O Plano Safra 2026/2027, anunciado nesta terça-feira (30) pelo governo federal, amplia em R$ 9 bilhões os recursos destinados à agricultura empresarial, que passam de R$ 516,2 bilhões para R$ 525,1 bilhões.

Apesar do aumento no volume total de crédito, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) avalia que as condições anunciadas ainda estão abaixo das necessidades do setor, especialmente em relação às taxas de juros, aos recursos para custeio e à situação financeira dos produtores.

Do total previsto para a nova safra, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização e R$ 140,2 bilhões aos investimentos. Na comparação com o ciclo anterior, os recursos para custeio e comercialização foram reduzidos em R$ 29,8 bilhões, enquanto os investimentos cresceram R$ 38,7 bilhões.

Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o setor esperava condições mais favoráveis para o financiamento da produção. “O Plano Safra veio com valor abaixo do que a gente pretendia. Os juros também não vieram como a gente pretendia. Nós pretendíamos abaixo de um dígito, e ele veio para a agricultura empresarial em 12,5%”, afirma.

Nunes ressalta que ainda é necessário conhecer detalhes da operacionalização dos recursos e do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado estratégico para a atividade.

Segundo ele, também há preocupação com a capacidade das instituições financeiras de captar recursos suficientes para atender à demanda por crédito em um cenário econômico desafiador.

Outro ponto destacado pela entidade é a necessidade de uma solução para o endividamento dos produtores. Conforme Nunes, a definição sobre o Projeto de Lei nº 5.122 e as medidas que poderão ser adotadas pelo governo serão determinantes para que parte dos arrozeiros consiga acessar as linhas de financiamento da próxima safra.

“Nós também estamos na dependência das renegociações, de como vai ser resolvida essa questão do endividamento, até para que a gente consiga ter acesso ao crédito rural, porque senão vários produtores de arroz vão ficar alijados do Plano Safra”, afirma.

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