Sustentabilidade
Conflito no Oriente Médio e impactos ao produtor de milho – MAIS SOJA

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) informa que segue acompanhando com atenção a guerra entre Estados Unidos, Israel e
Irã. O Oriente Médio é um importante mercado para o milho brasileiro. Diferentemente da soja, cujas exportações são mais concentradas, as exportações de milho brasileiro são mais pulverizadas, alcançando diversos países ao redor do mundo. Ainda assim, o Oriente Médio tem ganhado peso nas compras do grão brasileiro nos últimos anos.
Em 2025, os países do Oriente Médio responderam por cerca de 51% das exportações brasileiras de milho, considerando o Egito dentro desse grupo. No entanto, esse percentual pode variar de forma significativa de um ano para outro. Em 2024, por exemplo, a participação foi menor, apenas 33% do total exportado pelo Brasil.
Dentro desse contexto, o Irã se destaca como um dos principais parceiros comerciais do milho brasileiro, com compras relativamente estáveis ao longo dos anos. O país costuma importar entre 4 e 5 milhões de toneladas do grão por ano, volume que em determinados momentos, chega a superar inclusive as aquisições da União Europeia, consolidando o mercado iraniano como um destino estratégico para o cereal do Brasil. Os principais produtos de milho exportados pelo Brasil são o milho em grão, destinado principalmente à alimentação animal.
O mercado iraniano se destaca por absorver volumes robustos e contínuos ano após ano, conforme revelam os dados do período de 2020 a 2025. Em termos de participação, o volume de 9,08 milhões de toneladas embarcadas para o Irã representaram cerca de 22% de toda a exportação brasileira de milho no ano passado. Para o país persa, o Brasil é um fornecedor estratégico: aproximadamente 80% de todo o milho importado pelos iranianos têm origem nas lavouras brasileiras.

Fertilizantes – O mercado da ureia reagiu rapidamente à escalada do conflito, registrando alta de 35% nos preços desde o início da guerra no Irã. O Brasil importa cerca de 37% de seus fertilizantes do Oriente Médio. A segunda safra de milho é o período de maior consumo desse insumo. É importante frisar que a extensão do conflito pode acarretar em uma safra menor ou afetar a rentabilidade do produtor rural.
Diesel – O preço dos combustíveis tem apresentado alta em parte significativa dos estados brasileiros, em meio à escalada do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã, que pressionou a cotação internacional do petróleo. O barril do tipo Brent, referência global, subiu mais 3,8% nesta terça-feira (18/3), chegando a US$ 107,38 e bateu a marca de US$ 110. O preço do diesel também regista alta, o que preocupa especialmente neste período de colheita e momento de plantio de segunda safra do milho, já que o aumento impacta diretamente os custos de produção.
Para o agronegócio, a preocupação na disparada do combustível é direta, uma vez que o diesel representa um dos principais custos operacionais da atividade agrícola. O diesel é amplamente utilizado em máquinas como colheitadeiras, tratores e pulverizadores. Além disso, é essencial para o transporte dentro das propriedades rurais e para o escoamento da produção. Caso haja um reajuste expressivo para reduzir a defasagem ou restrição na oferta do produto, o custo de produção tende a elevar, pressionando a rentabilidade do produtor. O aumento relevante no preço do combustível já tem impactado no frete.
Medidas – Diante do cenário de guerra, entre as medidas em discussão está a redução a zero dos impostos sobre fertilizantes e sobre o diesel, iniciativa que pode atenuar impactos imediatos sobre o custo de produção agrícola. O transporte rodoviário está diretamente pressionado pelo custo do diesel, o que impacta na tabela do frete. A entidade defende a transparência e fiscalização da tabela de frete, seguindo parâmetros que estejam alinhadas as condições reais de mercado.
É crucial que o governo federal avance em uma política de transição energética mais previsível e eficaz, capaz de reduzir a volatilidade e dar estabilidade à cadeia logística. Além disso, a Abramilho defende medidas urgentes de revisão do percentual de mistura obrigatória do biodiesel, o chamado B17, como forma de contribuir para maior previsibilidade e equilíbrio no custo energético e logístico brasileiro. A entidade segue acompanhando os desdobramentos do conflito e os possíveis reflexos no agro brasileiro.
Fonte: Abramilho
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Oferta restrita sustenta preços – MAIS SOJA

Mesmo com o retorno pontual de compradores em parte das regiões produtoras, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresenta baixa liquidez. De acordo com o Cepea, produtores seguem retraídos diante dos atuais patamares de preços, considerados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade.
Com isso, segundo o Centro de Pesquisas, a oferta disponível continua restrita em parte do estado, sustentando as cotações em praças específicas. Ao mesmo tempo, agentes consultados pelo Cepea acompanham novos sinais do mercado internacional e as perspectivas climáticas para a safra 2026/27, fatores que podem influenciar as estratégias de comercialização nos próximos meses.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Business
Exportações podem atingir novo recorde em junho MT

Mesmo durante a entressafra, a ampla disponibilidade de algodão em pluma no Brasil e a necessidade de escoamento do excedente produtivo vêm mantendo intenso o ritmo de exportações.
De acordo com pesquisadores do Cepea, durante as últimas safras, o País consolidou sua capacidade de abastecer o mercado internacional de forma contínua ao longo do ano, diferentemente do padrão observado anteriormente, quando os embarques se concentravam no segundo semestre. Como resultado, as exportações brasileiras passaram a apresentar maior regularidade, alcançando recordes mensais inclusive em meses tradicionalmente marcados pela menor disponibilidade da pluma.
Segundo dados da Secex, os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 146,8 mil toneladas nos 14 primeiros dias úteis de junho/26. Embora esse volume ainda esteja 49,6% abaixo do registrado em maio/26, já supera em 10,6% o total embarcado em todo o mês de junho/25. A média diária atingiu 10,49 mil toneladas, expressivos 57,9% acima das 6,64 mil toneladas observadas no mesmo período do ano passado.
Se mantido o ritmo atual, as exportações podem alcançar cerca de 220 mil toneladas em junho, um novo recorde para o mês e superando com folga as 160,4 mil toneladas registradas em junho de 2024, até então o maior volume da série histórica da Secex para esse período.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Endividamento rural contrasta com a força produtiva de Mato Grosso evidenciada pelos dados do VBP – MAIS SOJA

O (VBP) Valor Bruto da Produção Agropecuária brasileira atingiu R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA, em 17 de junho de 2026. Desse total, R$ 908,8 bilhões vêm da lavoura e R$ 510,2 bilhões da pecuária.
Mato Grosso aparece na liderança nacional, com R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15% do total. O indicador confirma a relevância do estado para a produção de alimentos, fibras, energia e para a economia do país.
No entanto, esse número precisa ser interpretado com cautela. O conceito de VBP se refere ao faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, calculado a partir da produção e dos preços recebidos pelos produtores. Ou seja, o indicador mostra o valor econômico gerado pela atividade, mas não revela quanto quem está no campo gastou para produzir.
Na prática, o VBP não desconta custos como juros, arrendamento, frete, armazenagem, tributos, investimentos, perdas climáticas ou dívidas acumuladas de safras anteriores. Por isso, VBP elevado não significa, necessariamente, lucro, capitalização ou capacidade de pagamento.
Essa leitura é essencial na atual conjuntura de endividamento rural. Levantamentos do Sicor/Banco Central mostram que, até abril de 2026, a carteira ativa de crédito rural somava R$ 895,18 bilhões no Brasil, dos quais R$ 186,52 bilhões estavam em situação problemática. Em Mato Grosso, alcançava R$ 108,03 bilhões, sendo R$ 21,78 bilhões classificados como saldo problemático, incluindo operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. Isso significa que aproximadamente um quinto da carteira de crédito rural, tanto no estado quanto no país, já apresentava algum tipo de comprometimento.
No caso mato-grossense, o saldo problemático, em abril, estava composto por R$ 2,20 bilhões em operações em atraso, R$ 5,25 bilhões inadimplentes, R$ 2,58 bilhões prorrogados e R$ 11,76 bilhões renegociados. No Brasil, esses valores chegavam a R$ 15,24 bilhões em atraso, R$ 38,77 bilhões inadimplentes, R$ 28,52 bilhões prorrogados e R$ 103,99 bilhões renegociados.
“Soma-se a isso a dificuldade enfrentada para alongar dívidas junto às instituições financeiras. Mesmo com laudos técnicos, queda de preços, eventos climáticos e demonstração da capacidade de pagamento, muitos produtores encontram resistência na formalização dos alongamentos. Em alguns casos, a prorrogação é tratada como uma renegociação comercial comum, com exigência de garantias adicionais, como alienação fiduciária, taxas altíssimas e prazos incompatíveis com a realidade econômica da atividade” afirma o diretor administrativa da Aprosoja MT, Diego Bertuol.
Além disso, os encargos de produção seguem pressionando o setor produtivo. Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Senar-MT por meio do Imea, aponta que o gasto com produção da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso deve crescer 3,21% em relação à safra anterior, com custeio estimado em R$ 4.315,29 por hectare.
Entre os componentes que mais pressionam o custeio estão fertilizantes e corretivos, com alta de 5,40%, influenciados por fatores geopolíticos, além dos defensivos agrícolas, que avançaram quase 11% em relação ao ciclo anterior. O levantamento também aponta aumento de 9,13% no ponto de equilíbrio da atividade, o que significa que será necessário alcançar maior produtividade ou melhores preços de comercialização apenas para manter a rentabilidade.
“Ao mesmo tempo, o volume anunciado no Plano Safra 2025/2026 não reflete, necessariamente, o crédito que chega ao produtor. No acumulado de julho a abril, as concessões para a agricultura, sem Pronaf e desconsiderando CPR, apresentaram queda de aproximadamente 11%, passando de R$ 258,2 bilhões entre julho de 2024 a abril de 2025 para R$ 229,4 bilhões em julho de 2025 a abril de 2026. A retração foi puxada principalmente pelo custeio, que caiu 12%, pelo investimento, que recuou 25%, e pela comercialização, com queda de 20%. Em valores absolutos, as três modalidades somaram redução de R$ 40,6 bilhões. O crescimento de 69% na industrialização compensou parcialmente essa queda, mas não foi suficiente para evitar a retração total de R$ 28,8 bilhões nas modalidades tradicionais de financiamento agropecuário” destaca Diego Bertuol.
Em Mato Grosso o funding da soja safra 2025/26 indica um cenário de crédito mais restrito, com maior protagonismo do Sistema Financeiro e das Multinacionais no custeio, em condições mais seletivas. Levantamento do Imea mostra que a maior participação no financiamento da oleaginosa vem do sistema financeiro, com 35,4%, seguido pelas multinacionais, com 30,7%, e pelos recursos próprios dos produtores, com 23,5%. Já os bancos com recursos federais representam apenas 5,1%, percentual inferior ao das revendas, que respondem por 5,3%. Em termos concretos, o crédito rural oficial, especialmente em condições controladas ou equalizadas, não tem acompanhado a real necessidade de financiamento do setor produtivo.
“O quadro atual retrata que o problema não está na falta de produção. Mato Grosso segue produtivo, competitivo e essencial para o Brasil. A dificuldade está no desequilíbrio econômico da atividade: produzir custa cada vez mais, o crédito pesa no fluxo de caixa, os riscos climáticos aumentam e os preços recebidos nem sempre acompanham a elevação das despesas. Medidas como o PL 5.122/2023 precisam avançar porque atacam o endividamento rural de forma estruturante. A proposta não pode ser tratada como simples custo fiscal. Ela reorganiza dívidas, viabiliza crédito e recompõe a capacidade de pagamento. Sem isso, ficam em risco a produção, a segurança alimentar e a sustentabilidade econômica da atividade rural”, enfatiza o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber.
O VBP confirma que a agricultura de Mato Grosso é estratégica para o Brasil. Mas esse resultado não pode servir de argumento para minimizar o endividamento de quem produz ou para criar travas artificiais às soluções necessárias. Produzir muito não significa estar financeiramente saudável. O VBP mostra a grandeza da produção, mas não releva o peso dos ônus, dos juros e das dívidas que o produtor carrega para manter a atividade de pé, garantir abastecimento, movimentar a economia e contribuir para geração de emprego e renda.
Fonte: Aprosoja/MT
Business18 horas agoColheita do milho de inverno 2025/26 avança para 11% da área no Brasil
Business22 horas agoProdutor reduz ritmo das vendas de soja à espera por preços mais atrativos; confira as cotações
Business7 horas agoChuvas na maturação acendem alerta nas lavouras de algodão em Mato Grosso
Sustentabilidade23 horas agoEscudo biológico blinda a produtividade da soja contra mudanças climáticas e falta de chuva – MAIS SOJA
Sustentabilidade21 horas agoTrapoeraba: características, desafios de controle e estratégias de manejo. – MAIS SOJA
Business21 horas agoPreços do arroz cedem após meses de alta e exportações reagem depois de queda em abril
Business20 horas agoConheça o aplicativo que promete diagnóstico rápido de doenças na soja
Sustentabilidade7 horas agoPolítica de pisos mínimos eleva em 16% os custos do frete – MAIS SOJA
















