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12 de agosto de 2026

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Doce de leite, coco e superação: o sabor de uma nova vida

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Quem vê a casa simples no loteamento Bom Jardim, em Sinop, talvez nem imagine que ali, por trás das paredes, acontece uma história de superação e empreendedorismo que inspira. A residência é, na verdade, a sede da GilCla, uma agroindústria familiar que transforma leite, coco e açúcar em doces deliciosos que, além de agradar o paladar, geram renda e oportunidades.

A jornada do casal começou de forma inesperada há 20 anos. Gilberto de Oliveira Santos, que trabalhava em uma serraria, viu a chance de mudar de vida quando a empresa fechou as portas. Ele começou a vender doces e salgadinhos em Sinop e, com a escassez de produtos, decidiu fabricá-los por conta própria, comprando a fábrica do fornecedor.

“Eu vim da madeireira. Trabalhava em serraria aqui. Aí a serraria fechou e eu migrei para outro ramo”, conta Gilberto ao programa Senar Transforma desta semana, que na época não sabia nada sobre a produção de doces. Ele começou a empreitada “com a vontade”, como ele mesmo diz.

O início, porém, foi bem difícil. A falta de experiência fazia com que o casal perdesse muita matéria-prima. “O início foi bem difícil. No início só ele trabalhava. A gente tinha uma mercearia aqui mesmo e aí eu cuidava da mercearia e ele cuidava da fábrica de doce”, explica Clair Pereira de Oliveira. “Então, como não sabia, perdia muito. Secava o doce, ou ficava muito mole. A gente jogava tudo fora”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Foi só quando venderam a mercearia e Clair se juntou a Gilberto na fábrica que as coisas começaram a mudar. “Aí eu fui trabalhar com ele na fábrica e aí que a gente começou a fazer dar certo”, ela relata. Juntos, eles foram ajustando as receitas e, de 2005 até 2011, buscaram a perfeição. “Por exemplo, você morder, comer um doce e ele amargar sua garganta, então você não vai querer comer mais. Então a gente foi modificando, até acertar o ponto certo”, afirma Clair.

Com o tempo, a gama de produtos foi crescendo. De uma única cocada escura, a agroindústria passou a produzir cocada escura, cocada branca, doce de leite e a invenção da casa, a cocada com doce de leite, que hoje é a mais vendida. “A gente pegou, espalhou o doce de leite na mesa, aí fizemos uma receita de cocada e jogamos em cima. Aí ficou muito grosso. Aí ele falou: ‘Não, tem que abrir mais na mesa’”, recorda Clair ao programa do Canal Rural Mato Grosso. A experiência rendeu uma receita de sucesso que, junto aos outros doces, alcança a marca de 100 bandejas produzidas por dia.

Cada bandeja é vendida por R$ 50 e contém 30 unidades de doces, com pesos que variam de 47 a 60 gramas cada, conforme o tipo.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Apesar do sucesso em vendas, o casal esbarrava em um obstáculo que parecia intransponível: a falta de certificação. Eles não conseguiam acesso a mercados maiores e chegaram a perder grandes parcerias por causa disso, o que desmotivou o casal. “Eu não consegui. Eu fui atrás da Vigilância Sanitária, lá eu não consegui nenhuma resposta”, diz Gilberto, que chegou a cogitar fechar a fábrica. “Chegou de algum mercado grande do nosso estado a comprar mercadoria com a gente, eu mandar 80 bandeja de doce para esse mercado. O mercado girar a mercadoria, achar bom o doce, o doce vender, mas não tinha o selo”.

Quando Karen Gimenez, técnica de campo da ATeG Agroindústria do Senar Mato Grosso, entrou em contato, houve certa resistência. Gilberto tinha receio de ter mais custos. “A gente já não estava bem das pernas, então a gente não quis”, ele admite. Karen, no entanto, não desistiu. Ela insistiu e, após um primeiro encontro, o casal aceitou a ajuda.

“Eu já estava desistindo da fábrica já. A gente ia migrar para outra coisa”, revela Gilberto. Ele estava disposto a ser motorista de caminhão. Mas a chegada do Senar deu um novo gás. “Abriu mais a visão de negócio. Melhorou bastante o desempenho também do pessoal, até os funcionários estavam desistindo porque não via crescimento”, conta. Para Clair, a diferença foi imediata. “Tipo assim, final de mês era uma guerra fazer o pagamento deles e depois que a Karen veio a gente consegue todo mês certinho”, comemora.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Gestão, planejamento e o futuro brilhante

A primeira grande mudança promovida por Karen foi na gestão da empresa. Eles começaram a anotar tudo, a controlar os gastos e a organizar a produção. “A primeira parte que a gente mudou foi a parte da gestão, que é o nosso foco com uma parte da empresa com a assistência técnica gerencial”, explica Karen. Eles também receberam um treinamento em boas práticas de fabricação, com foco na higienização, no uso de uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs), o que foi fundamental para os funcionários e para o casal.

A meta agora é obter o selo do SIAPP (Sistema de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte). Com essa certificação, eles poderão vender seus produtos em todo o estado de Mato Grosso e alcançar os mercados que antes não puderam pela ausência da certificação. “Esse é o foco, né? O foco é a gente conseguir alcançar mais comércios”, diz Clair.

A matéria-prima utilizada nos doces também tem um toque especial. O coco vem de um coqueiral com 1,3 mil pés em uma área arrendada por Gilberto. Essa estratégia ajudou a reduzir o custo do insumo adquirido no hortifruti de R$ 5 para menos de R$ 1 por unidade. O leite vem de um parceiro de longa data, o senhor Eloi Reneu Butner, produtor rural que também foi atendido pela ATeG Pecuária Leiteira do Senar, na área de pecuária leiteira. “É um dos primeiros clientes meu”, conta Eloi, que chega a entregar até 250 litros de leite para o casal diariamente.

Com o controle financeiro, a profissionalização e a motivação renovada, o casal Gilberto e Clair vê o futuro com otimismo. “O futuro deles é brilhante. Assim, eu vendo a história… para eles o céu é o limite”, diz Karen a reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

O casal sonha em expandir a fábrica, que atualmente emprega parentes, mostrando que a união familiar, mesmo com os desafios, dá certo. “Geralmente dizem que família não dá certo, né? Então a gente está quebrando essa barreira. E então, assim, sem eles, a gente também não conseguiria, porque seríamos só nós dois”, afirma Clair.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O futuro, segundo Gilberto, é sem limites. “Eu tenho 10 metros de terreno ali ainda. Eu quero construir tudo. Fazer tudo fábrica de doce”, sonha. Clair completa, segura: “Eu acredito que com o selo vai abrir as portas, vai expandir e a gente vai chegar longe”. E para quem cogitou desistir, a felicidade de Gilberto mostra que o caminho, embora doce, é feito de esforço e superação. “Estou feliz. Eu acho que vai dar uma qualidade de vida melhor também para os funcionários, para a gente”, ele diz.

No Sindicato Rural de Sinop, a mobilizadora Mariana Gonçalves Rosa destaca que o Senar oferece cursos e assistência técnica em diversas áreas, como fruticultura, olericultura, gado de corte, leiteiro, piscicultura e apicultura. “Nos procurem que vamos ver a sua necessidade, o que você produz para a gente estar abrindo novas frentes”, ela reforça.

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SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%

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Foto: Divulgação/SLC Agrícola

A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira (12) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026. A companhia encerrou o período com receita líquida recorde de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também avançou, com expressiva alta de 75,3% sobre o segundo trimestre de 2025, para R$ 245,1 milhões.

A perspectiva positiva também alcança o desempenho das lavouras. A safra de soja foi encerrada com produtividade recorde, enquanto o algodão caminha para o que pode ser a melhor safra da história da companhia em termos de produtividade.

O resultado bruto da SLC Agrícola somou R$ 941,2 milhões, avanço de 43,5% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de algodão e soja, culturas que representam importantes vetores de geração de valor para a empresa.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre e totalizou R$ 580,6 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,3% e margem de 26,7%. Os indicadores refletiram o acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas.

No trimestre, a companhia faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas, volume recorde para o período e 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes faturados de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis em algumas dessas atividades.

“Os números do trimestre refletem um trabalho que começa muito antes da colheita. O planejamento das culturas, o cuidado diário nas fazendas, a gestão comercial e a disciplina na alocação de capital permitiram ampliar a operação e entregar resultados consistentes. Crescemos em escala, mas seguimos atentos à eficiência e à qualidade da execução”, destaca o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Recorde de produtividade

A soja ocupou 424,6 mil hectares, equivalentes a 51% de toda a área plantada pela companhia na safra 2025/26. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, resultado 4,7% superior ao ciclo anterior e 2,7% acima do projeto inicialmente. O rendimento também ficou 11,7% acima da média nacional indicada pela Conab em julho deste ano.

No segundo trimestre, a soja apresentou resultado bruto de R$ 301,3 milhões, com resultado unitário de R$ 530 por tonelada.

No algodão, cultivado em 191,3 mil hectares, os resultados registrados até o momento reforçam a expectativa de uma das melhores safras da história da SLC Agrícola em produtividade.

Para a primeira safra, a companhia projeta 2.220 quilos de pluma por hectare, rendimento 20,6% superior ao ciclo anterior e 7,5% acima do projeto inicial. Na segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos de pluma por hectare, produtividade 4,5% superior ao planejado.

Maior volume comercializado

No segundo trimestre, a SLC Agrícola faturou 93,1 mil toneladas de algodão em pluma, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na soja, o volume chegou a 568,3 mil toneladas, alta de 9,8%.

O volume faturado de milho alcançou 103,5 mil toneladas, uma variação de 69,5%. Na pecuária, foram comercializadas 12,8 mil cabeças, crescimento de 52,3%.

Além da soja e do algodão, o milho registrou aumento expressivo tanto em volume quanto em receita. A receita líquida da cultura avançou 56,6%, para R$ 77,7 milhões, enquanto o resultado bruto cresceu 5,7%.

Na pecuária, a receita líquida atingiu R$ 93,5 milhões, alta de 74,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado bruto totalizou R$ 15,7 milhões, avanço de 82,4%. Por cabeça, o resultado ficou em R$ 1.225, valor 19,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Com a colheita da safra 2025/26 avançando para a reta final, a SLC Agrícola já concluiu 100% da colheita da soja, 90,6% do milho segunda safra e 61,2% do algodão.

Em relação ao custeio, a maior parte das despesas referentes à safra 2025/26 já foi paga. Ao mesmo tempo, 100% da produção de algodão e 99% da produção de milho ainda serão faturados e entregues. Segundo a companhia, esses volumes devem contribuir para a redução da alavancagem ao longo do segundo semestre.

Investimentos em irrigação

No segundo trimestre, a SLC Agrícola destinou R$ 81,7 milhões a projetos de irrigação. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a R$ 155 milhões.

A Fazenda Piratini concentrou a maior parte dos desembolsos, direcionados principalmente à implantação de estruturas de pivôs, à perfuração de poços e reservatórios, além da execução de obras de infraestrutura elétrica e hidráulica.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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