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16 de junho de 2026

Business

Entrada de mel orgânico à Europa tem entraves e setor busca aumentar consumo interno

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Quase 80% da produção do mel brasileiro é destinada aos Estados Unidos. Contudo, o tarifaço de 50% sobre as exportações do país ao mercado norte-americano inviabilizam os negócios.

De acordo com o diretor-executivo da Apidouro, João Messas, a restrição afeta drasticamente os pequenos produtores e coloca em risco a competitividade do setor nacional.

Segundo ele, desde que o produto não entrou na lista de exceções ao tarifaço (casos de suco de laranja, castanhas e outros itens), foi possível notar que os importadores rapidamente bloquearam os contratos em abertos e frearam novos embarques de mel brasileiro.

“Foi algo que impactou e virou o mercado muito rapidamente. A gente vinha em uma crescente de demanda por parte dos Estados Unidos, assim como um aumento de preços que já eram percebidos desde o início desse ano e comparativamente a 2024, mas, de uma hora para outra, a gente se viu ‘descalso’”, detalha.

Venda de mel a outros destinos

Messas lembra que a maior parte do mel brasileiro é produto certificado orgânico, fator que dificulta o envio do produto a novos mercados.

Assim, desviar a exportação dos Estados Unidos à União Europeia, segundo consumidor do mel brasileiro, encontra como entrave a certificação orgânica atualmente chancelada ao mercado norte-americano, que é a NOP, do USDA.

“Essa certificação NOP não tem uma equivalência com a certificação CE, que é a certificação baseada nas normas de produção orgânica da Comunidade Europeia. […] Acabamos ficando restritos a países que aceitam a certificação orgânica NOP e que possuem essa equivalência em sua norma de produção orgânica”, afirma. Conforme o diretor da Apidouro, este é o caso do Canadá, mercado que o setor tem buscado centralizar forças.

Incentivo ao consumo interno

Segundo Messas, o setor produtivo do mel tem buscado incentivar o consumo interno, visto que o índice per capita no Brasil é muito aquém de Estados Unidos e Europa.

Cada brasileiro consome, em média, apenas 50g de mel, enquanto os norte-americanos ingerem entre 1kg e 1,2 kg, média semelhante à da Europa.

Para fomentar o mel entre os brasileiros, o diretor conta que a Apidouro fechou parcerias com grandes envasadoras, como a Baldone, para escoar a produção em solo nacional.

“Ao mesmo tempo, a gente vem tentando, junto com importadores americanos, algumas tratativas nos Estados Unidos, através de advogados americanos, tomar algumas soluções, algumas medidas cabíveis a essa situação do Brasil e essa particularidade do mel orgânico para que a gente adicione o nosso produto à lista de exclusão da tarifa”, conta.

De acordo com Messas, outro trunfo do país frente à sobretaxa é o aumento do mel orgânico, produto com valor agregado, na gôndola dos supermercados norte-americanos. “Os Estados Unidos também passam por algumas dificuldades econômicas neste momento e em um possível aumento de preço, o consumidor americano acaba deixando de optar pelo consumo do produto orgânico, de valor agregado, e passa a optar por um mel convencional, com um valor menor.”

No entanto, a preocupção é que, diante deste cenário de alta, o mel orgânico brasileiro acabe, com o passar do tempo, perdendo espaço de gôndola e, consequentemente, o interesse do consumirdor, algo que pode demorar a ser reconquistado.

Preço vai baixar para o consumidor e o produtor

O diretor da Apidouro reforça que o conceito de oferta e demanda dará o tom no mercado interno do mel.

“A partir do momento que temos uma cessão das novas demandas por parte dos importadores americanos devido à tarifa e isso acabar impossibilitando novos contratos, como temos uma produção contínua de mel, vamos acabar tendo uma oferta por parte dos produtores muito maior e uma demanda internacional muito menor, o que reflete diretamente no preço pago pela matéria-prima, no preço pago pelo mel”, analisa.

Messa conta que, em sua maior parte, a produção de mel orgânico fica concentrada em estados do Nordeste, principalmente na Bahia, no Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte, além de em alguns pontos do Sul do país, como no Paraná.

“Principalmente no Nordeste, a apicultura é de subsistência. Então, são milhares de famílias que serão impactadas diretamente pela queda do preço e que dependem da apicultura”, conclui.

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Lucas Costa Beber assume presidência da Aprosoja Brasil

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Aprosoja MT/Assessoria

Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, assume agora um novo cargo como presidente da Aprosoja Brasil. À frente da entidade mato-grossense desde 2023, Beber dá um novo passo na representação dos produtores de soja no país.

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Ele passa a ocupar o cargo que era de Maurício Buffon, que deixa a presidência da Aprosoja Brasil. Buffon havia assumido o comando da entidade em abril de 2024, após ser eleito para o triênio 2024-2027.

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O boom do etanol de milho e o desafio de criar demanda

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Foto: Freepik

Impulsionada por mais de R$ 40 bilhões em investimentos, a produção saltou de cerca de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para uma projeção próxima de 10 bilhões de litros em 2025/26. Em apenas cinco anos, o setor quadruplicou de tamanho. Mas o desafio mudou. A questão já não é produzir mais. A pergunta agora é: quem vai consumir todo esse volume?

O modelo econômico do etanol de milho é altamente eficiente. Além do combustível, as usinas produzem DDGS, um farelo rico em proteína utilizado na alimentação de bovinos, aves e suínos. Isso amplia a rentabilidade da cadeia e ajuda a explicar a corrida de investimentos observada nos últimos anos.

O setor caminha para produzir cerca de 10 bilhões de litros por safra, consolidando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

O risco da superoferta

O crescimento da oferta começa a preocupar. Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro poderá receber aproximadamente 4 bilhões de litros adicionais de etanol em um único ciclo produtivo. Enquanto isso, o consumo cresce em ritmo muito menor, próximo de 2% ao ano. Em outras palavras, a produção avança muito mais rápido do que a demanda.

O Brasil possui uma das maiores frotas flex do mundo. Ainda assim, muitos motoristas continuam optando pela gasolina, especialmente quando a diferença de preço não compensa a menor autonomia do etanol.

Para ajudar a absorver a produção crescente, o governo elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. O setor já discute novos aumentos nos próximos anos. A medida ajuda, mas não resolve o problema estrutural da demanda.

A nova fronteira

O futuro do etanol não está apenas nos tanques dos automóveis. O combustível deverá ganhar espaço em novos mercados ligados à descarbonização, especialmente no SAF, o combustível sustentável de aviação, e em aplicações industriais de baixa emissão de carbono.

Além disso, o etanol brasileiro possui uma vantagem estratégica: baixa pegada de carbono e grande disponibilidade de matéria-prima, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

O boom do etanol de milho é uma vitória tecnológica, industrial e agrícola. O Brasil mostrou que consegue produzir. Agora precisa provar que consegue vender.

Sem novos mercados, maior competitividade nas bombas e expansão das exportações, o sucesso produtivo pode pressionar preços e reduzir margens justamente no momento em que o setor mais cresce.

O desafio dos próximos anos não será fabricar mais etanol. Será criar demanda suficiente para acompanhar a velocidade da oferta.

Miguel Daoud

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Esmagamento de soja em Mato Grosso registra novo recorde mensal

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso esmagou 1,28 milhão de toneladas de soja em maio diante da maior utilização das plantas industriais. O volume, considerado um novo recorde mensal, supera em 6,98% o total processado em abril e em 3,22% quando comparado com o mesmo período em 2025.

Tal resultado, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), está aliado à demanda externa por óleo de soja. Somente em maio 21,69 mil toneladas do derivado de soja foram exportadas pelo estado, 41,80% a mais do que em abril.

Outro fator apontado para o novo recorde é o avanço do setor de biodiesel no país.

Margens pressionadas, apesar do bom resultado

Apesar do desempenho positivo, a valorização de 1,18% da soja em grão no quinto mês de 2026 e o recuo nas cotações dos coprodutos pressionaram as margens das indústrias.

Conforme o Instituto, a margem bruta de esmagamento da soja em Mato Grosso fechou maio com retração de 7,82% no comparativo mensal, encerrando o período com média em R$ 639,84 a tonelada.


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