Agro Mato Grosso
Raízes profundas ajudaram o milho a conquistar a Mesoamérica

Estudo mostra que raízes mais eficientes surgiram como resposta à irrigação e à degradação do solo no período pré-colombiano
Raízes mais profundas e eficientes surgiram durante a domesticação do milho no Vale de Tehuacán, no México, segundo estudo de pesquisadores da Penn State University.
A pesquisa combinou análises genéticas de amostras arqueológicas, dados paleoclimáticos e simulações digitais de crescimento de raízes para entender como o milho se adaptou a ambientes agrícolas em transformação ao longo dos últimos 18 mil anos.
Domesticação influenciada pelo ambiente
O milho (Zea mays) foi domesticado a partir do teosinto por volta de 9 mil anos atrás. Durante esse processo, mudanças nas raízes da planta foram fundamentais para sua adaptação.
Os cientistas observaram três modificações principais: aumento no número de raízes seminais (SRN), redução no número de raízes nodais (NRN) e desenvolvimento de esclerênquima cortical multisseriado (MCS), uma estrutura que reforça as raízes.
Com o uso do modelo OpenSimRoot, os pesquisadores simularam o crescimento das raízes em diferentes períodos históricos, levando em conta mudanças no clima, na composição do solo e nas práticas agrícolas como a irrigação. A modelagem ajudou a estimar quando e por que essas modificações ocorreram.
Mudanças ambientais
Entre 12 mil e 8 mil anos atrás, os níveis de dióxido de carbono aumentaram. Isso favoreceu a seleção de raízes com menos NRN e com MCS, promovendo maior profundidade do sistema radicular.
Por volta de 6 mil anos atrás, com a introdução da irrigação no Vale de Tehuacán, a distribuição de nitrogênio no solo mudou: passou do topo para camadas mais profundas. Esse processo coincidiu com o surgimento de solos degradados por cultivo intensivo e erosão.
As simulações demonstraram que raízes com menos NRN e com MCS exploram melhor o solo profundo. A combinação dessas duas características começou a proporcionar vantagens competitivas para o milho já por volta de 8 mil anos atrás.

Aumento de raízes seminais
Apesar de o peso das sementes de milho já ser suficiente para sustentar raízes seminais adicionais há 6 mil anos, os dados genéticos apontam que o aumento de SRN ocorreu por volta de 3.500 anos atrás.
O período coincide com crescimento populacional na região, aumento da dependência da agricultura e degradação do solo. As raízes seminais, que utilizam reservas da semente para crescer, são vantajosas em solos pobres em nitrogênio e fósforo.
O estudo analisou a frequência de variantes genéticas associadas à SRN em amostras antigas de milho. Os genes Zm00001d021572 e BIGE1, por exemplo, mostraram variações típicas de milho moderno apenas em amostras posteriores a 3.500 anos antes do presente.
Cenários passados e futuros
A equipe simulou o desenvolvimento de raízes de teosinto, milho moderno e híbridos intermediários em diferentes ambientes do passado e também em cenários futuros.
No passado, o teosinto apresentava melhor desempenho entre 18 mil e 10 mil anos atrás. A partir de 8 mil anos, o milho com raízes profundas passou a ser mais eficiente, especialmente em ambientes irrigados e com solos degradados.
No cenário futuro, as raízes do milho tendem a crescer ainda mais, cerca de 30 cm mais profundas, em resposta à maior escassez de água no solo.
Sequência evolutiva confirmada
As simulações apontaram a seguinte sequência provável de evolução das raízes: primeiro, a redução no número de NRN e o surgimento do MCS (entre 12 mil e 8 mil anos), depois o aumento no peso das sementes (cerca de 6 mil anos), e por fim, o aumento de SRN (3.500 anos).
Nitrogênio foi identificado como o fator ambiental mais determinante para o sucesso das raízes modernas. As adaptações radiculares permitiram que o milho aproveitasse melhor o nitrogênio em profundidade, especialmente em solos empobrecidos por práticas agrícolas antigas.
Contribuição metodológica
Este é um dos primeiros estudos a usar modelagem funcional-estrutural tridimensional para reconstruir a evolução de raízes de plantas cultivadas. A abordagem permitiu simular ambientes antigos e testar a performance de diferentes combinações de raízes que já não existem em populações vivas.
Com base em dados de DNA antigo, perfis de solo, registros arqueológicos e clima reconstruído, o trabalho mostra como inovações radiculares emergiram como resposta à agricultura primitiva e às mudanças ambientais na Mesoamérica.
Outras informações em doi.org/10.1111/nph.70245
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT alerta para impactos da MP 1.343 sobre logística e competitividade

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifesta preocupação com a aprovação do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 1.343/2026 pela Comissão Mista do Congresso Nacional e pelo Plenário da Câmara dos Deputados. A entidade avalia que o texto amplia a intervenção estatal nas relações de transporte de cargas e impõe novos custos e riscos regulatórios em um momento especialmente delicado para o setor produtivo, marcado pela elevação dos custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e instabilidades geopolíticas que afetam o acesso e o custo de insumos essenciais para a atividade agropecuária.
As alterações propostas afetam diretamente produtores rurais, cooperativas, indústrias, transportadores e demais contratantes de frete. Entre os principais reflexos apontados estão o aumento dos custos logísticos, a redução da competitividade do agronegócio, dificuldades no escoamento da produção, insegurança jurídica nas relações contratuais e potenciais efeitos inflacionários ao longo da cadeia econômica.
Um dos dispositivos mais preocupantes do texto é a previsão de indenização equivalente a duas vezes o valor correspondente ao Piso Mínimo aplicável à operação. A medida cria uma penalidade excessiva, com valores significativamente superiores ao montante originalmente discutido entre as partes, gerando insegurança para todos os agentes envolvidos na contratação do transporte. Igualmente grave é o endurecimento do regime sancionatório previsto na proposta. O texto estabelece multas que podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão nos casos de reincidência.
Para o setor, além da desproporcionalidade dos valores, a sistemática adotada amplia significativamente o risco regulatório, uma vez que uma nova autuação ocorrida dentro de 12 meses após decisão administrativa definitiva anterior já pode resultar na aplicação das penalidades agravadas previstas na legislação. Além desses pontos, o texto aprovado contém dispositivos que demandam correção, entre eles a metodologia de cálculo do piso mínimo fixada em lei, a multa vinculada ao CIOT, a extensão das regras ao TAC-Agregado e a criação de um piso salarial nacional para motoristas dentro da mesma proposição.
Com a aprovação da matéria pela Câmara dos Deputados, a Aprosoja MT reforça sua preocupação com os impactos que as medidas previstas poderão gerar para o setor produtivo, a logística nacional e a economia brasileira. A entidade alerta que a manutenção de dispositivos que ampliam custos, penalidades e insegurança jurídica pode comprometer ainda mais a competitividade da produção nacional em um cenário já marcado por elevados custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e incertezas no mercado internacional.
A Aprosoja MT faz um apelo à sua base parlamentar para que atue com sensibilidade e responsabilidade na análise da matéria, especialmente na apresentação e defesa dos destaques necessários para corrigir os pontos mais prejudiciais do texto aprovado. A entidade seguirá acompanhando a tramitação da proposta no Senado Federal e atuando em defesa da segurança jurídica, da livre iniciativa, da eficiência logística e da competitividade do agronegócio brasileiro.
Agro Mato Grosso
Ipiranga do Norte (MT) sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27

O município de Ipiranga do Norte (MT) foi escolhido para sediar a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. O anúncio foi realizado durante a premiação do Personagem Soja Brasil 25/26 pela diretora de jornalismo do Canal Rural, que confirmou o evento para o dia 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, localizada no médio-norte mato-grossense.
A abertura marcará a chegada da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e reunirá produtores rurais, autoridades, empresas e lideranças do agronegócio para discutir as expectativas para a nova safra, além dos desafios e oportunidades que devem movimentar o setor nos próximos meses.
Para o prefeito do município, Juliano Berticelli, a escolha do município reforça a importância da região para a produção agrícola nacional. “É com muita satisfação que hoje estamos aqui na Fazenda Horizontina, local escolhido para a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27”, disse.
Para ele, Ipiranga do Norte terá a honra de receber produtores rurais, autoridades e empresas. ”Será um ótimo momento para discutirmos as expectativas da próxima safra, os desafios e as oportunidades do setor”, destacou.
Localizado em uma das áreas mais produtivas do país, o município é referência na produção de grãos e se consolidou como uma importante fronteira agrícola de Mato Grosso. Segundo Berticelli, a realização do evento representa uma oportunidade de mostrar a força do agronegócio local para todo o Brasil.
“Ipiranga do Norte fica localizado em uma das áreas mais produtivas do país. Por isso, temos a alegria de receber esse evento em nosso município”, afirmou.
A programação será transmitida ao vivo pelo Canal Rural, ampliando o alcance das discussões e levando informações diretamente aos produtores rurais de diferentes regiões do país.
“Em nome do município, convido todos para participarem conosco desse grande evento do agronegócio brasileiro”, reforçou o prefeito.
A Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 dará início a mais uma temporada do Projeto Soja Brasil, que há 15 anos acompanha os principais desafios, avanços e histórias da cadeia produtiva da soja brasileira.
“São todos convidados para estarem conosco no dia 17 de setembro. Que venham muitas e boas safras pela frente”, concluiu.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT participa do IOPD XXVIII, no Canadá, e propõe Fórum Global de Agricultura

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participa da 28ª edição do Diálogo Internacional de Produtores de Oleaginosas, encontro que reúne produtores de oleaginosas de quatro continentes em Niagara Falls, no Canadá, entre os dias 15 e 19 de junho de 2026. Representada pelo diretor administrativo, Diego Bertuol, a entidade integra a delegação brasileira em um fórum sediado pela Canadian Canola Growers Association (CCGA) e pela Grain Farmers of Ontario (GFO).
O evento reúne anualmente as principais lideranças mundiais do setor para alinhar posições diante de desafios comuns da cadeia produtiva global. Entre os principais temas em debate, estão o papel central da energia e dos biocombustíveis na descarbonização e na segurança energética, incluindo a descarbonização do transporte marítimo e a necessidade de que as políticas do setor não discriminem os biocombustíveis de origem agrícola.
Também tiveram papel central nas discussões o acesso a mercados diante do avanço de tarifas e de exigências crescentes de padrões ambientais e certificações, frequentemente enviesados, bem como o embate entre alimento e combustível, sustentado pelo argumento da mudança indireta do uso da terra (ILUC). Por fim, as lideranças produtivas diversas questionaram os ataques, sem base científica adequada, aos atributos dos óleos vegetais e a instabilidade crescente da renda do produtor rural.
Em todas as frentes, prevaleceu uma preocupação compartilhada: o uso de critérios regulatórios sem fundamento científico — ou apoiados em ciência ainda frágil — para definir as regras do jogo econômico global.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, defendeu a criação de um Fórum Global de Agricultura Tropical e Clima, com dois objetivos centrais. “Primeiro, construir uma agenda de tropicalização das métricas e dos parâmetros de sustentabilidade, capaz de reconhecer as características próprias da produção tropical e o esforço do produtor que concilia conservação e produção. Segundo, e a partir daí, valorizar os atributos ímpares da produção tropical no mercado global”, comenta ele.
Bertuol destaca ainda que, regulações construídas sobre ciência frágil são ruins para a produção, ruins para a segurança alimentar, ruins para a segurança energética e ruins até mesmo para a sustentabilidade ambiental que dizem proteger. Esta posição foi reconhecida pelas lideranças do IOPD, que defenderam o uso de parâmetros ancorados em empiria sólida — e não em modelos ou práticas importadas — bem como o reconhecimento das diferenças regionais entre os sistemas de produção.
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