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7 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Como o estádio das daninhas interfere na eficácia do controle? – MAIS SOJA

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Para reduzir a competição das plantas daninhas com as culturas agrícolas por água, radiação solar e nutrientes do solo, o controle efetivo das populações infestantes é indispensável tanto no período pré-semeadura, quanto no período pós-semeadura. O estabelecimento da cultura “no limpo” (livre da presença de populações infestantes) é crucial para o bom estabelecimento e desenvolvimento inicial das lavouras.

Dependendo da espécie e densidade da população da planta daninha e do período de convivência com a cultura agrícola perdas expressivas de produtividade podem ser observadas, chegando a ultrapassar 70% como ocorre com infestações de caruru (Amaranthus palmeri) em soja (Gazziero & Silva, 2017).

Considerando a expressão econômica de algumas espécies daninhas e a dificuldade em controla-las em função dos casos de resistência a determinadas moléculas de herbicidas, o posicionamento dos herbicidas quanto ao princípio ativo e época de aplicação exerce importância direta no sucesso do manejo e controle das populações infestantes. Para tanto, deve-se conhecer as populações infestantes, as espécies com resistência e monitorar as áreas de cultivo a fim de definir o melhor período para o controle.

De modo geral, plantas jovens são mais facilmente controladas por herbicidas pós-emergentes do que plantas adultas. Plantas em estádio de desenvolvimento entre 3 a 4 folhas apresentam boa área foliar para absorção de herbicidas, e também menor capacidade a resistir a ação desses herbicidas, sendo efetivamente melhor controladas.

Figura 1. Estádio recomendado para o controle de caruru em pós-emergência.

Conforme observado por Bianchi (2020), espécies daninhas de difícil controle, como a cravorana, apresentam maior suscetibilidade quando manejadas nos estádios iniciais de desenvolvimento (até 15 cm de altura). O autor destaca que, em fases mais avançadas, são necessárias doses mais elevadas de herbicidas para que se obtenha um controle eficaz.

Resultados de pesquisas realizadas pela CCGL demonstram que controles iguais ou superiores a 90% da cravorana no período inicial do seu desenvolvimento (± 20 cm) são obtidos com aplicações únicas com glifosato+2,4-D+saflufenacil (35 g ha-1)+imazetapir, glifosato+2,4-D+flumioxazina+imazetapir e com glifosato+2,4-D+saflufenacil (35 g ha-1)+ diclosulam; enquanto que, para cravorana com ± 35 cm de altura as opções de controle são limitadas, sendo necessário em muitas vezes, realizar aplicações sequenciais para que um controle satisfatório seja observado (Bianchi, 2020).



Resultados similares foram observados por Schneider; Rizzardi; Bianchi (2019), demonstrando a importância do estádio de desenvolvimento para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. Com o objetivo de avaliar alternativas químicas para o controle da buva resistente ao glifosato, Schneider; Rizzardi; Bianchi (2019) conduziram um estudo utilizando herbicidas com diferentes mecanismos de ação, aplicados isoladamente ou em associação com glifosato. Biotipos de buva foram classificados em três classes de estatura, até 5 cm (estatura I), entre 6 e 15 cm (estatura II) e entre 16 e 25 cm (estatura III),  permitindo analisar a influência do tamanho das plantas na eficiência dos tratamentos herbicidas.

Conforme resultados observados pelos autores, as plantas de buva com menor estatura (no máximo 5 cm e de 6 cm e 15 cm) são melhor controladas, sendo que, para essas plantas, os tratamentos herbicidas glifosato + saflufenacil, diquate e amônio glufosinato demonstraram resultados satisfatórios de controle (tabela 1).

Tabela 1. Controle (%) de Conyza spp. aos 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos (DAT).
Adaptado: Schneider; Rizzardi; Bianchi (2019)

Com base nos resultados supracitados, pode-se dizer que independentemente do herbicida utilizado, plantas de menor estatura (jovens), não mais facilmente controladas em comparação a plantas adultas.

No entanto, uma das principais dificuldades no posicionamento de herbicidas em pós-emergência, considerando o estádio de controle das plantas daninhas, está associada à diversidade de espécies e aos diferentes fluxos de emergência. Essa variabilidade reduz a acurácia na definição do momento ideal para a pulverização, o que pode impactar diretamente a eficácia do controle.

Figura 2.  Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.
Fonte: Fundação ABC (2020).

Nessas situações, a pulverização sequencial (dessecação sequencial) pode ser uma interessante estratégias de manejo. Mesmo que plantas remanescentes persistam em áreas dessecadas, normalmente essas plantas apresentam certa debilitação após a aplicação dos herbicidas. Nesse momento, a pulverização com herbicidas de diferentes princípios ativos ou mecanismo de ação, possibilita o controle efetivo das plantas persistentes.

A dessecação sequencial, além de controlar populações já estabelecidas de plantas daninhas, contribui significativamente para a redução dos fluxos de emergência dessas plantas, especialmente quando associada ao uso de herbicidas pré-emergentes. De acordo com  Brunetto et al. (2023), a aplicação de produtos como Imazethapyr + Flumioxazin (Zethamaxx®) proporciona controle total (100%) do caruru-roxo (Amaranthus hybridus) aos 21 dias após o tratamento, evidenciando a eficácia dos herbicidas pré-emergentes na supressão de novos fluxos de emergência e reforçando sua importância no manejo integrado de plantas daninhas.

Referências:

BIANCHI, M. A. DESSECAÇÃO DE LOSNA-DO-CAMPO (Ambrosia elatior). CCGL, Boletim Técnico, n. 83, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/Boletim%20T%C3%A9cnico%2083%20(M.Bianchi,%202020).pdf >, acesso em: 06/08/2025.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 06/08/2025.

SCHNEIDER, T.; RIZZARDI, M. A.; BIANCHI, M. A. DESEMPENHO POR ESTATURA: NO CONTROLE QUÍMICO DA BUVA RESISTENTE AO GLIFOSATO, O RESULTADO DA APLICAÇÃO DE HERBICIDAS PODE VARIAR DE ACORDO COM O TAMANHO DA PLANTA DANINHA. Revista Cultivar, 2019. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/desempenho_por_estatura.pdf >, acesso em: 06/08/2025.

 

 

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Sustentabilidade

Inovação nanotecnológica aumenta a resistência da soja ao excesso de luz e favorecer o crescimento inicial das plantas – MAIS SOJA

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De acordo com o mais recente relatório “Oilseeds: World Markets and Trade” do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a soja é a principal oleaginosa produzida globalmente, com produção superior a 370 milhões de toneladas anuais. No Brasil, maior produtor mundial do grão, dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a cultura ocupa mais de 44 milhões de hectares, mas apesar dessa expressiva importância, estudos técnicos da Embrapa Soja e revisões científicas publicadas em periódicos como Field Crops Research e Plant Physiology mostram que a cultura ainda é extremamente sensível a estresses abióticos, incluindo o excesso de radiação solar, que pode causar fotoinibição, reduzir a eficiência fotossintética e comprometer o crescimento inicial e a produtividade.

Diante desse cenário, uma pesquisa com participação de pesquisadores parceiros do INCT NanoAgro – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável identificou uma alternativa promissora para fortalecer o desenvolvimento da cultura em condições cada vez mais frequentes no contexto das mudanças climáticas. Publicado na revista científica Plants, o estudo demonstrou que a aplicação foliar de pontos de carbono, nanomateriais à base de carbono conhecidos pela capacidade de captar luz e proteger as plantas contra parte da radiação ultravioleta, foi capaz de reduzir os efeitos da fotoinibição, processo em que o excesso de luz compromete a eficiência da fotossíntese e, consequentemente, o crescimento das plantas.

A pesquisa foi conduzida em casa de vegetação com plantas de soja submetidas a condições de alta luminosidade. Os pesquisadores avaliaram diferentes concentrações dos pontos de carbono e verificaram que a dose de 0,05 mg mL⁻¹ apresentou os melhores resultados, preservando a atividade do fotossistema II, responsável por uma das etapas fundamentais da fotossíntese, sem intensificar os efeitos do estresse luminoso.

Os resultados também indicaram ganhos importantes no desenvolvimento das plantas. Em comparação ao tratamento controle, a concentração considerada mais eficiente proporcionou aumento de 14% no índice de clorofila, crescimento de 26% na parte aérea e incremento de até 41% na massa seca total durante a fase inicial da cultura.

Além de favorecer o crescimento, a tecnologia contribuiu para uma melhor adaptação fisiológica das plantas ao ambiente de alta luminosidade. As plantas tratadas apresentaram redução da transpiração e da condutância estomática, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade fotossintética, característica importante para o uso mais eficiente da água em condições de estresse. Embora concentrações mais elevadas tenham apresentado efeitos negativos sobre o desempenho fotossintético, os resultados reforçam o potencial dos pontos de carbono como nanobioestimulantes quando utilizados em doses adequadas.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores parceiros do INCT NanoAgro, vinculados à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Participaram da pesquisa Marina M. Kawazoe, Adriana de Paula Cardoso, Marilza Castilho, Ailton J. Terezo, Adriano B. Siqueira, Halley C. Oliveira e Diego G. Gomes.

Os resultados ampliam as evidências sobre o uso estratégico da nanotecnologia para aumentar a resiliência das culturas agrícolas frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao proteger o aparato fotossintético das plantas e favorecer seu crescimento inicial, os pontos de carbono despontam como uma tecnologia com potencial para contribuir com sistemas agrícolas mais sustentáveis e produtivos.

Fonte: Assessoria de imprensa



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Sustentabilidade

Exportação de soja cresce 9,3% em julho e receita avança 17,4%

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O Brasil exportou 13,401 milhões de toneladas de soja em grão em julho, volume 9,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. A receita com os embarques alcançou US$ 5,874 bilhões, avanço de 17,4% na mesma comparação. Os dados foram divulgados na quinta-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), considerando 23 dias úteis em ambos os períodos.

Na média diária, os embarques de soja chegaram a 582.649 toneladas em julho, acima das 532.927 toneladas por dia útil observadas em igual mês do ano passado. Em valor, a média diária das exportações foi de US$ 255,389 milhões, também 17,4% superior aos US$ 217,474 milhões registrados em julho de 2025.

O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 438,30, alta de 7,4% ante os US$ 408,10 de julho do ano passado. O dado mostra avanço simultâneo de volume e de valor nas vendas externas do grão no comparativo anual.

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Na comparação com junho deste ano, porém, o ritmo de embarques foi menor. O volume caiu 7,6%, passando de 14,499 milhões para 13,401 milhões de toneladas. A receita recuou 6,1%, de US$ 6,258 bilhões para US$ 5,874 bilhões. Já o preço médio subiu 1,6%, de US$ 431,60 para US$ 438,30 por tonelada.

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 82,980 milhões de toneladas de soja em grão. O volume representa alta de 7,5% frente às 77,210 milhões de toneladas embarcadas no mesmo intervalo de 2025. A receita no período somou US$ 35,091 bilhões, avanço de 15,2% sobre os US$ 30,45 bilhões registrados um ano antes.

Os dados da Secex mostram que julho teve crescimento anual nas exportações brasileiras de soja em volume, receita e preço médio da tonelada. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, os embarques e o faturamento também ficaram acima dos níveis observados em igual período de 2025.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Sustentabilidade

Trigo: Excesso de umidade impõe restrições pontuais, mas lavouras mantêm bom potencial no RS – MAIS SOJA

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A cultura de trigo apresenta desenvolvimento predominantemente satisfatório no Estado, embora as condições meteorológicas das últimas semanas tenham imposto restrições pontuais ao crescimento das plantas e à finalização da semeadura. O excesso de precipitações manteve elevada a umidade dos solos, dificultando o tráfego de máquinas, as adubações nitrogenadas em cobertura e as aplicações fitossanitárias, mas sem ocasionar atrasos expressivos nas operações.

Nas lavouras mais desenvolvidas, o aumento da radiação solar, no final do período, favoreceu a retomada do crescimento e o avanço para as fases reprodutivas iniciais (3%). Já as áreas implantadas mais tardiamente (97%) estão em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento.

De forma localizada, foram observados acamamento, erosão hídrica, danos por granizo e encharcamento em solos com limitações de drenagem, mas de reduzida representatividade sobre a área cultivada.

A elevada umidade relativa, o molhamento foliar prolongado e as temperaturas amenas intensificaram a pressão de doenças foliares, exigindo monitoramento constante e continuidade das estratégias de controle. Apesar dos impactos localizados, o potencial produtivo continua, de maneira geral, dentro das expectativas para a safra.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições climáticas menos restritivas em parte da região permitiram a retomada da adubação nitrogenada em cobertura e das aplicações de herbicidas e fungicidas, anteriormente limitadas pelas precipitações. As temperaturas amenas proporcionaram boas condições para o início da fase reprodutiva.

Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a semeadura sofreu atraso em razão das chuvas intensas e frequentes durante o mês de julho, devendo ser concluída em breve. As áreas implantadas apresentam germinação e estabelecimento inicial adequados. Os elevados volumes de precipitação provocaram perdas restritas a áreas de baixada e erosão  hídrica em alguns pontos, mas sem reflexos significativos sobre o potencial produtivo esperado.

Na de Ijuí, o desenvolvimento das lavouras está satisfatório, apesar da baixa luminosidade e da elevada umidade do solo. As plantas exibem coloração verde-pálida, maior estatura, entrenós alongados e folhas mais estreitas, características associadas às condições ambientais. Nas áreas onde os acumulados de chuva ultrapassaram 100 mm, observa-se saturação hídrica do solo, o que ocasiona estagnação temporária do crescimento, além de amarelecimento das plantas, especialmente em locais com maior compactação.

Houve acamamento parcial provocado por ventos intensos associados às chuvas, mas as plantas se recuperam gradualmente. Os processos de erosão se concentram nas áreas de maior declividade. Já a sanidade das lavouras está satisfatória, mesmo sob ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças.

Na de Passo Fundo, os cultivos estão em desenvolvimento vegetativo (50%) e perfilhamento (50%). Prosseguiram as adubações nitrogenadas em cobertura, realizadas conforme as condições de trafegabilidade.

Na de Pelotas, a semeadura foi encerrada sem atingir a intenção inicial de cultivo, totalizando aproximadamente 4.000 hectares, correspondentes a cerca de 90% da área inicialmente prevista. O excesso de chuvas, nas últimas semanas de julho, impossibilitou o
deslocamento de máquinas e inviabilizou a implantação das áreas remanescentes.

Na de Santa Rosa, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo (93%), e 6% ingressam na fase de floração. A elevada umidade e as temperaturas amenas aumentaram o risco de doenças foliares. Contudo, as condições meteorológicas restringiram as janelas para as aplicações de fungicidas, permitindo intervenções apenas em períodos pontuais.

Em Santo Antônio das Missões, o episódio de granizo atingiu aproximadamente 500 hectares em desenvolvimento vegetativo, ocasionando acamamento das plantas. Porém, há expectativa de recuperação da maior parte do potencial produtivo Na de Soledade, os cultivos se desenvolvem dentro da normalidade, apesar das precipitações intensas, registradas nas últimas semanas. A maior parte (70%) se encontra em perfilhamento, e 30% estão em elongação do colmo. Embora tenham sido observados processos de erosão laminar, evoluindo pontualmente para erosão em sulcos, e acamamento em depressões naturais do terreno, esses danos ainda apresentam baixa repercussão sobre o potencial produtivo.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 69,80 para R$ 69,36 com pH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o preço é de R$ 75,00/sc. para produto disponível.

Fonte: Emater/RS



 

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