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15 de agosto de 2026

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Cade vai recorrer de liminar que freia decisão sobre Moratória da Soja

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta terça-feira (26) que vai recorrer quanto a liminar concedida pela Justiça Federal, em favor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), quanto a determinação do órgão para a suspensão dos efeitos da Moratória da Soja.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do órgão ao Canal Rural Mato Grosso.

No dia 18 de agosto, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, o Cade determinou a suspensão imediata dos efeitos da Moratória da Soja. A medida cautelar atendeu a um pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que apontou prejuízos econômicos concretos e imediatos aos produtores rurais e à economia do país. A decisão do órgão determinava que as empresas envolvidas no pacto da Moratória da Soja suspendessem de imediato o acordo privado. Em caso de descumprimento, estava prevista multa diária de R$ 250 mil.

A decisão foi proferida pela juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), nesta segunda-feira (25).

Na ação, a Abiove sustenta que a decisão do Cade, tomada pelo superintendente-geral, Alexandre Barreto de Souza, teria sido tomada de maneira monocrática e proferida sem a devida apreciação das manifestações técnicas e jurídicas apresentadas, em evidente afronta ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Com a decisão da juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, a multa diária de R$ 250 mil às signatárias da Moratória da Soja também foi suspensa.

O pacto da Moratória da Soja foi criado em 2006 pela Abiove e pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). Ele proíbe a compra da soja produzida em áreas do bioma Amazônia que tenham sidas desmatadas após julho de 2008.

Em nota, a Abiove afirma ter recebido “de forma positiva a decisão da Justiça Federal que deferiu o mandado de segurança e suspendeu a determinação preventiva do CADE que interrompia a Moratória da Soja”. A Associação destaca que a decisão da magistrada “reconheceu a necessidade de aprofundamento do debate sobre a Moratória da Soja e foi compatível com a visão da ABIOVE quanto à legalidade do pacto”.

Aprosoja Mato Grosso aguarda medidas do Cade

O processo no Cade teve início a partir de representações apresentadas por quatro entidades: Câmara dos Deputados, Senado Federal, CNA e Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso). Apesar de argumentos distintos, todas apontaram que a Moratória da Soja configura prática ilícita. Mais recentemente, apenas a CNA solicitou providências imediatas, alegando a gravidade dos impactos sobre os produtores.

Uma das autoras de ação no Cade a respeito do pacto, a Aprosoja Mato Grosso afirmou por meio de nota que “respeita a decisão judicial e espera que o colegiado do Cade reitere as medidas preventivas da Superintendência-Geral que suspendeu os efeitos da Moratória da Soja”.

A entidade mato-grossense salienta também que “reafirmamos que, há anos, um acordo privado, sem respaldo legal, vem impondo barreiras comerciais injustas aos produtores, sobretudo os pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas”.

A Aprosoja Mato Grosso destaca ainda em nota que “o fim da moratória da Soja é um passo essencial para o Brasil reafirmar que sustentabilidade e legalidade não se opõem — e reforça que não se pode simular políticas ambientais como pretexto para a exclusão econômica”.

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Calorão: máximas podem chegar a 40 °C com risco para focos de incêndio; veja quando e onde

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Foto: Unsplash/reprodução

O clima deve apresentar condições distintas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil nos próximos dias. Enquanto áreas do Sul enfrentam previsão de temporais e volumes elevados de chuva, regiões do Brasil Central devem registrar temperaturas próximas de 40 °C.

No Sul, a atuação de um cavado deve favorecer a formação de temporais durante o fim de semana. O cenário exige atenção principalmente no Rio Grande do Sul, onde os maiores volumes estão previstos para a faixa sul do estado e áreas próximas à fronteira com o Uruguai.

Nessas localidades, o acumulado de chuva pode ultrapassar 100 milímetros em cinco dias. Para o setor agrícola, o excesso de precipitação pode dificultar operações em campo, especialmente em áreas onde há atividades de manejo, preparo do solo ou implantação de culturas de inverno.

Calor preocupa

O Brasil Central pode registrar máximas entre 39 °C e 40 °C, com possibilidade de os termômetros chegarem a 41 °C ou 42 °C em alguns pontos.

O calor intenso, associado a períodos de menor umidade, pode aumentar a demanda hídrica das lavouras e elevar o risco de incêndios em áreas rurais. Para produtores de soja, o comportamento das temperaturas e das chuvas será importante para as condições de solo e para o planejamento da próxima temporada.

Entre os dias 20 e 24 de agosto, temperaturas próximas de 40 °C também são esperadas em Rondônia e no sul do Pará, regiões que integram a expansão da produção de grãos no país.

Chuva volta a avançar

A previsão indica que a instabilidade deve continuar concentrada no Sul nos próximos dias. Na última semana de agosto, os temporais podem voltar a ganhar força na região e avançar para São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados relevantes para a produção de soja.

A distribuição das chuvas será um dos principais pontos de atenção para o setor. Volumes excessivos podem dificultar operações agrícolas, enquanto períodos prolongados de calor e baixa umidade podem aumentar a necessidade de acompanhamento das condições hídricas.

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Lavouras de trigo mantêm boas condições, mas excesso de chuva ameaça produtividade 

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Foto: João Leonardo Pires/ Embrapa

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily mostram que os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste.

Os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 mm em algumas localidades.

De acordo com Felippe Reis, analista de culturas da empresa, o comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país.

“Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, detalha.

Ele lembra que no Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar dessa queda nos termômetros, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.

Reis lembra que condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, conforme ele, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.

Segundo o monitoramento da EarthDaily, no sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. Entretanto, o elevado volume de chuvas permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.

Chuva no Paraná e El Niño

No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.

Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.

A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.

Avanço da colheita da cana

Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.

“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta o analista.

Novas chuvas nos próximos dias

Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. No entanto, os acumulados previstos deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.

Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.

Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. Segundo a EarthDaily, o cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.

A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, Reis salienta que embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.

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Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e aumenta valor obtido por tonelada exportada

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Foto: Reprodução/Freepik

A carne bovina de Mato Grosso atravessa 2026 com dois movimentos simultâneos no mercado internacional: mais países comprando e maior valor obtido pelas vendas. No primeiro semestre, os embarques alcançaram 88 destinos e movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil por tonelada.

A comparação com o mesmo período de 2025 mostra que não foi apenas a quantidade de mercados que aumentou. Naquele ano, eram 77 países, receita de US$ 1,47 bilhão e preço médio de US$ 5,1 mil por tonelada.

O avanço do valor médio é um dos pontos que ajudam a explicar o crescimento da receita. A tonelada exportada passou a valer, em média, cerca de US$ 1 mil a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Mesmo com a abertura de novos destinos, a China continua sendo o principal mercado para a carne mato-grossense. Foram 282,4 mil toneladas destinadas ao país asiático no período, volume muito superior ao registrado pelos Estados Unidos, segundo maior comprador, com 41 mil toneladas.

“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

Mais compradores mudam o perfil do mercado

Depois de China, Estados Unidos e Chile, que recebeu 31 mil toneladas, aparecem mercados como Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos entre os dez principais destinos.

Há ainda compradores com volumes menores, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia. A presença nesses países amplia as alternativas de comercialização para a indústria frigorífica.

Para a pecuária, uma base maior de compradores pode diminuir a exposição às oscilações de demanda ou às condições comerciais de determinados mercados.

“Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas”, afirma Andrade.

A estratégia, segundo o diretor do Imac, também pode favorecer a busca por mercados dispostos a pagar mais por determinados atributos da proteína. “Além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne”, acrescenta.


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