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12 de agosto de 2026

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Demanda crescente por biodiesel aquece mercado de óleo de soja

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A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 14% para 15% a partir de agosto de 2025 já começa a impactar as projeções do setor.

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Segundo dados divulgados pela StoneX, a demanda nacional de biodiesel, antes estimada em 9,9 milhões de m³, foi ajustada para 9,8 milhões de m³ após a revisão da expectativa de crescimento do consumo de diesel B, que recuou de 3,0% para 2,7%.

”Ainda assim, o volume representa um aumento expressivo de 8,9% em relação a 2024”, ressalta Leonardo Rossetti, analista de Inteligência de Mercado da empresa.

Consumo de óleo de soja cresce 10,3%

O consumo de óleo de soja para biodiesel acompanhou a revisão e deve alcançar 7,9 milhões de toneladas em 2025, alta de 10,3% frente ao ano anterior. Até o momento, foram consumidas 3,66 milhões de toneladas, avanço de 8,2% em comparação com igual período de 2024.

Dados da StoneX

“Com esse ritmo, a StoneX estima que a participação do óleo de soja tenha superado 85% da matriz de insumos para o biodiesel no primeiro semestre”, acrescenta Rossetti.

Nesse contexto, a maior participação do sebo bovino na produção de biodiesel pode aliviar a forte demanda por óleo de soja. Em função da tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos, parte maior desse produto deve ser direcionada ao consumo interno. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 290 mil toneladas de sebo ao mercado norte-americano, um salto de 84% comparado ao mesmo período do ano passado.

Avanço nas vendas no 1º semestre

O relatório da StoneX mostra que o mercado de biodiesel registrou alta de 6,2% nas vendas do primeiro semestre de 2025, totalizando 4,53 milhões de m³.

O destaque foi em maio, quando foram comercializados 819 mil m³, maior volume do ano e o quarto maior da série histórica, com avanço de 11,4% em relação a 2024. Já em junho, o desempenho foi mais moderado, com 746 mil m³ vendidos, queda de 8,9% sobre maio e de 1,6% frente ao mesmo mês do ano anterior.

Dados da StoneX

Segundo Rossetti, o resultado abaixo do esperado foi influenciado por atrasos na colheita da 2ª safra de milho, que deslocaram parte da demanda para julho.

Expectativas para o 2º semestre

Para os próximos meses, a expectativa é de intensificação da demanda, sustentada pela sazonalidade do diesel B e pela introdução da mistura obrigatória B15. A combinação desses fatores pode levar o mercado a registrar novos recordes históricos de comercialização mensal.

Essa projeção poderá elevar a pressão sobre a disponibilidade de óleo de soja, principal insumo para o biodiesel. Mesmo que o uso de sebo bovino possa aliviar o balanço, espera-se redução nas exportações de óleo de soja para priorizar o consumo doméstico. Isso significa um mercado mais restrito e com preços sustentados para óleo e biodiesel.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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Déficit de armazenagem e gargalos em irrigação ameaçam expansão da agricultura brasileira

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O Brasil enfrenta gargalos estruturais que colocam em risco a competitividade do agronegócio e a capacidade do país de acompanhar a crescente demanda global por alimentos. A urgência de solucionar problemas históricos na armazenagem, infraestrutura logística e irrigação deu o tom dos debates no Fórum Mais Milho: Os Pilares da Produção, realizado nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF).

Atualmente, o déficit nacional de armazenagem supera 130 milhões de toneladas de grãos. A situação é ainda mais crítica no estado de Mato Grosso, líder na produção de soja e milho, onde a defasagem atinge quase 50 milhões de toneladas. Além disso, apenas cerca de 15% da capacidade de estocagem de grãos no país está localizada dentro das propriedades rurais.

Para suprir as projeções globais, a demanda por investimentos em produtividade torna-se inevitável. Estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que a população mundial alcançará 9,6 bilhões de pessoas até 2050, com concentração do crescimento demográfico na Ásia e na África. Esse cenário exigirá uma elevação de 60% na oferta de alimentos, 50% em energia e 40% em água, com expectativa de que o Brasil responda por 40% dessa nova oferta de comida.

De acordo com dados apresentados por Eduardo Marcusso, coordenador-geral de Avaliação de Políticas Agropecuárias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a cultura do milho no país deve continuar crescendo em área, produtividade e relevância econômica nos próximos dez anos, impulsionada por setores como o etanol e o DDG. A projeção do Ministério é que essa expansão ocorra sem a necessidade de abertura de novas áreas, priorizando a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas por meio do programa Brasil Verde.

No entanto, os entraves no campo e fora dele permanecem como o grande desafio para sustentar esse avanço. A questão climática e o acesso à água surgem como gargalos centrais na produção agrícola. “Irrigação é alimento. Hoje talvez o mundo não precise de alimentos, mas no futuro precisará devido às mudanças climáticas”, alertou o pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Rodrigues, durante o Fórum Mais Milho, realizado pelo projeto Mais Milho do Canal Rural Mato Grosso em parceria com a Abramilho e Aprosoja Mato Grosso.

Gargalos históricos travam avanço da irrigação no país

O coordenador-geral de Irrigação e Conservação do Solo e Água do Mapa, Gustavo dos Santos Goretti, observou que o setor enfrenta há cerca de 20 anos os mesmos gargalos. Entre as principais barreiras apontadas estão o licenciamento ambiental, as outorgas de água, a infraestrutura para armazenamento hídrico diante dos eventos climáticos e a disponibilidade de energia elétrica.

Embora o Brasil conte com cerca de 10 milhões de hectares irrigáveis, o professor da Esalq/USP, Durval Dourado Neto, defende a necessidade de ampliar essa área para 15 milhões de hectares no médio prazo para garantir a segurança alimentar, podendo alcançar 50 milhões de hectares no longo prazo. Ele destacou que o Plano Nacional de Irrigação pode viabilizar a interferência do Estado para dobrar a área irrigável com sustentabilidade, preservando recursos hídricos e florestas para garantir alimento a até 30% da população mundial em 30 anos.

O impacto das adversidades climáticas na saúde financeira do produtor também foi analisado pelo pesquisador da Esalq/USP, Ronaldo Torres. Ele ressaltou que o estresse hídrico, intensificado por fenômenos como El Niño e La Niña, é a principal causa do endividamento e da alta sinistralidade nos principais programas agrícolas, apontando a expansão da irrigação como uma solução atenuante.

Para avançar com segurança no setor, Lineu Rodrigues elencou quatro pilares fundamentais: investir e acreditar na ciência, reforçar o monitoramento com dados confiáveis, planejar a expansão da irrigação e revisar legislações defasadas. “Se você tem água e energia, você consegue desenvolver uma região”, reforçou o pesquisador da Embrapa Cerrados.

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Defasagem de armazéns ameaça cadeia produtiva de grãos

O presidente da Abramilho e líder da Câmara de Armazenagem da Abimaq, Paulo Bertolini, enfatizou que a falta de armazéns afeta toda a produção de grãos, atingindo especialmente o milho e o sorgo por possuírem menor valor agregado. Segundo Bertolini, enquanto a produção brasileira cresceu cerca de 17 milhões de toneladas por ano na última década, a capacidade de armazenagem avançou apenas entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas ao ano, desenhando um cenário de gargalo iminente.

“O Brasil tem parque industrial para construir armazéns, exporta as estruturas, tem tecnologia, mas a grande pergunta é: por que isso está acontecendo?”, questionou o dirigente.

O presidente da Abramilho pontuou ainda que o país sofre com um descompasso estrutural. À medida que o Brasil industrializa mais grãos internamente — processando atualmente 70% do milho e exportando 30%, ao passo que a soja faz o caminho inverso —, a necessidade de armazenamento contínuo torna-se indispensável para abastecer as indústrias durante os 365 dias do ano.

A logística de transporte também foi apontada como gargalo crítico pelo presidente da Câmara Setorial de Soja do Mapa, André Dobashi. “A gente está sempre tentando tapar o sol com a peneira e resolver o problema do buraco na estrada para resolver o problema rodoviário do modal logístico, sendo que na verdade deveria resolver o transporte como um todo, rodovia, ferrovia, hidrovia”, avaliou o líder setorial.

Dobashi criticou ainda a estrutura financeira do país, ressaltando que o sistema de crédito costuma esquecer que a armazenagem de grãos deve ser tratada como uma atividade empresarial estratégica.

Crédito caro e logística integrada desafiam produtores

A dificuldade de acesso ao financiamento no tempo hábil e com condições compatíveis com a realidade do campo foi detalhada pelo diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa. Ele comparou a realidade brasileira com o cenário internacional, lembrando que a taxa de juros histórica para armazenagem nos Estados Unidos e Europa não passa de 5% ao ano.

No Brasil, a disparidade das taxas de juros compromete a capacidade de investimento dos produtores rurais. “Historicamente para armazenagem eles não pagam mais do que 5% e no Brasil o produtor fica ‘feliz’ se pagar 8%, porque, na verdade, é 10%, 12%”, pontuou Fabrício Rosa.

O diretor-executivo da Aprosoja Brasil ressaltou que a armazenagem atua como um elemento atenuante para amenizar os custos logísticos e os problemas de classificação de grãos. No entanto, a burocracia e as elevadas taxas de juros continuam sendo os principais entraves para a expansão dessa infraestrutura.

Diante desse quadro, lideranças do setor cobram a estruturação de um programa de governo com linhas de crédito adequadas e desburocratização dos processos. Para assegurar o avanço dos investimentos privados no campo, o setor produtivo reforça a necessidade urgente de melhoria nos parâmetros macroeconômicos do país.

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