Sustentabilidade
Análise mensal do mercado do milho – MAIS SOJA

Os preços do milho no mercado brasileiro iniciaram agosto em queda, mas voltaram a se recuperar na segunda quinzena, garantindo leves altas no acumulado do mês.
A pressão no começo de agosto veio sobretudo da ausência de consumidores, que aguardavam maiores desvalorizações com os avanços da colheita de segunda safra nas principais regiões produtoras. Além disso, as exportações nas primeiras semanas do mês estavam em ritmo lento e estimativas apontando produção global recorde de milho também influenciavam as baixas. Na segunda metade de agosto, o movimento de queda perdeu força, com produtores retraídos, concentrados nos trabalhos de campo – a colheita da segunda safra, em reta final, e a semeadura da primeira temporada, iniciada no Sul do País.
No acumulado de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou 1,2%, fechando a R$ 64,29/saca de 60 kg no dia 29. A média mensal superou em 0,4% a de julho/25, interrompendo uma sequência de quatro meses de queda. Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se valorizou 2,1% no mercado de balcão (ao produtor) e 2,7% no de lotes (negociação entre empresas) também no acumulado de agosto. As médias mensais ficaram 2,3% e 1,5%, respectivamente, acima das de julho.
Já na B3, expectativas quanto ao aumento de oferta no Brasil, devido à produção da segunda safra, pressionaram as cotações – o primeiro vencimento (Set/25) cedeu 2%, fechando a R$ 65,49 no dia 29.
EXPORTAÇÕES – O ritmo de embarques diário de agosto foi 18% acima do observado em agosto/24, com volume escoado também 13% maior na mesma comparação, somando 6,84 milhões de toneladas, segundo a Secex.

ESTIMATIVAS – Para a safra 2025/26, o USDA estima a produção norteamericana de milho em volume recorde, de 425,25 milhões de toneladas. Para o Brasil e a China, são previstas 131 milhões de toneladas e 295 milhões de toneladas, respectivamente. A Argentina deve colher 53 milhões de toneladas. No agregado, a produção mundial será de 1,28 bilhão de toneladas, acima das 1,26 bilhão de toneladas estimadas em julho e das 1,22 bilhão de toneladas da temporada 2024/25.
O consumo mundial também foi ajustado para cima pelo USDA, mas em menor intensidade, levando a um aumento dos estoques finais, atualmente estimados em 282,53 milhões de toneladas, contra 272,08 milhões do relatório de julho.
Especificamente para o Brasil, a Conab apontou que, em 2024/25, serão produzidas 137 milhões de toneladas, 18% superior à temporada 2023/24 e também um recorde.
A primeira safra teve área plantada de 3,77 milhões de hectares (-5%) e produção de 24,93 milhões de toneladas (+9%), devido ao aumento de 14% na produtividade. Para a segunda safra, foram estimadas 109,57 milhões de toneladas de milho, forte aumento de 22% em relação à temporada anterior. Já a terceira safra se manteve praticamente estável na comparação com a anterior, em 2,5 milhões de toneladas (+0,9%).
As estimativas de exportação também foram elevadas pela Conab, para 40 milhões de toneladas, refletindo a maior produção brasileira e a expectativa de demanda internacional aquecida, tendo em vista os atuais embates tarifários entre os Estados Unidos e importantes importadores do grão. Com isso, os estoques internos, ao final de janeiro/26, devem ser de 10,25 milhões de toneladas, acima das 1,84 milhão de toneladas estimadas para a safra anterior.
CAMPO – Até o dia 30 de agosto, 97% da segunda safra 2024/25 havia sido colhida, segundo a Conab, enquanto a semeadura da safra verão 2025/26 teve início no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso, a colheita foi finalizada em meados de agosto e, apesar das duas semanas de atraso em relação ao ano anterior, o estado concretizou a produção de 55 milhões de toneladas, segundo o Imea (Instituto MatoGrossense de Economia Agropecuária). No Paraná, o Deral/Seab indicou que, até o dia 1º de setembro, 94% da área estimada havia sido colhida. Em Mato Grosso do Sul, o percentual chegou a 90,9% das lavouras até o dia 29 – conforme a Famasul (Federação daAgricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul). Em Minas Gerais, restam 4%das lavouras para serem colhidas e em Goiás, apenas 2%, enquanto, em SãoPaulo, os trabalhos ainda estão em 82%, segundo dados da Conab do dia 30.Quanto à safra verão, no Rio Grande do Sul, as condições climáticas favoráveisimpulsionam o começo das atividades,, segundo a Emater/RS. O órgão aponta que, para a safra 2025/26, produtores aumentarão a área em 9%, o que deve elevar a produção para 5,78 milhões de toneladas, 9,4% superior à da temporada 2024/25.
Já no Paraná, o Deral/Seab mostra que, até o dia 1º de setembro, 9% da área estadual havia sido semeada. O Departamento também indicou que a área destinada ao cereal nesta safra será de 315 mil hectares, aumento de 12% em relação à temporada anterior, o que deve resultar em produção de 3,2 milhões de toneladas, 5,5% maior que em 2024/25.
INTERNACIONAL – Apesar da expectativa de safra recorde nos Estados Unidos, os preços voltaram a subir na Bolsa de Chicago (CME Group), impulsionados pela forte demanda pelo grão norte-americano. Os contratos Set/25 e Dez/25avançaram 1% e 1,5% entre 29 de agosto e 31 de julho, fechando o dia 29 aUS$ 3,98/bushel (US$ 156,68/t) e a US$ 4,2025/bushel (US$ 165,44/t),respectivamente.
De acordo com o relatório semanal Crop Progress, também divulgado pelo USDA, até o dia 31 de agosto, 69% da safra de milho estava em condição entre boas ou excelentes, acima dos 65% registrados no mesmo período de 2024.Na Argentina, a temporada 2025/26 deve ser marcada por recuperação da área, com aumento estimado em 9,6%, para 7,8 milhões de hectares, o que seria a segunda maior da história, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Quanto à safra 2024/25, a Bolsa indica que a colheita chegou a 97,2% da área até o dia 28 de agosto.
Confira o Agromensal agosto/2025 do Milho completo, clicando aqui!
Fonte: Cepea

Autor:AGROMENSAIS AGOSTO/2025
Site: CEPEA
Sustentabilidade
Setor da soja lidera pedidos de recuperação judicial

O Brasil encerrou 2025 com recorde no número de recuperações judiciais. Ao todo, cerca de 5.600 empresas terminaram o ano nesse regime, uma alta de quase 25% na comparação anual. Entre 6% e 7% dos casos registrados estão ligados ao agro, incluindo produtores rurais e empresas da cadeia produtiva.
Segundo a advogada Lívia Paiva, o avanço é reflexo da combinação de juros elevados, que dificultam ou até inviabilizam a renegociação de dívidas, e da maior restrição na oferta de crédito.
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“Segmentos que antes sustentavam o crescimento do setor agora enfrentam um ambiente mais adverso. O cultivo de soja é o exemplo mais expressivo, liderando o número de pedidos de recuperação judicial no campo”, afirma.
Os produtores de soja vivem uma conjuntura desafiadora. Os preços das commodities recuaram, enquanto os custos de produção permanecem elevados, especialmente pela dependência de insumos dolarizados. Com margens comprimidas e crédito mais caro, a capacidade de honrar compromissos financeiros fica severamente comprometida.
O aumento das disputas contratuais e do endividamento operacional também tem impulsionado a busca por soluções extrajudiciais, na tentativa de evitar processos longos e preservar relações comerciais.
Uma dessas alternativas é a arbitragem. “Trata-se de um método privado de resolução de conflitos em que as partes, de comum acordo, escolhem um ou mais especialistas, os árbitros, para decidir sobre a disputa”, explica a advogada. Segundo ela, a decisão arbitral tem a mesma força de uma sentença judicial, mas o procedimento tende a ser mais rápido, flexível e confidencial, características que vêm atraindo empresas do agronegócio em meio ao ambiente de maior insegurança financeira.
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Sustentabilidade
Negociações travadas para o milho em boa parte do país, com foco do mercado na soja – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho teve uma semana com ritmo de negócios travado em vários estados. Em algumas regiões as cotações do cereal subiram com uma disponibilidade de produto mais restrita, com produtores retraídos na fixação de ofertas e com a necessidade de aquisições por parte dos compradores, como observado em São Paulo e Paraná.
No Centro-Oeste e Sudeste as colheitas estão atrasadas devido às chuvas ocorridas ao longo das últimas semanas. Como destaca Safras & Mercado, em alguns pontos, como em São Paulo, consumidores estão buscando lotes para avanço de estoques, estudando pedidas mais altas dos produtores.
Muitos agentes do mercado estão focados na soja, tanto na colheita como escoamento, e o milho está ficando de lado. Isso oferece sustentação às cotações do milho. A evolução do clima, o atraso da colheita da soja, o plantio da safrinha e o encarecimento dos fretes são pontos de especulação no momento.
O dólar comercial na semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, caiu de R$ 5,253 para R$ 5,1933, acumulando baixa de 1,1% no período. O dólar fraco deixa mais lento o movimento de exportação no porto.
No balanço desta semana, entre as quintas-feiras 05 e 12 de fevereiro, o milho na base de venda em Cascavel, Paraná, subiu de R$ 62,00 a saca para R$ 63,00, alta de 1,6%. Em Campinas/CIF, o milho avançou de R$ 68,00 para R$ 71,50 a saca na base de venda neste intervalo, elevação de 5,1%. Na região Mogiana paulista, o cereal passou de R$ 65,00 para R$ 66,00 a saca, avanço de 1,5%.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação ficou estável na base de venda na semana em R$ 55,00 a saca. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço caiu de R$ 65,00 para R$ 64,00 a saca (-1,5%).
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda na semana desceu de R$ 63,00 para R$ 62,00 a saca (-1,6%). E em Rio Verde, Goiás, o preço na venda ficou estável no comparativo semanal em R$ 60,00.
No Porto de Paranaguá/Paraná, preço estável na base de venda na semana em R$ 69,00. No Porto de Santos/São Paulo, cotação inalterada no comparativo semanal em R$ 70,00.
Fonte/Autor: Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
Sustentabilidade
Ceema: Trigo sobe em Chicago e atinge maior valor desde novembro – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 19/12/2025 e 12/02/2026
Em Chicago, as cotações do trigo subiram no período dos últimos dois meses. O primeiro mês cotado saiu de US$ 5,07/bushel no dia 18/12 para US$ 5,36 no início da segunda semana de janeiro. Posteriormente, a mesma voltou a recuar, voltando aos US$ 5,07 no dia 21/01. Desta data em diante a mesma subiu para níveis de US$ 5,30 a US$ 5,40, sendo que o fechamento desta quinta-feira (12/02) avançou mais, ficando em US$ 5,52/bushel, o valor mais alto desde o dia 05 de novembro passado.
O relatório do USDA, deste dia 10/02, pouco trouxe de novidades para o ano 2025/26. O mesmo apontou uma safra mundial de 841,8 milhões de toneladas e estoques finais globais em 277,5 milhões, neste caso com recuo de cerca de 700.000 toneladas sobre janeiro. A produção e os estoques finais estadunidenses permaneceram em 54 e 25,3 milhões de toneladas respectivamente. A produção brasileira seria de 8 milhões de toneladas e a da Argentina um recorde de 27,8 milhões. Enquanto os argentinos exportariam 18 milhões de toneladas, o Brasil importará 7,3 milhões.
Dito isso, no Brasil os preços se mantiveram relativamente estáveis nestes dois meses. No Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 55,00/saco, enquanto no Paraná elas recuaram um pouco, ficando agora entre R$ 61,00 e R$ 65,00/saco. Isso tudo para o produto de qualidade superior.
A forte desvalorização do Real deixa o trigo importado mais barato, segurando os preços internos. Pelo lado das exportações, segundo a Secex, o Brasil exportou, em janeiro/26, um total de 370.600 toneladas, com trigo praticamente todo gaúcho. Em 12 meses, os embarques somam 2,1 milhões de toneladas, contra 2,45 milhões entre fevereiro/24 e janeiro/25. Por sua vez, o país importou, em janeiro, um total de 504.200 toneladas de trigo. Em 12 meses (fev/25-jan/26) o total importado chegou a 6,68 milhões de toneladas, contra 6,75 milhões importadas no ano anterior.
Já a produção final brasileira de trigo teria ficado em 7,87 milhões de toneladas em 2025, sendo, deste total, 3,58 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul e 2,77 milhões no Paraná.
Enfim, de forma geral, as negociações estão lentas, diante da pouca demanda interna. No Rio Grande do Sul, as negociações seguem travadas, com os vendedores pedindo em torno de R$ 1.100,00/tonelada no interior, enquanto os compradores buscam negócios para entregas em março, com pagamento em abril, entre R$ 1.050,00 e R$ 1.070,00/tonelada. A concorrência do trigo paraguaio e uruguaio é forte, com o paraguaio mostrando-se mais competitivo no noroeste gaúcho (com diferença próxima de R$ 120,00/tonelada em relação ao produto argentino). Por outro lado, em Santa Catarina, o trigo oriundo do Rio Grande do Sul chega aos moinhos do Leste do estado com valores entre R$ 1.230,00 e R$ 1.250,00/tonelada CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250,00 a R$ 1.300,00/tonelada FOB.
E no Paraná, os moinhos estão abastecidos até fins de fevereiro e demonstram interesse apenas em entregas para março, com pagamento em abril. Os preços ficam entre R$ 1.200,00 e R$ 1.280,00/tonelada CIF, dependendo da região. O trigo gaúcho e o paraguaio continuam sendo opções competitivas (cf. TF Agronômica).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Site: Ceema/Unijuí
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