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12 de agosto de 2026

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custos maiores e incertezas no mercado desafiam produtor em Mato Grosso

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Em Mato Grosso, o plantio da próxima safra da soja será liberado a partir do dia 7 de setembro. Mas, antes mesmo da primeira semente ser colocada na terra, as despesas da nova temporada já pesam no bolso do produtor.

As despesas com fertilizantes, corretivos e defensivos voltaram a subir em julho. Com isso, o custeio da safra de soja 2025/26 em Mato Grosso já passa de R$ 4 mil por hectare, e a alta acende a preocupação do produtor com a rentabilidade da lavoura.

Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em julho o custeio apresentou alta de 0,92%. Os fertilizantes e corretivos tiveram alta de 1,31% no mês, enquanto os defensivos avançaram 1,44%.

“Hoje, o custeio por hectare é de R$ 4.183,00. A gente vê um aumento em relação à safra passada muito atrelada a questões de defensivos. Vemos uma relação de troca não muito favorável”, pontua o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Matheus da Silva.

Ele comenta que quando comparada a temporada com as últimas cinco safras “está no pior cenário”, uma vez que necessita de mais sacas para conseguir uma tonelada dos insumos em questão. “O produtor que não comercializou ainda, a janela está fechada. Não está com bons patamares para a relação de troca e isso assusta também. E a questão de muitos produtores também fechando agora a gente vê problemas logísticos que podem vir a acontecer“, frisa ao Canal Rural Mato Grosso.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cautela no manejo e adoção de estratégias para minimizar custos

De acordo com o Imea, mesmo com a alta recente, os custos ainda estão abaixo do ciclo 2022/23, quando o produtor chegou a gastar mais de R$ 5 mil por hectare. Ainda assim, para o setor produtivo a lição permanece: em um mercado globalizado, a rentabilidade depende do que acontece dentro da porteira e precisa redobrar a cautela no manejo dos custos e nas estratégias.

“Estamos vivendo um descontrole fiscal. Temos um custo muito alto de juros, principalmente. Isso está matando a agricultura”, diz o agricultor Gilson Antunes Melo. Conforme ele, a soma de tais situações “vai influenciando e gerando mais insegurança para essa próxima safra”. O produtor frisa ainda que quando se tem um custo alto, a tendência é a retirada de investimentos, o que pode levar a “ter uma menor colheita”.

Presidente do Sindicato Rural de Canarana, Lino Costa pontua à reportagem que “o produtor que em outubro ou novembro do ano passado já travou seu custo de produção para alguns produtos, ele foi um pouco mais assertivo e pegou um preço melhor”.

“Mas, é uma coisa que não é corriqueira da gente fazer. E, o investimento ele tem que ter. O produtor tem que investir para produzir. Todo produtor investe com o mínimo de gasto com produto focado em uma boa produtividade”, salienta Lino, lembrando ainda dos desafios proporcionados pelo clima que podem ainda impactar no rendimento do campo e na rentabilidade do produtor.

O presidente do Sindicato Rural de Canarana ressalta ainda que a situação na primeira safra pode refletir na segunda safra, porque “às você deixa um financeiro ainda para pagar com a segunda safra. Eu falo abertamente, nós do Centro-Oeste hoje estamos sobrevivendo da segunda safra, porque se fossemos sobreviver de soja hoje a região estaria com a metade da ampliação e de todo esse desenvolvimento que tem aqui”.

soja plantio custo festilizantes defensivos foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Logística e comércio internacional também preocupam

Conforme o setor produtivo do estado, além do custo interno, questões logísticas e incertezas no mercado internacional também causam preocupação. A  dependência do petróleo e de seus derivados é vista como um dos pontos mais delicados, pontuam.

“Esse ano nós temos um somatório maior de dificuldades, principalmente na relação comercial com a Rússia da maneira que estão as taxações e as ameaças do governo norte americano na nossa questão do petróleo”, frisa o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes (Aprofir Brasil), Marcos da Rosa.

Hoje, a Rússia é um dos principais exportadores de petróleo para o Brasil, o que pode, diante do cenário internacional, elevar ainda mais os custos da produção. “Então é um momento em que a safra está inviável, e as coisas podem ficar mais difíceis ainda, em função da falta de rentabilidade anterior, em função da seca que nós tivemos em Mato Grosso a situação do produtor não é boa”.

Marcos da Rosa alerta ainda quanto aos produtores que arrendam áreas, onde “é um custo maior de quem planta em área própria”.

Soja colheita custo de produção foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos também pesa na venda antecipada da soja

Além do impacto imediato no bolso, os custos mais altos também pesam no planejamento da venda antecipada da soja. Para fechar contratos, o produtor mato-grossense afirma que precisa de segurança, pois qualquer centavo a mais no custeio pode mudar a conta lá na frente.

“Escalonamento é a palavra deste ano. Vender conforme vai dando as oportunidades, dividindo ao longo do ano para chegar lá na frente e ter um preço melhor. Torcer por um preço melhor para conseguir ter renda no campo e torcer para o clima, porque o produtor depende extremamente do clima, que seja um clima bom e produtividades boas”, diz o agricultor Gilson Antunes.


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SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%

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Foto: Divulgação/SLC Agrícola

A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira (12) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026. A companhia encerrou o período com receita líquida recorde de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também avançou, com expressiva alta de 75,3% sobre o segundo trimestre de 2025, para R$ 245,1 milhões.

A perspectiva positiva também alcança o desempenho das lavouras. A safra de soja foi encerrada com produtividade recorde, enquanto o algodão caminha para o que pode ser a melhor safra da história da companhia em termos de produtividade.

O resultado bruto da SLC Agrícola somou R$ 941,2 milhões, avanço de 43,5% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de algodão e soja, culturas que representam importantes vetores de geração de valor para a empresa.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre e totalizou R$ 580,6 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,3% e margem de 26,7%. Os indicadores refletiram o acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas.

No trimestre, a companhia faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas, volume recorde para o período e 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes faturados de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis em algumas dessas atividades.

“Os números do trimestre refletem um trabalho que começa muito antes da colheita. O planejamento das culturas, o cuidado diário nas fazendas, a gestão comercial e a disciplina na alocação de capital permitiram ampliar a operação e entregar resultados consistentes. Crescemos em escala, mas seguimos atentos à eficiência e à qualidade da execução”, destaca o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Recorde de produtividade

A soja ocupou 424,6 mil hectares, equivalentes a 51% de toda a área plantada pela companhia na safra 2025/26. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, resultado 4,7% superior ao ciclo anterior e 2,7% acima do projeto inicialmente. O rendimento também ficou 11,7% acima da média nacional indicada pela Conab em julho deste ano.

No segundo trimestre, a soja apresentou resultado bruto de R$ 301,3 milhões, com resultado unitário de R$ 530 por tonelada.

No algodão, cultivado em 191,3 mil hectares, os resultados registrados até o momento reforçam a expectativa de uma das melhores safras da história da SLC Agrícola em produtividade.

Para a primeira safra, a companhia projeta 2.220 quilos de pluma por hectare, rendimento 20,6% superior ao ciclo anterior e 7,5% acima do projeto inicial. Na segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos de pluma por hectare, produtividade 4,5% superior ao planejado.

Maior volume comercializado

No segundo trimestre, a SLC Agrícola faturou 93,1 mil toneladas de algodão em pluma, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na soja, o volume chegou a 568,3 mil toneladas, alta de 9,8%.

O volume faturado de milho alcançou 103,5 mil toneladas, uma variação de 69,5%. Na pecuária, foram comercializadas 12,8 mil cabeças, crescimento de 52,3%.

Além da soja e do algodão, o milho registrou aumento expressivo tanto em volume quanto em receita. A receita líquida da cultura avançou 56,6%, para R$ 77,7 milhões, enquanto o resultado bruto cresceu 5,7%.

Na pecuária, a receita líquida atingiu R$ 93,5 milhões, alta de 74,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado bruto totalizou R$ 15,7 milhões, avanço de 82,4%. Por cabeça, o resultado ficou em R$ 1.225, valor 19,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Com a colheita da safra 2025/26 avançando para a reta final, a SLC Agrícola já concluiu 100% da colheita da soja, 90,6% do milho segunda safra e 61,2% do algodão.

Em relação ao custeio, a maior parte das despesas referentes à safra 2025/26 já foi paga. Ao mesmo tempo, 100% da produção de algodão e 99% da produção de milho ainda serão faturados e entregues. Segundo a companhia, esses volumes devem contribuir para a redução da alavancagem ao longo do segundo semestre.

Investimentos em irrigação

No segundo trimestre, a SLC Agrícola destinou R$ 81,7 milhões a projetos de irrigação. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a R$ 155 milhões.

A Fazenda Piratini concentrou a maior parte dos desembolsos, direcionados principalmente à implantação de estruturas de pivôs, à perfuração de poços e reservatórios, além da execução de obras de infraestrutura elétrica e hidráulica.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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