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Usina de Mato Grosso investe em combustível sustentável de aviação

Há quatro anos, uma usina de etanol mudou a rotina do interior de Mato Grosso. Criada por 24 produtores rurais, em sua maioria vizinhos, a planta nasceu para industrializar o milho, abundante na região. Hoje, processa mil toneladas por dia e gera 430 mil litros de etanol. Agora, se prepara para uma expansão que deve triplicar a produção.
“Diante da demanda crescente de produção de milho, como também da demanda global, visando a sustentabilidade e em relação às exigências do meio ambiente, exigências que visam a descarbonização, atingindo metas do Acordo de Paris também, isso fez com que a ALD hoje pensasse numa proposta de crescimento”, explica o gerente comercial Maikon Farias de Andrade.
Olhos no SAF
Os planos da empresa situada no Distrito de Deciolândia vão além do mercado atual e miram o SAF – combustível de aviação sustentável. Mesmo em fase inicial, esse mercado é visto como promissor, com potencial para transformar o setor aéreo e abrir novas fronteiras para o agro brasileiro na transição energética global.
A relação do etanol com a aviação não é novidade. Há 12 anos, uma aeronave agrícola movida por combustível renovável entrou em operação no estado e continua voando. O modelo tornou-se referência e símbolo da inovação no campo.
“O Ipanema é uma aeronave 100% eficiente. Tanto pela logística dele, em pistas mais pequenas, áreas mais pequenas, quanto na questão da acessibilidade do combustível também, né? Por ser etanol, a gente tem uma facilidade a mais de compra. Então é uma aeronave muito eficiente”, avalia Diego Nunes, coordenador de operação agrícola.
Apesar da eficiência, o setor cobra melhorias. “É um pedido de um mercado, né? Aumentar a capacidade dos Ipanemas a etanol para o agro. Para acompanhar esse crescimento, a empresa tem que ter uma estratégia de estar adquirindo mais aeronaves para atender a demanda desses produtores e, com certeza, a aeronave a etanol está na nossa lista de estratégia sim”, afirma Keila Brunetta, sócia-proprietária da Aurora Aviação.
Produzida em série desde 2005, a aeronave Ipanema é o único avião no mundo certificado para voar com motor exclusivamente a etanol. Sustentável e eficiente, tornou-se marco da aviação agrícola brasileira.

Aviação sustentável
O setor aéreo responde por cerca de 3% das emissões globais de CO₂. Embora pareça pouco diante de outros segmentos, seu impacto climático é maior devido à natureza das emissões. Além do gás carbônico, a aviação libera óxidos de nitrogênio e forma esteiras de condensação, que intensificam o aquecimento global.
Para o engenheiro químico Henrique Baudel, PhD em etanol de segunda geração na Suécia, a transição para combustíveis sustentáveis já está em curso. “Atualmente, as empresas aéreas estão utilizando um sistema chamado booking claim. Elas reservam o pedido do SAF, por exemplo, e quando chegam em determinado país, elas claim, ou seja, mostram que o sistema já está rodando. Eu acredito que nos próximos cinco anos vamos ver avanços muito grandes na consolidação das tecnologias para poder atender pelo menos aí a metade, a metade é um pouco mais, de toda essa demanda atual”.
O pesquisador explica que, para a aviação comercial, o etanol passa por transformação antes de se tornar SAF. “Você primeiro desidrata a molécula do álcool, tira o oxigênio, porque o combustível não pode ter oxigênio de aviação. Depois faz uma polimerização, juntando uma molécula na outra até um determinado tamanho, e depois coloca hidrogênio, para garantir que vai ter uma molécula grande, somente com carbono e hidrogênio. Ou seja, que reproduz exatamente a molécula do querosene de aviação. Para isso, você usa o etanol como matéria-prima”.
Mato Grosso lidera a produção nacional de etanol de milho. Dos 10 bilhões de litros previstos no Brasil para a safra 2025/26, 60% sairão do estado. Para o presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), discutir SAF é discutir o futuro.
“Com certeza, o mundo está olhando para isso. Os aeroportos têm demanda de SAF, países têm demanda de SAF, mas ainda é um desafio de futuro. E o etanol pode ser rota dentro de vários produtos, pode ser matéria-prima e rota de produção do SAF com muita viabilidade”, afirma Guilherme Nolasco.
O que nasce no agro mato-grossense pode, em breve, ser o combustível de um futuro mais limpo para quem vive nas cidades — e no planeta.
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Senado aprova avanço de novo marco legal para o trabalho rural

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), o relatório ao Projeto de Lei 4.812/2025, que cria um novo marco legal para o trabalho rural no Brasil. A proposta, de autoria da senadora Margareth Buzetti, busca substituir a legislação vigente desde 1973 e consolidar em um único texto as normas que regem as relações trabalhistas no campo.
O parecer aprovado foi apresentado pelo senador Zequinha Marinho, que promoveu ajustes para tornar a proposta mais aplicável à realidade do setor. Segundo ele, alguns pontos do texto original precisavam de adequações para refletir melhor a dinâmica do trabalho rural, especialmente em regiões com limitações logísticas.
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Com 221 artigos, o projeto reúne regras hoje dispersas sobre contratos, jornada de trabalho, saúde, segurança e negociação coletiva. A proposta também institui a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, com foco na capacitação da mão de obra e no incentivo ao uso de novas tecnologias no campo.
Entre as mudanças, o relatório retira ou altera dispositivos considerados de difícil execução, como regras relacionadas ao teletrabalho e exigências administrativas mais complexas. Outro ponto debatido foi a previsão de indenização ao fim de contratos de safra, considerada incompatível com a natureza temporária desse tipo de vínculo.
O texto também prevê a criação de instrumentos como programas de gerenciamento de riscos e comissões internas voltadas à prevenção de acidentes e assédio, além de regulamentar modalidades de contratação como trabalho temporário, intermitente e por safra.
A proposta segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Caso seja aprovada em caráter terminativo, poderá ser encaminhada diretamente à Câmara dos Deputados.
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Agro enfrenta pressão financeira e limitações no crédito, afirma Tirso Meirelles

O comentarista do Canal Rural, Tirso Meirelles, afirmou, nesta quarta-feira (25), em Brasília, que o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário crítico, marcado por endividamento elevado, problemas climáticos e aumento dos custos de produção.
Segundo ele, representantes do setor estão mobilizados junto ao Instituto Pensar Agro e à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, além de parlamentares, para discutir soluções estruturais. “Estamos aqui para pensar esse problema do endividamento do produtor rural, que hoje é um dos grandes gargalos do setor, impactando a manutenção da atividade, a segurança alimentar e as exportações”, destacou.
Meirelles ressaltou que o Projeto de Lei 5122, já aprovado na Câmara e em análise no Senado, é uma das alternativas em debate para viabilizar recursos ao produtor. “O produtor está muito endividado, enfrentando seca, excesso de chuva, geadas e incêndios. O Plano Safra atual não tem recursos suficientes para atender essa demanda”, afirmou.
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Outro ponto de preocupação é a baixa cobertura de seguro rural no Brasil. “Enquanto os Estados Unidos têm cerca de 97% da produção segurada, aqui estamos entre 5% e 7%. Como falar de novo Plano Safra sem resolver o endividamento e ampliar o seguro?”, questionou.
Ele também alertou para os impactos do cenário internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio. “Cerca de 90% dos fertilizantes que usamos vêm de fora, muitos passando por regiões em conflito. Isso pressiona os custos e acaba chegando ao consumidor”, disse.
Além disso, Meirelles destacou que o aumento do preço do petróleo e dos insumos pode afetar diretamente a produção, especialmente com o avanço da safrinha de milho. “Estamos com cerca de 30% a 40% da safra de soja ainda em andamento e já iniciando o milho, com custos elevados. Precisamos resolver isso pensando no Plano Safra 2026/27”, pontuou.
Já o comentarista Miguel Daoud destacou que o cenário fiscal também limita a capacidade de apoio ao setor. Segundo ele, regras de controle de gastos restringem o volume de recursos disponíveis, afetando investimentos e programas como o seguro rural.
“O governo tem limites para gastar e, muitas vezes, precisa contingenciar recursos. Isso reduz a capacidade de investimento e dificulta ampliar o apoio ao agro”, explicou.
Daoud também comentou os impactos do cenário externo sobre commodities. Em relação ao café, ele avalia que há projeções de queda nos preços, mas pondera que fatores climáticos ainda podem sustentar alguma recuperação.
Sobre a soja, destacou que o mercado internacional segue influenciado pelas relações entre Estados Unidos e China, principais players do comércio global. Segundo ele, possíveis acordos entre os países podem direcionar a demanda chinesa para a soja americana, pressionando as cotações em Chicago.
Por fim, Daoud ressaltou que discussões sobre limitação de juros e renegociação de dívidas também estão no radar, mas avalia que mudanças estruturais mais profundas ainda enfrentam dificuldades para avançar no curto prazo.
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Alta do boi gordo ganha força com oferta restrita e demanda externa aquecida

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar elevação nos preços ao longo da semana, sustentado principalmente pela oferta restrita de animais terminados. Com menos disponibilidade, as escalas de abate seguem encurtadas, o que mantém o poder de barganha nas mãos dos pecuaristas.
Outro fator determinante para o movimento de alta está no ritmo acelerado das exportações de carne bovina, com forte atuação de compradores da China. Importadores chineses e exportadores brasileiros têm intensificado os embarques para garantir maior participação dentro da cota estabelecida pelo país asiático no início do ano.
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No atual ritmo, a expectativa é de que essa cota destinada ao Brasil seja totalmente utilizada entre maio e julho. Caso isso se confirme, as exportações no terceiro trimestre podem perder força, impactando o fluxo de embarques.
Na B3, o pregão da última quarta-feira também refletiu esse cenário, com alta relevante nos principais contratos futuros. O movimento acompanha a valorização no mercado físico, onde já há registros de negociações próximas a R$ 360 por arroba à vista.
A forte demanda internacional, especialmente chinesa, segue como principal motor dessa valorização. Diante da possibilidade de esgotamento da cota, cresce entre os agentes a estratégia de travamento de preços, como forma de garantir margens em meio à volatilidade do mercado.
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