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Itália diz apoiar Acordo Mercosul-UE, mas quer proteger agricultores europeus

Após a adoção do texto final do Acordo Mercosul-União Europeia pelo Colégio de Comissários, o governo italiano demonstrou satisfação com a inclusão de um pacote de salvaguardas adicionais para proteger os agricultores europeus.
“Essas salvaguardas adicionais incluem, como a Itália solicitou ativamente nos últimos meses, um mecanismo de monitoramento e intervenção rápida em caso de perturbações de preços, inclusive no nível de Estados-Membros individuais, o fortalecimento dos controles fitossanitários em mercadorias recebidas, para garantir total conformidade com os padrões e regulamentos da UE, e um compromisso de fornecer compensação adequada para quaisquer cadeias de suprimentos agrícolas afetadas”, afirmou o governo italiano.
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Tendo em vista a próxima aprovação formal do Acordo em Bruxelas, a Itália ainda avaliará eficácia das garantias adicionais fornecidas e a consequente possibilidade de apoiar ou rejeitar a aprovação final do Acordo Mercosul-UE.
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Plano Safra 2026/27 amplia recursos e reduz juros, mas setor de Mato Grosso vê volume abaixo da necessidade

O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões em recursos. Embora o montante seja R$ 9 bilhões superior ao da safra passada e traga redução nas principais taxas de juros, entidades do setor produtivo de Mato Grosso avaliam que o volume não recompõe a inflação e permanece abaixo da necessidade da agropecuária brasileira.
Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões para investimentos. Embora o valor global seja maior que o da safra passada, o crescimento ocorreu principalmente nas linhas de investimento, enquanto os recursos voltados ao custeio e à comercialização tiveram redução.
Na comparação com o Plano Safra 2025/26, os recursos para investimentos passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Já o montante destinado ao custeio e à comercialização recuou de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões.
Na avaliação do setor produtivo mato-grossense, o reajuste também não recompõe a inflação. Considerando o IPCA acumulado de 4,4% nos últimos 11 meses, seriam necessários aproximadamente R$ 538,7 bilhões apenas para manter, em termos reais, o mesmo volume de recursos da safra anterior. Assim, embora seja o maior Plano Safra em valores nominais, as entidades estimam uma redução real de cerca de R$ 13,6 bilhões.
Juros menores, mas crédito ainda preocupa
Além do aumento dos recursos, o governo reduziu as taxas de juros das principais linhas de financiamento. O Pronamp passou de 10% para 9% ao ano, enquanto o crédito de custeio empresarial caiu de 14% para 12,5%. Já os programas voltados à inovação, irrigação, cooperativismo, renovação de máquinas e agricultura de baixo carbono terão taxas entre 8% e 12,5%.
Durante o lançamento do Plano Safra, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a redução das taxas busca ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a produção agropecuária. “A taxa que era de 14% caiu para 12,5%, e a que era de 10% passou para 9%”. Para o vice-presidente, o país demonstra que é possível ampliar a produção e, ao mesmo tempo, fortalecer a segurança alimentar. “Às vezes, cria-se uma falsa dicotomia, como se essas conquistas fossem incompatíveis, mas elas podem caminhar juntas”.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) e da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, a redução das taxas representa um avanço diante do cenário enfrentado nas últimas safras, marcado pela Selic elevada e pelo encarecimento do crédito rural.
“Infelizmente devido à Selic alta nos últimos anos nós temos tido na maioria das linhas juros de dois dígitos, o que tem impactado fortemente o bolso do produtor, encarecendo ainda mais o acesso ao crédito para a produção rural agrícola”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Na avaliação de Beber, a oferta de linhas com juros de um dígito era uma expectativa do setor e foi um dos pontos positivos do anúncio. “O ministro da Agricultura, André de Paula, trouxe uma expectativa boa de que iria trazer juros de um dígito, o que já é uma grande mudança”.
Volume ainda é insuficiente, avalia setor
Além da redução das taxas, as entidades defendiam um Plano Safra mais robusto e com maior participação dos recursos controlados, que possuem juros mais baixos. Na avaliação da Aprosoja, o volume anunciado ficou distante da necessidade do setor.
“O ideal era que tivemos nominalmente no mínimo R$ 650 bilhões e também aumentasse o percentual daquilo que é recurso controlado, já que nos últimos anos tem diminuído”.
Beber destaca que a participação dos recursos controlados caiu de cerca de 50% em 2022 para menos de 30% no último Plano Safra 2025/26, reduzindo o acesso dos produtores às linhas subsidiadas. “O que também fez com que o produtor pegasse menos crédito de juro controlado, conseguisse adquirir na prática, na ponta isso não chegou, tendo uma redução de algo em torno de 13% para custeio e 20% para investimentos”.
O superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer, também considera que o reajuste ficou aquém da necessidade do agro brasileiro. De acordo com Gauer, os cálculos apresentados pelas entidades nacionais apontavam para um Plano Safra necessário superior a R$ 640 bilhões.
Seguro rural e CAR ficam de fora das prioridades
Outro ponto destacado pela Famato era a necessidade de fortalecer o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para a entidade, o seguro rural vem perdendo espaço dentro da política agrícola, apesar de ser uma ferramenta importante para reduzir os impactos das perdas provocadas pelo clima.
“É um item que vem sendo deixado de lado já há uns bons anos dentro do crédito rural, mas que é uma estrutura extremamente necessária”, afirma Gauer. Segundo ele, o programa garante não apenas a produção, “mas principalmente para garantia da renda dos produtores em momentos de dificuldade climática que vem a impactar a produção e a manutenção desse produtor na atividade”.
A entidade também demonstra preocupação com a manutenção da exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado para acesso a benefícios nas taxas de juros. Para Gauer, a demora na análise dos cadastros coloca produtores em desvantagem, especialmente em Mato Grosso, onde ainda há uma fila de processos aguardando validação.
“Essa necessidade de validação, principalmente aqui no estado onde hoje eu tenho uma fila de espera de CARs que precisam ser avaliados e validados, também coloca em desvantagem competitiva esses produtores que estão fazendo tudo certo, mas que pela defasagem do estado a gente tem uma dificuldade de realmente conseguir alcançar e conquistar esses benefícios”.
Crédito precisa acompanhar a realidade do campo
Além desses pontos, a Famato entende que o Plano Safra precisa considerar o cenário de aumento do endividamento e dos custos de produção enfrentados pelos produtores nas últimas safras. O que não foi feito.
Na avaliação de Cleiton Gauer, o crédito rural precisa ser estruturado para garantir o desenvolvimento da agropecuária brasileira e dar condições para que os produtores mantenham a atividade.
“Diante desse cenário de aumento de endividamento, aumento dos custos, dificuldades operacionais que nós temos já ao longo das últimas safras, é extremamente necessário um Plano Safra que realmente consiga dar condições e desenvolvimento para as cadeias agropecuárias brasileiras”, salienta à reportagem.
Para o superintendente da Famato, esse continua sendo um dos principais desafios da política agrícola nacional. “Esse é um ponto sensível que realmente também fica a desejar, é necessário para o desenvolvimento e garantia da operação da agricultura, não só aqui no estado de Mato Grosso, como no Brasil como um todo”.
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Plano Safra 2026/27 foi o ‘possível’, diz secretário do Ministério da Agricultura

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, afirmou que o Plano Safra 2026/27 anunciado pelo governo representa “o possível” diante das restrições orçamentárias enfrentadas pela União e do aumento do custo para subsidiar as taxas de juros do crédito rural.
Em entrevista ao Mercado & Cia, o secretário reconheceu que a equipe do Ministério da Agricultura trabalhava com a expectativa de um programa mais robusto do que os R$ 525,1 bilhões anunciados para a agricultura empresarial.
“Na verdade, a gente trabalhava com a possibilidade de um pouquinho mais, pelo menos acompanhando a inflação do período. Só que, para construir um Plano Safra, você tem que analisar as fontes de recursos e a parte orçamentária do Tesouro. É um processo de negociação”, afirmou.
Segundo Wilson Vaz, tanto a disponibilidade de recursos das principais fontes de financiamento quanto as limitações fiscais impostas ao Tesouro Nacional influenciaram diretamente o tamanho do programa.
Equalização dos juros elevou custo para o governo
De acordo com o secretário, um dos principais desafios foi o aumento expressivo do custo da equalização das taxas de juros — mecanismo pelo qual o governo compensa as instituições financeiras para oferecer crédito rural com juros abaixo dos praticados pelo mercado.
Ele explicou que, apesar da redução das taxas anunciadas nesta safra, o gasto público necessário para manter esse subsídio cresceu significativamente.
“O custo de equalização aumentou substancialmente. Fizemos uma redução significativa da taxa de juros e isso elevou muito esse custo. Dentro das disponibilidades orçamentárias e da oferta das principais fontes de financiamento, esse foi o Plano Safra possível”, disse.
Mesmo diante das limitações, Wilson Vaz avalia que o programa atende às necessidades do setor.
“De certo modo, a gente entende que o Plano Safra é um bom plano. Agora começa a fase operacional e vamos acompanhar os desdobramentos nos próximos meses.”
Recursos controlados ganharam participação
O secretário também detalhou a distribuição dos recursos entre linhas de crédito com taxas controladas e livres.
Segundo ele, o Plano Safra 2026/27 contará com R$ 213,9 bilhões em recursos com taxas controladas e R$ 311,2 bilhões em linhas de taxas livres.
Wilson Vaz destacou que, proporcionalmente, houve aumento da participação dos recursos controlados em relação ao ciclo anterior.
“A relação dos recursos controlados melhorou em comparação ao ano passado. Antes eles representavam cerca de 38% do total e agora passam para 41%.”
Endividamento não poderia adiar o Plano Safra
Questionado sobre as críticas de entidades do setor, que afirmam que o elevado endividamento rural limita o acesso dos produtores ao crédito, o secretário afirmou que o governo não poderia adiar o lançamento do Plano Safra enquanto aguarda uma solução para a renegociação das dívidas.
Segundo ele, embora exista um grupo de produtores com dificuldades financeiras, a maior parte do setor ainda reúne condições para contratar financiamento.
“Tem um volume expressivo de produtores endividados, mas também há muitos produtores em condição de solvência e com acesso ao crédito praticamente liberado. A leitura que fazemos é que essa ainda é a maioria.”
Para Wilson Vaz, suspender o lançamento do programa prejudicaria justamente os produtores aptos a acessar o crédito.
“Você não poderia deixar de fazer um Plano Safra esperando equacionar a renegociação das dívidas, que está sendo discutida entre o Parlamento e o Ministério da Fazenda. Os produtores que tiverem condições de contratar crédito não serão impedidos por causa dessa negociação.”
O secretário acrescentou que a regulamentação do Plano Safra deve ser concluída ainda nesta terça-feira, com a publicação das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), permitindo que as instituições financeiras iniciem a contratação das operações de crédito para a safra 2026/27.
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‘Há grande chance do valor do Plano Safra não ser efetivamente utilizado’, diz especialista

O mistério acabou e o governo anunciou, nesta terça-feira (30), R$ 525,1 bilhões em recursos para o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial. A dúvida que fica agora é sobre o acesso dos produtores rurais a esse dinheiro.
Para o diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, David Télio, “há uma grande probabilidade” do valor anunciado não ser utilizado efetivamente. Nesse cenário, ele cita a diferença entre os valores disponibilizados e o desembolso do que foi, de fato, contratado pelo produtor na última safra.
“Se fizermos o cálculo, no Plano Safra anterior o desembolso efetivo ficou 76% aquém do valor anunciado”, afirma. Isso significa que menos produtores conseguiram acessar os recursos.
Télio também alerta para a falta de recursos equalizados – aqueles captados por bancos a taxas de mercado, mas emprestados com juros bem mais baixos e subsidiados. “No ano passado, o governo anunciou R$ 13,5 bilhões para a equalização. Mas chegou um momento em que o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou a suspensão dos desembolsos porque não havia mais recursos”, diz o especialista.
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A explicação para esse esgotamento rápido está na própria engrenagem do plano. O valor citado por Télio se refere ao orçamento que o Tesouro Nacional separa para pagar a diferença de juros aos bancos — o que, na prática, viabiliza um volume muito maior de crédito na ponta.
No anúncio desta terça-feira, por exemplo, o governo informou que o Plano Safra 2026/27 terá R$ 97 bilhões em linhas com juros equalizados. Apesar de expressivo, o montante representa um recuo de 14,7% em comparação com o ciclo anterior, quando foram disponibilizados R$ 113,8 bilhões nessa modalidade.
Distribuição dos recursos desigual
Para Télio, outro ponto que destoou do cenário vivido pelo campo foi a redistribuição dos recursos entre as modalidades de crédito. Enquanto o governo reduziu o volume destinado ao custeio e à comercialização, ampliou os recursos para investimentos em máquinas, equipamentos e armazenagem.
Na avaliação do especialista, a mudança vai na contramão do comportamento observado pelo mercado ao longo do último ano. Segundo ele, produtores têm adiado investimentos diante da queda da rentabilidade e das dificuldades financeiras acumuladas desde 2023.
“Todas as feiras registraram redução na aquisição de máquinas, na modernização de equipamentos, na renovação de frotas e, principalmente, em armazenagem. Se o produtor não está investindo, o que leva o governo a aumentar o valor destinado aos investimentos de longo prazo?”, questiona.
Renegociação de dívidas segue fora do radar
Outro ponto criticado pelo diretor da TerraMagna é a ausência de medidas voltadas à renegociação das dívidas rurais. Durante o anúncio do novo Plano Safra, o ministro da Fazenda Dario Durigan afirmou que o governo deve apresentar uma proposta ao Congresso Nacional nos próximos dias, mas sem detalhes.
“Os produtores perdem tempo tentando refinanciar e renegociar dívidas e, muitas vezes, acabam recorrendo à recuperação judicial. Isso não é bom para o produtor, para os bancos nem para o mercado financeiro”, afirma. Na estimativa feita por Télio, esse estoque de dívidas já alcança R$ 180 bilhões.
O especialista também chamou atenção para a falta de sinalização sobre o orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Embora o governo tenha condicionado a renegociação de dívidas da agricultura empresarial à contratação de seguro rural, ele avalia que não houve indicação de reforço nos recursos para subsidiar os prêmios pagos pelos produtores.
Crédito chega, mas muito mais caro
Se, por um lado, o desembolso do Plano Safra anterior ficou aquém do valor anunciado, por outro o mercado de crédito privado e de capitais segue em expansão. De acordo com Télio, o volume dessas operações já ultrapassa R$ 1 trilhão entre o ano passado e o início de 2026.
Na avaliação do especialista, esse movimento é reflexo da dificuldade dos produtores em acessar as linhas oficiais de financiamento. Como alternativa, eles recorrem a outras modalidades de crédito, mas com custos muito mais elevados.
“Isso não acontece por acaso. É porque, efetivamente, o Plano Safra não está chegando ao produtor. Existe o anúncio, mas o recurso não chega”, afirma.
Entre os fatores que explicam esse cenário, Télio cita a burocracia e a falta de orientação para acessar os financiamentos, sobretudo entre os agricultores familiares. Segundo ele, muitos pequenos produtores desconhecem como funciona o Plano Safra, quais documentos são exigidos e a quem recorrer para contratar as linhas de crédito.
“A impressão que fica é que o governo anuncia excelentes taxas e volumes de recursos, mas você não vê esses agricultores tendo condições reais de acessar esse crédito”, reforça.
Para Télio, uma atuação mais próxima de instituições como sindicatos rurais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil poderia facilitar o acesso dos pequenos produtores aos financiamentos, com orientação sobre documentação, digitalização de processos e contratação das linhas.
“Quando você anuncia e não oferece nada, significa apenas: ‘estou mostrando que existe’, mas sem criar condições para que essas pessoas tenham acesso”, conclui.
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