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27 de junho de 2026

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custos maiores e incertezas no mercado desafiam produtor em Mato Grosso

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Em Mato Grosso, o plantio da próxima safra da soja será liberado a partir do dia 7 de setembro. Mas, antes mesmo da primeira semente ser colocada na terra, as despesas da nova temporada já pesam no bolso do produtor.

As despesas com fertilizantes, corretivos e defensivos voltaram a subir em julho. Com isso, o custeio da safra de soja 2025/26 em Mato Grosso já passa de R$ 4 mil por hectare, e a alta acende a preocupação do produtor com a rentabilidade da lavoura.

Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em julho o custeio apresentou alta de 0,92%. Os fertilizantes e corretivos tiveram alta de 1,31% no mês, enquanto os defensivos avançaram 1,44%.

“Hoje, o custeio por hectare é de R$ 4.183,00. A gente vê um aumento em relação à safra passada muito atrelada a questões de defensivos. Vemos uma relação de troca não muito favorável”, pontua o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Matheus da Silva.

Ele comenta que quando comparada a temporada com as últimas cinco safras “está no pior cenário”, uma vez que necessita de mais sacas para conseguir uma tonelada dos insumos em questão. “O produtor que não comercializou ainda, a janela está fechada. Não está com bons patamares para a relação de troca e isso assusta também. E a questão de muitos produtores também fechando agora a gente vê problemas logísticos que podem vir a acontecer“, frisa ao Canal Rural Mato Grosso.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cautela no manejo e adoção de estratégias para minimizar custos

De acordo com o Imea, mesmo com a alta recente, os custos ainda estão abaixo do ciclo 2022/23, quando o produtor chegou a gastar mais de R$ 5 mil por hectare. Ainda assim, para o setor produtivo a lição permanece: em um mercado globalizado, a rentabilidade depende do que acontece dentro da porteira e precisa redobrar a cautela no manejo dos custos e nas estratégias.

“Estamos vivendo um descontrole fiscal. Temos um custo muito alto de juros, principalmente. Isso está matando a agricultura”, diz o agricultor Gilson Antunes Melo. Conforme ele, a soma de tais situações “vai influenciando e gerando mais insegurança para essa próxima safra”. O produtor frisa ainda que quando se tem um custo alto, a tendência é a retirada de investimentos, o que pode levar a “ter uma menor colheita”.

Presidente do Sindicato Rural de Canarana, Lino Costa pontua à reportagem que “o produtor que em outubro ou novembro do ano passado já travou seu custo de produção para alguns produtos, ele foi um pouco mais assertivo e pegou um preço melhor”.

“Mas, é uma coisa que não é corriqueira da gente fazer. E, o investimento ele tem que ter. O produtor tem que investir para produzir. Todo produtor investe com o mínimo de gasto com produto focado em uma boa produtividade”, salienta Lino, lembrando ainda dos desafios proporcionados pelo clima que podem ainda impactar no rendimento do campo e na rentabilidade do produtor.

O presidente do Sindicato Rural de Canarana ressalta ainda que a situação na primeira safra pode refletir na segunda safra, porque “às você deixa um financeiro ainda para pagar com a segunda safra. Eu falo abertamente, nós do Centro-Oeste hoje estamos sobrevivendo da segunda safra, porque se fossemos sobreviver de soja hoje a região estaria com a metade da ampliação e de todo esse desenvolvimento que tem aqui”.

soja plantio custo festilizantes defensivos foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Logística e comércio internacional também preocupam

Conforme o setor produtivo do estado, além do custo interno, questões logísticas e incertezas no mercado internacional também causam preocupação. A  dependência do petróleo e de seus derivados é vista como um dos pontos mais delicados, pontuam.

“Esse ano nós temos um somatório maior de dificuldades, principalmente na relação comercial com a Rússia da maneira que estão as taxações e as ameaças do governo norte americano na nossa questão do petróleo”, frisa o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes (Aprofir Brasil), Marcos da Rosa.

Hoje, a Rússia é um dos principais exportadores de petróleo para o Brasil, o que pode, diante do cenário internacional, elevar ainda mais os custos da produção. “Então é um momento em que a safra está inviável, e as coisas podem ficar mais difíceis ainda, em função da falta de rentabilidade anterior, em função da seca que nós tivemos em Mato Grosso a situação do produtor não é boa”.

Marcos da Rosa alerta ainda quanto aos produtores que arrendam áreas, onde “é um custo maior de quem planta em área própria”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos também pesa na venda antecipada da soja

Além do impacto imediato no bolso, os custos mais altos também pesam no planejamento da venda antecipada da soja. Para fechar contratos, o produtor mato-grossense afirma que precisa de segurança, pois qualquer centavo a mais no custeio pode mudar a conta lá na frente.

“Escalonamento é a palavra deste ano. Vender conforme vai dando as oportunidades, dividindo ao longo do ano para chegar lá na frente e ter um preço melhor. Torcer por um preço melhor para conseguir ter renda no campo e torcer para o clima, porque o produtor depende extremamente do clima, que seja um clima bom e produtividades boas”, diz o agricultor Gilson Antunes.


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Plano ABC+ RS avança com expansão de tecnologias de baixa emissão no campo

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A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) apresentou, nesta sexta-feira (26), em Porto Alegre, resultados atualizados do Plano ABC+ RS durante o evento “O Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul”, promovido pela Federação da Agricultura do RS (Farsul). Os dados indicam avanço na adoção de tecnologias voltadas à adaptação às mudanças climáticas e à mitigação de gases de efeito estufa na agropecuária gaúcha.

Segundo a Seapi, o Plano ABC+ RS foi instituído pela Resolução Seapi nº 001/2023 e está alinhado ao Plano Nacional ABC+ no período 2020/2030. A estratégia reúne ações de adaptação e mitigação no setor agropecuário, com foco em resiliência, eficiência produtiva e redução de emissões.

O coordenador do plano ABC+ RS e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, afirmou que o estado conta atualmente com 10 tecnologias com resultados concretos de potencial mitigação de gases de efeito estufa. Entre elas estão o Programa de Recuperação de Pastagens Degradadas (PRPD), a expansão do Sistema de Plantio Direto de Grãos (SPDG) e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

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Na recuperação de pastagens degradadas, o Rio Grande do Sul alcançou 732 mil hectares recuperados, volume equivalente a 51% da meta prevista até 2030. Os municípios com maior expansão de PRPD são Alegrete, Santana do Livramento, Uruguaiana e Rosário do Sul.

No plantio direto de grãos, o estado registra expansão de 690 mil hectares, o que corresponde a 115,32% da meta estabelecida. Com esse desempenho, o Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição nacional na expansão da tecnologia. A adoção do SPDG já resultou em redução aproximada de 5 milhões de dióxido de carbono equivalente no estado. Entre os municípios com destaque nesse indicador estão Alegrete, São Borja, Santa Vitória do Palmar, Maçambará, Itaqui, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

Nos sistemas integrados, municípios como São Lourenço do Sul, Uruguaiana, Dom Pedrito, Santa Vitória do Palmar e São Gabriel concentram resultados que já proporcionaram mitigação de cerca de 7,94 milhões de dióxido de carbono equivalente.

Durante o evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apresentaram painéis sobre adaptação e mitigação na agropecuária gaúcha. A programação também contou com participação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema), Embrapa e representantes da Seapi, em debate sobre produção agropecuária de baixa emissão de carbono no estado.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Ministério da Agricultura confirma anúncio do Plano Safra para 30 de junho com ausência de Lula

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Foto: Rodrigo Arnt

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou convite na tarde desta sexta-feira (26) confirmando a data de anúncio do Plano Safra 2026/27 da Agricultura Empresarial para as 10 horas da próxima terça-feira (30), como já havia antecipado o Canal Rural.

Os números do Plano Safra da Agricultura Familiar devem ser feitos no mesmo dia, à tarde. O chamamento da pasta confirma uma informação que estava sendo ventilada ao longo do dia: o presidente Lula se ausentará da cerimônia da manhã.

Na ocasião, o chefe do Executivo estará na reunião da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. Contudo, a expectativa é que ele esteja presente no segundo anúncio. O tempo de voo entre a capital do país vizinho e Brasília é de cerca de quatro horas.

Essa é a primeira vez, desde o lançamento do programa, em 2002, que o presidente não comparece no evento. O convite acusa que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, comandará a cerimônia ao lado do ministro do Mapa, André de Paula.

De acordo com apuração do ex-presidente do Banco do Brasil e colunista do Canal Rural, Fausto Ribeiro, o Plano Safra 2026/27 deve ser de R$ 652 bilhões, avanço de cerca de 10% frente ao total disponibilizado na safra passada.

Contudo, as atenções se voltam para as condições a serem disponibilizadas, uma vez que especialistas alertam para restrições fiscais e ambientais, o que deve impactar o crédito rural.

O Canal Rural acompanhará o anúncio do Plano desde o início, em transmissão ao vivo pela TV e redes sociais. Quem for assistir a cerimônia presencialmente deve preencher este formulário.

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Agricultura do futuro será cada vez mais digital, afirma presidente da Embrapa

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Foto: reprodução/Planeta Campo

A agricultura brasileira deve se tornar cada vez mais digital, conectada e sustentável nos próximos anos. A avaliação é da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, que destaca a inovação tecnológica como um dos principais motores para ampliar a produtividade, enfrentar as mudanças climáticas e promover a inclusão de pequenos e médios produtores rurais.

Segundo ela, a história da agricultura brasileira está diretamente ligada ao investimento em ciência. Há pouco mais de cinco décadas, o Brasil era importador de alimentos. A mudança desse cenário ocorreu com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições de clima e solo do país.

“A Embrapa teve um papel fundamental nesses últimos 50 anos para o avanço da agricultura brasileira. Nós podemos destacar aqui que há 50 anos atrás nós éramos importadores de alimentos. Começamos a trabalhar com a adaptação das tecnologias para o nosso tipo de clima e solo. Então, o que foi fundamental foi uma agricultura baseada em ciência”, destacou.

Três fases da transformação agrícola

De acordo com Silvia Massruhá, a evolução da agropecuária nacional pode ser dividida em três grandes etapas. A primeira foi marcada pela expansão da produção de grãos, especialmente da soja no Cerrado, impulsionada pelo desenvolvimento de fertilizantes e sistemas produtivos adaptados às condições brasileiras.

Na sequência, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ganhou força a intensificação da produção com sistemas integrados, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além da incorporação de biotecnologia, nanotecnologia, automação e agricultura de precisão.

A fase mais recente é caracterizada pela agricultura de base biológica, com maior uso de bioinsumos e foco em uma produção multifuncional, capaz de atender à demanda por alimentos, fibras e energia de forma sustentável.

Ciência impulsiona produtividade

Segundo a presidente da Embrapa, os resultados dessa trajetória são expressivos. Nos últimos 50 anos, a área plantada no Brasil cresceu cerca de 140%, enquanto a produção e a produtividade de grãos aumentaram aproximadamente 580%.

Para Massruhá, esse avanço demonstra que o crescimento da agricultura brasileira ocorreu principalmente pelo aumento da eficiência produtiva e pela adoção de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa.

Outro destaque é a contribuição da Embrapa para políticas públicas, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), utilizado para orientar o crédito e o seguro rural.

Atualmente, o sistema gera recomendações para 44 culturas em cerca de 5 mil municípios brasileiros. O trabalho envolve mais de 200 pesquisadores distribuídos em 32 unidades da Embrapa, que revisam anualmente as informações para orientar as janelas de plantio com menor risco climático.

Inclusão digital é desafio

Apesar dos avanços tecnológicos, Silvia Massruhá alerta que a transformação digital ainda precisa chegar de forma mais ampla aos pequenos e médios produtores.

“Cada vez mais novas tecnologias estão introduzidas no setor da agricultura e precisamos trazer essas novas tecnologias para o pequeno e médio produtor”, destaca Massruhá.

Segundo ela, o maior poder de investimento dos grandes produtores facilita a adoção de novas tecnologias, enquanto propriedades menores enfrentam barreiras relacionadas ao acesso, à conectividade e à capacitação.

Conectividade ainda é limitada

A presidente da Embrapa destaca que apenas cerca de 25% da área rural brasileira possui cobertura de conectividade, um dos principais entraves para a digitalização do campo.

Nesse contexto, o projeto Semear Digital busca atuar em três frentes levantamento das necessidades dos produtores, capacitação e ampliação da conectividade.

A iniciativa reúne instituições públicas, universidades, startups, provedores de internet e cooperativas para desenvolver soluções adaptadas às demandas locais. O objetivo é criar, ao longo de cinco anos, um modelo economicamente sustentável que permita aos produtores manter o acesso às tecnologias digitais.

Novos desafios para a agricultura

Além da transformação digital, Silvia Massruhá destaca que o setor agropecuário enfrenta outros grandes desafios, como a transição climática, energética e nutricional.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao estresse hídrico, tecnologias para adaptação às mudanças climáticas, sistemas de rastreabilidade e certificação da produção e soluções que atendam à crescente demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

A presidente destaca que, atualmente, a Embrapa disponibiliza mais de 120 cursos gratuitos pela plataforma e-Campo, abordando desde tecnologias avançadas até práticas simples para produtores rurais.

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