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11 de maio de 2026

Business

Usina de Mato Grosso investe em combustível sustentável de aviação

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Há quatro anos, uma usina de etanol mudou a rotina do interior de Mato Grosso. Criada por 24 produtores rurais, em sua maioria vizinhos, a planta nasceu para industrializar o milho, abundante na região. Hoje, processa mil toneladas por dia e gera 430 mil litros de etanol. Agora, se prepara para uma expansão que deve triplicar a produção.

“Diante da demanda crescente de produção de milho, como também da demanda global, visando a sustentabilidade e em relação às exigências do meio ambiente, exigências que visam a descarbonização, atingindo metas do Acordo de Paris também, isso fez com que a ALD hoje pensasse numa proposta de crescimento”, explica o gerente comercial Maikon Farias de Andrade.

Olhos no SAF

Os planos da empresa situada no Distrito de Deciolândia vão além do mercado atual e miram o SAF – combustível de aviação sustentável. Mesmo em fase inicial, esse mercado é visto como promissor, com potencial para transformar o setor aéreo e abrir novas fronteiras para o agro brasileiro na transição energética global.

Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

A relação do etanol com a aviação não é novidade. Há 12 anos, uma aeronave agrícola movida por combustível renovável entrou em operação no estado e continua voando. O modelo tornou-se referência e símbolo da inovação no campo.

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“O Ipanema é uma aeronave 100% eficiente. Tanto pela logística dele, em pistas mais pequenas, áreas mais pequenas, quanto na questão da acessibilidade do combustível também, né? Por ser etanol, a gente tem uma facilidade a mais de compra. Então é uma aeronave muito eficiente”, avalia Diego Nunes, coordenador de operação agrícola.

Apesar da eficiência, o setor cobra melhorias. “É um pedido de um mercado, né? Aumentar a capacidade dos Ipanemas a etanol para o agro. Para acompanhar esse crescimento, a empresa tem que ter uma estratégia de estar adquirindo mais aeronaves para atender a demanda desses produtores e, com certeza, a aeronave a etanol está na nossa lista de estratégia sim”, afirma Keila Brunetta, sócia-proprietária da Aurora Aviação.

Produzida em série desde 2005, a aeronave Ipanema é o único avião no mundo certificado para voar com motor exclusivamente a etanol. Sustentável e eficiente, tornou-se marco da aviação agrícola brasileira.

Etanol de milho e SAF o futuro da aviação limpa nasce em Mato Grosso Foto Leandro Balbino Canal Rural Mato Grosso
Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

Aviação sustentável

O setor aéreo responde por cerca de 3% das emissões globais de CO₂. Embora pareça pouco diante de outros segmentos, seu impacto climático é maior devido à natureza das emissões. Além do gás carbônico, a aviação libera óxidos de nitrogênio e forma esteiras de condensação, que intensificam o aquecimento global.

Para o engenheiro químico Henrique Baudel, PhD em etanol de segunda geração na Suécia, a transição para combustíveis sustentáveis já está em curso. “Atualmente, as empresas aéreas estão utilizando um sistema chamado booking claim. Elas reservam o pedido do SAF, por exemplo, e quando chegam em determinado país, elas claim, ou seja, mostram que o sistema já está rodando. Eu acredito que nos próximos cinco anos vamos ver avanços muito grandes na consolidação das tecnologias para poder atender pelo menos aí a metade, a metade é um pouco mais, de toda essa demanda atual”.

O pesquisador explica que, para a aviação comercial, o etanol passa por transformação antes de se tornar SAF. “Você primeiro desidrata a molécula do álcool, tira o oxigênio, porque o combustível não pode ter oxigênio de aviação. Depois faz uma polimerização, juntando uma molécula na outra até um determinado tamanho, e depois coloca hidrogênio, para garantir que vai ter uma molécula grande, somente com carbono e hidrogênio. Ou seja, que reproduz exatamente a molécula do querosene de aviação. Para isso, você usa o etanol como matéria-prima”.

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Mato Grosso lidera a produção nacional de etanol de milho. Dos 10 bilhões de litros previstos no Brasil para a safra 2025/26, 60% sairão do estado. Para o presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), discutir SAF é discutir o futuro.

“Com certeza, o mundo está olhando para isso. Os aeroportos têm demanda de SAF, países têm demanda de SAF, mas ainda é um desafio de futuro. E o etanol pode ser rota dentro de vários produtos, pode ser matéria-prima e rota de produção do SAF com muita viabilidade”, afirma Guilherme Nolasco.

O que nasce no agro mato-grossense pode, em breve, ser o combustível de um futuro mais limpo para quem vive nas cidades — e no planeta.


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Preço do milho cai com avanço da colheita e pressão nos armazéns

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De janeiro a agosto, a China importou 930 mil toneladas de milho, recuo de 92,7% na comparação anual, segundo o Gacc. Foto: Pixabay.

Os preços do milho seguem em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), pressionados pelo avanço da colheita da safra de verão e pelo elevado volume de estoques remanescentes da temporada 2024/25.

Segundo o Cepea, a maior disponibilidade do cereal no mercado tem ampliado a oferta e favorecido os compradores, que relatam facilidade para fechar negócios e aguardam novas desvalorizações nas próximas semanas.

No mercado spot, parte dos vendedores também tem demonstrado maior flexibilidade nas negociações. O movimento ocorre em meio à necessidade de liberar espaço nos armazéns, atualmente ocupados pela chegada de novos lotes de soja e milho da safra de verão, além dos estoques ainda remanescentes da temporada anterior.

Além da pressão logística, produtores buscam reforçar o caixa, o que contribui para aumentar o volume disponível para comercialização.

Clima limita quedas mais intensas

Apesar do cenário de ampla oferta, o Cepea destaca que as quedas nos preços não foram ainda mais acentuadas devido às preocupações climáticas envolvendo a segunda safra de milho.

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Algumas regiões produtoras enfrentam falta de chuva e temperaturas elevadas, condição que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras. Além disso, previsões de avanço de frentes frias voltaram ao radar do mercado e aumentam a atenção dos agentes sobre possíveis impactos no potencial produtivo.

Caso o cenário climático adverso se confirme, a produtividade da segunda safra poderá ser reduzida.

Atualmente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 109,11 milhões de toneladas de milho na segunda safra brasileira.

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Plano Safra e seguro rural pautam discussões com o Mapa no 4º Congresso Abramilho

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Foto: Assessoria Abramilho

O setor produtivo leva para dentro do 4º Congresso Abramilho, na próxima quarta-feira (13), a pressão por um Plano Safra que garanta fôlego financeiro aos produtores rurais. Com a participação confirmada do ministro André de Paula (Mapa), o evento em Brasília será o palco para cobrar medidas concretas contra o endividamento no campo e a precariedade do seguro rural. O debate ocorre em um momento crítico, onde o alto preço dos insumos ameaça a viabilidade da próxima temporada.

Além do representante do governo brasileiro, a cúpula do evento recebe o embaixador da China, Zhu Qingqiao. O foco das entidades é garantir que o governo federal apresente mecanismos eficientes de apoio à comercialização e investimentos em infraestrutura logística. A mesa de abertura conta com a mediação do jornalista Cassiano Ribeiro.

Nomes como João Martins da Silva Júnior (CNA) e Lucas Costa Beber (Aprosoja-MT) também participam da discussão, que busca traçar um diagnóstico sobre as dificuldades enfrentadas em Mato Grosso e nas demais regiões produtoras. O grupo defende que, sem um aporte robusto no crédito oficial, a competitividade do grão brasileiro pode ser comprometida pela falta de armazéns e logística deficitária.

Interlocução e crise de rentabilidade

Para o organizador do congresso e diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o encontro serve como uma ponte direta para que as dores do produtor cheguem ao alto escalão da Esplanada. Ele destaca que o cenário de incerteza exige que o ministério exponha quais são os planos reais para mitigar os riscos da atividade.

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“A gente vai discutir crise, política, Plano Safra. Com o ministro da Agricultura presente, o que se coloca na mesa é o que o governo está pensando diante das dificuldades que o setor está passando”, afirma Silveira.

A agenda do dia ainda contempla discussões técnicas sobre biotecnologia e a influência da geopolítica nas exportações. O objetivo final é consolidar uma pauta de propostas que será entregue às autoridades, reforçando a necessidade de segurança jurídica e financeira para o agronegócio nacional.


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Rápida evolução dos bioinsumos pressiona governo por célere regulamentação, diz Abinbio

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Foto: Canal Rural

O avanço acelerado do mercado de bioinsumos no Brasil elevou a pressão sobre o governo federal para concluir a regulamentação do Novo Marco Regulatório do setor. A avaliação predominou entre lideranças da indústria e pesquisadores reunidos no BioSummit 2026, realizado em 6 e 7 de maio, em Campinas, São Paulo.

O consenso foi da necessidade de regulamentação célere da nova legislação como condição estratégica para garantir segurança jurídica, continuidade operacional e expansão dos investimentos em bioinsumos no país.

O debate ocorre em meio a um cenário de forte crescimento do segmento. Segundo levantamento da CropLife Brasil, o mercado brasileiro de bioinsumos atingiu R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior e o maior avanço desde o início da série histórica, em 2022.

No plano internacional, a consultoria DunhamTrimmer projeta crescimento global de 10% entre 2025 e 2030, levando o setor a US$ 25 bilhões até o fim da década. A América Latina deverá superar essa média, com expansão estimada em 14%, puxada principalmente pelo Brasil, hoje considerado líder mundial em adoção de insumos biológicos.

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Foi nesse contexto que o assessor jurídico da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Rodrigo Souza, defendeu rapidez na consolidação das normas infralegais da nova Lei dos Bioinsumos, uma vez que o tempo de entusiasmo com a aprovação da matéria já passou.

Segundo ele, o próprio processo legislativo demonstrou maturidade institucional e alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“É importante destacar que durante o processo legislativo existiu bastante consenso, mesmo com a participação dos diferentes setores envolvidos, o que demonstra o amadurecimento do debate e o entendimento de que neste momento a finalização do processo é a prioridade para todos, produtor rural, governo, pesquisa, investimento e indústria”, destacou.

Segurança jurídica

Souza ressalta que, entretanto, o cenário atual vai além de mera expectativa regulatória. “Mais do que ansiedade com a finalização da regulamentação, existe urgência real, especialmente por parte da indústria, que aguarda a finalização da regulamentação para ter segurança jurídica sobre uma área extremamente regulada”, declarou.

De acordo com ele, a ausência das regulamentações complementares já provoca impactos concretos sobre a operação das empresas. “Em muitos casos a falta de regulamentação impacta diretamente em processos de registro de produtos, fiscalizações e demais rotinas da cadeia de produção”, afirmou.

O assessor jurídico da Abinbio ressaltou ainda que diversos pontos previstos no novo marco continuam exigindo aprofundamento técnico e alinhamento institucional. Entre eles, citou a necessidade de definição sobre a atuação prévia do Ibama e da Anvisa nos processos de registro, além de temas considerados estratégicos para a competitividade do setor.

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“Nesse contexto de urgência, é necessário destacar pontos importantes para a rotina da indústria, trazidos pela Lei dos Bioinsumos, que ainda necessitam de debate, especialmente atinentes à necessidade de atuação prévia do Ibama e Anvisa em processos de registro de produtos, proteção de dados regulatórios, proteção contra biopirataria, possibilidade de acreditação de laboratórios privados e ampliação do escopo da titularidade de registro de bioinsumos”, pontuou.

Outro aspecto levantado por Souza foi a coexistência temporária entre dispositivos antigos e as novas diretrizes legais, situação que, segundo ele, amplia a insegurança jurídica no setor. “Existem pontos de sombra entre a nova lei e o regramento anterior, que continuam impactando o dia a dia e inclusive gerando insegurança nas rotinas produtivas, em processos administrativos e fiscalizações”, explicou.

Ao encerrar sua participação, o representante da Abinbio reforçou que a consolidação do ambiente regulatório será determinante para o futuro da indústria brasileira de bioinsumos.

“A expectativa do setor é enorme, todavia a atividade da indústria não pode parar, pois existe toda a cadeia produtiva, de suprimentos e empregos envolvidos, pelo que a consolidação e aumento de investimentos e crescimento dependem de clareza e segurança jurídica no ambiente regulatório, o que somente ocorrerá com a finalização da regulamentação”, concluiu.

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