Connect with us
29 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Rondonópolis e o agro: uma relação de acolhimento e expansão

Published

on

No entroncamento das BR-163 e 364, Rondonópolis vive uma relação de acolhimento e expansão entre a produção agropecuária e a vida urbana. “Mãe” das principais entidades do setor produtivo e capital do bitrem, é a cidade mais populosa do interior do estado com cerca de 260 mil habitantes, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujo crescimento populacional a cada ano é atribuído ao desenvolvimento econômico da região, com destaque para o agronegócio e a indústria.

A cidade é um importante polo logístico e industrial, atraindo moradores de diversas partes do país. Exemplo disso é a família do empresário no ramo de materiais para a construção Alexandro Hillesheim que chegou a Rondonópolis em 1978, vindo de Palmas no Paraná.

“Vimos esta cidade crescer. Porém, foi a partir das primeiras lavouras de soja e milho que a cidade realmente expandiu, vindo com isso indústrias, comércios, pessoas, investimentos. Sem o agro iria se estagnar, pois não tem outras fontes com o mesmo potencial”, diz o empresário.

A cidade de Rondonópolis foi fundada em 10 de dezembro de 1953, completando 72 anos de emancipação político-administrativa em 2025. “Rondonópolis e toda a região sul do Estado gira em torno do agronegócio, pois é a principal atividade. É dele que vem a receita para o município, o estado e as empresas manterem seus investimentos”, salienta Alexandro ao Canal Rural Mato Grosso.

Comércio de Rondonópolis. Foto: Ednilson Aguiar/Prefeitura de Rondonópolis

Comércio fortalecido pelo campo

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Rondonópolis, Leonardo Resende, o agronegócio é a base de toda a engrenagem econômica do município. Ele lembra que a produção agropecuária gera a riqueza original, que depois é potencializada pela indústria e, por fim, movimenta o comércio.

Advertisement

“Se nós não tivéssemos um agro forte aqui na região, se não tivéssemos um posicionamento geográfico muito privilegiado, a infraestrutura poder concentrar essas pessoas ao entorno da cidade, nós não teríamos um comércio forte”, afirma.

O comércio local, segundo Leonardo, tem papel fundamental ao fazer essa riqueza circular. “O comércio dá a propulsão sim. Ele pega essa riqueza e gira”. Ele ressalta que o empresariado rondonopolitano aposta na cidade como lugar para viver e investir. “O empresário rondonopolitano ele acredita e aposta sempre na cidade. Ele faz o seu investimento aqui, ele quer ficar aqui. Isso consequentemente ajuda esse ciclo virtuoso”.

Rondonópolis foto viviane petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

A conexão entre cidade e campo também é destacada por Lucindo Zamboni, presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis. Para ele, a cidade é mais do que produtora de grãos. “Rondonópolis já está há um passo adiante do resto do Estado. Todo esse pessoal que trabalha nas indústrias, todas as revendas, toda essa gama de serviços pós e antes da lavoura estão em Rondonópolis”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Ele contesta quem diz que a cidade deixou de ser agro. “Não! Ela é 100% agro, porque o campo começou e as indústrias, o pós-soja, pós-algodão, pós-semente são feitos dentro de Rondonópolis”.

Segundo Lucindo, a cidade se transformou nos últimos anos a partir dos investimentos vindos do campo. “O agro vai gerando riquezas e essas riquezas são investidas na cidade. Se você pegar Rondonópolis há 10 anos atrás e vinha para o Parque de Exposição era campo baldio. Hoje, a cidade já chegou e passou do Parque de Exposição”.

Ainda que a área plantada de soja e milho diretamente no município não seja tão expressiva, com cerca de 80 mil hectares, Rondonópolis concentra moradores e investidores de toda a região sul de Mato Grosso, como Itiquira, Pedra Preta e Primavera do Leste. “A maioria do pessoal que planta em Itiquira, que cultiva cerca de 300 mil hectares, mora aqui. É uma cidade polo”, afirma Zamboni.

Advertisement

Para ele, embora o crescimento populacional seja mais discreto, o impacto econômico é robusto. “Rondonópolis é uma cidade aconchegante. Ainda que não tenha crescido pelo número de pessoas, mas os números são muito grandes. Nós somos a segunda maior economia do estado. Temos vários pontos em que somos a maior economia”.

Em 2025, a Aprosmat completou 45 anos de fundação. Dela, outras instituições se originaram em Mato Grosso como Aprosoja Mato Grosso, Ampa e o IPA. Foto: Divulgação/Aprosmat
Em 2025, a Aprosmat completou 45 anos de fundação. Dela, outras instituições se originaram em Mato Grosso como Aprosoja Mato Grosso, Ampa e o IPA. Foto: Divulgação/Aprosmat

Tradição e acolhimento

Com mais de quatro décadas de atuação em Rondonópolis, a Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat) nasceu na cidade com foco na pesquisa voltada para a soja e ajudou a consolidar outras importantes instituições do agro mato-grossense, como a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) e a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), assim como o Instituto Pensar Agro (IPA).

O presidente da entidade, Nelson Croda, lembra que o vínculo entre Rondonópolis e o setor produtivo vai além da economia. “Rondonópolis acolhe o agro, assim como o agro acolhe Rondonópolis”.

O gaúcho de Palmeiras das Missões, que hoje lidera a entidade, afirma que o desenvolvimento promovido pela agricultura foi expressivo e contínuo. “É um desenvolvimento populacional, social e de qualidade de vida”, resume.

soja broto foto viviane petroli canal rural mato grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Berço da pesquisa e da liderança agrícola

A história do agro em Mato Grosso passa por Rondonópolis, inclusive no campo da pesquisa. Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, o município foi pioneiro na produção agrícola e também na geração de conhecimento. “A pesquisa também iniciou aqui e se expandiu para o resto de Mato Grosso”, pontua.

Ele destaca que os primeiros grandes líderes do agronegócio no estado surgiram na cidade. “As grandes lideranças, os grandes nomes que surgiram no início da soja de Mato Grosso, a grande maioria saiu daqui e daqui se difundiu para todo o estado com a chegada de mais imigrantes do sul”.

ferrovia rumo logística foto leandro balbino canal rural mato grosso1
Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

Investimentos públicos reforçam papel estratégico

Além da força da iniciativa privada, Rondonópolis também vem recebendo aportes significativos do poder público. Em visita ao município em junho de 2025, o governador Mauro Mendes destacou que mais de R$ 1,2 bilhão já foram investidos na cidade desde o início de sua gestão. As áreas de saúde, educação, segurança e infraestrutura têm sido beneficiadas.

Outro marco importante nos últimos tempos para a região têm sido a Ferrovia Estadual de Mato Grosso. Em junho foi entregue a primeira ponte da ferrovia. A Ponte Ferroviária sobre o Rio Vermelho, com 460 metros de extensão, é a maior do tipo no estado e faz parte do projeto da primeira ferrovia estadual do Brasil. A ferrovia, cuja largada foi dada em Rondonópolis em 2022, contará com 743 quilômetros de trilhos, conectando a cidade a Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, além de se integrar à malha nacional com acesso ao Porto de Santos.

Advertisement
No primeiro semestre de 2025, Rondonópolis foi o segundo município de Mato Grosso que mais contratou no período. Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso
No primeiro semestre de 2025, Rondonópolis foi o segundo município de Mato Grosso que mais contratou no período. Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Geração de empregos impulsionada por múltiplos setores

Rondonópolis gerou 29.483 empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo entre admissões e desligamentos no período foi positivo, com 2.380 novas vagas formais criadas.

O município foi o segundo que mais contratou no período, representando 8,18% das admissões no estado, ficando atrás apenas de Cuiabá que se destacou por totalizar 70.309 novos postos de trabalho, 19,5% do total.

Em Rondonópolis, o setor de serviços foi o maior responsável pela geração de empregos formais no primeiro semestre, com 13.487 contratações. Na sequência, estão o comércio (7.582 admissões), construção (3.575), indústria (3.496) e agropecuária (1.343).

Em 2024, Rondonópolis gerou 55.986 empregos com carteira assinada, conforme o Caged. O saldo entre admissões e desligamentos no período foi positivo, com 2.269 novas vagas formais criadas.

Entre os setores econômico, o setor de serviços foi o maior responsável pela geração de empregos formais no ano passado, com 23.992 contratações, seguido do comércio (14.378 admissões), construção (8.488), indústria (7.078) e agropecuária (2.050).


Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Agro Mato Grosso

Duas pessoas morrem em batida entre carro e carreta na BR-364 em MT

Published

on

Duas pessoas, que ainda não tiveram as identidades divulgadas, morreram após o veículo utilitário em que estavam bater de frente com uma carreta, no km 551 da BR-364, em Rosário Oeste, a 105 km de Cuiabá, nesta terça-feira (29).

Vídeos registrados por motoristas que passam pela região mostram o congestionamento no local após o acidente (veja abaixo).

Uma equipe de resgate da Nova Rota do Oeste, concessionária que administra o trecho, foi até o local para prestar atendimento às vítimas. Os dois ocupantes do utilitário morreram ainda no local.

Na carreta estavam duas pessoas que não ficaram feridas e assinaram um termo de recusa de encaminhamento médico.

Ainda conforme a Nova Rota, até a publicação desta reportagem, a rodovia estava interditada nos dois sentidos para a realização da perícia. Após o procedimento, a concessionária deve fazer a remoção dos veículos para liberar o tráfego.

Advertisement

A dinâmica do acidente ainda será investigada.

veja;

Advertisement

Continue Reading

Agro Mato Grosso

MPF realiza visita de quatro dias a terra indígena em Mato Grosso e ouve lideranças

Published

on

O Ministério Público Federal (MPF) realizou uma visita institucional à Terra Indígena Enawenê-Nawê, localizada no estado de Mato Grosso. A atividade, que durou quatro dias, teve como objetivo promover escuta direta das lideranças e dos moradores da comunidade, conhecer suas principais necessidades e reafirmar a atuação presencial do órgão na defesa dos direitos dos povos originários.

Durante a permanência no território indígena, a equipe do MPF dialogou com os integrantes da comunidade, fortalecendo os canais de interlocução e aproximação entre a instituição e o povo Enawenê-Nawê. “A presença em campo permitiu acompanhar de perto a realidade local, compreender seu modo de vida e registrar presencialmente as manifestações das lideranças”, destacou a servidora do MPF, Keren Baesso.

O encontro foi uma oportunidade para informar aos indígenas sobre os fatos dos processos judiciais e procedimentos administrativos em curso, seus trâmites e estados atuais e também para ouvir a posição da comunidade sobre os rumos possíveis para essas causas. Os diálogos com a comunidade ocorreram mediante tradução linguística, no momento definido com observância à realização dos rituais.

Para o procurador da República Daniel Luis Dalberto, em nossas relações com os Enawenê-Nawê precisamos ter sensibilidade para compreensão e respeito à sua cosmologia, onde tudo se encaixa e tem um lugar definido, o que pode ser visto a partir das apresentações ritualísticas, que evidenciam a beleza estética e a força da cultura desse povo.

Segundo o Dalberto, o contato direto e os diálogos no território são fundamentais para consolidar uma atuação institucional mais eficiente, humana e acessível. “A aproximação presencial assegura que o Ministério Público Federal conheça a rotina comunitária a partir da perspectiva dos próprios indígenas, orientando os trabalhos do órgão de forma respeitosa e alinhada às garantias constitucionais”, acrescentou o procurador da República.

Advertisement

Defesa dos povos indígenas – A iniciativa foi desenvolvida em parceria pelo Ofício Povos Indígenas em Isolamento Voluntário e de Recente Contato, vinculado à Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6ª Câmara de Coordenação e Revisão), e pelo 2º Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso, sediado na Procuradoria da República no Município (PRM) de Sinop (MT).

A visita integra o conjunto de ações do MPF voltadas à proteção e à salvaguarda dos direitos dos povos indígenas, especialmente de recente contato ou em situação de isolamento voluntário. As informações subsidiarão a atuação do órgão, permitindo a definição de encaminhamentos institucionais adequados e a manutenção de um fluxo de diálogo permanente com a comunidade.

“A atuação conjunta entre o órgão setorial nacional e a unidade de Sinop reforça a estratégia do MPF de manter um acompanhamento contínuo e integrado sobre as demandas das populações tradicionais em todo o estado de Mato Grosso”, ressalta o procurador-chefe do MPF em Mato Grosso, Ricardo Pael Ardenghi.

Atuação coordenada – A Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6ª Câmara de Coordenação e Revisão) é o órgão do Ministério Público Federal responsável por coordenar, integrar e revisar a atuação institucional nos temas afetos aos povos indígenas, comunidades tradicionais e povos em isolamento voluntário ou de recente contato.

 

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Produtor agrega valor em cada etapa da produção MT

Published

on

A produção de milho ganhou uma função estratégica na diversificação dos negócios da família Vesz em Mato Grosso. Em Campo Verde, parte dos grãos é destinada à alimentação do gado, que passa por recria e engorda na própria fazenda antes de chegar ao mercado da família na forma de carne.

Esse modelo integra agricultura, pecuária e comércio em diferentes etapas da cadeia produtiva e é resultado de uma trajetória iniciada em 1984, quando a família chegou à região de Campo Verde. Além da produção rural, o grupo mantém negócios no comércio e estruturou a sucessão familiar ao longo das décadas.

A combinação entre comércio e produção rural acompanhou a trajetória da família desde então. O supermercado surgiu tanto pela necessidade de atender os moradores que chegavam à nova fronteira agrícola quanto pela oportunidade de negócio. Nos primeiros anos, a loja comercializava alimentos, roupas, calçados, bicicletas e outros produtos que eram difíceis de encontrar na região.

A atividade comercial cresceu junto com a chegada de produtores vindos principalmente do Paraná e do Rio Grande do Sul. Muitos traziam recursos para abrir áreas próprias ou arrendadas e precisavam de um local para se abastecer. O supermercado chegou a receber clientes de municípios e fazendas distantes de Campo Verde, em uma época em que as opções de comércio ainda eram restritas.

O início, porém, exigiu adaptações. Sem fornecedores que circulassem pela região, Vitor Vesz precisava viajar até Cuiabá para comprar produtos como mussarela e mortadela. Enquanto um dos irmãos ajudava na abertura das áreas agrícolas, ele ficava mais ligado ao comércio e às compras.

Advertisement

“Eu fui filho de agricultor, neto de agricultor e me criei na roça. Com sete anos, oito anos, a gente já estava trabalhando na roça”, conta Vitor ao Especial Mais Milho, ao recordar a infância no Rio Grande do Sul. A experiência familiar no campo acabou se tornando uma das bases para a expansão dos negócios após a mudança para Mato Grosso.

Da fronteira gaúcha à nova fronteira agrícola

Antes de chegar a Campo Verde, Vitor e a esposa, com quem se casou em 1970, mantinham atividades de comércio e agricultura no Rio Grande do Sul. A decisão de mudar para Mato Grosso ganhou força depois da Guerra das Malvinas, em 1982, que afetou diretamente os negócios da família na região de fronteira com a Argentina.

A desvalorização da moeda argentina reduziu o poder de compra dos clientes que movimentavam boa parte do comércio da família. Mesmo com a loja cheia e uma estrutura já estabelecida, o produtor rural e empresário passou a procurar alternativas para continuar crescendo. As informações sobre a expansão da fronteira agrícola em Mato Grosso ajudaram a direcionar a mudança.

Durante uma viagem, ele recebeu novas referências sobre a região da BR-070 e decidiu conhecer o local. Antes mesmo de retornar ao Sul, ligou para a esposa para contar que havia encontrado uma possibilidade para a família. A resposta dela acabou sendo decisiva: “Se isso for bom para ti, vai ser bom para nós, para a nossa família”.

milho vitor vesz especial mais milho foto arquivo pessoal
Foto: Família Vesz/Arquivo Pessoal

A família chegou a Campo Verde em 1984 e, desde então, ampliou a atuação tanto no comércio quanto na produção agropecuária. Atualmente, as áreas agrícolas estão concentradas em Campo Verde e também em Juara, onde a família iniciou uma frente mais recente de produção.

Em Campo Verde, são cultivadas soja, milho e algodão. Parte da produção agrícola passou a contar com maior estrutura de logística com a proximidade de uma ferrovia na região. Na Fazenda Brasil, a busca por maior segurança produtiva também levou à implantação de irrigação.

Advertisement

A propriedade conta atualmente com 12 pivôs, que atendem 1,5 mil hectares hectares, além de uma outorga para outros 500 hectares. A irrigação permite produzir milho para consumo, milho destinado à produção de sementes para empresas e outras culturas em uma área em que parte dos solos apresenta maior arenosidade.

Milho conecta lavoura e pecuária

A diversificação ganhou uma função ainda mais direta quando o milho passou a ser utilizado dentro da própria propriedade. Parte da produção é destinada à alimentação do gado, enquanto a outra parcela é comercializada. O sistema também inclui sorgo e milho produzido fora das áreas irrigadas.

Na avaliação de Vitor, a expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso alterou o cenário para a cultura, ao ampliar as alternativas de comercialização e gerar coprodutos utilizados na alimentação animal. “Essas usinas de etanol que estão vindo para o Mato Grosso nos ajudaram demais a alavancar o nosso milho”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Na última safrinha, a Fazenda Brasil alcançou média de 135 sacas de milho por hectare para produção de grãos destinados ao consumo. Em Juara, onde as condições de chuva e solo favoreceram a lavoura, a média no milho chegou a 155 sacas por hectare.

família vesz foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A pecuária também foi incorporada à propriedade a partir de uma iniciativa da própria família. Quando a Fazenda Brasil foi comprada, em 1988, havia apenas cinco vacas e um cavalo. Valtair Vesz, filho mais velho de Vitor, insistiu para que a atividade fosse desenvolvida junto à agricultura.

O trabalho com gado ganhou escala e passou a envolver melhoramento genético, inseminação e confinamento. Segundo Valtair, a propriedade trabalha com animais abatidos antes dos 24 meses e realiza o acabamento do gado na própria fazenda. Cerca de 900 a 1.000 cabeças são abatidas por ano para abastecer o mercado da família.

Advertisement

A integração também permite aproveitar parte do milho produzido na lavoura e resíduos gerados durante o processo de secagem. “A gente transforma o milho em carne e ajuda a agregar muito valor”, resume Valtair.

A escolha pelo Senepol também faz parte da estratégia da pecuária. Valtair destaca a capacidade da raça taurina de trabalhar em condições de campo e o desempenho dos animais no sistema adotado pela propriedade. Para ele, a integração entre lavoura e pecuária tende a continuar avançando dentro da atividade da família.

Gestão familiar e continuidade dos negócios

A divisão das atividades entre os filhos ocorreu de forma gradual. O filho do meio permaneceu ligado ao supermercado, o mais novo assumiu a agricultura e Valtair ficou à frente da pecuária. A filha caçula, Marcele, também participa dos negócios da família, de acordo com Vitor.

A organização passou a ser estruturada por meio de uma holding familiar, com participação definida entre os integrantes. A intenção é manter a gestão conjunta e preparar a continuidade dos negócios para as próximas gerações.

A trajetória também foi construída com apoio financeiro para a expansão das atividades. Vitor conta que, antes da chegada do Sicredi a Campo Verde, a família dependia de instituições financeiras de outras cidades. Posteriormente, participou da formação da cooperativa no município e manteve uma relação de crédito ao longo dos anos.

Advertisement

“Com certeza, a gente sozinho não é ninguém. Tem sempre que ter os parceiros, porque para tocar essa vida tem que sempre ter apoio”, afirma o produtor rural. Segundo ele, o acesso ao crédito foi importante para investimentos em máquinas, estrutura e capital de giro.

Vitor Vesz Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A gerente de negócios agro do Sicredi em Campo Verde, Leidiane Freitas, relata que a relação com a família começou ainda na implantação da cooperativa no município. O atendimento, pontua ela, envolve visitas à propriedade e identificação das necessidades de cada produtor para definir as modalidades de financiamento.

A gerente de agência Kely Lewandowski destaca ainda a ligação histórica da cooperativa com o setor agropecuário e a atuação junto à comunidade. No caso da família Vesz, a relação financeira acompanha diferentes momentos da expansão dos negócios, incluindo investimentos ligados à agricultura e à pecuária.

Para Vitor Vesz, a continuidade passa principalmente pela organização dos sucessores e pela manutenção da união entre os integrantes da família. A estrutura societária já foi definida e os filhos participam dos negócios em diferentes áreas.

“Eu tenho muita confiança nesse futuro e talvez nós não vamos acompanhar uma parte desse futuro aí. Mas, como diz o outro, as coisas estão muito bem encaminhado”, afirma.

A perspectiva do produtor rural e empresário, portanto, é de continuidade de um modelo construído desde a chegada a Mato Grosso: comércio, agricultura e pecuária funcionando em diferentes etapas do mesmo negócio e com a participação das novas gerações.

Advertisement
MAIS MILHO - SITE MARCAS

 

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT