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25 de setembro de 2026

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Mato Grosso deve colher menos milho na safra 25/26, mas economia segue em alta

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Após colher a maior safra de milho da história – 55 milhões de toneladas –, Mato Grosso deve reduzir a produção no próximo ciclo. Contudo, o cereal não deixa de atrair investimentos. Um exemplo, é a usina de etanol de milho anunciada em Rondonópolis recentemente, cuja previsão de investimento é de R$ 2,5 bilhões, considerado o maior já realizado no município.

A primeira projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) para a safra 2025/26 de milho aponta uma produção de 51,7 milhões de toneladas no estado, uma queda de 6,7% em relação ao ciclo anterior. Na produtividade, a estimativa é de 116,6 sacas por hectare, redução de 8,38%.

Na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, a projeção representa cautela, uma vez que não se sabe ainda como o clima se comportará no próximo ano.

“O Imea está agindo correto, sendo conservador, porque esse ano o clima correu muito melhor que a média, ou seja, nós tivemos uma alta produtividade no estado o que contribuiu para termos uma safra recorde. Mas, o normal não é que se repita esse mesmo padrão e teremos uma safra mais ajustada com a realidade das médias dos anos anteriores”, diz Lucas Beber ao projeto Mais Milho.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gergelim dá espaço para o milho

Em relação a área o Imea prevê um aumento de 1,83%, devendo ser destinados para o milho no próximo ciclo 7,39 milhões de hectares. O destaque, conforme o Instituto, é a região nordeste do estado, onde parte dos produtores devem trocar o gergelim pelo cereal.

“A área de gergelim vai se ajustar, mesmo porquê você não pode ficar plantando só uma cultura. É bom rotacionar. Então o produtor vai partir para esse lado do sorgo, do milho”, comenta o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Lino Costa, ao Canal Rural Mato Grosso.

Ainda conforme o presidente da Aprosoja, a demanda por milho continua aquecida, o que também estimula um aumento de área. Ele destaca que os Estados Unidos têm sido o maior exportador mundial, mas que o Brasil em alguns momentos já superou o país norte-americano e que com as tarifas impostas em 2025 pode gerar uma oportunidade para a comercialização da produção brasileira.

“A demanda por milho ainda continua aquecida. Ela é uma cultura que tem complementado a renda do produtor de soja. E o milho também melhora a nossa produtividade de soja”, frisa Lucas Beber.

Inpasa
Foto: Inpasa

Grão segue atraindo investimentos para o estado

Mesmo abaixo do recorde da safra 2024/25, Mato Grosso deve colher quase 10% a mais do que o observado na safra 2023/24 e segue como o maior produtor do país. Tal força também puxa novos investimentos. Na última semana, como comentado pelo Canal Rural Mato Grosso, a Amaggi e a Inpasa anunciaram a criação de uma joint venture para a construção de ao menos três usinas de etanol de milho. A primeira delas, com aporte de R$ 2,5 bilhões, será construída em Rondonópolis.

A previsão é que a obra gere dois mil empregos e após concluída cerca de 350 empregos diretos. A planta é considerada o maior investimento já realizado no município localizado na região sudeste de Mato Grosso. A unidade deverá produzir 900 milhões de litros de etanol por ano, além de DDG, óleo e energia, movimentando logística, pecuária e comércio, garantindo mais receita para a cidade, cuja estimativa da prefeitura é de R$ 60 milhões por ano.

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“É uma notícia muito positiva para a cidade neste momento em que o país passa por uma dificuldade econômica. Vem muito ao encontro do que a gente sonhava para Rondonópolis”, diz o prefeito Cláudio Ferreira.

Para o presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, a união das duas empresas é mais um novo grande player de mercado que pode influenciar tanto na cadeia primária da produção quanto na comercialização.

“É uma união de dois gigantes do agronegócio que tem muita sinergia e essa parceria tem tudo para ser longeva e de grande sucesso, uma vez que passa a contar ainda com mais um novo player no mercado podendo influenciar tanto a cadeia primária da produção e comercialização do milho, quanto o grande ofertante fruto dessa produção, o etanol, farelo de milho, o óleo ao mercado. Essa indústria vem com a oportunidade de transformar isso em empregos, em rendas em valor agregado”, pontua Guilherme Nolasco.

O presidente da Aprosoja-MT ressalta que o estado possui vocação para industrializar o milho que produz, pois “tem um potencial industrial muito forte”.

“Nós temos aqui excesso de oferta, grande produção e longa distância dos portos, ou seja, a vocação de Mato Grosso é industrializar esse milho e a tendência é que novas indústrias venham se instalar aqui já que somos o maior produtor de etanol de milho”.

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Investidores profissionais concentram mais de 70% dos recursos do Fiagro

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Cinco anos após a criação, o Fundo de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) reúne hoje uma base pulverizada, formada por mais de 1,2 milhão de contas de cotistas, e uma frente institucional que concentra a maior parte dos recursos.

Levantamento realizado pela Oliveira Trust a partir de dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que o segmento alcançou R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido em julho de 2026.

As classes destinadas ao público geral concentravam 92,4% das contas, mas respondiam por 28,9% do patrimônio identificado. Na outra ponta, os veículos voltados a investidores qualificados e profissionais reuniam apenas 7,6% das contas e 71,1% dos recursos. Os números do estudo se referem a contas de cotistas, não a investidores únicos.

Para a empresa, esse retrato indica que a trajetória do Fiagro não pode ser explicada apenas pela entrada das pessoas físicas no financiamento do agronegócio. Isso porque em paralelo à expansão dos fundos negociados em bolsa, o mercado desenvolveu estruturas voltadas a investidores de maior porte, com operações mais específicas e diferentes combinações de ativos, garantias, originadores e fluxos financeiros.

“Os primeiros anos do Fiagro mostraram que existe demanda para aproximar o mercado de capitais do agronegócio. Agora, os números revelam um segmento mais diverso do que a imagem construída em torno dos fundos de varejo. A próxima etapa dependerá da capacidade de sustentar estruturas com perfis e necessidades muito diferentes, sem abrir mão de governança, transparência e controle”, afirma o CEO da Oliveira Trust, José Alexandre Freitas.

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Ambientes de negociação

A diferença também aparece nos ambientes de negociação. As classes negociadas em bolsa concentram 69,7% das contas, mas representam 33% do patrimônio. Já os veículos negociados em balcão organizado ou não organizado respondem, juntos, por 67% dos recursos e 30,3% das contas. Para Freitas, esse contraste reforça a coexistência de uma frente mais pulverizada e de outra formada majoritariamente por operações institucionais.

Entre as classes destinadas ao público geral, 62,4% dos recursos investidos estavam alocados em títulos de securitização, categoria que inclui os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Outros 21,3% estavam aplicados em cotas de fundos. Imóveis rurais representavam 7,6% do total, enquanto títulos de crédito do agronegócio, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), correspondiam a 2,8%.

Em 2026, os Fiagros registraram captação líquida de R$ 755 milhões em julho e acumularam entradas de R$ 6,2 bilhões nos sete primeiros meses do ano, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O resultado ocorreu em um mês no qual a indústria brasileira de fundos apresentou resgate líquido de R$ 25,3 bilhões. Fiagros, FIPs e ETFs foram as únicas categorias que mantiveram fluxo positivo no período.

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Entre as medidas defendidas pela Anbima estão o aumento da base de investidores em ativos ligados ao agronegócio, a atração de capital estrangeiro, o aprimoramento do registro das garantias mobiliárias e o fortalecimento da governança, da transparência e dos processos internos das empresas e dos produtores financiados.

Para a Oliveira Trust, os dados mostram que a próxima fase do Fiagro será definida não apenas pelo volume captado ou pelo número de contas, mas pela capacidade do mercado de oferecer estruturas adequadas a diferentes perfis de investidores e tomadores de recursos.

No entanto, a empresa ressalta que a consolidação desse modelo dependerá de regras claras, informações comparáveis e uma infraestrutura preparada para dar escala às operações.

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‘Futuro em Campo’ aproxima estudantes de Alto Garças da realidade do agronegócio

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Estudantes da Escola Municipal José David Dias Campos, em Alto Garças, participaram na manhã desta quinta-feira (24) de uma experiência prática sobre a importância do agronegócio mato-grossense. A atividade faz parte do projeto Futuro em Campo, desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) para aproximar crianças e adolescentes da realidade do campo.

Durante a programação, os alunos conheceram diferentes etapas e atividades relacionadas à produção rural. O delegado do núcleo da Aprosoja MT no município, Alexandre Gasparello, participou da ação e explicou como funcionam as máquinas utilizadas no campo e o processo de armazenagem dos grãos.

Segundo Gasparello, apresentar essas informações aos estudantes ajuda a ampliar a percepção sobre o campo e mostrar a importância das atividades desenvolvidas nas propriedades rurais. A proposta também é explicar o caminho percorrido pelos alimentos desde a produção até chegar à mesa das famílias.

A diretora da Escola Municipal José David Dias Campos, Cláudia Barbosa Cardoso, destacou que a iniciativa complementa os conteúdos trabalhados em sala de aula e permite que os próprios alunos compartilhem os conhecimentos adquiridos com seus familiares.

Para os estudantes, a atividade também trouxe descobertas sobre a presença da soja e do milho em produtos utilizados diariamente. A aluna Ana Luiza Rodrigues de Jesus, de 10 anos, contou que ficou surpresa ao descobrir a utilidade da commodity. “Eu aprendi muito sobre a soja e o milho e descobri que eles estão presentes em várias coisas do nosso dia a dia. Eu não sabia, por exemplo, que a soja podia estar presente em pneus, produtos para a pele, xampu e sabonete. Foi muito legal descobrir tudo isso”, disse.

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Além das informações sobre a produção agrícola, o projeto apresentou aos alunos diferentes profissões relacionadas ao agronegócio e mostrou como diversas atividades estão ligadas ao campo.

A iniciativa também foi destacada pela direção da escola como uma oportunidade de aproximar os estudantes de uma atividade que faz parte da realidade econômica e social de Alto Garças, município cercado por propriedades rurais.

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Agro Mato Grosso

Algodão: custos pressionam rentabilidade em Mato Grosso

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Preço médio de R$ 129,67/@ cobre custos operacional efetivo e total, mas mantém margem do produtor apertada

A rentabilidade do algodão em Mato Grosso segue pressionada pelos custos de produção, apesar da valorização dos preços nos últimos meses. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2026/27 foi estimado em R$ 15.250,61 por hectare em agosto, enquanto o Custo Operacional Total (COT) alcançou R$ 16.264,37/ha.

O custeio da temporada foi estimado em R$ 10.617,82/ha, recuo de 0,11% em relação a julho. Já o COE apresentou alta mensal de 0,13%, influenciado principalmente pelo aumento de 4,72% nas despesas com arrendamento. O Custo Total (CT) ficou projetado em R$ 18.709,02/ha, avanço de 0,21% no mês.

Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o produtor precisa obter pelo menos R$ 120,06/@ para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço mínimo sobe para R$ 128,20/@, enquanto a cobertura do CT exige R$ 147,47/@.

Até agosto, o preço médio ponderado de comercialização da safra 2026/27 estava em R$ 129,67/@. Com esse valor, segundo o Imea, é possível cobrir o COE e o COT, mas a margem permanece apertada. O instituto destaca que, mesmo diante das altas recentes nos preços, a rentabilidade do cotonicultor continua pressionada, reforçando a importância de uma gestão eficiente no planejamento da próxima temporada.

Área deve crescer em Mato Grosso

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta aumento de 3,38% na área cultivada com algodão em Mato Grosso na safra 2026/27. Por ser o principal produtor nacional, o estado deve registrar, em termos absolutos, o maior incremento de área entre as unidades da federação.

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No cenário nacional, a área cultivada deve alcançar 2,09 milhões de hectares, alta de 3,68% em relação à safra 2025/26. Os maiores crescimentos percentuais são esperados em Rondônia, de 28,79%, Maranhão, de 9,48%, e Piauí, de 8,29%.

A produtividade brasileira, por outro lado, deve recuar 3,23% na comparação com a projeção para a temporada 2025/26. De acordo com o Imea, a estimativa considera as incertezas relacionadas aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.

Mesmo com a redução esperada no rendimento, a expansão da área deve contribuir para sustentar a produção nacional. A Conab projeta 10,05 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2026/27, aumento de 0,33% ante a estimativa para o ciclo anterior.

Mercado

No mercado cambial, o dólar corrente avançou 1,15% na semana, em meio ao aumento da aversão ao risco global e às incertezas fiscais e institucionais no Brasil.

A cotação do caroço de algodão recuou 4,35% no período. Segundo o Imea, o movimento está relacionado ao avanço do beneficiamento e à consequente maior disponibilidade do coproduto no mercado.

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Já a paridade de exportação para o contrato de julho de 2027 caiu 2,85% na semana, acompanhando a desvalorização do contrato correspondente na Bolsa de Nova York.

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Agro MT