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22 de junho de 2026

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Feijão com minhoca no solo e zero de resíduos

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Sustentável já não basta. Quando o solo perde vida, a água escorre sem infiltrar e a renda do produtor oscila ao sabor do clima e dos preços, “não piorar” já é arriscar demais. A boa notícia é que existe um novo jeito de produzir alimentos que vai além de evitar danos: ele busca recuperar o que foi perdido.

Cada vez mais produtores brasileiros estão adotando práticas regenerativas — um conjunto de cuidados que, ao mesmo tempo, aumentam a produtividade e melhoram a saúde do solo, da água e da biodiversidade. Não é ideologia, é técnica. É usar o que funciona: bioinsumos, agricultura de precisão, plantio direto, rotação de culturas, adubos verdes, manejo integrado de pragas, compostos orgânicos, sensores, inteligência artificial e, quando necessário, defensivos aplicados com critério. A lógica é simples: solo vivo é um ativo; água protegida é garantia de produção; biodiversidade é aliada contra pragas e doenças.

Na prática, isso significa cultivar de forma a ter sempre cobertura no solo, diversificar plantas ao longo do ano, reduzir revolvimento, medir a qualidade da terra e da água e, pouco a pouco, depender menos de insumos caros e mais dos serviços que a própria natureza oferece — como infiltração de água, fixação de nitrogênio e controle biológico. É menos impacto, sim, dentro dos limites da Anvisa, chegando a reduzir em mais de 80% o uso dos antigos defensivos, mas também é mais vida e mais estabilidade na produção.

E por que isso deveria interessar a quem vive na cidade? Porque regenerar também é social. É reduzir perdas, garantir alimentos de qualidade com preço mais estável, e contar a história de onde e como a comida foi produzida. É reconectar o campo e a cidade pela confiança — e confiança se constrói mostrando, não prometendo.

O feijão é um dos alimentos que mais pode se beneficiar e ajudar nessa transformação. Como leguminosa, ele fixa nitrogênio no solo, diminuindo a necessidade de adubos químicos. Quando entra na rotação com outras culturas, ajuda a quebrar ciclos de pragas e doenças e melhora a estrutura do solo. Muitos produtores que já adotam práticas regenerativas também cultivam soja, milho, trigo ou cevada — e incluir o feijão nesse modelo dilui custos e leva ao consumidor um produto que ele conhece, consome e valoriza todos os dias.

Além disso, o feijão é parte da identidade brasileira. Está na feijoada de sábado, no prato feito do almoço, nas receitas regionais. Falar de feijão regenerativo é falar de comida de verdade, de saúde no prato e de renda no campo. É uma narrativa fácil de entender: solo vivo, água protegida, biodiversidade equilibrada e indicadores que comprovam tudo isso.

Claro que há desafios. Produzir de forma regenerativa exige planejamento, disciplina e visão de médio prazo. Os resultados não vêm todos de uma vez, mas se acumulam a cada safra: solos mais férteis, lavouras mais resistentes a extremos climáticos, menos perdas e mais competitividade — inclusive em mercados que pagam mais por produtos com origem e práticas comprovadas.

O chamado é simples: apoiar e escolher alimentos produzidos com responsabilidade. Quando o consumidor entende a diferença e valoriza quem produz assim, ajuda a escalar um modelo que devolve vida ao campo e confiança à mesa.

Sustentabilidade freia o dano; regeneração recupera a capacidade produtiva e a reputação da agricultura brasileira. E, com o feijão liderando essa conversa, todo mundo sai ganhando.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Profert fortalece bioinsumos e impulsiona liderança global do Brasil, aposta Abinbio

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Foto: Guilherme Soares/Canal Rural BA

O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) representa uma resposta legislativa mais estruturante para enfrentar a vulnerabilidade crônica do agro brasileiro: a dependência externa de 85% dos fertilizantes consumidos no país. Essa é a avalição do diretor da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Mauro Heringer.

Segundo ele, que baseia sua opinião no PL 699/2023 (Substitutivo da Câmara dos Deputados, de 27 de maio) e no Informativo Regulatório Auro Ruschel Advogados Associados, o problema, sujeito a choques geopolíticos, cambiais e logísticos sempre foi tratada com medidas pontuais de suspensão tributária.

O executivo acredita que o fator a tornar o Profert estratégico é a mudança de paradigma: o PL 699/2023 substitui o modelo reativo de desonerações fiscais sobre tributos que serão extintos pela Reforma Tributária (PIS/Cofins, IPI) por uma política industrial ancorada em cinco instrumentos complementares:

  1. Mistura compulsória: cria mercado cativo com percentuais obrigatórios de insumo nacional (2% em jul/2027, escalonando para 10-30% até 2037);
  2. Crédito fiscal estrutural: até 20% dos custos produtivos, com capacidade de R$ 10 bilhões em cinco anos;
  3. Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF): garantias, contratos de diferença e fomento a P&D;
  4. Linhas BNDES: financiamento reembolsável para expansão e modernização fabril;
  5. Isenção de AFRMM: desoneração logística para projetos habilitados.

“Pela primeira vez, o setor de bioinsumos é colocado no centro da política industrial do país, enquanto fertilizantes químicos convencionais e defensivos foram expressamente excluídos do programa. A meta explícita é reduzir a dependência externa para 45% até 2050. Trata-se do marco regulatório mais relevante para o setor desde a Lei de Bioinsumos”, considera.

De acordo com Heringer, a inclusão é o diferencial mais relevante do texto aprovado e representa uma quebra de paradigma regulatório. “Até o Profert, os bioinsumos eram tratados como externalidade positiva no marco legal de fertilizantes, quando muito, menção lateral em políticas focadas em insumos químicos. O PL 699/2023 inverte essa lógica.”

Assim, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores são nominalmente incluídos nos artigos 1º e 2º do substitutivo como beneficiários centrais da política, enquanto os defensivos químicos convencionais foram excluídos.

Para o diretor da Abinbio, três implicações estratégicas decorrem disso:

  1. Sinalização regulatória clara: o Estado brasileiro está direcionando R$ 10 bilhões em subsídios para a indústria de base biológica, orientando investimento privado, P&D e posicionamento de mercado com previsibilidade jurídica e econômica.
  2. Mercado compulsório e crescente: a mistura obrigatória de produto nacional (2% em 2027, 10% a 30% em 2037) cria uma demanda cativa que independe de ciclos econômicos ou preferências de compra. Grandes distribuidores, cooperativas e tradings precisarão adquirir bioinsumos nacionais. A discussão passa de “se” para “de quem”.
  3. Vantagem competitiva estrutural: as contrapartidas socioambientais obrigatórias do programa (redução de GEE, eficiência energética, desenvolvimento local) são atributos intrínsecos dos bioinsumos. Enquanto produtores convencionais precisarão adaptar operações para se qualificar, a indústria de bioinsumos já nasce habilitada. “O programa não exige que o setor biológico mude, ele premia o que o setor já é”, considera.

Como as empresas se beneficiam

O Profert estrutura cinco mecanismos financeiros que operam de forma combinada e cumulativa. Heringer destaca:

  1. Crédito Fiscal Estrutural: crédito de até 20% dos dispêndios com produção nacional, apurado via CSLL, com limite global de R$ 2 bilhões/ano (R$ 10 bilhões no horizonte do programa). O acesso é competitivo: a empresa precisa apresentar projeto habilitado junto ao MAPA e competir dentro do limite anual.
  2. Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF): fundo público contábil que oferece três modalidades de suporte: (i) garantias para projetos de investimento, reduzindo o custo de capital; (ii) contratos de diferença que protegem a margem contra volatilidade de preços internacionais; (iii) recursos não-reembolsáveis para P&D.
  3. Financiamento BNDES: linhas dedicadas para construção, reativação, expansão e modernização de plantas industriais, com condições diferenciadas de prazo e taxa para projetos enquadrados no Profert.
  4. Isenção de AFRMM: desoneração do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante para insumos e equipamentos importados destinados a projetos aprovados, com limite de R$ 200 milhões/ano entre 2027 e 2031.
  5. Crédito Emergencial de Transição: R$ 1 bilhão já disponível para o exercício de 2026, com janela de submissão entre outubro e dezembro de 2026, para mitigar custos imediatos antes da entrada em vigor do programa regular.
  6. Pontos de atenção obrigatórios para as empresas: lucro Real é condição eliminatória — empresas no Simples Nacional estão expressamente vedadas; habilitação prévia no MAPA é mandatória e deve ser iniciada até agosto/setembro de 2026; contrapartidas socioambientais — mitigação de GEE, eficiência energética e diálogo com comunidades — são pré-requisitos de elegibilidade, não meras recomendações.

O que esperar do futuro

O diretor da Abinbio destaca que as projeções para o futuro da indústria dos bioinsumos com o Profert apoiam-se em três eixos: escalonamento regulatório, dinâmica de mercado e posicionamento geopolítico do Brasil.

Assim, no curto prazo, entre 2027 e 2029, a obrigatoriedade de 2% de mistura nacional a partir de julho de 2027 já representa um mercado mínimo estimado em centenas de milhões de reais para bioinsumos nacionais.

“Empresas habilitadas antes da concorrência capturarão contratos de cota com distribuidores e cooperativas, estabelecendo posicionamento preferencial que se consolida nessa fase. O crédito emergencial de R$ 1 bilhão, concedido em 2026, funciona como antecipação de capital para essa estruturação”, detalha.

Já no médio prazo, entre 2030 e 2033, o percentual obrigatório escala para a faixa de 10-30%, com a indústria de bioinsumos já tendo capacidade instalada expandida via financiamento BNDES e acesso ao FPNF para P&D.

“Nesse estágio, projeta-se consolidação de fornecedores nacionais como players dominantes no mercado cativo; redução mensurável da dependência externa; e atração de investimento estrangeiro direto para plantas de bioinsumos no Brasil”, pontua Heringer.

Por fim, no longo prazo, abrangendo o período de 2034 a 2037, com a cota estabilizada em 10-30%, o setor de bioinsumos brasileiro deve estar consolidado como referência global em tecnologias biológicas para agricultura tropical.

Com isso, o executivo afirma que o horizonte projeta a exportação de modelo e tecnologia, com o arcabouço regulatório brasileiro servindo de referência para outros países. “Além disso, um efeito de ‘arrasto’ sobre toda a cadeia, com laboratórios de pesquisa, provedores de logística especializada, engenharia de processos biológicos; e descarbonização mensurável da agricultura brasileira — com impacto direto na precificação de commodities verdes no mercado internacional.”

Segundo os dados da Abinbio, o Brasil saltou de oito empresas com produtos biológicos registrados em 2014 para 53 em 2024. “Com o Profert, esse vetor de crescimento ganha não apenas aceleração, mas previsibilidade estrutural.”

Com isso, Heringer acredita que a pergunta para o mercado não é mais se o setor vai crescer, mas sim quem estará posicionado quando a curva de adoção atingir o patamar compulsório.

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Garantia-Safra injeta quase R$ 32 mi em Alagoas e beneficia mais de 26 mil agricultores

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mais de 26 mil agricultores alagoanos receberam o Garantia-Safra 2024/2025 este ano. O seguro injetou quase R$ 32 milhões na economia de 34 municípios alagoanos.

Na série histórica, esse foi o segundo maior valor liberado, ficando atrás apenas da safra 11/12, quando a estiagem severa aumentou o número de parcelas liberadas aos produtores em um mesmo ano agrícola. Os resultados foram anunciados no jornal Gazeta Rural deste fim de semana, 20 e 21 de junho.

Os pagamentos tiveram início em março, quando foram liberadas as parcelas únicas no valor de R$ 1.200,00 para agricultores que aderiram em 31 municípios. O último lote, que estava em análise, foi liberado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) para o município de Traipu, beneficiando mais de 1.500 agricultores. 

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária de Alagoas, Marcelo Melo, explicou que o governo de Alagoas aportou mais de R$ 4 milhões em recursos para adesão estadual ao Fundo do Garantia-Safra, que também recebe aporte financeiro dos municípios, União e dos próprios agricultores.

“Esse valor se multiplica quando os produtores recebem e injetam no próprio município, movimentando a economia local. Este ano, agricultores de 31 municípios receberam seu seguro no mês de março, quando também realizamos as entregas de sementes de milho e feijão do programa Planta Alagoas”, informou Melo.

Sobre o programa

O Garantia-Safra é uma ação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), vinculado ao MDA. O programa prevê benefícios a agricultores que tiveram perdas comprovadas em seu município por escassez ou excesso de chuvas. 

Os agricultores familiares que estiverem com problemas no Número de Identificação Social (NIS) devem procurar a Rede CAF, local onde fizeram a adesão no programa, para regularizar a situação. Já os agricultores que aderiram ao Garantia-Safra 2024/2025 que tiveram o benefício bloqueado nos municípios com pagamentos já autorizados devem procurar regularizar sua situação no serviço. “Solicitar Requerimento de Defesa após bloqueio do Benefício Garantia-Safra” na plataforma Gov.br. 

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Safra de inverno no Rio Grande do Sul deve ter área 10,76% menor em 2026

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A área cultivada com as culturas de inverno no Rio Grande do Sul deve cair 10,76% em 2026, passando de 1.765.702 hectares para 1.575.634 hectares, segundo dados apresentados pela Emater/RS nesta segunda-feira (22). A produção total estimada também recua 22,15% em relação ao ciclo anterior, com projeção abaixo das 3.733.118 toneladas registradas em 2025. O levantamento foi realizado entre 4 de maio e 16 de junho de 2026.

De acordo com o diretor técnico da Emater/RS, Mateus Rocha, trigo e cevada puxam a redução da safra de inverno no Estado. No trigo, principal cultura da temporada, a área deve cair 30,18%, de 1.166.163 hectares para 814.220 hectares. A produção está estimada em 2.199.554 toneladas, retração de 36,39% frente ao ciclo passado.

Segundo Rocha, o recuo do trigo está associado a fatores de mercado, financeiros e climáticos. Ele citou como base do cenário a combinação entre questão climática, crédito e descapitalização do produtor gaúcho. O diretor também afirmou que o El Niño gera insegurança em razão das características fitossanitárias do cereal.

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Na cevada, a área projetada é de 20.320 hectares, queda de 36,52%. A produção deve somar 61.369 toneladas, 47,07% abaixo das 115.935 toneladas de 2025.

Em sentido oposto, a canola aparece como destaque positivo do balanço. A área destinada à cultura deve avançar 102,64%, saindo de 174.394 hectares para 353.397 hectares. A produção estimada é de 571.975 toneladas, alta de 100,35% em 2026. Rocha atribuiu esse movimento à demanda industrial e ao modelo de negócios da cultura, que, segundo ele, opera de forma integrada com a indústria e com garantia de preço.

O diretor também citou a inserção da carinata, voltada ao mercado de combustível sustentável de aviação (SAF). Já a aveia branca em grãos deve registrar queda de 1,38% na área, para 387.697 hectares, e de 3,79% na produção, estimada em 900.221 toneladas.

Os dados apresentados pela Emater/RS mostram redução na área e na produção das culturas de inverno no Rio Grande do Sul em 2026, com retração mais acentuada em trigo e cevada e avanço da canola. O material divulgado não informa preços, prazo de comercialização ou detalhamento regional dos impactos para os produtores.

Fonte: Estadão Conteúdo

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